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Parque Nacional do Cabo Orange - AM -
Mar/04 |
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Para além do Oiapoque, no Amapá, está uma
região tão selvagem quanto ameaçada. A região foi alvo de disputa entre
portugueses e franceses por mais de dois séculos.
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Situado no estado do Amapá, região
Norte, nos municípios de Calçoene e Oiapoque, o Parque Nacional do Cabo
Orange não é muito indicado ao turista tradicional. Para chegar-se ao local,
além de autorização do Ibama, são cruzados 590 km, a maior parte em estrada
de terra, até a cidade de Oiapoque. A partir daí pega-se um barco por longas
horas, correndo o risco de passar por marés perigosas no percurso. |
Foi criado pelo Decreto nº 84.913 de
15.07.1980. Antes da criação do parque já existia uma reserva indígena que o
limitava, o que favoreceu a sua proteção.
Para visitar esta área é necessário uma autorização expedida pela diretoria do
Parque. A melhor época para visitação desta unidade é de agosto a novembro. O
Parque pertence à unidade de relevo Planície Fluvio-Marinha Macapá-Oiapoque, que
se constitui de áreas planas, na faixa de terrenos quaternários, formados por
sedimentos argilosos, siltosos e arenosos de origem mista, fluvial e marinha.
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O Parque protege uma grande extensão
de mangue (uma faixa marítima a 10 Km de largura da costa) e ecossistemas
terrestres, além de favorecer a educação ambiental e a pesquisa. As espécies
mais significativas do mangue são a siriúba (Avicenia nitida), o
mangue-vermelho (Rhizophora mangue) e o mangue-amarelo (Laguncularia sp.).
Já os campos da planície do Amapá têm a cobertura vegetal abundante de
gramíneas ciperáceas. São encontrados o buriti (Mauritha flexuosa), mururés
(Eichornia sp.), canaranas (Echinoa sp.) e o capim-arroz. A fauna apresenta-se
bastante rica e diversificada, ocorrendo várias espécies de tartaruga, o
peixe-boi (Trichechus inunguis), bem como a avifauna,que merece destaque por
ser o litoral amapaense o último reduto de várias espécies outrora
encontradas em todo o litoral brasileiro, entre elas o guará (Eudocimus
ruber) e o flamingo (Phoenicopterus ruber). |
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Os habitantes da vila, isolados do mundo
pela complicada geografia local, vivem de pequenas roças de banana e mandioca,
além da pesca de tucunarés e piranhas. Os ovos de tracajá, uma tartaruga
amazônica que prolifera-se na região, têm um alto valor nutritivo e complementam
a alimentação. O Ibama pretende alocar os 100 moradores da vila no trabalho de
guardiões da natureza, evitando assim os incêndios, desmatamentos, invasões e a
caça e a pesca predatórias.

O cenário de Cabo Orange é bastante
exótico. Além de observar a vegetação e os animais, é interessante conhecer um
pouco da vida simples e difícil dos poucos moradores da Vila de Tapereba. Eles
vivem da pesca nos rios e no mar ou trabalham nas fazendas de búfalos,
alimentando-se também dos ovos de tracajá,uma pequena tartaruga amazônica. Para
chegar em alto mar é preciso enfrentar uma maresia feroz. Na região do parque,
os rios têm a água salobra. Por isso os moradores enfrentam uma jornada difícil
até o Lago Maruani, onde buscam água doce. Próximo dele está a reserva indígena
de Uaçá.
Em Macapá, fora do parque, existem várias atrações como museus, construções
históricas e um antigo quilombo com a cultura preservada, que se encontra na
Vila de Curiaú, entre outras.
O Parque Nacional do Cabo Orange não possui infra-estrutura alguma. As cidades
de Oiapoque e Calçone possuem apenas hotéis de emergência. Infra-estrutura mesmo
só em Macapá, que fica a mais de 450km do parque.
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