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De Firenze até Roma demorou o tempo ideal para tirar
um merecido cochilo e ainda pude apreciar a paisagem
onde de vez em quando aparecia alguma ruína ou castelo.
Teria dormido um pouco mais não fosse a algazarra dos backpackers que faziam daquele vagão uma festa e tanto,
principalmente quando atravessávamos algum túnel.
Quando desci o pé direito na estação de trem da Cidade Eterna,
concluí que realmente 'quem tem boca vai à Roma', embora
não seja de fato o destino de todas as estradas. Lá se foi a última folhinha dos travelchecks e munido de um mapa fui
reservar um 'hostello'. Como havia poupado bem durante toda
a trip, havia grana sobrando, então me dei ao luxo de ficar num
hotel simpático, o Hostello Giardino di Europa. Foi a 1ª cidade
em que cheguei no início da noite, e no guichê de atendimento ao turista onde fiz a reserva, o pessoal do hotel garantiu por
telefone que me pegaria em determinada estação de metrô.
Cheguei lá e nada. Comprei um cartão telefônico pra ligar pro hotel e o cartão não funcionava de jeito nenhum. Ainda bem
que a galera da fila que já estava se formando no orelhão
me ensinou que deve-se quebrar um dos cantos do cartão.
Então me disseram do hotel que haviam esperado meia hora lá e o
motorista deles só trabalhava até as 20:00hs. Acabei tomando um táxi mesmo. Depois de chegar xingando o gerente
que tentava me acalmar falando do futebol brasileiro, cena
hilária, acabei me acomodando no quarto confortável e apaguei.
Dia seguinte, depois de um café até que razoável, fui explorar
a ex-capital do mundo. Fui direto ao Coliseum, entrei e conferi
o que restou desse cenáculo da política do pão-e-circo. No Brasil não é necessário uma arena de gladiadores para manter
o povo entretido enquanto se articulam as maiores maracutaias
da corrupção, pois temos futebol e boas novelas na televisão.
Mas o Coliseum é magnífico e externamente contrasta com os carrinhos e motonetas que passam alucinados na avenida à sua
frente. Bigas contemporâneas.
Fui então até as ruínas do Circo Máximo onde aconteciam
as corridas de bigas e brigas (lembra do Ben-hur?). Hoje é um pacato campo gramado que os romanos
modernos usam para pique-niques. Entre uma pizza e outra continuei caminhando e
conheci as ruínas do Forum e do Palatinum. Até que foi interes-sante pisar o mármore
sobre o qual eram tomadas as decisões
que mudaram o mundo na época dos Cézares. Conheci ainda
o obelisco egípcio, trazido como despojo de guerra e passei
também pelo Panteon, com suas inponentes colunas em estilo greco-romano. o
Capitólio tambem é algo assim deslumbrante.
Dia seguinte de mapa em punho, conheci a Piazza di Espagna
onde os namorados se encontram, como não encontrei nenhuma namorada, segui em frente e visitei ainda a Piazza Navona com uma escultura de Bernini. Aliás, vale mencionar que a cidade está
pontilhada com obras desse grande escultor e mestre do mármore.
Minha preferida é uma em que jorra água de uma concha, soprada por Netuno. Soberba.
Passear por Roma é de ficar boquiaberto, é de cair o queixo passar
por tantos monumentos e construções, que dividem espaço com modernérrimas lojas de griffes da alta costura italiana. Depois de uma breve visita ao castello San Angelo, cheguei até aquela ponte
de colunas arredondadas que fica sobre o rio Tigre. A forma em meia lua das colunas completa um círculo perfeito com seu reflexo
espelhado nas águas do rio. Mas o interessante dessa ponte é que do início ao fim possui em cada lado 5 imensas esculturas de
Bernini,
e o inusitado, quase surreal, é que naquela tarde estavam ao pé de
cada uma delas, negros africanos vendendo artesanato e eles ficavam
imóveis, dando um contraste muito engraçado com as estátuas.
Para finalizar ese dia com chave de ouro, cheguei finalmente até a famosa
Fontana di Trevi, repleta de turistas, palco de cenas famosas do cinema.
Como a tradição lá é jogar uma moeda na fonte, tirei do bolso uma
moeda de 10.000 liras que havia ganho ha alguns anos de uma amiga.
Na ocasião me prometi em silêncio jogar aquela moeda na tal
fontana.
Promessa cumprida, à cézar o que é de cézar, observei que o fundo
da fonte é repleto de moedas. Depois soube que periodicamente as
moedas são retiradas e a fonte é sempre supervisionada pelos
'carabinieri', a polizia de lá, para inibir a ação de alguns espertinhos
que tentam pegar as moedas com varas e imâs. Ao lado da loja da
Benneton, há uma conveniência, onde comprei uma garrafa de vinho nacional, sentei na murada da fonte e fiquei obsevando a alegria dos
casais jogando moedas na fonte, promessa de amor eterno e é claro,
de um dia voltar à cidade eterna.
Início da noite, hora de voltar para o hotel e descansar as pernas, pois
para se conhecer uma cidade o ideal é caminhando mesmo. E como andei. Também optei por não fazer incursões noturnas nessa viajem,
por segurança e para estar sempre inteiraço no dia seguinte.
Conheci no café da manhã, um simpático senhor de Napoli,
que gentilmente me levou de carona em seu carro até bem próximo da Basílica, evitando assim tomar taxi e metrô. O Sr. Genaro, como bom
italiano, gostava de um bom papo e me convidou para conhecer sua
cidade. Vai ficar para o próximo milênio.
Basílica de San Pedro. Visita obrigatória na Cidade do Vaticano, na
cidade do Papa pop. Meca da fé católica no ocidente cristão. Realmente
passear por suas colunas é algo que impressiona, mas de arrepiar
mesmo é o interior da basílica, donde o sumo pontífice abençoa o
povo. O altar de mármore com ornamentos dourados é de encher os
olhos. No alto as paredes são trabalhadas com mosaicos dourados
de cenas bíblicas e pinturas renascentistas. Então resolvi comprar
um ingresso para subir até a cúpula, por pura curiosidade. Além de uma bela vista da cidade fundada por Rômulo e Remo, havia a pequena
cúpula, com suas colunas, ponto mais alto da Basílica, ponto mais
alto da igreja católica. E era lá que eu queria ir, morrendo de curiosidade.
Será que o papa estaria sentado num trono? Será que lá estaria o espírito santo em forma de pomba pra salvar a alma deste pecador viajante?
Não. Tinha umas freirinhas vendendo badulaques do papa como crucifixos,
fotos e outras tralhas. Em suma, tem uma lojinha de camelô em cima
toda a fé católica no mundo.
Saindo de lá não pude visitar a capela Sistina, pois lá fecham tudo muito
cedo, ídem ao museu do Vaticano. Michelangelo que me perdoe.
Então depois de me surpreender com os trajes medievais da guarda suíça
do Papa (parecem arlequins!), desci a Via Ápia, meio abismado com tudo
e queria voltar ao hotel, pois estava já escurecendo. Esperei meia hora e
nada de um bendito táxi sequer, caminhei para uma esquina mais
movimentada e nada de aparecer algum táxi. O pior é que ali não tinha metrô, então tomei o primeiro ônibus circular que apareceu e pedi pro
motorista parar num ponto perto de alguma estação de metrô. Pois foi
assim que consegui sair de lá e chegar são e salvo até o hotel.
No dia seguinte por pura exaustão preferi tomar um taxi direto do hotel
até o aeroporto Leonardo da Vince. Só 60 doletas! Lá tive que esperar
7 horas a mais, pois mudaram o horário do vôo. Mas tudo bem, o que
importa é que estava voltando pro país da beleza, da alegria e da boa
comida. Quando cheguei ao Brasil no aeroporto de Guarulhos, minha
primeira atitude foi tomar um café preto.Ahh...cafezinho brasileiro,
feito por brasileiros no Brasil. Precisa mais? Precisa. Como meu avião
para SC só sairia à tarde, tomei um bus e fui até o Shopping Center
Norte, por que eu queria comer, comer de verdade, sabem? Cheguei ao meio dia e fui ao Restaurante Viena, onde havia um buffet, variado
onde me esbaldei com exagero mesmo. Coisa de se empanturrar.
Depois com mais um cafezinho é que cheguei a conclusão de que
estava de volta em meu país verde-amarelo, e eu voltei mais patriota,
muito mais brasileiro.
Tchello
Blumenau - Santa Catarina
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