Estive
visitando o Leste Europeu em 98 e passei algum tempo na Hungria, um país
lindíssimo que merece ser visitado. A visita à Hungria fez
parte de uma viagem que começou em Viena, na verdade, a principal
porta de saída para os que querem conhecer o leste europeu. Espero
que possa ajudar a vocês. Saindo
de Viena, a excelente auto-estrada austríaca nos levou ate a
fronteira da Hungria em cerca de 1 hora. No posto de fronteira uma
pequena fila de carros e ônibus. A demora da burocracia já era
esperada mas não levou mais de 40 minutos e estávamos liberados. Os
brasileiros precisam de visto para entrar na Hungria, assim como todos
os demais latino-americanos. A Hungria e a Republica Tcheca não fazem
parte da Comunidade Européia. Assim sendo, as regras politico-econômicas mudam drasticamente. A começar pelo dinheiro, o
Florin, que vale muito pouco em relação ao schilling austríaco e tem
muito mais zeros!!!!!! Isso faz com que os preços na Hungria sejam
muito tentadores (e eram bem mais tentadores quando o nosso real se
equiparava ao dólar!!). Abrindo
um parêntesis, devo dizer que por ser agente de viagens, muitas vezes
as operadoras nos oferecem vantajosos descontos em seus pacotes e
essas viagens, alem de ficarem bem mais econômicas para nos, nos dá
a oportunidade de testar os serviços dessas operadoras para que
possamos "vender" seus produtos com maior segurança. Foi
por esta razão que visitamos o Leste Europeu
a bordo de um grupo.
Muitas
vezes esses grupos são somente de agentes de viagens,
são os chamados Famtours. Eu pessoalmente evito
os famtours e prefiro me infiltrar em grupos normais
de turistas onde acabo passando por um deles e assim
posso checar a veracidade dos serviços. Fecho o parêntesis!
A basílica é enorme, mas como
não ficaríamos muito tempo no local, alguns de nos
preferimos não acompanhar as demoradas explanações sobre
vitrais, altura de abobodas, numero de tubos no órgao etc... Em vez
disso, ficamos, meu marido e eu, apreciando
um pouco mais a musica, observando as pessoas
com seus trajes dominicais e seus rostos contritos.
A primeira impressão que tive do povo húngaro é que eram pessoas
sofridas e tristes, apesar da musica.
Depois de uma rápida olhada dentro da Basílica,
que embora fosse grande e muito bonita era apenas
mais uma igreja, caminhamos ao redor do prédio e
nos deparamos, nos fundos, com um imenso rio. Era o Danubio,
o mesmo que corta Viena, o mesmo que inspirou Strauss
a compor sua mais famosa valsa. Do outro lado do
rio havia uma pequena cidade e ruínas de pilares no meio
do rio indicavam que ali existira outrora uma ponte.
Viemos a saber que a ponte havia sido destruída durante
a II Guerra e jamais fora reconstruída. A pequena
vila na outra margem pertencia a outro pais, a Republica
da Eslováquia, parte do que costumava ser a Tchecoslováquia. Seguimos
nossa viagem e cerca de uns 40 minutos depois chegávamos
a Budapeste, capital da Hungria. Até chegarmos
ao nosso hotel, rodamos um pouco pela cidade e
pude antever que aquela seria uma visita surpreendente.
Nosso hotel ficava fora da área central da
cidade, embora bem servido por linhas do metro. Fomos
brindados com um quarto com vista para o Danubio.
O hotel era moderno, e como grande parte dos hotéis
em Budapeste, também tinha suas termas e todos os
serviços decorrentes dela, um verdadeiro spa, piscinas
térmicas de diferentes temperaturas, massagens
etc, etc. Era tentador e não tivemos forcas para
dizer não. Nos metemos em nossos roupões, alugamos
maiôs e passamos o resto da tarde relaxando nas
termas. Budapeste
tem aproximadamente 120 fontes medicinais e mais
de 30 spas especializados para tratamentos além de
piscinas e balneários a maioria públicos. Os serviços
são de excelente qualidade sempre, boa herança
do regime soviético. Nos balneários, podem ser encontrados
todos os tipos de pessoas, desde simplórios
zeladores de prédios a emergentes empresários
pós-comunismo, todos juntos jogando xadrez em
seus tabuleiros flutuantes. No hotel, o único serviço
pago por fora eram as massagens, que mesmo assim eram
muito baratas (cerca de US5 por 30 minutos!!!!).
Logo
na entrada ganhamos uma pequena garrafa de cerâmica
com um tipo de aguardente. A garrafinha tinha a
quantidade suficiente para uma dose e não tinha tampa.
Assim sendo, ou você bebia o conteúdo ou jogava fora.
Eu fiquei com ambas opções: experimentei um pouco
e joguei fora o resto. A bebida era fortíssima!! Fui
informada de que era aguardente de damasco, bebida muito
popular por aqui, chamada "barak". Eu só senti mesmo
o gosto do álcool !!! No
jantar, uma tabua de frios de diversos tipos, todos muito
estranhos mas deliciosos. Pareciam-se com mocelas
mas tinham sabor diferente. Havia também patês e uma
sopa chamada "paprika gulyas" feita com carne bovina,
cebolas, batatas e condimentos, sendo o principal
deles a paprica. Alias, a paprica é o principal
ingrediente da cozinha húngara. Maiores e melhores
produtores de paprica do mundo, os húngaros a usam
em quase tudo! Pra quem não esta familiarizado, a paprica
parece-se com uma pimenta mas adquire sabores de
doce a picante de acordo com a maneira como é secada. A
Hungria também produz vinhos. O vinho chamado "Tokaji" é
muito popular e muito gostoso, não muito doce e nem tão
seco. Nos restaurantes ele é servido em enormes jarros
de vidro com um comprido gargalo de cerca de 1 m
de comprimento por 2 cm de diâmetro na base do vaso. Os
garçons carregam o vaso por trás da cabeça, miram as
tacas com o gargalo comprido e servem o vinho a distancias
incríveis sem derramar uma gota sequer fora da
taca!!!!! Eles controlam tudo com o dedo que abre ou fecha
o gargalo. Muito louco!!
Depois
do jantar, ainda havia outro programa antes de voltar
ao hotel: um passeio de barco pelo rio Danubio. O ônibus nos deixou
no píer bem no centro da cidade e tomamos
um barco junto com muitos outros turistas, para
percorrer por cerca de 30 minutos, os trechos mais
bonitos do rio. Foi quando me apaixonei definitivamente
por Budapeste. Em ambas as margens do rio,
os prédios históricos, os palácios e pontes estavam
iluminados. A sensação era de magia. No alto da
colina toda no escuro, o Castelo de Buda, iluminado,
parecia flutuar. Tudo era incrivelmente deslumbrante
e apos algumas explicações do guia, tudo o
que o sistema de som do barco transmitia eram os acordes
da valsa Danubio Azul. Eu tinha escolhido ficar
bem na popa do barco. Assim, o vento da noite, as
luzes da cidade e a musica me levaram a experimentar
sensações maravilhosas. Foi realmente um passeio
inesquecível. Tanto que ate esqueci de bater algumas
fotos!!!! Ainda
bem que tinha mais 2 dias na cidade. Havia tanto para
ver e experimentar que fui dormir ansiosa para a manha
seguinte chegar!
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