Nas barracas gigantes à beira mar,o pessoal agita com a "lambaeróbica" e na "passarela do álcool" - uma fileira quilométrica de barzinhos, um ao do lado do outro, onde se prepara o tradicional "capeta": abacaxi, uva, guaraná em pó, canela, vodca, leite condensado, groselha, mel e gelo.
A verdade é que o baiano sabe receber muito bem o visitante, garantindo a dose certa de requinte e bons serviços em quase tudo, mas sem frescuras. Em outras palavras, dá para comer num bom restaurante, com talheres de prata, sem que ninguém venha lhe pedir para vestir a camisa. Ou estacionar em um lugar proibido "só cinco minutos, seu guarda", que tudo bem. O poeta (Manuel Bandeira) disse que lugar bom era Pasárgada: "Lá sou amigo do rei". Bem, em Porto Seguro você não precisa botar banca, mostrar cartão ou celular, nem ser amigo de ninguém: aqui você é tratado de "meu rei". Você
nem precisa saber dançar, que eles te ensinam, há mais mulheres do que
homens (segundo os homens) e mais homens do que mulheres (segundo as
mulheres). E, se não encher muito o saco, pode beber até cair que
ninguém repara. E, como as agências de viagem levam e entregam direitinho seu filho no aeroporto, tornou-se impressionante o número de adolescentes desacompanhados que invade Porto Seguro a cada semana. Não há dados oficiais, mas os teens seguramente são maioria. Nesse universo impera um adereço, o tererê. Trata-se de uma trancinha única, bem no cucuruto, com um jogo de miçangas coloridas. Os artesãos da modinha usam fios artificiais, quando é o caso, e por isso espalham o penduricalho até entre os quase carecas. Ir a Porto Seguro e não voltar de tererê é uma heresia. Há quem
diga que Pedro Alvares Cabral soube escolher por onde chegar no
Brasil, ele preferiu o local onde tem "As mais belas praias do Brasil
" e "As noites mais agotadas " também, que começam inevitavelmente na
Passarela do Álcool, a maior concentração de bares da cidade se se
estendem geralmente em uma das muitas barracas de praia, que se
alternam na promoção dos luaus que acontecem todos os dias da semana.
A Cidade Histórica é o
1º núcleo habitacional do Brasil. Monumento Nacional desde 1973,
ostenta um conjunto arquitetônico de insuperável beleza: o Marco de
Posse (1506); a Igreja de Nossa Srª da Pena (1535), com imagens sacras
dos sec. XVI e XVII; a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (1526),
com imagem do Nosso Senhor dos Passos; a Igreja de São Benedito (1549
ou 1551), construída pelos Jesuítas e a Casa de Câmara e Cadeia
(1756), onde funcionam o Museu da Cidade e o núcleo local do IPHAN
(Instituto do Patrimônio Histórico Nacional). Da Cidade Histórica se
vislumbra uma das mais belas vistas panorâmicas da Orla Norte e do
centro da cidade de Porto Seguro. Mas, ir a Porto Seguro e não conhecer Arraial D'ajuda e Trancoso, é como ir á Salvador e não conhecer o Pelourinho. As praias são fantásticas !!! Arraial D'ajuda A 6 km de Porto Seguro que nos anos 70 foi cenário da geração pé-na-estrada; este pessoal se emocionou com o pitoresco arraial de praias selvagens e clima de liberdade. Adoradores do sol, hippies, artistas e excêntricos de todos os calibres chegaram e montaram acampamento. Agora, esta aldeia colonial construída pelos jesuítas é podre de chique, centro de turismo elegante de deixar de boca aberta Robert de Niro e Sofhia Loren. A receita? Um punhado caprichado de belezas naturais, uma boa porção de simplicidade e uma pitada de exotismo. A começar pela travessia de balsa pelo rio Buranhém, que a separa de Porto Seguro e prossegue nos telhados das casas e barracas feitos de tabuinhas. Aqui todo dia é dia de festa. Trancoso
Situa-se a 22 km de Arraial d´Ajuda por estrada de terra. O vilarejo construído pelos jesuítas no século 16 está intacto. A impressão é de que o padre José de Anchieta pode reaparecer a qualquer momento. A 22 km de Arraial d' Ajuda por estrada de terra, Trancoso esnoba os farofeiros. Quando chove, nenhuma excursão chega até suas praias desertas e selvagens, vestidas de coqueiros, falésias avermelhadas e águas que transitam entre os tons esmeralda e turquesa. Ex-paraíso de mochileiros e hippies, Trancoso se sofisticou. Entre seus quatro mil habitantes estão artistas, músicos, estrangeiros, muitos paulistas e mineiros.
“Porto Seguro, patrimônio de todos os brasileiros,
é um monumento vivo de nossa história”
Reportagem : Marcelo Russo |