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Com
cerca de 10 milhões de habitantes, Moscou está situada no
centro da região conhecida como Rússia Européia (a linha
fronteiriça entre Europa e Ásia corre a 1.300 km a leste da
capital). O Kremlin, espécie de triângulo murado, com 750
metros de extensão em cada um de seus lados, é o seu coração.
E não apenas do ponto de vista geográfico. Afinal, é dele
que partem todas as ruas de Moscou — e que emana todo o
poder russo. A Praça Vermelha se destaca ao longo do muro
leste, enquanto o Rio Moscou corre junto à muralha sul. Suas
águas originaram a construção de 18 pontes pela cidade. Um
sistema de canais navegáveis liga o Moscou ao Volga, e a
capital ao Mar Negro e Báltico.
Ao
ver concluída a Catedral de São Basílio, no século 16, o
czar Ivã, o Terrível, ordenou que cegassem o arquiteto
responsável. Dessa forma , nunca mais se veria algo comparável.
Só existe uma Catedral de São Basílio, um milagre arquitetônico
de múltiplas e coloridas cúpulas, em Moscou. Nada, muito
menos uma fotografia, pode dar a sensação de quem se
defronta pela primeira vez com a construção, que surge na
Praça Vermelha, como se fosse tirada de um conto de fadas.
Em
nenhuma outra cidade da Rússia você verá tão evidentemente os
contrastes do pós-comunismo. Igrejas que foram destruídas e
abandonadas durante a época da União Soviética agora estão sendo
reconstruídas e restauradas, a construção de novos hotéis contrasta
com prédios antigos. Há um movimento intenso nas ruas, muita
vivacidade que reflete a comoção e o excitamento, a dor e o trauma da
atual revolução, fazendo de Moscow o lugar ideal para sentir a nova
Rússia.
Os
moradores da rival São Petersburgo dizem que Moscou é uma grande vila.
Tem uma toque provinciano
acaba sendo um dos charmes da cidade, que não é uma grande vila, mas
centenas de vilas que se uniram. Do coração de Moscou, onde ficam o
Kremlin e suas igrejas, mais a Praça Vermelha, a Catedral de São Basílio,
o Mercado Gum e o Teatro Bolshoi, o turista pode jogar uma moeda para
cima e, na cara ou coroa, decidir o rumo a tomar. Qualquer que seja a
decisão, a cidade o presenteará com dezenas de surpresas.
Uma
das atrações mais imponentes, bonitas e impressionantes da cidade é
sem dúvida nenhuma a "Praça Vermelha". Aqui você se voltará
na história, imaginando como foram os desfiles de armamentos comandados
pelo Brejniev e sua tropa. Ainda verá Lênin deitado em seu berço esplêndido
há mais de 70 anos, passeio que sem dúvida deve ser feito e não tomará
nem 15 minutos do seu tempo.
Ainda
nesta praça você ficará encantado de ver a Catedral de São Basílio,
com quase 500 anos e cúpulas trabalhadas em ouro. Como tudo
praticamente acontece na Praça vermelha, o centro comercial também está
aqui, é o Shopping Gum, instalado num prédio do século XIX, abriga
lojas modernas (reflexo da abertura da economia) e pequenos "camelôs"
vendendo souvenirs e as charmosas madriuskas - bonequinhas de madeira de
vários tamanhos, uma dentro da outra.
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Capital
da Rússia desde 1918 e capital do comunismo até a derrocada do Império
Soviético em 1991, Moscou mantém seu jeito de cidade extraída de um
conto de fadas, com as cúpulas de suas igrejas em formato de bulbo.
Nenhuma outra polis traduziu o sonho da construção de uma
sociedade igualitária, com edifícios e hotéis gigantescos, onde todos
tivessem acesso, por exemplo, à cultura — teatros (mais de 30) e
bibliotecas (mais de 900).
Hoje,
a maior metrópole russa se rendeu à sociedade de consumo e já não
tem apenas bonecas matryoshkas (de madeira, que se encaixam uma
dentro da outra) para oferecer. Visitar o Kremlin é um passeio bastante
interessante. Desde o século 11, ocupa uma área triangular no centro
da capital, às margens do Rio Moscou. Sua entrada principal fica próxima
da Torre Kutafya. Dentro de seus muros, é difícil não se surpreender
com a quantidade de igrejas, todas elas motivo de visita: Catedral de São
Miguel Arcanjo (século 16), na qual eram sepultados os integrantes da
família real; Catedral da Assunção (séculos 15 e 16); e Catedral da
Anunciação (século 15), que serviu de capela para duques e czares.
Outros
pontos de interesse histórico são o Grande Palácio, ao lado da
Catedral da Anunciação, residência do czares construída entre 1838 e
1849; a Torre do Sino de Ivan, o Grande, de 81 metros de altura; e o
Armoury, o mais antigo museu da capital, com acervo que atesta a riqueza
acumulada pelos czares durante séculos.
A Praça Vermelha (Krasnaya Ploshchad), a principal praça de Moscou que
já foi chamada de "Praça do Mercado", no século 14, e de
"Praça do Fogo", pois foi ali que começou o grande incêndio
que destruiu a cidade em 1403. O nome atual ganhou força a partir do século
17, quando a cor vermelha começou a colorir telhados próximos às
torres do Kremlin. Em russo, krasnaya pode significar tanto
vermelho quanto belo. Este último, com certeza, o adjetivo mais
adequado para qualificar essa praça, única no mundo. Destaques:
Catedral de São Basílio, Mausoléu de Lênin, Mercado Gum e Museu Histórico.
A Catedral de São Basílio que é um dos símbolos de Moscou — e da
própria Rússia. Foi construída nos anos 1500 para celebrar a vitória
de Ivan, o Terrível sobre os tártaros. Possui nove torres, cada uma
ornamentada por uma cúpula, obras-primas criadas pelo arquiteto russo
Postnik Barma.

Catedral
de Cristo, o Salvador: Gigantesca edificação religiosa construída por
ordem de Alexandre I, em 1812, em honra do exército russo, que deteve
as tropas de Napoleão. Destruída ao longo do regime comunista, tem
sido objeto de um fantástico projeto de restauração. Algumas das
cinco torres, de cúpulas douradas, chegam a ter a altura de um prédio
de 30 andares
O Mausoléu de Lênin, cuja estrutura de granito, construída segundo o
estilo de um templo pré-colombiano (1930). É aqui que o corpo
embalsamado do líder russo fica exposto ao público. Atrás do mausoléu
estão enterradas outras figuras importantes da história do país, como
Stálin, Leonid Bréjnev e Yuri Gagarin.
O Mercado Gum que foi construído no final dos anos 1800, ele já foi a
principal loja a serviço do regime comunista. Era aqui que a população
moscovita fazia fila na expectativa de voltar com algum alimento para
casa. Hoje é um centro de consumo animado, com lojas de grifes famosas
e barracas de artesanato. Mesmo se você não estiver interessado em
consumir, o Gum vale uma visita pelo notável estilo arquitetônico.
Museus:
em Moscow há diversos:
a)Museu Histórico: Construído em 1878, o edifício engloba estilos
arquitetônicos de vários períodos. Tem acervo especializado na história
do povo russo.
Novaya Ploshchad, 12 Tel.: (7 095) 924-8490
b)Museu de Belas Artes Pushkin: Inaugurado em 1912, é o museu de maior
fama no país. O seu acervo engloba obras-primas do mundo antigo ao século
20. Volkhonka ul.,12 Tel:(095) 203-9578
c)Museu Dostoiesvky: Casa na qual o famoso escritor cresceu. Em exposição,
objetos pessoais e móveis da época. Dostoyevskovo ul., 2 Tel.: (7 095)
281-1085
d) Museu Tolstoy: Residência do escritor russo, com mobília e artigos
de vestuário. Lva Tolstovo ul., 21 Tel.: (7 095) 246-9444
Moscou é hoje a cidade adequada para experimentar receitas típicas (e
saborosas) das repúblicas da ex-União Soviética. É o caso do frango
à moda de Kiev, preparado com vários condimentos (em especial, o alho)
ou raviólis (pelmeni) ao estilo da Sibéria. Em geral, o
moscovita alimenta-se de sopa, carne (de boi ou porco), peixe e
sobremesas bem adocicadas. Para beber, há sempre vodca, mas o vinho
também é muito apreciado (se quiser provar, peça aqueles produzidos
na Geórgia ou na Criméia, de qualidade).
Foi-se
o tempo em que a vida noturna de Moscou se resumia à programação do
Teatro Bolshoi. É verdade que continua a ser uma ótima opção, mas
também há grande oferta de bares e discotecas, onde a música rola sem
parar até quase o raiar do dia.
Você pode encontrar o que quiser em Moscou (de roupas de grifes famosas
aos últimos modelos da Nike), mas vale a pena aproveitar a estada para
comprar produtos do artesanato russo. Exemplo: as bonecas matryoshkas
(de madeira, uma encaixada dentro da outra) e os chapéus de pele
(que podem, naturalmente, ir de encontro ao seu ideário em favor do
meio ambiente).
Mercado de Pulgas (Vernisazh): O melhor lugar para fazer compras na
cidade. Funciona no Parque Ismaylovsky, aos sábados e domingos. Além
de bonecas e roupas típicas, há grande oferta de peças de antiquário
e tapetes do Cáucaso, vendidos a preços acessíveis.
Um
resumo de sua de história
I
-
Ivã, o Grande
A
região cortada pelos Rios Moscou e Volga é habitada pelo homem desde
tempos remotos. Em nossa era, sabe-se que os vikings, originários da Suécia,
cruzaram o Báltico e se estabeleceram no território por volta do século
9, erguendo as cidades de Kiev e Ninji Novgórod.
O Kremlin e seus arredores começaram a ser construídos ao longo do século
11, mas a fundação de Moscou é atribuída a Yury Dolgorukiy, príncipe
de Suzdal, em 1147. Quase um século depois, a cidade foi conquistada
pelos mongóis, liderados por Batu, neto de Gengis Khan. Moscou
tornou-se um principado e teve as primeiras casas de pedra erguidas ao
longo dos anos 1300, por ordem de Ivan Kalita. Nessa época, cerca de 30
mil pessoas viviam ao redor do Kremlin. Em 1380, o príncipe Dmitry
conseguiu derrotar os mongóis, mas estes se vingaram dois anos depois,
destruindo Moscou por completo. Entretanto, a cidade rapidamente se
recuperou, tornando-se o centro do país no século 14.
Entre 1462 e 1505, Moscou foi governada pelo príncipe Ivã III, também
chamado o Grande. Foi ele quem conseguiu unificar as terras (e os povos)
ao redor da cidade, determinando os novos limites. Além disso,
contratou os serviços de arquitetos italianos para construir monumentos
e edifícios que deveriam torná-la uma "nova Roma".
II- Ivã, o Terrível
Ivã IV, conhecido como o Terrível, adotou o título de czar (da Rússia)
em 1547. Com objetivos expansionistas, derrotou os tártaros em Kazan e
Astracã. Em 1571, a cidade possuía mais de 100 mil habitantes e era um
dos principais centros políticos do mundo. Após o reinado de Boris
Godunov, Moscou foi vítima da invasão de poloneses e lituanos (1610).
Destruída pelos invasores, teve de ser reconstruída em 1626. Com a
expulsão dos inimigos, Mikhail Romanov, de apenas 16 anos, foi eleito
czar por um conselho de nobres, dando início aos três séculos da
dinastia Romanov, período de consolidação do poder em Moscou.
III- Pedro, o Grande
Entre os séculos 17 e 18, Pedro, o Grande, deu impulso à
modernização da cidade, com a construção de edifícios e a implantação
do sistema sanitário. Ele funda São Petersburgo, a capital do império,
em 1712, mais próxima das rotas de comércio ocidental. Entretanto,
Moscou continuava a representar o "coração" da Rússia. Em
1812, forças comandadas por Napoleão invadiram o país e, após a
sangrenta batalha de Borodino, ocuparam Moscou. A população só
concordou em deixar a cidade após queimá-la, destruindo-a quase por
completo. Com a retirada de Napoleão, iniciaram-se os trabalhos de
reconstrução de Moscou (1813).
IV- Revolução Russa
A população de Moscou cresceu muito na virada do século. Em 1914
havia mais de 1 milhão de pessoas em seu território. Iniciava-se a
Primeira Guerra Mundial e a Rússia, em conflito com a Alemanha,
inflingiu pobreza e miséria ao seu povo. Em 1917, uma insurreição
comandada por Lênin conquistou o poder, com o apoio dos moscovitas,
ansiosos de se verem livres do domínio czarista. No ano seguinte Moscou
reconquistou "de fato" a posição de capital do país, já
que havia o temor de que São Petersburgo seria presa fácil para os exércitos
alemães. Finalmente, em 1922, Lênin criou a União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS), elegendo Moscou a sua capital. Sob o
pulso forte de Josef Stálin (1924), a cidade foi alvo de um grande
plano de urbanização. A população ganhou a primeira linha de metrô
(1935), entre outros melhoramentos. Quatro anos depois começava a
Segunda Guerra Mundial. Entre russos e alemães, foi firmado um pacto de
não-agressão. Mesmo assim, exércitos nazistas invadiram a Rússia
(1941), mas não conseguiram se apossar de Moscou.
V- Abertura ao Ocidente
Em 1985, Mikhail Gorbatchov assumiu o poder do então frágil Partido
Comunista e começou a pôr em prática reformas inspiradas em dois
ideais: glasnost (transparência) e perestroika (reestruturação). A
União Soviética tinha seus dias contados. Boris Iéltsin, chefe do PC
de Moscou, acelerou o processo de reformas, com a sua eleição para a
Presidência da recém-criada Federação Russa (1991). Desde então, a
capital continua a servir de espelho dos novos tempos, abrigando os
sinais de opulência e miséria provocados pela desestatização e
liberalização da economia do país.

Quando
ir ?
Entre junho e agosto, o verão faz com que Moscou seja diariamente
animada pelo calor, ainda que a temperatura média não deixe o turista
brasileiro muitíssimo satisfeito: em geral, é de (apenas!) 17 °C.
O inverno, rigorosíssimo, com temperaturas negativas de dois dígitos,
começa em novembro e só termina em abril. Setembro e outubro, meses de
outono, são considerados os mais belos, mas é bom lembrar que há frio
suficiente capaz de afastar os viajantes acostumados às temperaturas
tropicais
Não se esqueça que o turista necessita de visto para visitar Moscow,que
pode ser providenciado nos consulados.
Em nenhuma outra cidade da Rússia você verá tão evidentemente os
contrastes do pós-comunismo. Igrejas que foram destruídas e
abandonadas durante a época da União Soviética agora estão sendo
reconstruídas e restauradas, a construção de novos hotéis contrasta
com prédios antigos. Há um movimento intenso nas ruas, muita
vivacidade que reflete a comoção e o excitamento, a dor e o trauma da
atual revolução, fazendo de Moscow o lugar ideal para sentir a nova Rússia.
Reportagem : Yoko Nakamura
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