Lisboa - Fev/01

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Quando desci do avião e toquei o pé direito no chão do aeroporto de Lisboa é que me dei conta realmente de que estava realizando um sonho, pisar o chão da terra de Fernando Pessoa era só o início de uma aventura de um mês rodando por alguns países da velha Europa.

Depois de converter meus doletas em Escudos e ligar pro meu já saudoso Brasil, tive meu primeiro contato com duas moçoilas lusitanas num guichê onde tentaram me informar como eu chegaria ao centro de Lisboa. 

Digo tentaram porque mal a Maria - esse era o nome dela! - começou a falar, eu sem querer comecei a rir do sotaque - minha reação era mistura de nervosismo, jet lag e estresse - e elas apenas comentaram:
- Mach qui brasileiru simpáticu!  

Bem, passado esse primeiro mico, com o mapa que me deram segui de ônibus coletivo para o centro de Lisboa onde depois de me perder umas duas vezes na área do Rocil, acabei achando o tal Hostelling. 

- Como assim lotado?- perguntei - Disseram que até o final da Expo98 não haveria vagas pois estava tudo lotado em Lisboa. E agora? Então me indicaram um hotelzinho ali perto. Tinha vaga. Só que pensei que no Albergue eu pagaria uns 10 doletas, no hotel acabei pagando 75 por uma noite, com um café da manhâ muito mais ou menos.

Saí pra conhecer a cidade, beleza de arquitetura, o casario com suas eiras e beiras, praças com estátuas imensas, rotunda do Marquês de Pombal, Rocil, Alfama, Mouraria,Torre de Belém, onde supostamente Cabral teria iniciado a viagem do descobrimento, fui ao museu de artes da cidade onde vi obras belíssimas nos estilos primitivista e Naif.

À tarde tomei um coletivo que me levou até o Castelo de São Jorge, a maravilha de Lisboa. Não acreditei, euzinho brazuca tupiniquim, caminhando pelas torres de um castelo de verdade com mais de 7 séculos!  Numa espécie de sacada com canhões antigos apontando para o porto de Lisboa, escolhi uma mesa e fiquei olhando a cidade lá embaixo, muito parecida com Florianópolis. Havia ali algumas oliveiras antiqüíssimas, artistas pintando ao vivo e um desfile interminável de pessoas de tantos países diferentes, sem falar dos 'bandos' de japoneses alucinados com suas máquinas fotográficas insaciáveis. Pedi um prato típico e trouxeram bacalhau, polvo fatiado e molho de camarão regado à um bom vinho verde do Porto. Esse prato fez jus à fama da gastronomia lusitana.

Fiquei impressionado ainda com os azulejos pintados à mão que se vê por toda a cidade, seja nas paredes externas ou internas ou mesmo os souvenirs. Por alguns Escudos é possível trazer um pedacinho de Portugal.

No início da noite fui conhecer a tal Expo98 pois na cidade só se falava nisso, fiquei novamente maravilhado. Cada país apresentava seus produtos  em pavilhões enormes e rolava uma interminável programação cultural. Assisti uma apresentação de dança do Fado, e poetas recitando Camôes e Pessôa. Andei num imenso teleférico sobre o porto, donde se via toda a área do evento. Depois mais peixe e vinho nos barcos/restaurantes à beira da área da Expo98.

Nesse dia usei uma camiseta da seleção brasileira - me disseram que isso ajuda lá fora pra se fazer amizade - e realmente muitas pessoas puxavam conversa comigo por causa da camisa. O engraçado é que eles sabiam bem mais que eu sobre o futebol brasileiro.

Os lisboetas são um povo amável, gentil e cortês. Não vi isso em nenhum outro lugar. Sempre que precisava de ajuda ou informações, estavam sempre extremamente dispostos a ajudar e até levar ao local se fosse preciso.

Dia seguinte, visita ao museu militar, café no Mac Donald e estação ferroviária com o Europass no bolso.

(continua na matéria "Madrid")

Tchello
Blumenau - Santa Catarina
 

 

 

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