Dor de cabeça em final de férias - Out/02

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Neste mês de janeiro tive o prazer de desfrutar dos encantos do litoral sul do estado da Paraíba. O lugar é ideal para quem gosta de belas praias pouco ocupadas e a uma pequena distância das cidades grandes (entre João Pessoa, 25km, e Recife, 90km). 

Teriam sido "as férias" se não fosse pelo despreparo dos serviços locais para o trato com o turista. Poucos lugares aceitam cheques pois em Jacumã (sub-distrito de Conde) não há bancos, apenas um caixa eletrônico do Banco do Brasil, dentro de um supermercado que define horários e quem poderá utilizá-lo. Não há posto telefônico (o posto da Telemar foi desativado) e há uma promessa eterna de que em "breve" terá um posto dos Correios (a população local não posta cartas, somente as retira na sede da prefeitura).

Cidade pequena, deve ser assim mesmo... Um local que tem tudo para ser um pólo turístico poderia ter uma melhor infraestrutura, pelo menos durante a alta temporada.

Mas vamos à cidade grande onde os inconvenientes são maiores. Antes de ir, comprei passagem aérea de ida e de volta. Legal, a volta seria na madrugada do sábado para o domingo, saindo de João Pessoa, e voltaria a trabalhar na segunda em São Paulo: aproveitamento máximo. Ainda em São Paulo, me informei sobre locação de veículos e quando cheguei lá já sabia os preços e as condições de contrato. Tudo para ter o mínimo de preocupações nas férias. A agência de viagens que me vendeu a passagem aérea pediu para que eu confirmasse o vôo um dia antes do embarque. Assim, no sábado de manhã, quase 20 horas antes da hora marcada para o vôo liguei para o aeroporto de João Pessoa. Surpreendentemente a B.R.A. havia cancelado o vôo sem aviso prévio e me deu a opção de ou embarque imediato (eles queriam que eu chegasse ao aeroporto em meia hora) ou aguardar a segunda-feira porque os vôos com saída no domingo estavam lotados. Como ambas as propostas eram impossíveis para mim, concordei em transferir minha saída para Recife, em cujo vôo de madrugada para São Paulo havia lugar. Fui para o aeroporto de João Pessoa trocar a passagem e fazer um adendo no contrato de locação do carro para devolver em Recife. No aeroporto, a Localiza dispõe de vagas para seus carros. Eu estava com carro da Localiza logo eu pedi para por na vaga reservada. Um funcionário da Localiza não permitiu declarando que as vagas eram para carros que estavam para chegar. Mas o meu carro era um destes que estava para chegar pois eu deveria devolver naquele dia mesmo (sábado). O funcionário para me convencer disse que o estacionamento era só R$0,60, eu acreditei e parei de discutir, afinal eu havia ido ao aeroporto para tratar de um problema bem maior. No balcão da B.R.A., uma funcionária mal-humorada não queria transferir a passagem declarando que eu deveria pagar uma multa contratual para isto. Após muita discussão e a intervenção de seu superior entramos em um acordo para transferir minha passagem para Recife pois seria a única forma de eu estar em São Paulo na segunda a tempo de ir trabalhar. Só não paguei a multa de remarcação, todos os custos que isto incorreu teriam de ser pagos por mim.

Fui ao balcão da Localiza comunicar que eu gostaria de registrar uma modificação no contrato para eu devolver em Recife. O funcionário do balcão alertou-me da taxa de retorno de R$60,00, e eu, sem alternativa, concordei, porém sabendo que antes de sair de São Paulo eu havia cotado esta possibilidade e não haveria mudança de valor, sem saber o que nem imaginar que seria nesta circunstância. 

O adendo no contrato não foi formalizado. A orientação que recebi é que eu deixasse o carro no Aeroporto de Recife, em uma das vagas da Localiza, e lá haveria alguém para me instruir. Quando sai do estacionamento do aeroporto, foi cobrada a tarifa normal. Percebi que o funcionário da Localiza que me recepcionou na entrada do estacionamento simplesmente inventou aquela tarifa para que a discussão acabasse.

Ao sair do aeroporto de João Pessoa fui achacado por um guarda rodoviário que disse que os veículos alugados sempre estão com documentação vencida (o carro era 2001 e estamos em janeiro de 2002). Ele nem quis ver minha habilitação ou identidade. Se eu não tivesse "um trocado para uma cerveja, a amizade seria a mesma". Nem sabia quanto costuma custar esta cerveja (R$50,00?). Peguei R$1,00 -isto mesmo: um real- e dei para o guarda, que discretamente, sem olhar para o dinheiro, pôs no bolso e me liberou a saída. Saí imediatamente antes que o guarda percebesse quanto dei para ele.

À noite, parti para Recife. Próximo do Aeroporto, já quase uma hora do domingo, abasteci o veículo. Procurei pelo estacionamento oficial do Aeroporto dos Guararapes. Na entrada avisei que se tratava de um carro para devolução da Localiza. O funcionário do estacionamento disse que não havia naquele horário nenhum funcionário da Localiza para
receber-me, mas indicou-me a vaga em deveria deixar o veículo. Coloquei a chave, os documentos e o cupom de estacionamento em uma boca de lobo no Balcão abandonado da locadora, como fui instruído em João Pessoa. Fiz o check-in, e fiquei aguardando o meu vôo.

Os vôos da B.R.A. não têm assento marcado na passagem. Quem chegar primeiro senta onde quiser. Cerca de dez minutos antes do horário previsto, uma multidão começou a se aglomerar desordenadamente no portão de embarque indicado na ficha. Procurei um funcionário do aeroporto para perguntar sobre o direito de crianças embarcarem primeiro, que recomendou que eu e outros pais com filhos para embarcar ficássemos tranqüilos que eles iriam garantir este direito. Como vimos que a desorganização era patente, nós organizamos uma fila paralela, com as crianças ao lado da que se formava com um leve empurra-empurra. Com um minuto para o horário, este mesmo funcionário avisa a todos que o portão fora trocado. Isto provocou uma correria inútil, assistida impassível pelo funcionário incapaz de uma única voz de comando. Crianças foram pisadas nesta irresponsabilidade. Retiramos todos os pequenos do caminho dos afoitos. Ao passar próximo do funcionário incompetente, a sua desculpa foi que os passageiros com prioridade de embarque não se apresentaram. Será que ele queria ver crianças esmagadas no vidro ou pisoteadas no chão?

Por gentileza de uma comissária de bordo, que interveio junto a um passageiro compreensivo, consegui sentar junto com minha esposa e filha, já que quando entrei não havia mais três assentos vagos juntos. A volta a partir daí foi sem surpresas. Mas uma semana depois... A Localiza liga para mim para acertar a taxa do carro devolvido em Recife. Seriam os R$ 60,00? Não!! Cobra-me (porque ainda não resolvemos este impasse, isto ainda vai parar no PROCON) R$87,00. Disse que eu teria entregue o tanque com 7/8 de sua capacidade. Que eu coloquei na vaga errada do estacionamento. Ainda haveria uma taxa de 10% de serviço.

Que serviço? Se ninguém havia para me orientar quando precisei. Nem quando fui atrás para acertar o contrato. Tenho uma nota fiscal de um posto de gasolina próximo do aeroporto que atesta que abasteci e o comprovante eletrônico do pagamento mostra que foram poucos minutos antes de eu entrar no estacionamento. Um litro ou dois vai lá, mas que combustível caro é este na cidade da gasolina mais barata do país. O estacionamento foi seguindo instruções da própria Localiza. Espero que esta seqüência de desrespeitos comigo sirva de alerta para futuros viajantes que se cerquem de garantias para esta falta de seriedade do turismo nacional. Eu sei que nas férias a gente "baixa a guarda" e releva muitas falhas no atendimento em troca da necessidade de relaxar pelo menos uma vez por ano. Mas tudo num dia só já é demais.

Rogério Parra

 

 

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