Minha Viagem a Barcelona

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Barcelona é uma cidade em que não importa o número de dias que você fique. Foi lá que eu escolhi pra entrar nos 45 anos de idade. E gostaria de fazer isso todos os anos de minha vida. É impossível conhecê-la palmo a palmo, mas a cada dia a mais de permanência, é uma surpresa crescente. Mas ao chegar ao aeroporto, siga em direção do jornaleiro e compre logo o Guía del Ocio. Lá tem tudo o que está acontecendo na cidade.

Fiquei hospedada em Ramblas, num hotel simpático e das sacadas, do quarto ou do bar, eu podia assistir de camarote aos artistas de rua noite a dentro. Dormir ? Impossível. O agito das ruas não permitia, e só com o barulho dos carros-pipas às 4 da amanhã o vinha o silêncio barceloneta, ou seja, menos barulho. 

Às 9 horas tudo estava funcionando, com os indianos abrindo as lojas de souvenir de Ramblas. Dorme-se nesta cidade ? Sim. Das 14:00 às 17:00, diariamente, quando quase tudo fecha. Se em Roma devemos nos comportar como os romanos, em Barcelona, faça como todos que estão lá. Divirta-se o tempo todo. Durma em casa, com o seu travesseiro.

Mas pra começar a conhecer Barcelona dois dias de Bus Turistic já são suficientes para uma amostra. O esquema é superorganizado, pontualíssimo e faça questão de ir no andar de cima, aberto, com direito ao sol e ao vento. Depois você volta aos outros lugares na direção Norte ou na direção Sul que não deu tempo para visitar, munido do livrinho dos descontos, para os museus. De preferência a pé, pois a cidade ordena um tênis confortável pra andar sem rumo pelo Bairro Gótico (com fontes de água geladinha pra  refrescar) ou para encarar as ladeiras e escadarias que surgem em todo lugar.

Uma garrafinha de água mineral é a melhor companhia para esta maratona de paisagens e museus maravilhosos, mas se você cansou no Bairro Gótico, o mercado S. José, mais conhecido como Boqueria, em Ramblas, um "melocotón" (pêssego) enorme e sumoroso restaura as energias perdidas, ou um copo vinho servido com petiscos no balcão lhe reanima o corpo enquanto seus olhos vagueiam num festival de cores.

Subir e descer as Ramblas (um calçadão com árvores e bares na calçada) e você já viu todos os turistas e malucos em Barcelona.  Se gosta de sebos e livrarias e bibliotecas, então aumente mais uns 3 dias a sua estadia.

Imperdível é o Port Vell. Além do porto, tem um shopping onde você vê gente menos louca, tem ar refrigerado no calorão do verão,  e pode-se escolher entre os 8 cinemas ou à companhia dos peixinhos e tubarões no Aquaruim (onde é você que parece que está no aquário). Além, é claro, de uma paradinha num Cybercafé pra verificar a sua caixa de Correios e mandar emails pro pessoal.

Mais uns 5 minutos de caminhada pelo calçadão à beira mar e está o Museu da História da Catalunya que em nada lembra os museus que você já visitou. Não tem quadros de pintores e nem coisas estáticas. Lá tudo lhe pede pra ser tocado, ouvido, mexido. Vemos num canto um rei catalão à morte, com as quatro listras de seus dedos formando a bandeira catalã (amarela e vermelha) gemendo (claro, em catalão), mais 10 passos e estamos numa tenda árabe escutando um diálogo árabe com fundo musical (árabe), mais um pouco e muda-se de andar (são 3) e finalizamos a visita num salão enorme onde o chão de vidro transparente deixa à mostra uma maquete fisiográfica da Espanha. Uma manhã é pouco tempo pra conhecer este museu, mas sai-se de lá conhecendo porque os catalães não admitem serem confundidos com "espanhóis".

O metrô é ótimo e há passes de integração com ônibus comuns, que têm ar refrigerado, amplas janelas e música ambiente, portanto, se cansar, peça informações e ande de ônibus e de metrô, saindo do roteiro de turista.

O Zôo de Barcelona só perde para o Zôo do Rio de Janeiro, mas além do Copito de Nieve (gorila albino) tem o show dos golfinhos com horários pré-determinados, mas leve lanche pois o restaurante de lá é o pior lugar pra se comer em Barcelona, onde se come bem e barato em qualquer lugar, até num "pé-sujo" no bairro de Grácia ou no Bairro Gótico. Arroz à cubana (arroz com molho de tomate e um ovo frito) ou uma paella, antecedido de uma entrada de beringelas ou gaspacho, e o creme catalão de sobremesa com vinho para beber custava 5 dólares em 1998, com a gorjeta incluída.

Em outra direção está o Poble Espanyol de Montjuïc, pra turista mesmo, cheio de lugares típicos das demais regiões espanholas (117 lojinhas de artesanato) e onde você encontra lembrancinhas legais e onde o cartão telefônico que você comprou no Brasil para ligações internacionais sempre funciona. Lá temos um painel da diferenciação etnica do país espanhol. E é perto do Museu Nacional d'Art de Catalunya (Palao Nacional) acima das Fontes Luminosas da Plaça d'Espanya e da Fira de Barcelona (um enorme Centro de Eventos), e pros cansados, uma boa notícia: tem escada rolante. Este Museu é lindo e só vendo as imagens e pinturas medievais e renascentistas pra sentir o arrepio.

Outra coisa imperdível é o "trem azul" que leva você até o a montanha de Tibidado. Lá em cima, ao lado de um parque de diversões antigo, há uma igrejinha onde o padre parece gêmeo do Paulo Autran. Não sei quem ficou mais espantado. Se eu, ao vê-lo, e arregalar os olhos e não deixar de olhá-lo, dizendo um "olá" sem graça, ou ele, que deve ter estranhado o descaramento de alguém lhe olhar tão direto como se o conhecesse há anos. A visão que se tem de Barça nesta altura nos dá a falsa noção de que ela está aos seus pés. Ia esquecendo que o da final da viagem, troca-se o trenzinho pelo funicular (que parece o trenzinho que sobe o Corcovado).

Ficaram faltando a catedral da Sagrada Família e a Casa La Pedrera e o Parc Güell, dirão alguns. Mas estes lugares todo mundo vai, caramba, e Barcelona é muito mais que isso. É parar pra comprar um par de sapatilhas bem confortáveis e ser confundida na rua com gente da terra e você não saber responder em catalão. É parar numa estação de metrô e fazer cartões de visitas por 1 dólar para deixar para os novos conhecidos, ou confratenizar com os catalães no dia nacional deles, comer o pão de San Jordi vendo-os dançarem a "sardana" e compreender que qualquer pessoa que não seja catalã fica ridícula tentando acertar os passinhos complicados. Ou ir ao desconhecido e belo Museu da Cerâmica, perto da Universidade, e jogar conversa fora com a recepcionista (que reclama que os turistas não aparecem muito por lá) sobre os bonecos do mestre Vitalino no Brasil. Ou ainda, pegar um trem - de 1 hora a 1 horas e 20 minutos de viagem - e ir até a maravilhosa Tarragona. Após uma ladeira com escadas (sempre elas) a partir da estação, aos seus pés estão as ruínas de um anfiteatro romano. Aproveite e vá passear pelos seus subterrâneos até chegar ao Museu Arqueológico, onde um súdito do Império Romano muito gozador deixou-nos uma placa em mármore onde se vê um "fallus erectus" seguido da frase "Aqui moram pessoas felizes". Realmente, na Catalunya moram pessoas felizes.

Marcia Siqueira de Carvalho
Londrina / PR

 

 

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