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Parque Nacional da Serra da Capivara – PI -
Abr/04 |
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O Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado Patrimônio
Cultural da Humanidade pela Unesco, foi criado para preservar um
dos maiores tesouros arqueológicos do mundo – milhares de
inscrições pré-históricas com até 12 mil anos gravadas em paredões
de rocha. As pinturas representam aspectos do dia-a-dia, ritos e
cerimônias dos antigos habitantes da região, além de figuras de
animais, alguns já extintos. Nas escavações realizadas na Serra da
Capivara, os pesquisadores encontraram ferramentas, restos de
utensílios de cerâmica e sepultamentos. Pesquisas sobre as
descobertas feitas na área levaram arqueólogos a acreditarem que o
homem teria habitado o continente americano há mais de 30 mil
anos, contrariando as teorias mais aceitas pelos cientistas. As
pinturas rupestres e os objetos achados podem ser vistos em alguns
dos sítios arqueológicos abertos à visitação, entre os mais de 500
existentes no parque.
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O Parque Nacional da Serra da Capivara é administrado pela
Fundham (Fundação Museu do Homem Americano) em parceria com o
Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis). Oferece ótima estrutura para visitas,
com trilhas demarcadas e guias especializados. Na cidade de
São Raimundo Nonato, fica o Museu do Homem Americano com
acervo montado a partir das peças encontradas nas explorações
arqueológicas realizadas na área do parque.
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ARQUIVO HISTÓRICO:
Desde 1970 uma equipe franco-brasileira vem realizando um programa
de pesquisas nesta área. A equipe interdisciplinar é formada por
pesquisadores de instituições brasileiras e francesas oriundas de
diversas universidades. Os trabalhos inicialmente consagrados à
pré-história, hoje se concentram nas relações do Homem e Meio no
sudeste do Piauí, da pré história aos dias atuais. Em dezembro de
1991 a UNESCO declarou o Parque da Serra da Capivara Patrimônio
Cultural da Humanidade. O Museu do Homem Americano (FUMDHAM)
congrega as diversas riquezas da região compondo um importante
centro de Cultura e Pesquisa.
Os principais objetivos do Parque, que recebe apoio do IBAMA, são:
1) proteção dos sítios arqueológicos
2) preservação das extensas zonas de caatingas primárias
A pesquisa arqueológica revelou dados importantes sobre o
povoamento das Américas. Demonstrou-se que, ao contrário do que
afirma a teoria clássica antiga, o homem penetrou no continente
americano muito antes de 30.000 anos como afirmavam os
pesquisadores. Esta descoberta gerou uma polêmica científica
internacional que continua em discussão. Escavações no sítio Toca
do Boqueirão da Pedra Furada permitiram a descoberta de vestígios
que foram datados pela técnica do carbono 14, alcançando até
48.000. Restos de pinturas foram encontrados em camadas tão
antigas, que representam as primeiras manifestações de arte
pré-histórica americana. As escavações, sondagens e coletas de
superfície forneceram abundante material sobre as atividades de
populações que ocuparam a região há cerca de 50.000 anos até a
chegada dos colonizadores brancos. Atualmente estão mapeados mais
de 345 sítios dos quais 240 com pinturas ou gravuras rupestres.
Curiosidade Científica:
Realizou-se o mapa geomorfológico do Parque, e uma vasta fauna
fóssil foi encontrada: mastodontes, cavalos, lhamas, preguiças e
tatus gigantes conviveram com o homem por volta de 12.000 anos
atrás, e somente desapareceram quando o clima começou a mudar e a
umidade diminuiu.
INFRA-ESTRUTURA

O Centro de Visitantes do parque fornece orientação de como fazer
as vistas, além de indicar os guias especializados, que
obrigatoriamente acompanham os turistas nas caminhadas. Nas
proximidades do parque há pousada, albergue estudantil e área de
camping. São Raimundo Nonato, a cidade mais próxima, oferece
outras opções de pousadas simples. Os restaurantes da região são
simples. Alguns oferecem pratos regionais, como os preparados com
carne de bode. Ingrediente quase desconhecido no resto do país, é
muito utilizado no sertão nordestino.
COMO CHEGAR
O principal ponto de referência para o acesso ao parque nacional é
a cidade pernambucana de Petrolina, a 350 km, onde há aeroporto
que opera com vôos regulares. Dessa cidade e também de Teresina,
que fica a 510 km, saem ônibus para São Raimundo Nonato. Agências
de turismo especializadas em ecoturismo costumam oferecer pacotes
completos para visitas à Serra da Capivara.
As visitas são feitas a pé ou com veículos especiais. Os 48 sítios
arqueológicos com passarelas que facilitam a observação das
pinturas rupestres podem ser visitados percorrendo-se 14 trilhas
predeterminadas. Algumas são longas e atravessam terrenos de
difícil acesso. A Toca do Boqueirão da Pedra Furada apresenta
inscrições de vários períodos pré-históricos em um paredão com 70
m de largura. No Sítio do Meio, além das pinturas, os arqueólogos
encontraram vestígios de instrumentos usados pelos antigos
habitantes, como objetos de pedra lascada e fragmentos de
cerâmica. Também merecem destaque o Baixão das Andorinhas, onde
todo final de tarde há uma revoada de andorinhas, e o Desfiladeiro
da Capivara, que era usado como passagem pelas antigas populações
locais.

A formação que mais impressiona é a da Pedra Furada, uma abertura
de 15 metros de diâmetro num paredão com mais de 60 metros de
altura, o cartão-postal do Parque. A fauna e a flora são ricas e
representativas da região. Jaguatiricas, tatus, mocós, seriemas,
onças, gatos-do-mato, serpentes e morcegos convivem com
mandacarus, xique-xiques, juazeiros e aroeiras.
As pesquisas na Serra da Capivara provocaram uma revisão da
história do homem no continente americano. Seguindo a tendência
mundial, os visitantes já podem participar de escavações guiadas,
ajudando a desvendar os mistérios desse mundo perdido.
Reportagem : Marcelo
Russo
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