Pantanal - Ago/03

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O Pantanal Matogrossense é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e está localizado no centro da América do Sul, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai. Sua área é de 138.183 km2, com 65% de seu território no estado de Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso. A região é uma planície aluvial influenciada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai, onde se desenvolve uma  fauna  e  flora  de   rara beleza e abundância, influenciada por quatro grandes biomas: Amazônia, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica. 

O Pantanal de Mato Grosso do Sul é reconhecido como uma das mais exuberantes e diversificadas reservas naturais do Planeta. Esse reconhecimento foi manifestado pela Unesco que o integrou no acervo dos patrimônios da humanidade. Todo o Pantanal manifesta uma variadíssima associação de comunidades vegetais. Mesmo sem uma classificação botânica que tenha esgotado estudos e levantamentos, pela grandeza e extensão ambiental sabe-se que seus estoques vegetais superam similares de todo o mundo.

A região apresenta diferentes tipos de florestas estacionais de terras altas e terras baixas, aluviais, chaquenhas, bem como variadas espécies de savanas, cerrados, campos de matas e pastagens naturais. Toda a variada gama de vegetação, de solo e de relevo; a alternância do ciclo das águas; o clima e insolação proporcionam uma ambiência favorável a uma produção alimentar notável, tanto no plano visível quanto no de microvidas. 

A localização do Pantanal também é fundamental para a formação do ecossistema ali encontrado: é enorme a variedade de espécies vegetais, pois o Pantanal une características do cerrado, dos terrenos alagadiços e ainda espécies comuns na Floresta Amazônica. Por esta razão, a fauna local também é bastante variada: ambos os aspectos caracterizam portanto o que é chamado o Complexo do Pantanal, cuja característica da variedade de espécies faz da região um dos mais singulares ecossistemas do planeta.

Acompanhando a diversidade da vegetação, a fauna pantaneira é bastante rica. Dela faz parte o maior felino brasileiro, a onça-pintada. Atingindo até 130 quilos, vive nas matas e compartilha o território com outras espécies de mamíferos, entre os quais se destacam antas, jaguatiricas, gatos-do-mato, canídeos - como o cachorro-vinagre e o tímido notívago lobo-guará.

Tamanduás-bandeira e tamanduás-mirins convivem com caxinguelês, quatis, cotias, pacas, lagartos, tatus, porcos-do-mato, queixadas e as brincalhonas ariranhas. É nessa região que se encontram igualmente os cervídeos, bonitos, meigos e ariscos - como o veado-campeiro e o veado-mateiro. Um morador adaptado na região é o cervo-do-pantanal, pois possui uma membrana entre os dois cascos de cada pata que o ajuda a se apoiar no terreno alagadiço. Não estão ausentes do Pantanal marsupiais, morcegos, rato-do-cerrado e, claro, macacos, principalmente bugios, macacos-pregos e sagüis. Peixes, répteis e insetos formam um capítulo à parte na fauna pantaneira. É impressionante, por exemplo, a quantidade de espécies de formigas, cupins, aranhas e mosquitos. No entanto, na intricada rede que compõe o ecossistema local, esse superávit de insetos é fundamental para a sobrevivência de pássaros, peixes e batráquios que povoam a região.

Turismo Ecológico

Conhecer esse magnífico patrimônio ecológico, regido pelo signo das águas, é experiência inesquecível. Considerado o mais bem conservado e intocado ecossistema do planeta, o Pantanal Sul pode ser visitado durante qualquer época do ano.

A alternância das águas - nas cheias ou na seca - proporciona cenários indescritíveis que sofrem significativas mutações. O encanto da paisagem faz explodir a emoção, principalmente ao amanhecer e ao entardecer, quando todo o Pantanal se transforma em sons e cores.

Para receber os visitantes não familiarizados com a região, existem, no interior do Pantanal, hotéis especialmente construídos e com todo o conforto ou casas de fazenda adaptadas oferecendo opções de passeios a cavalo ou em barco, caminhão, picape e trekking. Tudo com acompanhamento de guias ecológicos profundamente conhecedores da região.

Por sua localização, no centro da América do Sul, essa região apresenta grande variedade de flora e fauna, originada das áreas do Chaco, dos Cerrados e da Mata Atlântica, contribuindo assim para maximizar sua diversidade biológica. Trata-se do maior santuário ecológico do planeta. Por todas as suas características funciona como um monumental criatório de espécies, especialmente de peixes. Por isso, pode ser chamado de berço do paraíso, onde milhares de plantas, mamíferos, aves, insetos e peixes, recriam a natureza a cada nova estação.

Mato Grosso figura como um local ideal para as atividades de pesca esportiva, com áreas quase virgens, sem ações predatórias, já dispondo hoje de um razoável conjunto de infra-estrutura voltada para atender as necessidades dessa prática de turismo, esporte e lazer.

O rio Paraguai e seus afluentes percorrem o Pantanal, formando extensas áreas inundadas que servem de abrigo para muitos peixes, como o pintado, o dourado, o pacu, e também de animais, como os jacarés, as capivaras e ariranhas, entre outras espécies. Muitos animais ameaçados de extinção em outras partes do Brasil ainda possuem populações vigorosas na região pantaneira, como o cervo-do-Pantanal, a capivara, o tuiuiú e o jacaré.  

Devido a baixa declividade desta planície no sentido norte-sul e leste-oeste, a água que cai nas cabeceiras do rio Paraguai, chega a gastar quatro meses ou mais para atravessar todo o Pantanal.

O clima é quente e úmido, no verão, e frio e seco, no inverno. A maior parte dos solos do Pantanal são arenosos e suportam pastagens nativas utilizadas pelos herbívoros nativos e pelo gado bovino, introduzido pelos colonizadores da região.

Reportagem: Marcelo Russo

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