Brasileiros tratados como Indigentes no Exterior - Jun/00

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Abaixo  mensagem  enviada para autoridades, centros de defesa do consumidor e para a imprensa.  Trata-se de uma denuncia sobre uma companhia aérea que deu um tratamento desumano a brasileiros com destino  ao Brasil em um aeroporto dos Estados Unidos

Eu comprei um bilhete da Continental Airlines com partida para o dia 18 / 05 / 2000 de Montreal, Canadá, com destino final ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, fazendo conexão em Newark, Estados Unidos, na mesma noite. Duas horas e meia antes do embarque em Montreal a companhia aérea me telefonou dizendo que o vôo do dia 18 para Newark havia sido cancelado. Depois de muita insistência minha, eles me providenciaram um pernoite em um hotel de Montreal.  

O vôo do dia seguinte para Newark, que deveria partir às 17h55 (horário local), somente decolou às 21h00, com três horas de atraso. O vôo do dia dezenove de Newark para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, deveria decolar às 22h00 (horário local). O vôo de Montreal só chegou a Newark às 22h05. Uma empregada da Continental no aeroporto me disse que o vôo 31 para São Paulo estava atrasado e quando cheguei ao portão de embarque o horário previsto no display era 03h10. A previsão de partida foi sucessivamente mudada para 03h30 e 04h30. Após um grupo de passageiros reclamar a previsão no display retornou para 03h30, num primeiro indício das várias mentiras que se confirmaram depois.

A companhia informava que o avião estava a caminho, vindo de Houston, Estados Unidos. Esta se mostrou depois ser uma de uma série de mentiras ditas pela Continental aos passageiros do vôo 31, pois não havia avião algum. A companhia falou em problemas de mal tempo, mas havia aviões decolando de Newark, o tempo lá estava bom, o mesmo acontecendo em São Paulo.  

Naquela madrugada sofremos uma das humilhações que a companhia nos impôs quando a Continental chamou a POLÍCIA para intimidar os passageiros do vôo 31, que estavam pacificamente reclamando de tão imenso atraso no vôo. Provavelmente a Continental pensou que por sermos brasileiros não somos civilizados, somos “cucarachas”, latinos subdesenvolvidos, e temeu pela segurança dos seus empregados. Estou anexando fotos deste lamentável incidente de discriminação contra brasileiros. A própria polícia disse aos empregados da companhia que eles só poderiam solicitar serviço policial em caso de ameaça física ou ao patrimônio, o que não existia, e o policial disse também aos ditos empregados para eles não mais mentirem aos passageiros. 
Foto abaixo :

Quase às cinco horas da manhã a companhia nos disse que o vôo 31 havia sido cancelado, confirmando a mentira sobre o avião vindo de Houston, e nos informou que não havia nenhuma vaga nos hotéis de New Jersey e New York para nos hospedar (o que é ridículo e claramente outra mentira deslavada da empresa). Apenas nos forneceram cobertores e travesseiros de avião e os reles bancos do aeroporto. 

Sei que quando o vôo é cancelado a companhia é obrigada a fornecer hotel aos passageiros em conexão.

A Continental desrespeitou a lei e, pior do que isso, deu um tratamento indigno aos passageiros. Havia no grupo de vítimas da Continental três pessoas que precisavam tomar medicação controlada, pessoas com problemas cardíacos e crianças pequenas. Mas a companhia não se importou e simplesmente nos abandonou. A Continental não colocou nenhum empregado à disposição para cuidar do nosso problema. 

Havíamos sido ditos para procurar alguém para nos auxiliar no embarque internacional da companhia às 06h00. Neste horário o embarque internacional estava fechado e quando abriu às 07h00 nos disseram que a pessoa responsável só chegaria às 08h00. Tal responsável, um empregado de nome Carlos, disse que só nos atenderia às 11h00 (ONZE HORAS!) do dia 20/05/2000. Em mais um descaso com os passageiros, o empregado Carlos só chegou ao local marcado, o despacho de bagagens dos vôos internacionais da Continental, às 11h45. Não bastasse a falta de profissionalismo, o empregado Carlos nem se incomodou a se desculpar por tal atraso e logo disse que estava fazendo um FAVOR em nos atender, pois estava em horário de almoço.

 Desde o início ele assumiu uma postura extremamente arrogante, foi grosseiro, respondendo a críticas e perguntas justificadas com intimidação e um tom de voz alto demais para um cavalheiro. Esse comportamento foi mais uma grande ofensa para todo o grupo de aproximadamente cinqüenta passageiros (os passageiros da primeira classe e da executiva foram colocados em outros vôos na noite do dia 19), quase que exclusivamente brasileiros. Tirei uma foto do empregado Carlos com o grupo de vítimas a fim de registrar o ocorrido e tal empregado me ameaçou por fazer esse registro documental.

O empregado Carlos só conseguiu assentos em vôos para o Brasil para todas as vítimas do vôo 31 por volta de três da tarde. Até esse horário a companhia havia me fornecido somente um vale-refeição de oito dólares, o que foi suficiente somente para um pobre café-da-manhã que tomei às 06h00. Passei fome.

A companhia conseguiu um lugar para mim e para mais cinco pessoas no vôo 865 da Varig, saindo do Aeroporto J. F. K., em New York, às 19h30. As minhas bagagens seguiriam no mesmo vôo 31 da Continental, que talvez saísse às 22h00 do dia 20/05/2000. Os demais passageiros foram alocados no vôo 31 ou tiveram o incômodo de tomar outro vôo com destino ao Rio de Janeiro. Tivemos de esperar as bagagens em Guarulhos e quando o vôo 31 chegou os passageiros que nele vieram nos disseram que havia mais pessoas do que lugares no avião e que vários passageiros não conseguiram embarcar no vôo do dia 20/05/2000. Fazer reservas além do número de lugares é outra prática ilegal dessa companhia criminosa.

A Continental nos orientou a ir imediatamente para o aeroporto J. F. K. e nos forneceu vales-refeição, os “vouchers”. Mais tarde descobrimos que os vales-refeição da Continental não são aceitos no Aeroporto J. F. K.. Ou seja, mais uma enganação da empresa.
Só conseguimos resolver nosso problema graças à união do grupo de vítimas. A atitude da empresa foi tentar conseguir lugares em vôos para as pessoas que estavam liderando o nosso movimento de sem-vôos.

Fomos tratados pela Continental como indigentes, recebemos um tratamento desumano. Por isso eu gostaria, no mínimo, sem prejuízo de medidas complementares, de receber um pedido de desculpas pela humilhação que sofri, por escrito, do presidente da Continental Airlines. Gostaria também de receber um pedido de desculpas pelas grosserias e pelo descaso que nos foi conferido, por escrito, do empregado Carlos, que nos deu um tratamento subhumano no aeroporto de Newark. Envio em anexo a foto desse indivíduo.

Espero sinceramente que o D. A. C. haja para recuperar a dignidade de brasileiros que partem de aeroportos no exterior com destino ao Brasil.

Atenciosamente,
Breno Ricardo Tait do Nascimento  

 

 

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