Diário de viagem a Machu Pichu - Dez/00

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Sábado, 15 de janeiro de 2000. A primeira coincidência ocorre... Pedi à noite comida chinesa, quebrei o bilhete da sorte e estava escrito...

No domingo meus dois amigos e eu saímos às 8 horas e 15 minutos, ocorreram mais duas coincidências neste dia, uma delas, foi o fato dos sinos da Igreja tocarem, exatamente no ponto de saída da cidade de Porto Alegre, a outra foi o hotel Concórdia, o qual pernoitamos em Salto, Uruguai, pois não se dava nada pelo hotel se visse a entrada. Banho de chuva no enorme jardim do hotel. Foi um ótimo início!!!

Nos dias seguintes passamos viajando e viajando, passamos por Rio Quarto, Portillo até pegar a estrada panamericana, que a norte nos levaria até Arequipa, no Peru. Ótima estrada! Mas antes de chegar a Arequipa, existe a cidade de Arica, ainda no Chile, onde existe próximo um lugar chamado La Portada, onde existem falésias e eventualmente é possível descer até a beira da praia para molhar os pés, não foi o nosso caso, pois havia perigo de desmoronamento na época, mas em compensação, vimos um por do sol maravilhoso neste lugar, realmente transcedental.

Chegamos a Arequipa, Peru, "despues" de 450Km, que deveriam ter sido apenas 350Km pelo informe das placas, sinistro!

De Arequipa pegamos um avião que nos aterrisou em Cusco, ou Cuzco, nem eles sabem! A verdade é que existe o Quéchoa e o espanhol, duas línguas faladas lá, a primeira é um dialeto que somente eles entendem, a diferença ortográfica deve sair daí. Chegando a Cusco fomos para o hotel Corihuasi, pois tudo já tinha sido arranjado em Arequipa numa empresa turística, a qual não nos custou nada, só facilitou, perfeito!!! 

Provamos o chá de coca ao chegarmos, muito bom, além do que, faz muito bem a saúde, pois regulariza os batimentos cardíacos, estabiliza a pressão, faz bem para o estômago, e muito mais, e descobrimos que seriam necessários 100 desses para talvez deixar a língua um pouco dormente.

Passeamos o dia todo pela cidade de Cusco, vimos tudo quanto era museu, Igreja, conventos e demais atrações da cidade como um show de dança nativa, seguido de uma fina janta no restaurante El Truco, no qual comemos Truta, peixe muito bom, aqui também teve uma breve apresentação de dança também realizada pelos caras que dançaram para nós no teatro, acho que só existem 10 peruanos que são capazes de dançar, por isso eram os mesmos. 

No dia seguinte pegamos o trem que vai e volta para subir a montanha, extremamente interessante. Levamos 4 horas para chegar até Águas Callientes, no sopé da montanha de Machu Picchu. 

Nos estabelecemos no hotel de Águas Callientes e pegamos os "ônibusinhos" e subimos a Machu Picchu. Beleza é indescritível! Mesmo fotos, cartões postais, ou seja lá o que for que tente representar este templo, jamais poderá chegar aos pés do que os meus sentidos foram capazes de captar quando lá eu estava, o que senti, cheirei, toquei, ouvi e provei. Em poucas palavras eu poderia dizer: - Eu tenho apenas 21 anos e já estou tendo a oportunidade de ver isto!

Mais a tardinha, quando os turistas já tinham descido a montanha para pegar o trem de volta, pudemos vislumbrar o local como realmente fazendo parte dele, pois tudo era silêncio, ao fundo apenas o uivo dos Incas, clamando pelas suas terras, na ponta de meus dedos das mãos havia um casal de namorados, nos dedos dos pés, um filósofo lia um livro como que contando os escritos para o vento, nos meus braços encontrava-se um Japonês que dava uma maravilhosa aula de cultura geral sobre o local em que suas duas colegas e ele se encontravam, às minhas costas um fotógrafo tentava esculpir de forma analógica tudo aquilo que ele estava sentindo, no meu ombro direito o meu amigo mirava o horizonte e respirava fundo, já no ombro esquerdo meu outro companheiro admirava a beleza do estado sólido, que estava em todo o lugar chorando em silêncio, no meu coração havia um espaço vazio que a minha mente gostaria de preenchê-lo com todas as pessoas que eu gosto, para que elas pudessem ver e sentir tudo aquilo que eu fui naqueles instantes aparentemente inexistentes, que se encontram entre uma respiração e outra, entre um suspiro e uma inspirada de ar, um lugar que todos deveriam conhecer, mas que se encontra... Além da Imaginação!

Voltando para o hotel, o qual era o último da rua, descobri que haviam piscinas de águas termais logo acima de uma pequena montanha, pois vi a propaganda: Banhos Termais: 5 Sóis. Meu amigo e eu fomos nos banhar, foi um desestressante total, ficamos novos.

Hoje voltamos ao vale Sagrado dos Incas, passamos por onde não havíamos andado no dia anterior: Palácio da Pricesa, subimos o Guaynapicchu e agora estou aqui em cima escrevendo, no topo do mundo, pois daqui, ao alcance dos meus olhos, a sensação que se tem daqui de cima é única. É muito compreensível que as pessoas, de um modo geral, achem este local mágico, pois as forças e energias que são necessárias tanto para  chegar até aqui, como para interagir com a paisagem estão em toda parte, começo a ter a sensação clara de que até os mortos interagem com as pessoas que aqui sobem, como se muitos destes segurassem os nossos pés para não escorregarmos, outros dão um empurrãozinho nas costas

para o cara não desistir, está tudo ligado a tudo, está tudo ligado a tudo, está tudo ligado a tudo!!! E quem duvidar, que suba até aqui e grite o meu nome bem alto e a seguir diga que eu estou errado, pois garanto que quem fizer isto, onde quer que eu esteja, eu vou ouvir e vou querer saber o que é que você sentiu então...
  
Cheguei ao topo, finalmente, realmente ao cume do monte e as coisas lá em baixo parecem minúsculas, até mesmo aquele enorme rio que lá em baixo parecia grande, agora não passa de uma linha curva desenhada no solo, a qual, quem não tivesse visto antes, não poderia dizer ser um rio. As coisas lá em baixo desaparecem as vezes com a neblina, cegueira, algo que é sempre momentâneo, mas que nos permite ver coisas que ainda permanecem grandes e que estão ao alcance da vista e do sentimento, o qual traduz-se em grandiosidade. 


Peguei uma pedra da montanha e aí está ela..

Depois de uma hora de descida, me separei dos meus amigos e caminhei até a pedra do sacrifício, no ponto mais alto das ruínas principais, exatamente do ponto onde o rei observava todo o seu domínio. Estava chuvoso e ainda havia muita gente nas ruínas, pois já era o horário em que os turistas estavam no meio do seus respectivos tours. Segui caminhando, fui até um pedaço da trilha Inca, onde peguei uma pedra. Vi que interessante era o local onde esta trilha desembocava quando chegava em Machu Picchu, pois os trilheiros, como primeira visão, teriam o geral da cidade, uma vez que a trilha chegava por traz do ponto de onde o rei observava o povo, o que era uma grande recompensa, para aqueles que saiam de Cusco 4 dias antes de avistarem aquela maravilha visual e energética.

Pegamos o trem de volta a Cusco, mas antes comemos mais uma vez na pizzaria Pub e mais uma vez estava deliciosa, pedimos uma inteira de bacon. Chegamos cansadérrimos no hotel e dormimos.

No dia seguinte fizemos o tour pelos parques arqueológicos de Cusco... Acho que colocarei o nome do meu filho de Tambomachay, o da minha filha vai ser Sacsayuaman e meu amigo colocará no dele o nome de Taitambo, somente para poder cumprimentá-lo, dizendo: OllaTaitambo. 

Os lugares foram ótimos, cheiros de pedras, morros, ruínas e turistas. O restaurante era bom, no meio da estrada, comemos truta por 11 soles.
À noite comemos pizza num beco, saímos de lá cheirando a fumaça, mas estava ótimo, fui eu que escolhi, no início o pessoal estava meio relutante, mas aceitaram. 
Já aqui, no dia 28 de janeiro, uma sexta feira, pegamos o vôo para Arequipa, passamos na agência de viagens, já munidos com o carro e fomos rumo a Nazca. 

Chegamos a Nazca às 22 horas depois de uma viagem tri cansativa, cheia de altos e baixos, neblina, maresia, montanhas e as vezes não se enxergava um palmo a frente, muito perigoso; Dormimos direto ao chegarmos no hotel!

Hoje acordamos cedo, porque o avião deveria sair às 7 horas para o sobrevôo das linhas de Nasca, mas o tempo estava nublado e até com pequenas pancadas de chuva, o detalhe é que lá não chove, não chovia a 500 anos, que ironia! Não pude acreditar nisto, apesar do guia ter feito expressões e ter mencionado de que era raro aquilo. Com este problema fomos primeiro visitar o Cemitério Chauchilla, onde vimos fêmures, crânios, algodão queimado, isto é escuro, porque lá tem muito sol, então o algodão é meio queimado na sua cor lá. Tudo isto estava espalhado por lá. O nosso guia era ótimo, pois dava gosto ver a indignação dele com o descaso do governo em relação àquele patrimônio histórico, pois é uma enorme planície, na qual o cemitério se encontra, na verdade, acham que o cemitério era quase toda aquela região de Nasca. A indignação dele era tanta que até eu fiquei com vontade de ir brigar contra o governo Peruano e perguntar qual é? Vocês não vão fazer nada? Na verdade, o melhor foi ver que existem pessoas jovens indignadas assim, pois pensei estar sozinho. Existem muitas formas de convencer as pessoas a não pegar um ossinho, tecido, algodão, ou seja lá qual for o "suvinir" escolhido do cemitério, o fato é que se podia pegar qualquer coisa facilmente, já que fatalmente caminhávamos praticamente por cima de tudo, porém com a conversa do guia eu já seria capaz de bater na mão de qualquer um que ousasse pensar em pegar algum daqueles artefatos arqueológicos. Depois vimos como era feita a cerâmica Inca, um processo que requer muita habilidade. O cara explicou todo o processo, desde o tipo de argila que era utilizado, até o cozimento da peça. Comprei um chaveiro do lagarto.

Pude perceber, mais uma vez, que é muito bom saber várias línguas uma vez que o guia explicava as coisas com mais ênfase ao inglês do que ao espanhol, mas como eu podia compreender os dois era muito legal, já que piadas que ele fazia em inglês ele não repetia exatas em espanhol, ou acabava por nem fazê-las. 

Fomos daí ver os mineradores, algo que me pareceu um tanto quanto teatral, pois não faziam o processo de extração próximo a mina e sim em um bequinho da cidade, mas apesar de tudo foi legal.

Depois de tudo isto, fomos ao ponto crucial do passeio: The Nasca Lines. Nós vimos isto de cima, voando em um monomotor que parecia que ia cair a cada instante, dando solavancos sutis, mas assustadores para quem não estava acostumado. O vôo foi mágico, pois junto com a sensação de medo de voar naquilo, as linhas no chão iam formando as figuras no deserto, onde somente havia rochas e as linhas eram formadas pela ausência de pedrinhas, muito interessante, sou aqui obrigado a admitir que gostei mais daqui do que de Machu Picchu, não sei explicar ao certo o porquê, mas, como eu mesmo disse antes, aqui as coisas foram mágicas, ou quem sabe eu poderia até dizer extraterrestres.

Lá de cima as figuras iam se moldando aos olhos, vi lagarto, aranha, macaco, beija-flor, pelicano, baleia, pistas de aterrisagem, mãos, árvore, dentre diversas outras linhas e formas que não possuíam nomes específicos em nossa cultura terrestre.

Voltamos ao hotel Alegria e descansamos. 
Então, no dia seguinte começamos a viagem de volta, passamos por vários lugares que antes não havíamos parado e um deles foi a mina de cobre de Chuquicamata, a maior do mundo, no Chile.

Depois o objetivo foi Viña Del Mar, simplesmente um paraíso. As mulheres são muito bonitas, mas não mais do que as brasileiras, é óbvio, mas como estávamos acostumados com as peruanas, Índias, e com as mulheres do norte do Chile, essas aqui são Deusas. Demos uma bela caminhada na cidade e conhecemos o centro e o apartamento da prima do Juarez, o qual é demais, pois possui uma vista para toda a cidade, incluindo o mar, pois esta é uma cidade-praia. 

Acordamos às 9:30, horário de "wake up" único durante a viagem, isso faz lembrar como é bom dormir. Fomos as praias de Viña Del Mar neste dia, as do Norte, Horcon, Comcom, Reñaca e Papudo são muito bonitas, além da água fria existem pedras e mais pedras no meio da água, é genial! Voltamos e caminhamos por Viña, tinha um show de Axé num palco à beira mar. Depois disso, fiquei olhando as pessoas fugindo das ondas que batiam nas pedras e jogavam água na calçada, daí voltei para o edifício Mirador e dormi.

Fomos visitar Val Paraíso, o porto é o mais importante do Chile, o guindaste está toda hora carregando e descarregando os navios. Cabem seis navios ao todo. Voltamos cedo para o Palácio, fomos jantar e compramos as passagens de ônibus para Santiago.

A moeda que ganhamos de uma Chilena que trabalhava no supermercado e que nos ajudou a carregar as compras até o carro, detalhe que elas foram pelo caminho mais comprido. Muito simpáticas, loucas para que a gente falasse um pouco de português, para elas ouvirem. No início se assustaram um pouco com a língua, mas logo perceberam que era fácil para elas entender. Na despedida elas pediram para trocar moedas com a gente, e aí esta o que ela começou me dando...

Acordamos tri cedo e fomos até Santiago, as passagens de ônibus...
Voltamos cedo, pois fizemos todos os passeios do livrinho, embora depois eu tenha percebido que não vimos tanta coisa assim, mas tudo bem, porque é uma cidade bem "voltável", até porque é a cidade capital do país.

Rumo a Portillo,na fronteira entre Chile e Argentina. Este lugar é um deslumbre, possui um lago, que diz a lenda que é originário do chouro de uma ïndia por causa do seu amado que foi para guerra, a cor da água, é cor de lágrima.

Mendoza, cidade maravilhosa, cheia de árvores e cores, o parque é maior do que a cidade em si, natureza. Detalhe, a cidade é aguada todos os dias, pois é muito seca. Existem canaletas em todas as ruas para que a água transite.

San Francisco é uma cidadezinha bem pequena, mas tem shopping center com uma mulher somente para atender todo mundo, num domingo, em uma lancheria do shopping.

Livramento. Chegamos a cidade em que se pode dar um passo e estar no Brasil e com um outro passo se está no Uruguai. No restaurante Basketball comemos queijo parrillero e comemos carne vermelha. Que saudade!!!

Dormimos por 30 reais cada.
No dia seguinte, último dia de viagem, chegamos em Porto Alegre, fim do diário e começo da vida novamente!

 
Reportagem: Diego Pasetto  /  Porto Alegre - RS

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