A Jornada pelo Sal, leva cerca de dois a três meses. Eles mesmos acabam consumindo uma
boa parte do sal durante a viagem de volta, mas com o restante do sal eles devem
sobreviver até a próxima viagem, isto é, que levará doze meses.
Há estradas por
quase toda Tibet. Devido a altitude, os vales íngremes e a terra congelada, o projeto da
construção de Ferrovia continua no papel há 30 anos. O Tibet, antes da invasão Os tibetanos chamam o seu país de Böd, termo derivado do nome de uma antiga religião, o Bön; às vezes, acrescentam o termo Kangchen, "Terra das Neves". O início de sua história data de 2.300 anos atrás. Nos oito primeiros séculos, foi governado por uma dinastia militar que se fixou no vale Yarlung. Gradativamente, a dinastia foi expandindo o seu domínio no planalto tibetano, entre a China, a Birmânia, o Butão, a Índia e o Nepal, próximo às montanhas do Himlaya. Por se localizar a uma altitude média de 3.000 metros, o Tibet também é chamado de "Teto do Mundo". Por volta do século VI, diversas campanhas militares foram enviadas para as terras vizinhas. O povo tibetano, nômade, tinha uma reputação de "bárbaro" na China, na Turquia, na Pérsia, na Mongólia e na Índia. Mas, no século VII, o imperador tibetano Songzen Gampo começou a transformar a civilização feudo - militar em um império mais pacífico. Investigando as civilizações da China e da Índia, Songzen notou a presença do budismo Mahayana (Grande Veículo) e decidiu fazer uma grande adaptação cultural. Enviou estudantes para a Índia, onde aprenderam a língua sânscrita e começaram a traduzir a vasta literatura budista para a língua tibetana. Songzen construiu muitos templos imperiais, como o Jokhang e o Ramochê (ambos na nova capital tibetana, Lhassa). Seus sucessores continuaram a transformação cultural, custeando as traduções, organizando conferências e criando instituições. O auge do processo ocorreu por volta do ano de 790, com o imperador Trisong Detsen. Ele fundou o monastério de Samye, com a ajuda dos mestres Padma Sambhava e Shantirakshita. Além dos estudos budistas, diversas artes e ciências floresceram: matemática, medicina, psicologia, anatomia, neurologia, química, botânica, política, arquitetura, poesia etc. Os especialistas vinham da Pérsia, da Índia, da Uighuria, da Mongólia e da China.
Depois da ascensão dos estudos em Samye, houve um período de confusão; uma revolta na família real fez a dinastia entrar em colapso. A nação se fragmentou e o budismo foi temporariamente perseguido. Um século depois, as instituições budistas ressurgiram. Nos três séculos seguintes, sob a influência do indiano Atisha (que viveu no Tibet de 1042 a 1055, quando faleceu), os estudos refloresceram, a construção de monastérios aumentou e a tradução dos textos canônicos foi concluída, dando lugar à produção de textos realmente tibetanos.
Como a
força do budismo era grande, a "política de não-violência" impediu o surgimento
de novas dinastias. As famílias nobres que governavam áreas locais foram
perdendo sua influência para as instituições monásticas. Nos séculos XIII e XIV,
o Tibet foi incorporado ao império mongol e dividido em treze regiões
administrativas. Cada uma destas regiões era governada por uma família nobre e
por uma hierarquia monástica. A família Khön e a hierarquia Sakya foram
favorecidas pelo imperador mongol, Khubilai Khan.
S.S. o Quinto Dalai Lama (1617-1682), o "Grande", foi
entronado como rei do Tibet e fundou os palácios de Ganden e Potala. O "Grande"
desmilitarizou totalmente o país, promovendo o desenvolvimento das instituições
monásticas e continuando com a política de não-violência. A independência do
Tibet foi garantida por Shun Chih, imperador dos manchus. O "Grande" também
incentivou os mongóis a praticarem o budismo, enquanto os manchus defenderiam as
sociedades budistas desmilitarizadas através de um protetorado. A pacificação e
desmilitarização dos mongóis pelos tibetanos foi uma das maiores transformações
sociais da história.
Atualmente, o governo da República Popular da China afirma
que o Tibet já fazia parte do seu território; porém, os Dalai Lamas governaram o
Tibet sem interferências chinesas até o início do século XX. |