Quando desci do avião e toquei o pé direito no chão do aeroporto de Lisboa
é que me dei conta realmente de que estava realizando um sonho, pisar o
chão da terra de Fernando Pessoa era só o início de uma aventura de um mês
rodando por alguns países da velha Europa. Bem, passado esse primeiro mico, com o mapa que me deram segui de ônibus coletivo para o centro de Lisboa onde depois de me perder umas duas vezes na área do Rocil, acabei achando o tal Hostelling. - Como assim lotado?- perguntei - Disseram que até o final da Expo98 não haveria vagas pois estava tudo lotado em Lisboa. E agora? Então me indicaram um hotelzinho ali perto. Tinha vaga. Só que pensei que no Albergue eu pagaria uns 10 doletas, no hotel acabei pagando 75 por uma noite, com um café da manhâ muito mais ou menos. Saí pra conhecer a cidade, beleza de arquitetura, o casario com suas eiras e beiras, praças com estátuas imensas, rotunda do Marquês de Pombal, Rocil, Alfama, Mouraria,Torre de Belém, onde supostamente Cabral teria iniciado a viagem do descobrimento, fui ao museu de artes da cidade onde vi obras belíssimas nos estilos primitivista e Naif.
À tarde tomei um coletivo que me levou até o Castelo de São Jorge, a maravilha de Lisboa. Não acreditei, euzinho brazuca tupiniquim,
caminhando pelas torres de um castelo de verdade com mais de 7 séculos!
Numa espécie de sacada com canhões antigos apontando para o porto de Lisboa, escolhi uma mesa e fiquei olhando a cidade lá embaixo, muito
parecida com Florianópolis. Havia ali algumas oliveiras antiqüíssimas,
artistas pintando ao vivo e um desfile interminável de pessoas de tantos
países diferentes, sem falar dos 'bandos' de japoneses alucinados com
suas máquinas fotográficas insaciáveis. Pedi um prato típico e trouxeram
bacalhau, polvo fatiado e molho de camarão regado à um bom vinho verde
do Porto. Esse prato fez jus à fama da gastronomia lusitana.
Nesse dia usei uma camiseta da seleção brasileira - me disseram que isso
ajuda lá fora pra se fazer amizade - e realmente muitas pessoas puxavam
conversa comigo por causa da camisa. O engraçado é que eles sabiam bem mais que eu sobre o futebol brasileiro.
(continua
na matéria "Madrid")
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