Nova Zelândia - A Ilha do Norte - Fev/02

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Caros amigos,

A edição de 12 Setembro de 2001 da revista ISTO É traz em suas páginas da "Entrevista" dois erros terríveis. Assim que comecei a ler a introdução da matéria, notei a citação que a cidade de Oakland seria a capital da Nova Zelândia. Primeiro, a capital da Nova Zelândia é a cidade de Wellington, embora, a maior e mais importante cidade do país seja Auckland (com esta grafia - provavelmente a intenção do autor da matéria!).

Isso me despertou o desejo de compartilhar algumas experiências fantásticas que tive quando visitei esse país quase desconhecido pra nós. Foi o ano passado, bem no começo do milênio que tomei um avião num vôo transpolar para visitar aquele canto do mundo. E que
canto!!!!

A Nova Zelândia é um país ímpar. Belo, surpreendente, acolhedor. Em seu pequeno território pode-se experimentar diferentes atrações que a natureza nos premia. A porta de entrada é Auckland, uma cidade esparramada ao longo de 2 baías, a Waitemata a leste (banhada pelo Pacífico) e a Manakau a oeste (com as águas do Mar da Tasmânia). hamada de "Cidade das Velas" devido à enorme quantidade de veleiros que faz a cidade ter a maior quantidade de barcos per capita no mundo!

O centro da cidade é pequeno, simpático. Poucos arranhacéus e uma torre que, dizem, é a mais alta do hemisfério sul. Calcula-se uma população de mais de 1 milhão na área metropolitana de Auckland. Para um país de menos de 4 milhôes de habitantes, Auckland é uma metrópole!

A Nova Zelândia é dividida em 2 partes: a Ilha do Norte (onde está Auckland) é a menor e a mais densamente povoada. A Ilha do Sul possui as melhores atrações turísticas para quem curte a natureza. Wellington é a capital administrativa do país que faz parte do Commonwealth (Comunidade Britânica). Wellington fica na ponta sul da Ilha do Norte. As duas ilhas estão separadas pelo estreito de Cook e são bem próximas. Um ferry boat faz a travessia tanto de pedestres como de veículos num percurso de 3 horas.

Um parêntesis: os brasileiros costumam sempre ligar o nome da Nova Zelândia ao da Austrália. É preciso lembrar que os dois países são bem diferentes. A não ser pela colonização britânica, que legou a influência européia, a língua inglesa e quase a mesma bandeira, Austrália e Nova Zelândia não têm mais quase nada em comum. Cultivam até uma certa antipatia mútua, como expressa nos dizeres de uma camiseta que vi no aeroporto de Auckland: "Sou neo-zelandês. Torço para qualquer time que jogue contra a Austrália"!!!!!

A começar pelos povos nativos, passando pelo clima, relevo e chegando até a fauna e a flora, tudo é direrente. Os maoris foram os primeiros habitantes da Nova Zelândia. Eles chegaram na ilha há centenas de anos atrás vindo de ilhas da Polinésia em frágeis canoas. Seus traços fisicos lembram os havaianos. Homens e mulheres são altos, com pele morena e cabelos negros e lisos, bem diferentes dos primitivos aborígenes que habitavam a Austrália.

Ao contrário do que aconteceu na Austrália, os maoris, já no início da colonização uropéia, fizeram um tratado de paz com os britânicos, o que se não foi assim tão favorável aos nativos, pelo menos lhes assegurou uma posição confortável. É claro que ainda hoje são feitas reivindicações (geralmente de ordem política), mas os maoris são um povo que não foi perseguido e quase exterminado pela coroa britânica como aconteceu a outros países onde ingleses impuseram seu império. O melhor exemplo de convivência pacífica entre colonizadores e colonizados em toda a história mundial.

AOTEAROA. Este é o nome da Nova Zelândia na língua maori e quer dizer "Terra da Grande Nuvem Branca" .Talvez pela grande quantidade de atividade vulcânica na ilha. A maioria dos lagos, montanhas, baías, rios e cidades possuem nomes maoris. KIA ORA é uma expressão que indica uma saudação de boas vindas.

A Nova Zelândia é uma país ainda mais jovem que a Austrália e o Brasil. Na verdade, tem menos de 200 anos!!!! Quando os britânicos tomaram posse das ilhas, acharam que não valia a pena investir naquelas duas. Ali não havia muita coisa que pudessem explorar como ouro ou pedras preciosas. Só matas e vulcões. Sorte da Nova Zelândia. Há menos de 200 anos os europeus começaram a chegar atraídos pelas terras baratas e pelo clima agradável. Alguém teve a grande idéia de trazer ovelhas. e hoje elas são maioria neste país. As estatísticas dizem que existe 25 ovelhas para cada habitante. Isso faz um total de mais de 60 milhões de ovelhas!!!! O que faz este país um dos maiores produtores de lã do mundo.

Um pássaro esquisito de bico comprido e que não voa é o animal que simboliza este país. O kiwi foi escolhido como símbolo talvez por ser como o povo daqui: rústico, simples e espertos. Kiwi é hoje o nome genérico que se dá aos habitantes de Aotearoa. E eles ostentam essa denominação com orgulho e prazer.

A Nova Zelândia é um país praticamente limpo e que não sofre os problemas da poluição, embora sua qualidade de vida seja de primeiro mundo (raros no Hemisfério Sul) com todas as facilidades e confortos do século 21. Mas praticamente não há indústrias no país. Até alguns anos atrás, havia 2 fábricas de automóveis na ilha, ambas japonesas. Os carros fabricados além de acabarem ficando mais caros que os similares que chegavam dos países asiáticos, causavam transtornos ecológicos. Assim, os neozeçlandeses decidiram simplesmente fechar as fábricas e hoje, todos os carros que rodam no país são importados. A direção usa a mão inglesa e a gasolina é ainda mais barata que no Brasil (cerca de R$0,95 o litro).

É um país relativamente barato. O dólar neozelandês tem valor similar ao Real em relação ao dólar americano. Fazer turismo aqui é bem accessível. Pode-se alugar um carro por N$25 por dia, com km livre e seguro incluído. Uma van sai por N$75 e um camper todo equipado por N$65!!!!! Os neozelandeses adoram a vida ao ar livre. A rede de estradas é excelente, há ótimos campings por todo o país e os Bed and Breakfast são bons e baratos. A Nova Zelândia tem no turismo uma de suas principais fontes de divisas.

O país é cosmopolita e aberto à imigração. Brasileiros não precisam de visto para entrar na Nova Zelãndia. O clima é agradável. No verão as temperaturas chegam a 32ºC e no inverno descem a 10ºC. A ilha do Sul é mais fria e chega a nevar nas montanhas. Em minha estada na Nova Zelândia, tive o acompanhamento de um guia muito especial e particular, meu amigo Misaki, que conheci via internet e que me levou para conhecer seu país sob um ângulo que só um morador pode oferecer.

Antes mesmo de conhecer Auckland, decidimos pegar a estrada e seguir em direção sul para Rotorua, região vulcânica e maior atração turística da Ilha do Norte.Saímos logo cedo pela manhã via auto-estrada nº1. O percurso total era de 240 km mas fizemos alguns desvios para visitar atrações imperdíveis.

Nossa primeira parada foi 130 km depois na cidade de Hamilton onde fomos conhecer o Jardim Botânico local (Hamilton Gardens), certamente um dos mais bonitos do mundo.

Numa área imensa há plantas de todos os tipos e o jardim de rosas é simplesmente deslumbrante. O perfume enche o ar e o colorido enche os olhos. Há uma série de jardins temáticos onde pode-se relaxar e curtir o visual: jardim japonês, jardim francês, jardim inglês, jardim renascentista, jardim vitoriano e por aí vai.

É em Hamilton que fica também o Hospital Geral de Waikato. Hamilton é o maior centro médico da NZ e o hospital geral é onde nasceu a primeira criança do ano 2000, segundo a mídia, é claro.

A partir de Hamilton, deixamos a rodovia 1 e pegamos a rodovia 3 em direção à Otorohanga, à 60 km de Hamilton. Otorohanga é a cidade mais próxima da maior atração turística da região, as cavernas Waitomo. Para chegar às cavernas, prosseguimos pela rodovia 3 depois de Otorohanga até o entrocamento com a rodovia 37, na altura do vilarejo de Hangatiki. Há muitas placas indicativas.

As cavernas de Waitomo foram descobertas por um chefe maori chamado Tane Tinorau e um explorador inglês em 1887. As cavernas são um tesouro em estalagmites e estalagtites e possuem um rio subterrâneo. As formações rochosas são muito interessantes mas nada se
compara ao espetáculo das larvas fosforescentes que são a maior atração das cavernas, espetáculo de tirar o fôlego.

Esses insetos tem um ciclo de vida inusitado. Tudo começa com milhares de ovos que são depositados nas paredes úmidas e limosas das cavernas. Após 3 semanas os ovos se transformam em larvas de alguns milímetros de tamanho. Assim elas permanecem por um período de 6 a 9 meses. Durante este período, a larva se alimenta. Na verdade, este é o único estágio da vida que ela pode fazer isso. Para atrair alimentos (minúsculos insetos) a larva emite uma luminosidade como a de um vagalume, mas uma luz contínua e cintilante. O alimento é atraído pela luz e cai nas garras da larva. Depois desse período, a larva se transforma em casulo e em seguida, do casulo sai o inseto adulto. O macho então procura uma fêmea para se acasalar. A fêmea põe cerca de 120 ovos e então, como não possuem boca e portanto são incapazes de se alimentar, os insetos adultos morrem (de fome) num período de no máximo 3 dias. Acreditem... devem ser os 3 dias mais excitantes da vida deste inseto!!!!!!!!!

O espetáculo proporcionado pelas larvas luminosas é indescritível. É como olhar o céu numa noite estrelada. Parecem até efeitos especiais!!!! A infra-strutura criada para explorar este fenômeno também beira à perfeição. Pontes suspensas e escadarias para ver as formações rochosas e depois, pequenos barcos que deslizam silenciosos na escuridão pelo rio subterrâneo para ver as larvas. O silêncio e a escuridão são pontos imprescindíveis para que as larvas não se assustem e não apaguem sua luz. Cabos de aço suspensos guiam os barqueiros pelos canais escuros enquanto os turistas suspiram extasiados. Tudo, é
claro, acompanhado por um guia que nos passa toda a informação necessária e está sempre pronto a responder as perguntas.

Para saber mais visite:
www.new-zealand.com/WaitomoCaves

Depois de visitar Waitomo, voltamos à rodovia principal até Hangatiki e seguimos em direção à Te Kuiti na rodovia 30. Pequenas cidades com nomes maoris estão à beira da estrada: Waiteti, Puketutu, Topaki e Tiroa, entre outras. Esta região pertence ao Parque Florestal Pureora. Uma explosão de verde com riachos cristalinos correndo ao longo da estrada e cachoeiras despencando de penhascos. Maravilhoso!

No trevo de Mangakino, seguimos na direção de Whakamaru. São cerca de 10 km até o pequeno vilarejo. Lá, mais um entrocamento. Então pegamos a estrada principal, a 32, na direção de Atiamuri. São 20 km até Atiamuri.

Este é o caminho mais rápido para se chegar a Rotorua. De Atiamuri à Rotorua são menos de 45 km. Ao chegar próximo à cidade, já se pode sentir o cheiro de enxofre no ar. A região possui uma intensa atividade geotermal, com vulcões e geisers em abundância.

Rotorua é um intenso polo turístico. Aproveitando o potencial dos vulcões e lagos e a belíssima paisagem, foi criada uma infra estrutura invejável. São mais de 250 lojas (desde grandes lojas de departamentos até boutiques exclusivas, passando por inúmeras opções em artesanato), mais de 50 restaurantes (de diversas especialidades: chineses, japoneses, italianos, koreanos, mexicanos, indianos, mediterrâneos e típicos maoris), mais de 100 opções para hospedagem (desde hotéis sofisticados como o Novotel Royal Lake, até
albergues e simpáticas pousadas), e uma infinidade de atrações para os visitantes como parques, passeios pelos lagos, pesca, atividades radicais, centros de entretenimento, vilas culturais maoris e por aí vai.

A região de Rotorua possui uma das maiores concentrações de Maoris do país. Dados oficiais indicam uma população de quase 70 mil habitantes na região. Desses, 1/3 são descendentes diretos dos Maori, quase todos da tribo Te Arawa. É o melhor lugar, em toda a Nova Zelândia, para se estar em contato direto com a cultura Maori.

A região possui 14 lagos onde se pode nadar, praticar esportes e mesmo pescar trutas. Pode-se usar todos eles exceto um, o Green Lake, que é sagrado para o povo Maori. O Rotorua Lake é o maior deles e em suas margens está espalhada a cidade.

· Para saber mais visite: www.rotoruanz.com

É bom que se diga que Rotorua é um destino turístico muito procurado também pelos neozelandeses de outras partes do país. Há inclusive muitas casas de veraneio para alugar. Mas tudo muito familiar. A noite é calma. Nada de muitas badalações.

Aliás, pelo que pude observar, no geral o neozelandês não é muito chegado à um agito noturno. O negócio deles é a natureza e os desafios que ela pode oferecer. Parece um povo viciado em adrenalina!!!! Qualquer lugar que você vá sempre tem uma atração radical!!!!!! Não é de estranhar que tenha sido um neozelandês o primeiro a conquistar o Everest (Edmund Hillary) ou que tenha sido uma neozelandeza (porque adrenalina não tem preconceito sexual!)a primeira mulher a voar sozinha num aviãozinho mequetrefe desde
a Inglaterra até a Nova Zelândia (Jean Batten) e que tenha surgido lá a idéia de um brinquedo maluco como o bungy-jumping ou o zorba. Sangue kiwi é realmente viciado em adrenalina!!!!

Ficamos 3 dias nesta região. Via internet eu havia pegado a informação de um ingresso promocional para as 5 melhores atrações da cidade (www.rotorua5starattractions.co.nz). Fomos direto para o Rotorua Visitors Centre comprar os ingressos (que custaram R$60) e pegar material como mapas e sugestões de passeios. O resto daquele 1º dia fomos andar pela cidade, passear, fazer algumas compras para nosso café da manhã do dia seguinte (que não estava incluído na diária)e perambular pelos jardins à beira do lago para esperar o pôr do sol. Para nossa decepção, o sol não se pôs no lago e sim no lado contrário. Decepção? Bom, não dá pra se decepcionar na Nova Zelândia. Assim sendo, os raios de cor laranja coloriram as montanhas e a fumaça que saía das milhares de fontes ao redor deram um tom meio etéreo àquele fim de tarde. A única coisa que incomodava era o odor de enxofre eternamente no ar...

Na manhã seguinte, de posse de nossos ingressos, fomos logo cedo para o parque de Whakarewarewa. Este parque, um dos mais interessantes de Rotorua, é uma mistura de vila cultural maori e área geotermal. Começamos com um passeio pelo museu maori e centro de tradições. Aqui, nossa guia, uma maori charmosíssima de longos cabelos negros e voz macia e calma, chamada Kiki, foi nos contando a história dos maori, suas lendas, e nos explicando o significado de sua arte maior, o entalhe na madeira.

Uma das lendas contadas é a seguinte: A primeira canoa que saiu de Hawaiki no período da grande imigração era chamada de Ohamairangi, cujo capitão era o guerreiro Tamatakapua. Ele levou com ele, à força, um famoso Tohunga(curandeiro, pajé, feiticeiro etc) chamado Ngatoro-i-rangi e sua mulher Kearoa que também possuía poderes mágicos. Com raiva por ter sido praticamente raptado, Ngatoro-iangi levou a canoa até Te Koro Koro-o-Te Parata, um Taniwha ou monstro do mar. A canoa então foi tragada garganta a baixo pelo Taniwha junto com um enorme rodemoinho. Os tripulantes da canoa então pediram clemência a Ngatoro-i-rangi para que os salvasse. E ele atendeu ao pedido. Então a canoa foi impulsionada para fora da garganta do monstro. Este impulso, parecido com o de um tubarão, deu um novo nome à canoa: Te Arawa (o tubarão). Nome que foi tomado pela tribo que aportou nas ilhas de Aotearoa (Terra da Grande Nuvem Branca), hoje, cohecida por nós como Nova Zelândia.

As cores mais usadas pelos maoris são o laranja e o azul. O laranja significa o nascer e pôr do sol (pude comprovar isso no dia anterior, lembram?) e o azul, as águas.

No museu pudemos ver a fantástica arte de entalhe na madeira. Peças lindíssimas com desenhos que possuem significado próprios. Cada peça conta uma estória. Os totens sempre possuem grandes e arregalados olhos de jade, a pedra sagrada dos maoris e encontrada com certa facilidade pela ilha. Eles acreditam que os olhos arregalados espantam os inimigos e maus espíritos.

Conhecemos também o centro de preservação da cultura maori onde as novas gerações aprendem com as gerações antigas as danças, as artes e a história do seu povo numa bem sucedida tentativa de preservar a sua cultura.

Depois fomos assistir a um festival cultural maori num local tipo uma aldeia onde o prédio principal é a Te Pakira, ou Casa sagrada de reuniões. Antigamente, este era o local onde a comunidade se reunia para deliberações comunitárias, corte de justiça, planos de guerra, reuniões religiosas e para receber outras tribos amigas. A maneira como fomos recebido foi muito interessante. Primeiro, ficamos (todos os turistas e visitantes)fora da área demarcada como sendo a aldeia maori, e fomos introduzidos no significado do que iríamos assistir.

Uma mulher maori nos explicou que participaríamos do ritual da amizade e escolheu entre todos nós, o homem mais alto. Era um americano enorme de quase 2 m de altura. Ele seria nosso chefe, nosso representante. Todos nós deveríamos nos postar SEMPRE atrás de nosso chefe. Passar à frente do chefe significa falta de respeito e um desafio à sua posição. Fomos entrando no clima. Seríamos como uma tribo visitando uma aldeia vizinha. A aldeia que estaríamos visitando não sabia se vínhamos em paz ou não, portanto, todo cuidado era necessário. De repente, homens musculosos apareceram e tocaram suas conchas. Nosso chefe se postou à nossa frente, com as mãos limpas. O chefe maori então veio se aproximando ameaçador com sua lança e passos de guerra que mostravam uma imensa leveza e habilidade no manejo da lança. Enquanto ele se aproximava, fazia caras e bocas e mantinha os olhos incrivelmente arregalados, ameaçadores. Outros guerreiros vinham logo atrás dele também fazendo evoluções com suas lanças. Nosso chefe se mantinha impávido (nossa, de onde tirei essa palavra? do hino nacional?!!!).

Os guerreiros, todos homens de boa estatura, musculosos, se vestiam apenas com um colar com uma pedra de jade de desenhos diferentes (que indicam seu clã) e uma sainha de palha. Nada por baixo. Seus trazeiros estavam completamente à amostra e mostravam tatuagens que iam até a altura dos joelhos. Seus rostos também exibiam tatuagens. Quase todos tinham cabelos longos, presos em rabos de cavalo. O chefe maori chegou até o meio do caminho e deixou cair um ramo de planta. Depois voltou aos seus. Nosso chefe caminhou até o ramo e pegou-o do chão. Já tínhamos sido informados que esse ritual significa que vínhamos em paz. Caso nosso chefe não pegasse o ramo ele estaria dizendo que não vínhamos em paz. Então o tom da cantoria mudou e fomos convidados a entrar na Te Pakira. Antes, tivemos que tirar os sapatos. Uma montanha de calçados em frente à porta de entrada! Lá dentro, a modernidade se mostrava apenas no carpete do chão e nas cadeiras dispostas em auditório. O resto era uma cópia fiel de uma Te Pakira. Paredes cobertas de tapetes de fibra trançadas e as vigas do teto todas magnificamente entalhadas à mão!!!

Nosso chefe se sentou na primeira cadeira e fomos nos postanto nas demais filas. Aí o show começou. Foi quase 1 hora de danças, música (extrema musicalidade com harmonia de 3 vozes), apresentações de treinamento guerreiro e informações sobre a cultura maori. As mulheres vestiam saia de palha e uma parte de cima com desenhos geométricos que indicam seu clã. Antigamente elas também não usavam nada por baixo da saia de palha. Mas nessa apresentação havia um fôrro preto sob a palha. Dança da guerra, dança da colheita, dança da amizade, dança do amor... como dançam os maoris!!!!

Foi uma experiência interessantíssima e muito agradável. Depois do show, fomos então visitar a parte do parque onde está a atividade vulcânica. Para isso, pregamos uma trilha.

Nossa primeira parada foi num local onde poderíamos ver os pássaros que são o símbolo da Nova Zelândia, os kiwi. O kiwi é um pássaro de hábitos noturnos que não tem calda e nem pode voar. Antes da chegada dos europeus, não havia na NZ nenhum animal mamífero, ou carnívoro ou peçonhento. Sem predadores, o kiwi foi ficando sem asas!! Hoje, está ameaçado de extinção e há pouquíssimos exemplares em todo o país. A fêmea põe os ovos, que são considerados desproporcionais para o tamanho do pássaro. Mas cabe ao macho o trabalho de chocar os ovos por um período de 65 dias. Como tem hábitos noturnos, o kiwi só pode ser visto em atividade durante a noite pois dorme durante todo o dia. Assim, o local foi preparado para isso. Entramos em um corredor escuro e pudemos ver (não muito bem), alguns pássaros detrás de um vidro num local que reproduzia seu habitat natural. Os kiwi não enxergam bem e é o longo bico que lhes proporcionam um olfato apurado que os habilita à procura de comida.

De lá, seguimos a trilha e fomos dar no Ngamokaiakoko, um poço de lama fervente! A temperatura da lama é de 90 a 95 graus e ela fica borbulhando o tempo todo! O cheiro de enxofre é fortíssimo. Continuamos pela trilha e chegamos ao Pohutu, um geiser que entra em erupção de 10 a 25 vezes ao dia, dependendo da força e direção dos ventos. Tivemos sorte de sermos contemplados com uma erupção exatamente no momento em que stávamos chegando.

A altura do jato de água chega a 20 m. Estávamos a menos de 4 metros do Pohutu e podíamos sentir a força da terra sob nossos pés. Foi um momento impressionante. Por toda a nossa volta, a fumaça saía de fendas na terra e nas rochas ao redor. Tudo isso é bem accessível aos visitantes, ou seja, não há cercas ou divisórias, apenas placas alertando os visitantes dos perigos latentes. Muitos outros poços e fendas fumegantes ainda apareceram em nosso caminho de volta à área central do parque. Gastei quase toda a manhã neste parque e acabei almoçando por lá..

· Para saber mais visite: www.whakarewarewa.com

De Whakarewarewa fomos assistir a um espetáculo numa fazenda de ovelhas. Como já comentei aqui, existem na NZ 25 ovelhas por habitante. A atividade é uma força econômica muito grande no país e a lã um dos principais produtos de exportação. Nos perdemos pelo caminho mas finalmente chegamos ao Agrodome para o show das 2:30. O Agrodome é uma mistura de fazenda de ovelhas e parque de esportes radicais. O espetáculo das ovelhas foi muito interessante. No pavilhão principal do Agrodome, uma surpresa: a bandeira do Brasil tremulava juntamente com outras. Uma forma carinhosa de agradar os turistas que visitam o lugar. O mestre de cerimônias (por sinal um homem belíssimo com músculos à amostra!!) nos introduziu no mundo das raças de ovelhas. São vários tipos de ovelhas que fornecem lã de qualidade e preços diferentes. No topo da pirâmide está a raça Merino, que dá a lã mais cara. Depois, foi a vez da tosquia. A ovelha adulta foi tosquiada inteirinha diante de nossos olhos em menos de 8 minutos!!!!!!!!! O que não pode jamais ser considerado um recorde, segundo nosso anfitrião. O show dos cães pastores também foi outro momento interessantíssimo. Os cães são treinados para ajudar no pastoreio e é incrível como respondem aos diferentes tipos de apito. Eles conseguem discernir quando é para juntar as ovelhas da direita ou esquerda, força-las a tomar um caminho ou mesmo fazê-las ficar imóveis!!!!!!!

Do lado de fora, uma série de opções em esportes radicais. O bungy jumping, naturalmente, o agrojet (uma lancha que desce o ria a mais de 100 km por hora, o swoop (um balanço onde as pessoas são metidas dentro de sacos como os usados em asa delta e são lançadas como que voando de uma altura de 40 m) e o zorb (uma espécie de bola gigante de plástico transparente onde o maluco é colocado dentro e a bola lançada morro abaixo). Um negócio de gente maluca mesmo!!!!! Só tendo sangue kiwi pra encarar com naturalidade coisas como esta! Eu, que já passei desta fase, preferi um inocente vôo de helicóptero. Durante 20 minutos sobrevoamos a região dos lagos e dos vulcões. Um passeio inesquecível!!!

Depois disso tudo, o cansaço já batia. Retornamos ao hotel no fim da tarde para um merecido descanso antes de seguirmos para nosso programa da noite, as fontes de águas quentes do Polynesian Spa.

O Polynesian Spa ficava a menos de 30 metros de nosso hotel. Lá fomos nós para nosso relax nas piscinas de águas quentes. As piscinas são de água corrente e consideradas medicinais. A temperatura varia de uma para outra. Lembra um pouco as águas quentes de Goiás. A diferença fica por conta do forte cheiro de enxofre.Na verdade, o que aquece a água é a atividade vulcânica que existe no subsolo. Ficamos de molho das piscinas até as 11 da noite quando o spa fechou. Encontramos também lá um jovem casal de paulistas. Foram os únicos brasileiros que encontramos em Rotorua. Em compensação, havia argentinos em profusão! Com um vôo direto de Buenos Aires para Auckland, a NZ tem sido uma excelente opção para os argentinos.

· Para saber mais visite: http://polynesianspa.co.nz.

Nosso terceiro dia em Rotorua amanheceu glorioso e havíamos pedido à recepção que nos chamasse antes do nascer do sol. Fomos para a beira do lago e aí sim, pudemos assistir ao mais estonteante espetáculo! Depois um belo café da manhã regado a frutas ainda nas margens do lago e seguimos para Wai-O-Tapu, mais um vale de atividade geotermal. Aqui, seguindo trilhas previamente demarcadas e com um mapa na mão pudemos observar a mais colorida área vulcânica da região. Os lagos, crateras, cavernas e poços possuem cores diferentes que indicam a presença de diversas substâncias. Assim, uma boca de caverna amarelada demonstra grande quantidade de enxofre, branca indica silício, violeta, manganês; laranja, antimônio; verde, arsênico; marron, óxido de ferro e preto, enxofre e carbono.

O mais impressionante foi o poço de champagne, um lago cujas margens são verde e laranja e por causa da temperatura no subsolo, bolhas sobem constantemente como numa taça de champagne. Daí o nome do poço. Mais uma vez, nada de cercas ou aramados, penas placas. Tivemos que correr para chegar a um ponto específico do parque antes das 10:15 da manhã. É que neste horário, faça chuva ou sol, diariamente o gêiser Lady Knox entra em erupção. Tudo preparado para a apresentação do astro: banquinhos dispostos em semicírculo e um guia para nos contar a história do gêiser. Mais uma vez fiquei a menos de 4 metros do gêiser. Centenas de câmeras de video e foto preparadas e exatamente às 10:15, o jato dágua se ergueu com violência a uma altura de 20 e poucos metros. Pensei mais uma vez na força que se agitava sob meus pés e tive medo. A NZ fervilha por dentro!!!! Entendi então porque os maoris dizem que o país tem alma de fogo. Pensei em sair dali o mais rápido possível!

· Para saber mais visite: www.geyserland.co.nz

Terminado o show, seguimos na direção sul para Taupo, um balneário à beira do lago de mesmo nome, localizado aos pés dos vulcões do Tongariro. O local é um planalto vulcânico e o mais temido vulcão é o Ruapehu, com 2800 m e ainda ativo. Aliás, sua última erupção foi em 1995. Taupo é uma cidade simpática e agitada com muitas casas de veraneio. Ao contrário de Rotorua, a maioria dos turistas aqui são neozelandeses em férias. O lago Taupo é enorme, de um azul límpido e refrescante. A pesca de trutas é o ponto alto da região. Mas há também a prática de esportes aquáticos e barcos cruzam o lago em todas as direções. As margens do lago são ajardinadas na cidade, como calçadões à beira mar, as pessoas caminham, patinam, bicicletas rodam nas ciclovias e há bancos de jardim e mesas para picnic. Compramos belos sanduíches, e com toda a majestade das montanhas ao fundo e a placidez do lago à nossa frente nos deleitamos por um bom tempo.

· Para saber mais visite: www.thinkfresh.co.nz

Retornamos a Rotorua (são 50 km de Taupo até lá) e ainda havia tempo de visitarmos a última atração do nosso pacote de tickets, a Paradise Valley Springs Wildlife Park, um santuário de vida animal. Fora os leões (nada a ver com a NZ!!!!!), os bichos são criados em lugares aprazíveis. São wallabies (uma espécie de canguru), porcos do mato , veados silvestres e outros pequenos animais. Mas o mais interessante são os tranques de trutas. Trutas de diversos tipos, algumas imensas, com cerca de meio metro e outras coloridas como a truta arco-íris estão colocadas em tanques perfeitamente integrados à natureza. Como se sabe, a truta só sobrevive em águas límpidas e correntes. A infraestrutura do parque providencia tudo isso. O local é aprazível, não há muitos visitantes no final da tarde (hora que fomos ao parque) e pudemos curtir o silêncio da mata e o som das pequenas cascatas que corriam por entre as árvores.

A noite chegou e mais uma vez fomos relaxar no Polynnesian Spa. Depois, um belo jantar em um dos inúmeros restaurantes de Rotorua e o dia chegou ao fim.

No dia seguinte, perambulamos pela manhã pelo centro de Rotorua. Visitamos lojas, comprei lembrancinhas e cosméticos à base de lama vulcânica e almoçamos trutas frescas em um pequeno restaurante com vista para o lago. Depois, tomamos nosso caminho de volta à Auckland, onde chegamos ao entardecer. 

No dia seguinte, meu amigo não poderia me levar para passear em Auckland pois teria que trabalhar. Assim sendo, me virei sozinha. Mas com a excelente infra-estrutura turística, não tive qualquer problema em me divertir na maior cidade neo-zelandesa.

Meus próximos 3 dias na Nova Zelândia foram passados em Auckland, uma cidade descontraída, simpática, com trânsito um tanto confuso e ar cosmopolita. Conheci um jornalista e fotógrafo português que estava fazendo uma matéria para uma revista de turismo e ele me disse que proporcionalmente depois de Florença, Auckland era a cidade que mais ofertas de acomodações tipo "backpackers" tinha a oferecer a seus turistas. Não admira. A quantidade de jovens pelas ruas era realmente impressionante. Uma enorme maioria para os de traços orientais.

Meu hotel (o Carlton - www.carlton-auckland.co.nz ) ficava numa praça no começo da Queen Street, a principal rua do centro da cidade. Queen Street é a mais movimentada também. Sua arquitetura vai do vitoriano ao pós moderno, numa harmoniosa convivência. Na praça (Aotea Square) estão alguns prédios do governo, o Planet Hollywood, o imenso cinema IMAX e um portal em madeira entalhada com arte maori. Descendo a Queen Street minha primeira parada foi no centro de informações turísticas, um bem montado escritório onde pode-se encontrar toda a espécie de informações, mapas, comprar tickets, conseguir hotéis e tudo o mais. Os atendentes são bilingues. Uma simpática mocinha até tentou adequar seu espanhol para o nosso português. Mas entre um e outro, eu e meu recém amigo português optamos pelo inglês!!!!!

· Para saber mais visite: www.nztb.gov.nz/visitor/visitor

Foi lá que fiquei sabendo sobre o Explorer Bus, um ônibus que passa pelas atrações turísticas da cidade com direito a embarcar e desembarcar quantas vezes quiser. Com o itinerário e horário do ônibus na mão, decidi descer toda a Queen Street e pegá-lo em um ponto específico. Assim eu teria tempo para explorar a rua principal da cidade.

Foram apenas cerca de 6 ou 7 quadras curtas. O comércio de Auckaland é bem ao estilo ocidental com lojas de departamentos, lanchonetes, lojinhas de souvenirs etc. A Queen Street termina na Waitemata Harbour a baía que fica do lado norte da cidade. Aqui, um pier movimentadíssimo com barcos e ferries saindo para diversos lugares. A Fullers, maior cia de ferries sai daqui com turistas de todo o mundo. Meu ônibus já estava no ponto quando cheguei. O Explorer Bus é mantido pela United Airlines. O ticket de um dia custa NZ$20 (cerca de 20 Reais). É caro, mas é a melhor maneira de se locomover pelas atrações turísticas da cidade, que ficam distantes umas das outras. O transporte coletivo em Auckland é precário pois os neozelandezes são mais ou menos como os americanos.
Todo mundo tem seu carro!!!!! E é caro também. Meu amigo neo-zelandês me disse que gastaria 3 vezes mais se usasse o transporte coletivo para ir ao trabalho. Assim, todo mundo usa seu carro!!!!

· Para saber mais visite: www.explorer-bus.co.nz

O ônibus seguiu pela Quay Street, uma avenida que vai beirando o mar. Minha primeira parada seria naquela que é considerada a maior atração turística de Auckland, o Kelly Tarlton's Underwater World, um misto de museu, aquário e mini parque temático. Como tudo na Nova Zelândia, o Kelly Tarlton's é despretencioso mas interessante. A Antártica é o ponto alto do lugar. Logo que passamos pela bilheteria (entrada NZ$20, caríssimo!!!!) entramos por um corredor e passamos por réplicas das estações de estudos baseadas na gelada Antártica. É uma espécie de museu. Desde os primeiros acampamentos quando a Antártica começou a ser explorada no início do século 20 até as estações mais modernas, mostrando roupas, equipamentos, veículos e como viviam os aventureiros que começaram a desbravar esta parte do mundo. Kelly Tarlton foi um aventureiro que imaginou este museu e ele mesmo juntou a maioria das peças que hoje se encontra em exposição. Caminhando por entre os "acampamentos" dá pra observar a evolução das acomodações desde o início até hoje.

Entrei então numa espécie de veículo, réplica com efeitos especiais e tudo, dos carros que os cientistas usam para se locomover na Antártica. O veículo nos levou então a enormes tanques que recriam o mais fiel possível o ambiente onde vivem pinguins, focas, baleias e leões marinhos. Os pinguins imperiais estão lá, imponentes com seus quase 1 m de altura. O veículo passa pela borda dos tanques que são de vidro e podemos ver os pinguins nadando sob a água. Interessante observar que esses animais tão desengonçados ao caminhar, nadam com uma destreza e velocidade impressionantes. A visita é interessantíssima. Fora do veículo, a temperatura chega a 50º C negativos!!!!!!!!!!

Depois um passeio por entre aquários onde várias espécies marinhas podem ser observadas. O tanque das moréias é impressionante! Bichos horrorosos e nojentos!!!!! Os cavalos marinhos são delicados e elegantes. Então, entramos dentro do imenso aquário dos tubarões, arraias gigantes e outros peixes. Uma esteira rolante nos leva através de um imenso túnel de vidro por dentro do aquário e os bichos ficam nadando sobre nossas cabeças!!!!!

· Para saber mais visite:
www.new-zealand.com/KellyTarltons

De volta ao ônibus, passamos por Mission Bay Beach, uma das praias mais badaladas da região de Auckland. Pequena mas muito bem cuidada, com jardins perto da areia e águas muito calmas de baía. Seguindo, subimos o Monte Eden, o ponto mais alto de Auckland. De lá, bela vista da cidade e das baías com seu litoral recortado e seus milhares de barcos ancorados por todos os lados.

Uma parada no magnífico Auckland Museum & Winter Gardens que fica no alto de uma colina e chegamos a Parnell Village, um bairro charmoso cheio de restaurantes, boutiques elegantes e galerias de arte. Uma parada para caminhar pelas ruas de Parnell e em seguida tomamos outro ônibus para prosseguir o passeio. A próxima parada foi no Victoria Park Market, um mercado colorido e movimentado com destaque para as lojas de souvenir e artesanato. A praça de alimentação convidava a uma pausa para o almoço (a fome também já se fazia gritante). A praça fica num jardim com mesinhas cobertas por coloridos guarda-sóis e centenas de pássaros que pousam descontraídamente nas mesas e cadeiras. Música gostosa ao vivo e um ambiente extremamente jovem.

· Para saber mais visite: www.victoria-park-market.co.nz

Uma quadra acima está Sky City, um complexo com cassinos que funcionam 24 horas e onde está a mais alta construção do hemisfério sul, a Torre de Auckland. A torre é o cartão postal da cidade e imperdoável não subir seus 330 m de altura. A visão é deslumbrante. O que mais impressiona é o recorte delicado do litoral, as centenas de ilhas e os "currais" dos barcos. Compreendi porque Auckland é chamada de "Cidade das Velas". A quantidade de veleiros é enorme!!!!

· Para saber mais visite: www.skycity.co.nz

Terminei meu dia na American Express Cup Village, um pier que foi construído para a mais famosa competição de barcos do mundo, a America's Cup. A vila possui restaurantes, marina, lojas, entretenimento e é onde está ancorada uma réplica do "Endeavour", o barco do Capitão Cook, o que reclamou estas terras à Coroa Britânica. Gastei um bom tempo caminhando por aqui e tentando entender a relação do neozelandês com o mar e com a navegação. A America's Cup é uma regata que dura um ano inteiro. A Nova Zelândia possui o veleiro Black Magic que é o maior segredo de estado do país. Quando este barco venceu a America's Cup, foi escondido para que nenhum outro país tivesse conhecimento da tecnologia de sua construção que deixou para trás monstros da engenharia naval mundial. No ano passado a equipe kiwi venceu de novo, sob o comando de Peter Blake (que inclusive está no Brasil e foi o entrevistado da revista ISTO É citada no início deste relato). Voltei ao hotel cansadíssima mas ainda com disposição para jantar. Um simpático restaurante em Queen Street me serviu comida italiana. E os planos para o dia
seguinte foram traçados. Iria para Bay of Islands, no lado leste do país.

Às 7 da manhã o ônibus me pegou no hotel para me levar ao pier de onde sairia o meu cruzeiro para Bay of Island. O barco partiu às 7:45 acompanhando os recortes do litoral leste. Do lado oposto, em terra, o verde quase tropical das florestas. Durante o percurso, o visual impressionava. O azul caribenho das águas, os golfinhos fazendo piruetas e acompanhando o barco. São dezenas de ilhas ao longo do percurso. Algumas parecem pequenas ilhas da fantasia, outras paraísos intocados. Navegamos pelo golfo de Waitangi
até que chegamos ao Cape Brett. Aqui, minha respiração simplesmente parou. O catamarã nos levou através do "Hole in the rock", um rocha no mar com um enorme buraco no meio. A cena me parece familiar e me lembro de um daqueles fantásticos comerciais de cigarros. Identifico a cena. É realmente aquela rocha!!!!! No horizonte, o infinito... O almoço é no barco e o passeio é realmente espetacular. Nenhum brasileiro, exceto eu, a bordo. Surpreendentemente, a maioria é de europeus, e não de orientais.

O barco me deixou em Paihia, uma cidade que vive praticamente do turismo. Pahia tem sido um balneário concorrido há mais de 100 anos!!! Missionários protestantes foram os primeiros brancos que pisaram em Paihia em 1823. Aqui, o Rev. Henry Willians fundou sua missão. Foi aqui que o reverendo copilou o primeiro dicionário da língua dos maori. Foi ele também que traduziu o Novo Testamento para o maori. Com um tempo livre, a opção foi um passeio pelo calçadão de Paihia. Restaurantes, lojas, sorveterias e muitos turistas de muitas partes do mundo.

No final da tarde, um onibus pegou o grupo para retornarmos a Auckland. Eram quase 8 da noite quando cheguei de volta ao hotel. Um belo banho de imersão e me preparei para o dia seguinte.

Na manhã seguinte, caminho mais uma vez pela Queen Street até o cais onde vou pegar o ferry para Devonport. São apenas 10 minutos até essa vila histórica. A Marinha Real Neozelandeza tem uma base naval aqui. 2 montanhas vulcanicas são os pontos mais altos desta pequena ilha. o Monunt Victoria e North Head. Ambos fazem parte da história deste país. No Mount Victoria havia uma fortificação maori. No monte North Head, ficava uma bateria de artilharia da marinha (que foi construída em 1885) com o objetivo de defender Auckland dos invasores. Parece que a artilharia não funcionou e os invasores tomaram
Devonport. Eles são turistas de diversas partes do mundo que, como eu, vão a Devonport principalmente para ter as belas visões do skyline de Auckland. Resolvi subir até Mt North Head. Munida de uma lanterna, pude explorar os tuneis e bunkers que foram construídos para a defesa de Auckland. Mas o melhor foi a vista do golfo Haurakai. Depois, escolhi uma mesa num charmoso restaurante de frente para o mar, com Auckland ao fundo e pedi um cappuccino. Devonport tem uma arquitetura típica do final do século 19 com galerias de arte, ateliers, bares e restaurantes instalados em construções cheias de charme. O ticket do ferry me custou apenas NZ$7 e o passeio foi realmente delicioso.

· Para saber mais visite: www.fullersakl.co.nz

De volta a Aukland, meu amigo estava me esperando para passearmos pelos arredores da cidade. Assim fiquei conhecendo os subúrbios de Auckland: Henderson, Kunmeu, Helensville, Titirangi, Onehunga e outros. Pude ver os aucklanders indo ao supermercado, cortando sua grama e fazendo as coisas que os mortais comuns costumam fazer. Misaki me levou então a um lugar especial onde os turistas não costumam ir, a fantástica praia de Muriwai. Ao contrário da maioria das praias da região de Auckland, esta fica em mar
aberto, tem areias monazíticas e falésias onde milhares de pássaros fazem seus ninhos. A praia fica em área preservada no parque regional de Muriwai e tem trilhas que sobem penhascos de onde se pode ter vistas panorâmicas impressionantes. Lança-se o olhar ao horizonte e sabe-se que a terra mais próxima é a Tasmânia. No retorno paramos à beira da estrada para comprarmos pêssegos, em profusão nesta região. Depois fomos jantar com amigos de Misaki, uma família um tanto intercultural: pai holandês, mãe dinamarquesa, genro inglês e nora franco-canadense... mais um japonês e uma brasileira, parecia um jantar da ONU!!!!!!!!!!!!!!!! A casa fica numa propriedade tipo chácara onde a família cultiva flores (o que se esperava de um imigrante holandês?!!!). A sobremesa do jantar foi típica neozelandesa, um pudim a base de ovos chamada pavlova.

Já passava muito da meia noite quando Misaki me levou de volta ao hotel. No dia seguinte pegaríamos, meu amigo e eu, um vôo para a ilha do sul que sairia no início da tarde. Eu ainda tinha a manhã livre pra me despedir de Auckland. Resolvi fazer umas comprinhas no free-shop que aqui funciona assim: Há uma loja no centro da cidade. É uma loja aberta, como outra qualquer, só que com produtos importados típicos de lojas de duty free de aeroportos. Qualquer pessoa pode comprar. Se você tem seu passaporte e sua passagem aí
sim, fica livre dos impostos. Só que você paga mas não leva o que comprou. Recebe-se um ticket e só pode retirar sua compra no aeroporto, depois que entra para as salas de embarque.

Depois fomos para o aeroporto e embarcamos na excelente Air New Zealand, mas a ilha do sul é uma outra história... Ela continua em Nova Zelândia - A Ilha do Sul

· Para saber mais visite: www.nz-travel.co.nz
· ou www.nz-travel.com
· ou ainda www.travelnz.com

Voltando ao início deste relato, devo dizer que espero ter contribuído para corrigir os erros publicados na revista ISTO É. Como agente de viagens, se eu mandasse o autor do artigo para Oakland (como citado por ele), certamente ele jamais chegaria na Nova Zelândia. Na melhor das hipóteses, desembarcaria na Califórnia, nos Estados Unidos!!!!!!

Angélica Coutinho - Florianópolis, SC

 

 

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