A cidade nova é muito limpa e bastante agradável, especialmente na área que circunda o Palácio Real, onde, além dos belos e bem conservados jardins, está localizada uma interessante mesquita, onde o próprio Rei costuma fazer suas orações. O Palácio Real não é, em si, uma das maiores atrações, se comparado aos demais, já que suas linhas arquitetônicas são muito contemporâneas. De Rabat, siga diretamente para Fès; se estiver de trem, não se impressione com a "confusão" no terminal ferroviário, onde muitas pessoas fazem de tudo para indicar táxis, hotéis, etc., considerando-se que, na maioria das vezes, um simples "non, merci" é suficiente para afastá-las; porém, se o assédio for muito intenso, não se acanhe em ser um pouquinho mais "ríspido". Para chegar ao seu hotel, pegue um "petit taxi" e peça ao motorista para ligar o taxímetro ("Faites marcher le compteur, s'il vous plaît."); em caso de recusa, saia imediatamente do carro e anote o número que se encontra nas portas (se bem que, ao tentar descer, o motorista lhe oferecerá um preço pelo trajeto, que pode ser aceitável...); não estranhe ao ver sua bagagem ser arremessada para o teto do táxi, pois isso faz parte do costume local, além do fato de os carros serem pequenos, com porta-malas praticamente inexistentes.
2º
dia - FÈS.
Aproveite a manhã para eliminar o cansaço da viagem, sendo
muito indicado, nesse caso, o "Tour
des Remparts": ou seja, as fantásticas muralhas da
cidade antiga; a melhor vista da cidade pode ser apreciada da Tumba dos Merenidas, que data do século XIII; outro panorama
espetacular é o do "Grand
Mechouar", situado próximo da "Bab
Segma" (Porta Segma). Rodeando o antigo "Kasbah de Cherarda" (atualmente um complexo estudantil),
abrem-se fabulosas vistas da cidade, principalmente na "Borj Nord" (Torre
Norte) que, construída no século XVI, servia de observatório
para que o Ahmed
Al-Mansour pudesse vigiar a cidade, para prevenir-se de
eventuais rebeliões; atualmente, abriga um museu militar. A
partir daí, a melhor e mais fácil forma de conhecer a mais
tradicional e característica "Medina",
num único dia, é através de um guia oficial (ou do seu
guia-motorista), que pode ser contratado no "Syndicat
d'Initiative"; contudo, faça com que ele compreenda
que você quer conhecer os monumentos, jardins e demais pontos
de interesse, e não somente lojas, lojas e mais lojas, pois
esta é a diferença entre um passeio mágico e excitante e
uma experiência insuportável, a despeito do artesanato
marroquino ser indescritível e tentador. Inicie, assim, o seu
"tour" pela "Bab
Bou Jeloud", a porta principal de Fès
el-Bali, que difere-se das outras portas antigas por ter
sido construída somente em 1.913. O primeiro destaque a ser
visto é a "Medersa
Bou Inania" [Aberta diariamente, das 08:00 às
17:00h, exceto nas manhãs de 6ª feira. Entrada paga.]:
construído pelo Sultão Merenida Bou Inan entre 1.350 e 1.357, é um dos mais belos
colégios teológicos do Marrocos, tendo sido restaurado
recentemente, provando, assim, que os marroquinos continuam
sendo grandes artesãos, principalmente pelo entalhe
do teto; se possível, suba no terraço,
de onde se tem uma vista magnífica da cidade; por ser a "medersa"
um colégio religioso, encontra-se aberta à visitação, o
mesmo não ocorrendo com a "mesquita"
contígua. Ao sair da "medersa", note o relógio
de água que dizem ter sido construído por um mago...
Depois da "medersa", tente passar pelo "Souq
el-Attarine", um verdadeiro mercado
de especiarias muito colorido e com profusão de aromas,
sendo freqüentado quase que exclusivamente por marroquinos.
Outro ponto interessante é o "Souq
Henna", mercado onde se vende henna,
a milenar tintura largamente difundida pelos países árabes.
Outro mercado imperdível é o "Souq
an-Nejjarine", onde são comercializados os esplêndidos
tapetes
marroquinos, com sua diversidade de cores e desenhos. Procure
ver a "Place
an-Nejjarine", na qual se encontra uma das mais belas
fontes da cidade
num antigo "caravanserai", secular posto de descanso
para os mercadores. Siga, depois, até a "Medersa
el-Attarine": situada nas imediações da Place
an-Nejjarine, pertence ao Período Merenida, tendo sido
erigida em 1.325; além dos belíssimos trabalhos em madeira,
vale a pena pelo terraço,
de onde se vê a "Mesquita
Kairaouine": tendo sido construída entre 859 e 862,
tem capacidade para 20.000 fiéis, sendo mais famosa, contudo,
por sua estética apurada e por sua Universidade,
uma das mais antigas do mundo, com uma completa biblioteca,
tendo sido fundada por Fatma
Bint Mohammed Ben Feheri, numa época em que os reis
europeus eram totalmente analfabetos; mas, infelizmente,
devido à uma regra criada por Lyautey,
general francês que por muitos anos governou o país, pode-se
apenas imaginar o que contém o seu rico interior, já que o
acesso às "mesquitas" é proibido aos não-muçulmanos...
Continuando pela "Medina",
você terá oportunidade de entrar em verdadeiras mansões do século XIV, atualmente transformadas em lojas de
tapetes e restaurantes, cujos exteriores, desprovidos de
qualquer atrativo, escondem amplos interiores de riqueza
arquitetônica indizível. Muitos turistas mostram interesse
em visitar as "tanneries":
curtumes centenários, onde é tratado o couro em Fès; o
processo é muito antigo e interessante, porém o cheiro chega
a ser bastante desagradável. Próximo à Fès
El Bali, situa-se Fès
el-Jdid: bairro construído pelos Merenidas
no século XIII, que incluía o "mellah"
(bairro judeu). Visite, depois, o Palácio
Real: suas muralhas, seus jardins e principalmente os seus
portões de bronze são esplendorosos, sendo uma das poucas
coisas que podem ser vistas, já que, infelizmente, nenhum dos
palácios reais encontra-se aberto à visitação... Outro
destaque é o aprazível "Jardin
Bou Jeloud": localizado no interior da "medina",
é um oásis de calma com vegetação luxuriante e espelhos d'água;
note, ainda, próximo ao jardim o "Café
La Nouria", cujo maior destaque é a própria "nouria",
antigo monjolo que levava água do "Oued
Fès" (Rio Fès) para abastecer a "Medina".
Vale uma visita, ainda, o Cemitério
Judeu, totalmente branco e impecavelmente limpo, onde está
sepultado um descendente de Ben
Maimonides, o famoso filósofo que compilou as leis
judaicas. Entre Fès El Bali e Fès El Jdid, encontra-se o Museu
de Artes Marroquinas: situado num palácio do século XIX,
exibe, além de artefatos históricos, cerâmicas e tapetes.
Retorne, então, à Ville
Nouvelle e note o contraste: diferentemente da "medina"
(cidade antiga), a cidade nova é formada por avenidas largas
e muito arborizadas, com diversos bares, restaurantes e cafés
com mesas nas calçadas. Inicie o seu "tour" pelo Boulevard
Mohammed V, com grande concentração de bares e
restaurantes; depois de atravessar a Avenue Hassan II, siga
pela Avenue de France e, após três quadras, você chegará
à elegante Mesquita da
Ville Nouvelle, que só permite o acesso aos muçulmanos.
Voltando pelo mesmo caminho, tome a Avenue Hassan II à
esquerda, até a Place
de la Résistance, onde, além do "Syndicat
d'Initiative" (Escritório de Turismo), há boas opções
para refeições, dentre elas a Pizzeria
Sicilia [04 Boulevard Chefchaouni - Ao lado do Café
Renaissance. Fone: 62-5265. $]: além de saborosas pizzas,
oferece sanduíches e grelhados, com atendimento extremamente
simpático. Como opção de lazer, há os cinemas,
que exibem filmes dublados em francês, tendo como único
inconveniente os "cortes" e as salas para fumantes.
3º
dia
- - FÈS / VOLUBILIS /
MOULAY IDRISS / MEKNÈS. Para cumprir a programação, há
duas opções:
a.)
contratar um "grand
taxi", podendo utilizá-lo para fazer o roteiro de
Azrou, caso o serviço tenha sido satisfatório, pois o preço
será um pouco reduzido;
b.)
ir de trem e lá
contratar um "grand
taxi", no "Syndicat
d'Initiative" [Place Administrative BP 278 - Fone:
52-4426], para ir à Volubilis e Moulay Idriss, sendo a opção
mais barata, haja vista que as últimas cidades são mais próximas
de Meknès do que de Fès.
Feita
a escolha do meio de transporte, sugere-se, agora, o seguinte
roteiro:
a.)
Volubilis [Aberta
diariamente, fechando-se com o pôr-do-sol. Entrada paga, não
sendo necessário o guia local; antes de entrar nas ruínas,
visite a loja de souvenirs, onde são vendidos mapas bem
detalhados.]: distando 33km de Meknès, são,
indubitavelmente, as maiores e mais bem preservadas ruínas
romanas do Marrocos, tendo sido a cidade originalmente
estabelecida, no século III a. C., por mercadores
cartagineses. Diferentemente de outras cidades romanas na África,
Volubilis continuou habitada até o século XVIII, quando todo o seu
mármore foi saqueado, para a construção do palácio de Moulay Ismail em Meknès. Suas maiores atrações, entretanto, são
os fantásticos mosaicos,
que se tornam ainda mais impressionantes por terem sido
deixados em seu sítio original. As melhores atrações são: 1.)
Casa de Orfeu: tendo sido uma
suntuosa mansão pertencente a um dos mais ricos
habitantes, exibe um mosaico de Orfeu e um mosaico da
carruagem de Amfitrite; 2.)
Capitólio e Basílica: datam de 217 d.C.; 3.) Mosaicos: à esquerda
do Arco Triunfal, representam um atleta sendo premiado numa
modalidade de corrida à cavalo, havendo do lado oposto os
resquícios de um aqueduto e de uma fonte; 4.)
Arco Triunfal: situado na Via Decumanus Maximus, foi
construído em 217 d.C. em homenagem ao Imperador
Caracalla e sua mãe, Julia
Domna; 5.) Casa de Efebo: contém um belo mosaico de Bacco
numa carruagem puxada por panteras; 6.)
Casa das Colunas: assim chamada devido às colunas de sua
fachada; 7.) Casa do
Cavaleiro: apresenta um mosaico incompleto de Bacco e
Ariadne; 8.) Os
Trabalhos de Hércules e o Banho das Ninfas: excelentes
mosaicos situados nas duas casas próximas; 9.)
Casa do Cortejo de Vênus: exibe a melhor coleção das ruínas
e, a despeito de estar isolada por cordas, possui uma
plataforma de observação, de onde se pode apreciar os dois
melhores mosaicos, que são O
Rapto de Hylas pelas Ninfas e o Banho de Diana. A
Via Decumanus Maximus prossegue até o Portão
de Tânger, passando pelo nada atraente Palácio
Gordien, que era a residência dos administradores da
cidade. Isso, sem mencionar a exótica fauna
que habita as ruínas, como numerosas cegonhas, lagartos, etc.
b.)
Moulay Idriss: situada
a apenas 4,5km de Volubilis, essa cidade deve o seu nome a um
dos descendentes do Profeta, Moulay
Idriss, o mais reverenciado homem santo do Marrocos, por
ser o fundador da primeira dinastia imperial do país.
Encravada nas verdes montanhas do Rif,
é um local de peregrinação para os marroquinos, valendo
como segunda opção para os muçulmanos que não podem ir à
Mecca. Os não-muçulmanos podem ter a sensação de que são
apenas relutantemente tolerados no local, não lhes sendo
permitido pernoitar ou mesmo visitar nenhuma mesquita ou
templo, considerando-se que a cidade está aberta à visitação
há apenas 70 anos. É aconselhável utilizar um guia
local, para orientá-lo pelos intrincados labirintos e
becos. O principal ponto de interesse, além da cidade em si,
é o Mausoléu de
Moulay Idriss: objeto da veneração e motivo da maior
peregrinação anual do país, esse templo foi erigido por Moulay
Ismail, a despeito da construção original ter sofrido
diversas adições, e possui o único
minarete cilíndrico de todo o país, com a máxima islâmica
"La illah illa
Allah" ("Não há outro Deus além de Allah".);
se estiver com um guia local, ele o levará, com toda a
certeza, a um ponto que possibilite uma vista panorâmica do
mausoléu. Há, ainda, o Mausoléu de Sidi Rachid, considerado o "vice-presidente"
de Moulay Idriss. Outro destaque, situado todavia fora dos
limites de Moulay Idriss, é a piscina
natural de água quente sulfurosa que, datando da época
dos romanos, possibilita uma ótima vista da cidade.
c.)
Meknès: dista
apenas 60km de Fès e, a despeito de ser colocada geralmente
em terceiro lugar na concorrência com Fès e Marrakech,
foi fundada pelos bérberes no século X, tendo sido,
ainda que por pouco tempo, o centro do sultanato marroquino,
devido ao verdadeiro complexo arquitetônico construído por Moulay Ismail, que foi casado com 500 mulheres, com as quais teve
800 filhos!!! Comece o seu "tour" pelas "remparts" (muralhas), que por si só já são um espetáculo,
dirigindo-se, após, à "Bab
el-Mansour": magnífico portal da cidade imperial
que, datando do século XVII, encontra-se muito bem
preservado. Passando pela "Bab
el-Mansour", chega-se ao "mechouar":
um campo de parada, onde as tropas eram passadas em revista
pelo califa. Siga, então, para a "Koubbat
as-Sufara" [Aberta diariamente, das 09:00 às 12:00h
e das 15:00 às 18:00h.]: antigamente uma sala de recepção
para embaixadores estrangeiros, tem, entretanto, como
principal atração os silos
subterrâneos que, segundo a lenda local, não continham
apenas grãos, mas, sim, escravos, em sua maioria cristãos
capturados pelos corsários, que terminaram por construir o
complexo palaciano de Moulay Ismail... Os silos têm ventilação
com saída para o gramado. Dirija-se, agora, ao Mausoléu
de Moulay Ismail [Aberto diariamente, exceto às 6ª
feiras, das 09:00 às 12:00h e das 15:00 às 18:00h. Entrada
franca.]: construído no século XVII, tem o seu interior
ricamente decorado com uma profusão de lindas portas, belos
azulejos, tetos trabalhadíssimos e muitos, muitos tapetes,
possibilitando aos não-muçulmanos saber qual a sensação de
estar no interior de uma "mesquita". Logo na entrada
há uma fonte: fique atento, pois a água da parte superior só pode ser
bebida, enquanto a da parte inferior se destina à ablução.
A única parte do mausoléu interditada aos não-muçulmanos
é a tumba propriamente dita, que pode ser vista da porta, mas não
fotografada. Defronte o mausoléu, há uma galeria
com diversas lojas de
artesanato, exibindo peças de boa qualidade,
especialmente o damasquinado típico da cidade, onde pode-se exercitar a milenar
arte da "pechincha". O próximo monumento a ser
visitado é "Heri
es-Souani" [Aberto diariamente, das 09:00 às 12:00h
e das 15:00 às 18:00h. Entrada paga. É conveniente admitir
um guia local.]: imensa fortificação que compreende o antigo
Palácio Real, cavalariças (com capacidade para 12.000
cavalos e respectivos cavaleiros), os silos (com capacidade de
armazenamento para dois anos), os monjolos e o imenso reservatório
(alimentado pelo Oued Bou Fekrane, que supria não só o Palácio
Real, como ainda, toda a cidade imperial, tendo sido construído
para a eventualidade de sítio por exércitos inimigos, dadas
as constantes batalhas com os bérberes). As cavalariças
têm um aspecto estranho pela falta de teto, porém tal fato não
decorre de má conservação, mas, sim, do terremoto de 1755,
que destruiu não só Lisboa, como também Agadir. Há, ainda,
um jardim suspenso repleto
de oliveiras, que possui um café muito agradável. Se houver
tempo disponível, visite a "medina",
cujos principais pontos de interesse são os diversos "souqs" (mercados),
entre eles o de
alimentos (próximo à Place el-Hedim), do qual a melhor
atração são os vários tipos de azeitonas, o de
tapetes (próximo à Dar Jamai), o de
jóias (Rue
Sekkakine) e o de
instrumentos musicais (próximo à Bab el-Jedid); a "Grande
Mesquita" é interditada aos não-muçulmanos, mas a "Medersa Bou Inania" [Aberta diariamente, das 09:00 às
12:00h e das 15:00 às 18:00h], escola corânica para alunos
desde 8 anos de idade, construída em 1.358 pelos Merenidas,
pode ser visitada, descortinando de seu terraço uma bela
vista dos arredores.
4º
dia - 4º dia - FÈS /
SEFROU / BHALIL / IFRANE / AZROU / ER-RACHIDIA. Aproveite
para sair de Fès e explorar o interior, sendo aconselhável
contratar um "grand
taxi" no "Syndicat
d'Initiative" pelas particularidades das regiões a
serem visitadas, sugerindo-se, pois, o seguinte roteiro:
a.)
Sefrou: distando
apenas 28km de Fès, a principal atração da cidade é a "medina"
amuralhada do século XVII, tendo sido uma das maiores
comunidades judaicas no Marrocos; possui ainda uma cascata
num recanto pitoresco.
b.)
Bhalil: apesar
de pequena, essa cidade é muito impressionante, já que os bérberes,
primitivos habitantes do Marrocos que compõem a totalidade da
população, habitam casas
encravadas em cavernas, que parecem possuir
ar-condicionado natural, pois são frescas no verão e quentes
no inverno. Outra característica dos bérberes são as mulheres que exibem tatuagens no rosto, usando véu quando
solteiras, e roupas brancas quando casadas. Aconselha-se a
utilização de um guia local, que possibilitará a visita à
uma habitação típica.
c.)
Dayet Aoua (Tour Touristique des Lacs): enorme
lago com águas cristalinas, que dá a impressão de ter saído
de um cenário bíblico, apresentando fauna e flora variadíssimas,
sendo um ótimo local para um "picnic".
d.)
Ifrane:
construída pelos franceses como um "resort" alpino na década de trinta, não se assemelha em
nada às cidades marroquinas tradicionais, pois até os seus
telhados se diferem dos demais, sendo vermelhos, e não verdes
(a cor do Islã). É um local muito procurado pelos
marroquinos, principalmente no inverno, já que, além de
cidade universitária, é também uma estação de ski.
e.)
Floresta de Cedros:
além de vorazes macaquinhos, que estão sempre à espera de biscoitos oferecidos
pelos turistas, a principal atração são os fantásticos cedros, sendo o "Gourod"
o mais antigo deles, com mais de 1.500 anos.
f.)
Azrou: pequena
cidade bérbere, cujas principais atrações são a
"mesquita",
com interessantes entalhes em cedro, e o centro
de artesanato que além de exibir trabalhos em madeira e
ferro fundido e dos tradicionais tapetes, mostra os artesãos
trabalhando. Sua principal característica é a própria vida
dos habitantes, pois não é nada difícil ver nas ruas
diversas festas, seja de casamento, nascimento, etc. Pode-se
caminhar tranqüilamente, pois aqui não se encontra nenhum
exemplar daqueles falsos guias grudentos.
Saindo
de Azrou, adote a Rodovia P21 e passe pelo Túnel
dos Legionários, construído pelos franceses, e pela magnífica
Garganta do Ziz e,
após a bela Barragem
de Addakhill, você chegará à Er-Rachidia.
5º
dia - ER-RACHIDIA / TODRA / OUARZAZATE.
Procure sair por volta das 06:00h, porque você deverá
percorrer 160km até Todra. Dê preferência a um carro
alugado ou a um "grand taxi", pois a ida de ônibus
dificulta o seu deslocamento e inviabiliza a chegada à
Ouarzazate no mesmo dia. Para atingir Tinerhir,
deve-se adotar a Rodovia
P32. Chegando à Tinerhir,
adote a Rodovia 6902, que leva até a garganta;
aproveite o caminho, já que a estrada é muito pitoresca. Se
estiver com carro alugado ou "grand taxi", aproveite
para selecionar os pontos onde deseja parar na volta, porque há
uma infinidade de "kasbah" e oásis, que
proporcionam paisagens simplesmente inenarráveis! A garganta é espetacular, com mais de 300m de altura, tendo, em seu
ponto mais estreito, apenas 10m de largura, com o Rio Todra correndo em seu interior, sendo uma visão inesquecível;
ande por ela, mas restrinja-se à garganta principal, já que,
com o cair da tarde, a luminosidade diminui sensivelmente,
dificultando o seu retorno. Caso queira conhecer outro
desfiladeiro deslumbrante, volte à Rodovia P32, seguindo até a Rodovia
6901, que vai até a Garganta
do Dadès. Retorne à Rodovia
P32, que segue paralela ao Rio
Dadès e descortina incríveis panoramas do Sahara
e dos diversos oásis, até chegar à Ouarzazate,
também chamada de "Bab
Sahara", por ser a "porta para o deserto".
6º
dia - OUARZAZATE / TELOUET / MARRAKECH.
Se adotar a Rodovia P31,
a distância entre Ouarzazate e Marrakech é de 204km,
aconselhando-se a viagem no período diurno. O trajeto é fantástico,
já que cruza a Cordilheira
do Atlas; fique atento às pequenas vilas de agricultores
encravadas nos vários "terraços";
muitas vezes, o topo das montanhas está coberto de neve, o
que torna-se um espetáculo à parte. Antes de chegar à Taddert,
uma boa opção é pegar o desvio
à direita pela Rodovia
6802 até Telouet:
você conhecerá, então, um dos mais deslumbrantes "kasbahs"
do Marrocos, tendo uma boa oportunidade, ainda, para passear
pela cidade e alongar as pernas. Se houver tempo, procure
visitar o Vale de l'Ourika, situado na Rodovia
S513, que une-se à Rodovia
P31 na altura de Aït-Ourir;
na mesma região, encontra-se também a Estação
de Ski de Oukaïmeden. Procure chegar à Marrakech
durante o dia, seguindo pela mesma estrada. Se houver tempo e
disposição, aproveite para passear pela Avenue
Mohammed V, onde há até uma "Pizza
Hut"...
7º
dia - MARRAKECH.
Uma boa sugestão, para não perder muito tempo, é contratar
um "petit taxi"
logo pela manhã, para levá-lo aos principais monumentos da
cidade; barganhe no preço e procure por um que esteja em bom
estado. Inicie o seu "tour" pelo "Palais
el-Badi" [Place des Ferblantiers. Aberto diariamente,
das 08:30 às 12:00h e das 14:30 às 18:00h, exceto em
determinados feriados religiosos. Entrada paga, podendo, porém,
dispensar "guias".]: construído entre 1.578 e
1.602, foi totalmente "financiado" por Portugal,
como resultado de sua derrota numa batalha; o seu atual estado
de ruínas é devido a Moulay
Ismail que, em 1.696, o destruiu para construir o Palácio
Real de Meknès; possui uma enorme quantidade de colunas e
corredores escuros, havendo necessidade de uma lanterna, em
caso de uma visita mais profunda. Siga, depois, para o "Palais de la Bahia" [Próximo ao Palais El-Badi. Aberto
diariamente, das 08:30 às 13:00h (no inverno, 11:45h) e das
16:00 às 19:00h (no inverno, das 14:30 às 18:00h). Entrada
paga, sendo aconselhável admitir o guia.]: o "Palácio
da Preferida" é uma magnífica edificação do século
XIX, feita especialmente para o Grão-vizir
do Sultão Hassan I, possuindo esse estranho nome devido
à "preferida" dentre as 24 mulheres do seu harém;
há diversos aposentos, sendo essa a razão para se adotar um
guia, haja vista que cada um deles apresenta a sua própria
história; atente para as diversas fontes e espelhos d'água;
procure conhecer os aposentos reais e o harém. O próximo
ponto de interesse são as "Tumbas
Saadianas" [Próximo à Kasbah Mosque. Abertas
diariamente, das 08:00 às 12:00h e das 14:30 às 18:00h.
Entrada paga, podendo, porém, dispensar os
"guias".]: construídas em 1.500 por ordem de Ahmed Al-Mansour, para abrigar os restos mortais da dinastia
saadiana, escaparam da fúria destruidora de Moulay Ismail devido ao seu receio de "desalojar" os
mortos; esse monumento só foi descoberto em 1.917, quando o General
Lyautey fazia um reconhecimento aéreo do terreno; sua
arquitetura lembra muito o Alcázar de Sevilha, devido aos
elaborados entalhes e incrustações; aqui estão sepultados
66 Saadianos, entre eles o próprio Ahmed
Al-Mansour, seu filho e seu neto, cujas tumbas se
localizam entre as colunas de mármore, já que a tumba de sua
mãe se encontra nos jardins, num pequeno mausoléu. Vá, então,
ao Jardin de la Ménara
[Situado a 4km do centro da cidade.]: o belíssimo espelho d'água
e o pavilhão do século XIX são os destaques deste jardim
repleto de oliveiras, que outrora foi exclusividade dos sultões
e de seus ministros, sendo, hoje, uma ótima sugestão para um
picnic ou simplesmente para relaxar. Passe, depois, pelo Palácio
Real: apesar de não estar aberto ao público, vale a pena
observar suas muralhas e seus portões, cujas tonalidades
dominam toda a cidade. Procure visitar também o mundialmente
famoso "Hôtel La
Mamounia": tomar café em seu bar possibilita
apreciar um dos mais bonitos hotéis do mundo, que já foi até
cenário de um filme de Alfred
Hitchcock! À tarde, vá conhecer a "medina",
havendo duas opções: ir sózinho e, possivelmente, ficar
perdido (o que não será nenhuma tragédia, porque os
marroquinos são muito solícitos e poderão lhe indicar o
caminho), ou contratar um guia oficial no "Syndicat d'Initiative".
Comece a exploração pela "Medersa Ali ben Youssef": construída em 1.565 pelos Saadianos,
possui magníficos trabalhos em madeira; as pequenas celas
alojavam mais de 900 estudantes; dê uma olhada nos banheiros, que são originais, devendo se lembrar que, no século
XVI, no mundo ocidental, os banheiros não eram ítens muito
"populares"... Em seguida, passeie pelos “Souqs” e note a variedade dos artigos comercializados nestes
mercados. Siga, agora, até o ponto alto da "medina",
que é a "Place
Djeema El-Fna" (Praça
dos Mortos): misto de centro de performances com praça de
alimentação, consegue reunir figuras das mais fantásticas,
tais como encantadores de serpentes, contadores de história (é
uma pena que eles só falem árabe...), vendedores de água (não
espere tomar nem uma gota de água, pois, atualmente, eles estão
à disposição somente para fotografias!), etc. As barracas
de alimentação são um ítem à parte, exalando aromas
muito exóticos e oferecendo irrecusáveis pratos tradicionais
da culinária marroquina; sentindo-se tentado a provar um
deles, confie no seu bom senso e escolha o que lhe apetecer,
devendo apenas tomar o cuidado de observar se não há poeira
nos balcões; o suco de laranja é plenamente confiável, pois
é feito à vista do consumidor. Se preferir, entre em algum
dos diversos cafés, vá ao terraço e aprecie o movimento do final de tarde, que
é o clímax da praça.
8º
dia - MARRAKECH / EL-JADIDA / CASABLANCA.
Parta logo cedo com destino à El-Jadida,
que dista apenas 96 km de Casablanca: antigamente um
movimentado porto ao sul de Casablanca, tem como sua principal
atração a "Cité Portugaise" que, datando de 1.513, deve ser
visitada em primeiro lugar, porque, além de uma fortaleza com um antigo entreposto comercial português, contém
também a "medina",
não sendo necessário o "auxílio" de guias. A
partir da Place
Mohammed ben Abdallah, siga pela 1ª
entrada à direita e você estará na Rue
Mohammed Ahchemi Bahbai (principal), devendo nela
continuar até atingir a magnífica "Cisterna Portuguesa" [Aberta diariamente, das 08:30 às
12:00h e das 14:30 às 17:00h. Entrada paga.]: não deixe de
visitá-la, pois, a despeito de seus quase 500 anos, ela
continua em ótimo estado, sendo interessante não só por
suas funções de armazenagem de água, como também por sua arquitetura
singular, que serviu de cenário para o "Othello"
de Orson Welles. Seguindo, ainda, pela mesma rua, chega-se
à "Porta do
Mar", onde, antigamente, atracavam as caravelas
portuguesas. Os portugueses construíram diversas igrejas no
interior da "medina", sendo a principal delas a Igreja
da Assunção, que pode ser vista a partir do portão da
"medina", mas todas, inclusive esta, estão
fechadas; até mesmo a Grande
Mesquita, adjacente à Igreja da Assunção, é usada como
"farol"... Continuando à esquerda, rente à
muralha, avista-se o "Bastião
de São Sebastião", em cujo interior há uma antiga
sinagoga. Retorne pelo mesmo caminho e, próximo à entrada da
fortaleza, pegue a 1ª
entrada à direita, chegando a um beco, onde se encontra a
porta para a muralha:
o "porteiro" costuma estar sempre por perto e, a
despeito da entrada ser franca, ele conta com a sua
"generosidade", seja na entrada ou na saída;
contudo, convém ficar atento, pois se a saída estiver
fechada, você terá que "martelar" (literalmente)
por vários minutos, até que ele venha abrir! Há diversos
restaurantes na região da Place
Hansali, sendo os frutos do mar muito populares e com preços
extremamente razoáveis. Siga, então, direto para Casablanca.
Para uma refeição despretensiosa, sugere-se o restaurante
do Hôtel Métropole: oferece pratos simples e bem
preparados a preços razoáveis, além de contar com ambiente
correto.
9º
dia
- CASABLANCA. Comece
o dia com uma visita à "Mesquita
Hassan II" [Boulevard Sidi Mohammed Ben Abdallah.
"Tours" guiados às 09:00, 10:00, 11:00 e 14:00h.
Tratando-se de um templo religioso, lembre-se de usar roupas
adequadas e, além disso, levar um par de meias "socket",
porque é obrigatório tirar os sapatos e o piso é de mármore.]:
localizada à beira-mar, toda rodeada de fontes de mármore,
é um templo simplesmente impressionante devido à sua
grandiosidade, ostentando um minarete
de mais de 100m de altura e enormes portais
de bronze; a bem da verdade, este templo não é uma simples
mesquita, mas um complexo religioso-cultural, visto que o
projeto final inclui uma biblioteca, um museu corânico e,
ainda, um banho-turco; o interior da mesquita só pode ser
visto através do "tour" guiado, que mostra:
a)
sala de orações:
diferentemente das demais "mesquitas", possui um
fantástico "tapete" de mármore aquecido eletricamente, teto
retrátil todo entalhado em cedro, lustres
de cristal de Murano de 1 tonelada, colunas de mármore de Carrara e do próprio Marrocos, além de
entalhes em gesso com coloração única, devido ao tom pastel
e às folhas de ouro francesas, e as fontes, de onde se pode
ver a sala de ablução;
b)
sala de ablução:
com 16 fontes em mármore branco, além de torneiras por todas as
paredes ornadas com belos mosaicos, é usada para a purificação
antes das orações.
Seguindo
em frente pela mesma avenida, chega-se às praias,
que são bastante agradáveis. Próximo à praia
de “Ain Diab”, encontra-se o Marabout
de Sidi Abderrahman, mausoléu interditado aos não-muçulmanos
e localizado numa península que, com a maré alta, isola-se
totalmente do continente, valendo, por isso mesmo, a visita,
devendo, para tanto, caminhar por 30 minutos a partir da
praia. Volte, depois, ao centro, mais precisamente ao Boulevard Mohammed V, região de marcada colonização francesa por
isso mesmo chamada de Quartier
Européen, sendo talvez o único local que, com um esforço
de imaginação, se assemelhe à cidade fictícia imortalizada
no célebre filme "Casablanca". A arquitetura segue o estilo colonial francês
tradicional do início do século, destacando-se entre os edifícios
mais característicos o do Correio
e o do Mercado
Central, que, além do mais, vale uma visita pela ótima
qualidade dos seus produtos. Note, ainda, as docerias,
especialmente a "Pâtisserie
Le Soleil", que mescla saborosos exemplares das culinárias
européia e árabe; experimente a "pastilla"
(tipo de torta salgada com sabor exótico) e "cornes
de gazelle" (doce folhado com recheio de amêndoas).
Passeie, também, pela Rue
Prince Moulay Abdallah, no trecho compreendido entre a
Avenue Houmane el-Fetouaki e a Avenue Lalla Yacoub, que, sendo
um "calçadão", apresenta lojas interessantes e
bons cafés e restaurantes, além de sorveterias. Procure
chegar ao aeroporto com, no mínimo, 2:30h de antecedência, devido ao moroso
processo de "check-in", além das inúmeras
revistas. B
O A V
I A G E M ! |