Turista: espécie em extinção em Fernando de Noronha - Nov/02

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Fomos pela primeira vez à Fernando de Noronha, curiosos em conhecer as belas praias, paisagens e talvez um dos melhores lugares do mundo para se realizar mergulhos. Chegando lá, realmente encontramos uma beleza natural ímpar, mas fomos surpreendidos por uma falta de infra-estrutura global, pela qual não esperávamos.

Logo na chegada à ilha, o espírito predatório e mercantilista é sentido, pois os primeiros informes são a respeito de passeios, seus custos e aluguel de materiais que serão utilizados, sem que o turista tenha sido situado a respeito de todas as opções que a ilha nos oferece.

A desorganização também é percebida na formação dos grupos de passeios, onde se perde muito tempo em reunir as pessoas, diminuindo a duração dos mesmos.

Faltam aos guias locais um melhor preparo para os passeios feitos a pé; parecem mais aquelas tias do jardim de infância que simplesmente acompanham um bando de criancinhas ao parque.

Precisam ser melhor treinados para oferecer maiores informações, desenvolver a capacidade de liderança de grupos e uma melhor fluência verbal.

Ficamos hospedados na pousada Solymar, onde encontramos um bom café da manhã, mas o serviço de quarto estava comprometido agravado com a ausência de banho quente (por ironia tínhamos ar condicionado).

Os preços praticados em alimentação e para o transporte na Ilha são caríssimos. Inacreditável é o serviço prestado pela Nortax, empresa de táxi-buggy local. O ponto de táxi fica a uns 200 metros de nossa pousada (Solymar). Chamamos um táxi e fomos atendidos pelo Sr. Divino (prefixo 1978). Em função do alto custo do passeio desistimos da corrida, e o taxista alegando que perdera lugar na fila, nos cobrou R$ 7,00 (sete reais), ou seja, pagamos para obter informações de um passeio não realizado.

Para entrar na ilha pagamos R$ 170,26 por quatro noites, a título de Taxa de Preservação Ambiental. Engana-se o turista que pensa que o valor é aplicado cem por cento na preservação e restauração das ruínas e melhoria da infra-estrutura da ilha.

Convivemos dois dias com escassez de água que parece ser um problema constante.

A continuar esse tipo de desserviço que busca somente lucro fácil e rápido, o turista, espécie que pode contribuir muito com a manutenção da Ilha, pode se extinguir.

Não recomendamos a amigos ou inimigos uma visita a Ilha até que este predador sucumba, sendo substituído por uma administração eficiente e eficaz. As belezas naturais permanecerão para serem aproveitadas, no futuro, a preços e serviços melhores.

Teresinha Mazzeo e José Mauro Clemon de Línica

 

 

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