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Paranapiacaba - SP -
Out/03 |
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Paranapiacaba fica em Santo André - faz divisa com Santos (ao sul),
Cubatão (oeste) e Mogi das Cruzes (norte), mas esta pequena vila
se parece mesmo com a capital inglesa. A aparência londrina pode
ser percebida pela arquitetura vitoriana das casas, pelo fog (a
neblina é constante) e também pela réplica do Big Ben. Encravada
na Mata Atlântica, com cachoeiras e muitas trilhas, a vila é uma
boa opção de passeios cultural e ecológico. |
O lugarejo começou a surgir em 15 de maio de 1860, quando
iniciou-se a construção da linha que ligaria as principais regiões
produtoras de café, no interior do estado, ao seu terminal
exportador, o pano de Santos. Por iniciativa do barão de Mauá, a
execução da obra e a concessão da ferrovia pelo prazo de 90 anos
ficaram nas mãos dos ingleses, donos da São Paulo Railway Company.
A responsável pela construção da ferrovia, a São Paulo Railway
Company, mais do que trilhos, deixou marcas no local: aspectos
britânicos, principalmente na arquitetura. Um exemplo é a velha
estação do Alto da Serra, cuja torre lembra o Big Ben de Londres.
A estação do Alto da Serra, com sua arquitetura de estilo
vitoriano, foi desativada em 1977 e já estava em processo de
demolição, quando foi parcialmente destruída por um incêndio em
janeiro de 1981. Dela, só restou a torre do relógio que,
restaurada, foi integrada à atual estação.

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Para quem vai a Paranapiacaba, vale conhecer o Museu Ferroviário,
construído nos galpões que abrigaram os dois sistemas funiculares,
desativados com a instalação, em 1974, de um sistema de tração
mista denominado cremalheira. O museu abriga o maior sistema
funicular do mundo: a roda de inércia, movida a vapor, que puxava
o cabo de aço de duas pontas. Um veículo serra-breque acoplava-se
a cada uma das extremidades do cabo e era o responsável por puxar
ou frear a composição.
Veja também o Castelinho (1897), antiga residência do
engenheiro-chefe da Railway, com estilo vitoriano. Localizado no
alto de uma colina da vila, permitia ao inglês observar os
trabalhos no pátio ferroviário. Atualmente, funciona no local o
Centro de Preservação da Memória de Paranapiacaba, que reúne
objetos e instrumentos de tralho da época dos ingleses.
Paranapiacaba também é procurada pelos adeptos de atividades
ecoturísticas, como caminhadas, rappel, bóia-cross. |
Paranapiacaba , em tupi-guarani, quer dizer: " Lugar de onde se vê
o mar" era esta a visão que tinham os povos indígenas que passavam
pela região rumo ao planalto.
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A Vila começou a ganhar importância. Até meados da década de 40,
os moradores viviam como uma grande família. A Vila era bem
cuidada, com ruas arborizadas e casas pintadas. Em 1946, termina o
período de concessão e todo o seu patrimônio é incorporado ao
Governo Federal. Esse fato é apontado pelos antigos moradores como
o início de decadência da vila. Em 1986, a Rede Ferroviária
entregou, restaurados, o sistema funicular- máquina fixa a vapor
que tracionavam as composições através de cabos de aço -, entre o
4° e o 5° patamar, e o Castelinho. No ano seguinte, o núcleo
urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural de
Paranapiacaba foram tombados pelo Condephaat - Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do estado de São
Paulo. Paranapiacaba, além de ter sido incluída entre os 100
monumentos mais importantes do mundo, pelo Word Monuments Fund -
organização não - governamental norte - que atua na área de
preservação do patrimônio histórico -, é Núcleo da Reserva da
Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo e integra a Reserva da
Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO como de
relevante valor para a humanidade. |
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Reportagem : Marcelo
Russo
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