Cicloturismo - Abr/03

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O que, antigamente, era apenas diversão acabou se tornando um esporte olímpico e ganhou popularidade. Depois de várias adaptações, as barulhentas bicicletas de apenas uma marcha adquiriram novas tecnologias e formatos com novos equipamentos incluídos e componentes instalados.

Desde o seu surgimento nos anos 70 tem conquistado um número de adeptos cada vez maior e obtido uma constante evolução. A paixão pelas pedaladas é o lema dos cicloturistas que utilizam o esporte para despertar o espírito aventureiro de todos nós, mesmo que não seja dentro de uma competição.

Gary Fisher e Tom Ritchey foram os líderes de um grupo de hippies que se juntaram um dia e decidiram utilizar suas bicicletas velhas para apreciar a bela vista da Baía de São Francisco na Califórnia subindo as montanhas de Marin Country e depois descê-las em alta velocidade. Dizem que foi a partir daí que o esporte nasceu.

As difíceis trilhas de Marin não esfriavam os ânimos desse pessoal. Empolgados pela natureza e apaixonados pela emoção que o esporte proporcionava acabaram criando a primeira corrida de mountain biking no Monte Talmapais chamada Repack. A partir daí as bicicletas acabaram recebendo várias melhorias como os freios, alavancas de cambio e novos quadros.

O cicloturismo não é uma competição, e sim, uma modalidade voltada ao lazer. É a agradável prática de realizar viagens e longos passeios com uma bicicleta resistente e confortável. Um bicicleta que possa ser usada para qualquer jornada, sendo possível adaptar bagageiros e alforges.

Por ser uma prática relativamente recente e ainda pouco difundida no Brasil, não existe uma definição ou conceito para essa forma de usar a bicicleta. Uma paixão, hobby, um estilo de vida, ou tudo isso unido num único objetivo: subir numa bicicleta e com suas próprias forças, alcançar uma meta.

Os cicloturistas São aqueles que partem do desejo de conhecer um lugar específico, planejam um roteiro e durante a viagem desfrutam ao máximo de tudo que fizer parte dela, somente com a certeza do horário da saída, em cada dia durante a jornada.

Em geral, o cicloturista carrega consigo um carisma natural. Ele reflete de forma saudável o desejo de liberdade e aventura que está incutido em todo ser humano.

Durante as viagens algumas pessoas impressionam-se, outras identificam-se com o que você está fazendo, e tentam de alguma forma se aproximar. Provavelmente por verem na "louca" tarefa do cicloturista uma experiência curiosa, que também gostariam de ter, mas isso está longe das suas realidades.

Toda viagem nasce do desejo de se conhecer um determinado lugar. O próximo passo é analisar a possibilidade de faze-la de bicicleta e escolher a melhor época para realiza-la, analisar clima e outros aspectos relevantes. Por exemplo: não é uma boa idéia ir para o Pantanal do Mato Grosso nos meses de outubro a março (período de chuvas forte e das grandes cheias), nem para o interior do nordeste no verão, quando a temperatura média ultrapassa fácil os 40 graus C e a oferta de água potável é pequena.

Uma viagem quando previamente elaborada te da a possibilidade de escolher lugares com belas paisagens e a garantia de pelo menos saber onde provavelmente almoçará e passará a noite.

O segredo são muitas paradas, sempre que o corpo pedir. Aproveite para tirar fotos, apreciar a paisagem, sentir a energia da natureza, conversar com você mesmo. Dessa forma, o trecho passa mais rápido e a viagem fica menos dolorosa. É preciso ter muita paciência, a pressa também é inimiga do cicloturismo.

O cicloturismo propicia aos aventureiros uma indescritível sensação de liberdade,desenvolvimento do equilíbrio físico/mental, bem como um maior e constante contato com a natureza, povos e culturas diversas. É uma atividade que expande os pensamentos a um grande sentimento da presença de Deus, despertando virtudes e princípios de solidariedade conjugados a desafios, obstáculos e aprendizados vividos em cada quilômetro percorrido durante a viajem. É um esporte não poluente e econômico, que possibilita a conquista de fortes amizades e grandes descobertas inimagináveis.

Alimentação

O mais fácil de se fazer durante uma viagem é tomar um café da manhã bem reforçado, depois, comer frutas e lanches rápidos durante a pedalada para, finalmente, fazer uma refeição mais pesada no final do dia. Claro, tudo vai depender do ritmo e do estilo do cicloturista e há os que preferem comer um prato feito na hora do almoço e dormir algumas horas antes de seguir viagem.

O essencial é, a cada uma ou duas horas, serem repostos os sais minerais perdidos durante o esforço físico. Um pouco de frutas secas, ou alguns biscoitos, ou então uma barra de cereais já são suficientes para isso. Os mais indicados são os alimentos ricos em potássio (por exemplo, banana e damasco, tanto frescos quanto secos). Esta reposição de sais também pode ser feita através dos isotônicos.

Devem ser evitados alimentos muito gordurosos (chocolate, batata frita, biscoito recheado) nestes lanchinhos, porque a gordura leva muitas horas para ser digerida e absorvida pelo organismo, não fornecendo a energia necessária ainda durante a pedalada. Para isto, dê preferência aos alimentos ricos em açúcares e carboidratos. Continua valendo a velha fórmula de todas as refeições deverem ser completas: carboidratos, proteínas, gorduras e fibras em cada uma delas.

Código de Trânsito Brasileiro

Atenção: O ciclista quando estiver desmontado de sua bike possui os mesmos direitos e deveres do pedestre, faça valer a lei!

CAPÍTULO IV, Art. 68.
§ 1º - O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.
Que na cidade a sua obrigação como ciclista é andar na mão correta em fila única, com no máximo 50 cm de distância do meio fio, e que, como motorista os veículos deverão passar a no mínimo há um metro e cinquenta centímetros de distância da lateral de sua bike, e que a desobediência constitui falta grave, passível de multa e perda de pontos na carteira, CUMPRA-SE !


CAPÍTULO III
DAS NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA
Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.
Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.

Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.

Art. 49. O condutor e os passageiros não deverão abrir a porta do veículo, deixá-la aberta ou descer do veículo sem antes se certificarem de que isso não constitui perigo para eles e para outros usuários da via.
Parágrafo único. O embarque e o desembarque devem ocorrer sempre do lado da calçada, exceto para o condutor.

CAPÍTULO IV
DOS PEDESTRES E CONDUTORES DE VEÍCULOS NÃO MOTORIZADOS
Art. 68.
§ 2º Nas áreas urbanas, quando não houver passeios ou quando não for possível a utilização destes, a circulação de pedestres na pista de rolamento será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila única, exceto em locais proibidos pela sinalização e nas situações em que a segurança ficar comprometida.
§ 3º Nas vias rurais, quando não houver acostamento ou quando não for possível a utilização dele, a circulação de pedestres, na pista de rolamento, será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila única, em sentido contrário ao deslocamento de veículos, exceto em locais proibidos pela sinalização e nas situações em que a segurança ficar comprometida.

CAPÍTULO XV
DAS INFRAÇÕES
Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos: Infração - gravíssima; Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir; Medida administrativa - retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.

Art. 171. Usar o veículo para arremessar, sobre os pedestres ou veículos, água ou detritos: Infração - média; Penalidade - multa.

Art. 181. Estacionar o veículo:
VIII - no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público: Infração - grave; Penalidade - multa; Medida administrativa - remoção do veículo;

Art. 192. Deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo: Infração - grave; Penalidade - multa.

Art. 193. Transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos: Infração - gravíssima; Penalidade - multa (três vezes).

Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta: Infração - média; Penalidade - multa.

Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:
I - que se encontre na faixa a ele destinada;
II - que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
III - portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes:
Infração - gravíssima; Penalidade - multa.
IV - quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;
V - que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:
Infração - grave; Penalidade - multa.

Art. 216. Entrar ou sair de áreas lindeiras sem estar adequadamente posicionado para ingresso na via e sem as precauções com a segurança de pedestres e de outros veículos: Infração - média; Penalidade - multa.

Art. 217. Entrar ou sair de fila de veículos estacionados sem dar preferência de passagem a pedestres e a outros veículos: Infração - média; Penalidade - multa.

Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito:
XIII - ao ultrapassar ciclista: Infração - grave; Penalidade - multa;

Que como ciclistas também temos OBRIGAÇÕES e estas são passíveis de multa e penalidades da lei.
Art. 247. Deixar de conduzir pelo bordo da pista de rolamento, em fila única, os veículos de tração ou propulsão humana e os de tração animal, sempre que não houver acostamento ou faixa a eles destinados:
Infração - média; Penalidade - multa.

Art. 255. Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva, em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 59:
Infração - média;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - remoção da bicicleta, mediante recibo para o pagamento da multa.

CAPÍTULO IX
DOS VEÍCULOS
Seção II
Da Segurança dos Veículos
Art. 105. São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a serem estabelecidos pelo CONTRAN:
VI - para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.

Alguns cuidados devem ser tomados, principalmente em viagens mais extenuantes. A ingestão de vitamina C deve ser diária, bastando uma laranja ou uma goiaba, ou um kiwi, frutas que contêm grandes quantidades desta vitamina. Na impossibilidade de conseguir frutas frescas todos os dias, previna-se levando vitamina C efervescente ou em comprimidos - mas sem exageros, pois o excesso de vitamina C pode ser prejudicial, afetando o sistema renal.

A ingestão de ferro também deve ser aumentada. Alguns alimentos que contêm bastante ferro são: ovo, feijão, couve e beterraba.

Todos os nutrientes necessários para nosso corpo, por mais puxada que seja a viagem, existem naturalmente nos alimentos, não sendo preciso, portanto, utilizar suplementos alimentares.

Equipamentos e acessórios.

  KIT p/ Primeiros Socorros 

• Ataduras / Gaze
• Esparadrapo
• Algodão.
• Água Oxigenada 10 volumes.
• Colírio
• Creme Labial (tipo noskote)
• Mercúrio Cromo, Mertiolate e/ou iodo.
• Pomada para queimaduras de sol.
• Filtro Solar.
• Repelente para insetos.
• Relaxante muscular (Dorflex).
• Coristina D ou anti-gripal de sua preferência.
• Pomada para contusão (CATAFLAN GEL / GELOL).
• Pomada cicatrizante (NEBACETIN).
• Elástico (aquele de doação de sangue) para estancar cortes mais profundos.
• Tala para fratura (na sua falta as varetas da sua Barracas também servem).

Itens de  Segurança obrigatórios por lei
• Refletores laterais nas rodas
• Refletores noturno dianteiro e traseiro
• Refletores nos pedais ou nas sapatilhas no caso de pedais de encaixe.
• Buzina
• Retrovisor no lado esquerdo

Itens de Segurança não obrigatórios por lei, porém indispensáveis
• Capacete
• Óculos c/ lentes amarelas e/ou escuras
• Luvas
• Sinalizador traseiro (pisca)

 

Dicas:

• Coma pouco e freqüentemente.
• Coma antes de sentir fome e beba antes de sentir sede.
• Nunca ultrapasse os limites do seu corpo (fadiga). Isso cortará seu apetite e seu sono.
• Dê paradas rápidas para descanso, sem deixar perder o aquecimento.
• Agasalhe-se antes de esfriar, desagasalhe-se antes de aquecer.
• Não tenha medo de expor sua pele ao sol ou a água.
• Evite bebida alcóolica, carne vermelha e tabaco, pelo menos enquanto estiver na estrada.

• Faça seu ritmo. Não imprima um ritmo forte, principalmente durante as primeiras horas, enquanto você está se sentindo cheio de energia. Poupe-se para o final.
• Seja humilde, honesto, sincero e não peça o que não precisa.
• Aceite as pessoas como elas são. Seus hábitos, cultura e crenças.
• Sorria nas dificuldades e persista até alcançar a vitória.
• Respeite e proteja a natureza e a suas forças.
• Jamais entrar em pânico.
• Adequar a bagagem às regiões visitadas _ mais água se for para o deserto, mais agasalhos para as regiões frias, não esquecer dos repelentes para zonas tropicais.
• Preperar-se para as viagens com orientação médica, adquirindo preparo físico pedalando quatro horas diárias durante um mês.
• Obedecer ao limite dado pelo corpo durante a viagem e parar sempre que achar necessário para descansar.
• Ter flexibilidade para enfrentar situações inesperadas.
• Conservar a bicicleta sempre limpa e lubrificada.

Boas pedaladas!

Reportagem: Wagner Vieira

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