Busquei reportagens sobre a Ilha e não encontrei quase nada e
tive de recorrer ao Guia Turístico da Berlitz em espanhol e
as dicas foram ótimas, mas nada que se compare com a estadia
por lá. Esqueça toda sorte de coisas sobre o socialismo que
você ouviu falar, ou vai ficar uns três dias tentando
organizar na sua cabeça o que você estará vendo por lá. É a passagem mais barata e não passei
pelo desconforto que meus colegas (um deles o da piada
da aeromoça com o
charuto) enfrentaram pela linha panamenha. Ficaram parados no
Panamá pela necessidade de consertar o avião sem as atenções
devidas aos passajeiros que reclamaram bastante para serem atendidos
em relação à refeição e hospedagem.
Tive pouco tempo, pois fui para
um seminário de Geografia Física na Universidade de Havana e
me hospedei no Hotel Colina, que fica em frente (veja imagem abaixo
tirada da janela do quarto). A confraternização da abertura
foi ótima, com rum cubano farto e eu e os professores doutores Jose
Mateo (à esquerda) e Jurandir Ross (à direita) sorrindo ... Como só tinha dois dias livres
para passear, após chegar ao hotel em Havana,
fui andar pelo Malecón (uma via litorânea com seis pistas), depois
de um sorvete na Copélia. Escolhi para cada dia livre um passeio que
valeu a pena: a Ilha de Cayo Largo e Pinar del Rio. O passeio para
Cayo Largo ficou em 144 dólares com tudo incluído: viagem de avião
(por incrível que pareça, num Douglas DC3 !), passeio de barco com
quatro paradas, almoço e transporte do hotel para o aeroporto e
vice-versa (aceitaram o meu cartão Visa). As paradas foram para um
coquetel simples, mergulho, banho de mar num banco de areia e na ilha
dos Iguanas, e somente depois do almoço (buffet ótimo) é que fui
para a praia da Sirena tomar um banho de mar debaixo de um sol bem
forte. Imperdível, pois o azul e verde do mar é realmente da cor dos
cartões postais, pois a areia de de origem calcárea, bem fininha e
macia (O Cláudio, meu marido, na Praia das Sereiras está na foto).
Na ilha dos Iguana, dá-se pão para os bichões bem nutridos e
mansos.
O passeio até a cidade de Pinar
del Rio dá uma boa imagem de uma região agrícola cubana, pois o
trajeto é feito de ônibus (brasileiro, BUSSCAR) e a guia turística
era fluente nos idiomais espanhol, francês e alemão. Além da visita
à uma fábrica de charutos (e a região produz fumo de boa qualidade)
e da aguardente Guayabita, seguimos para um belvedere para ver o vale
lindíssimo (relevo de calcário, o "karst) e depois para Viñales
onde se está o Mural da Pré-história (veja a imagem abaixo), um
paredão natural pintado pelos camponeses com a evolução da natureza
desde uma amonita (concha fóssil) até o homem. Para pintarem,
ficaram pendurados a partir de uma altura de 120 metros e a extensão
é de 180 metros! Um pouco mais a frente está a Cueva do Índio, uma
caverna por onde passa um rio e dele passamos de barco até sairmos no
outro lado. Com tudo incluído, este passeio custou 49 dólares, com
refeição. Se você aceitar a dica, não se esqueça de levar sempre
moedas para colocar como um "regalo" para as enroladoras de
charutos (veja abaixo), pois elas esperam isso dos turistas. Em todo hotel
cubano há uma agência de turismo e você deve fazer a reserva logo
na chegada, pois as excursões são concorridas e a volta pela Cubana
é exatamente na sexta-feira pela manhã. Diz-se que o melhor da ilha é a
"gente cubana" e disso eu não posso discordar. Come-se lá
feijão preto e arroz (que coisa mais brasileira !), há uma simpatia
e uma descontração, que às vezes pensamos que não saímos do
Brasil, e pode-se até "ver de novo" uma novela brasileira
na televisão (agora estava passando Rei do Gado), e por que não
dizer, uma dose até certo ponto exata de um jeito brasileiro de ser
("mañana!"), ou seja, "vamos deixar para amanhã"
se a tarefa for muito desagradável. Cuba é um terror para as peruas
ou para o modelito "Dolores Consumista" do Arrigo Barnabé.
Os turistas são pequenos cofres de dólares para a economia cubana,
engessada pelo bloqueio econômico norte-americano e pelo fim do auxílio
da ex-União Soviética. E isso repercute não só para o povo cubano,
mas para os turistas, que atingiram o número de dois milhões no ano
de 1999 e espera-se um pouco mais em 2000. Eles podem ter o que
comprar (desde que tenham dólares), mas vão pagar um preço muito
mais alto do que paga o cubano, e obviamente, do que pagariam no
Brasil. Lojas com vitrines e anúncios são raras e há pequenos
shoppings para turistas e com produtos bem selecionados. Exceção há
no Bairro Chino, área em que há venda de produtos feitos por
cubanos. Esqueça o Carrefour e comece a viver com o essencial que você
deverá ter levado do Brasil: sabonetes, pasta de dentes, creme
hidratante, desodorante, pomadinhas e remedinhos. Você encontrará
isso nas lojinhas para turista, mas num preço que vai lhe dar vontade
de virar um hippie radical. Uma camiseta com a foto do Guevara sairá
por 12 a 16 dólares e cada minuto de ligação telefônica com o
Brasil custa 5 dólares com cartão telefônico.
Mas há
prazeres melhores, inesquecíveis e mais baratos: andar num Pontiac da
década de 40 ou num Chevrolet da década de 50, bem conservados, mas
como motores de outros carros, por três dólares, saindo do bairro de
Vedado e parando em Havana Vieja, ou mesmo num táxi-côco. Este é
uma moto com uma "carroceria" de fibra de vidro em forma de
capacete onde cabem duas pessoas, além do motoqueiro e é um charme.
(Também há o bici-táxi, com dois lugares para os
"passageiros") Ou tomar uma Tu-Cola ( a cola
cubana) nos jardins do Hotel Nacional (enxutíssimo !) vendo o mar no
final da tarde (1 dólar como em todos os lugares para os turistas),
ou melhor, a deliciosíssima cerveja Cristal em lata, com os pavões
passeando ao seu redor. Dá até a impressão de que o Hemmingway vai
baixar e dizer um "olá". Tenha em mente que você só vai
ter contato com a área que fica ligada ao turismo e por isso evite a
tentação de sair dando aulas sobre Cuba a partir das impressões que
você teve num curto período de seis dias. Mas algumas informações podem
lhe ajudar:
Marcia Siqueira de Carvalho Mais Fotos
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