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A busca pela auto
sustentabilidade do patrimônio histórico urbano - Abr/03 |
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Introdução
O Município de Belém apresenta em seu espaço físico territorial urbano um
patrimônio histórico e cultural muito rico, capaz de evidenciar a grandeza da
cidade ao longo de sua trajetória evolutiva, fundamental para o processo de
solidificação dos valores regional e local.
O patrimônio histórico e cultural urbano de Belém deve representar um papel
importante no processo de gestão do município, no momento em que se busca
resgatar a sua contribuição social, política e econômica oriunda de seu
potencial evidenciado pela indústria do turismo. Esta colocação se faz
relevante, mediante análise de dados como, resultado de pesquisa realizada no
Município de Belém, que enfatiza o fato de que o munícipe, ou seja, o cidadão
Belenense não conhece a sua cidade nem a sua história.
A pesquisa realizada no âmbito da municipalidade de Belém, em sua abrangência
continental/urbana, enfatiza o turista interno (o munícipe) e o externo, com a
finalidade de compreender a sua relação com o complexo turístico existente na
área central da cidade, desde o marco de seu surgimento até o final da primeira
légua de Belém.
Alem disso, os resultados evidenciam aspectos relevantes relacionados à
infra-estrutura, saneamento básico, serviços públicos e serviços sociais,
fundamentais ao fomento do turismo histórico e cultural na cidade de Belém do
Pará com ênfase a sugestões para o implemento do processo de auto
sustentabilidade do Patrimônio histórico e cultural do município de Belém.
Conhecendo um pouco de Belém do Pará
O Município de Belém é a capital do Estado do Pará, que é composto de uma grande
área geográfica, uma das maiores do planeta. Possui cerca de 1.284.000km². O
Estado do Pará é o segundo maior estado brasileiro, sendo menor apenas que o
Estado do Amazonas, que faz juntamente com o Pará a composição maior da região
Amazônica.
Belém do Pará foi fundada em 12 de janeiro de 1616. Sua fundação teve como
objetivos aparentes apenas fatores relacionados à natureza político-militar. Mas
além deste fator, seu fundador o português Capitão-mor Francisco Caldeira
Castelo Branco, que recebeu para a realização da missão o título de Descobridor
e primeiro Conquistador do Amazonas, visava o monopólio ou a exclusividade de
uma exploração econômica através do domínio da posição estratégico-geográfica da
região.
A capital do Estado do Pará está situada em um dos braços do Rio Amazonas. É
banhada pelo Rio Guamá ao sul e pela Baía do Guajará a oeste, a 160 quilômetros
ao sul do Equador. A cidade de Belém é a maior cidade na linha do Equador. É
conhecida como a Capital da Amazônia, devido ser considerada a capital do Pará e
da Amazônia Brasileira. Este fato deve-se em decorrência de ser o principal
portão de entrada para a Região Norte do Brasil.
A capital tem todas as características de uma cidade moderna, mas ainda retém as
marcas de um passado glamouroso e rico, vislumbrados em seus prédios e complexos
arquitetônicos, tais como: a Catedral da Sé, Basílica de Nazaré, Museu do Círio,
Igreja das Mercês, Igreja do Carmo, Igreja da Sé, Igreja de Santo Alexandre,
Conjunto Arquitetônico Feliz Lusitânia, Palácios Antônio Lemos, Museu do Estado
(Palácio Lauro Sodré), Museu de Arte Sacra, Museu de Arte de Belém, Teatro da
Paz, Mercado do Ver-O-Peso, Complexo de São Braz, Bar do Parque, Parque da
Residência, Museu Paraense Emílio Goeldi, Estação das Docas, Praça do Relógio,
Bosque Rodrigues Alves, Forte do Castelo e a Ladeira do Castelo - 1ª rua de
Belém (onde se iniciou a cidade de Belém).
Além de todos os pontos histórico e cultural evidenciado, não se pode deixar de
ressaltar o Bairro Cidade Velha, com seus prédios cobertos de azulejos vindos de
Portugal, França e Alemanha.
A cidade de Belém do Pará ao longo de sua trajetória foi e tem sido cenário de
eventos marcantes da vida nacional. As suas ruas guardam a memória destes fatos
ocorridos e evidenciados no mix do desenho urbano revelado por uma arquitetura
oriunda do seu surgimento e da época do ciclo da borracha envolvido pelo
processo da verticalização das edificações tão presentes na atualidade.
Assim, Belém consegue conjugar as belezas da arquitetura e dos ornamentos do
período colonial às exigências da modernidade. Ao lado dos sedutores casarões da
Cidade Velha, que caracteriza a primeira fase de ocupação, onde proliferam os
funcionais espigões, a fachada das construções de corte contemporâneo.
A Capital do Pará reflete bem o que se pode chamar de uma cidade tipicamente
amazônica. Conhecida pela população paraense, brasileira e internacional como a
cidade das mangueiras constituída em grande parte por árvores de médio porte,
principalmente por mangueiras seculares, que de acordo com Bassalo [1993] são
cerca de 22.500 árvores.
Este fato ressalta uma das características da cidade que é a arborização do
centro urbano de Belém que preserva em suas Praças, Bosques, Parques, ruas e
avenidas os túneis de folhagens criados pela natureza com os galhos das
mangueiras, que evidencia a beleza da região: o verde.
Belém como o portão de entrada para a mais importante floresta tropical do
planeta, traz ao longo do tempo consigo histórias, lendas, ciência nativa, arte
indígena, paisagens, hábitos, costumes, culinária indígena, crenças, falares,
linguagem, sotaque, enfim, um tipo de cultura que a singulariza dentro da
enigmática Região Amazônia e também dentro do contexto nacional e mundial.
A cidade de Belém é considerada cidade pólo da Região Norte. Este fato deve-se,
ao seu papel de principal espaço físico-territorial construído da Região
Metropolitana de Belém. Encontra-se situada à cerca de 1.600 Km ao norte de
Brasília, distante do Oceano Atlântico por aproximadamente 130 Km, localizada de
acordo com os seguintes pontos cardeais: 28 º de latitude sul e a 48 º 29' de
longitude oeste.
O Município de Belém ocupa uma área de 505,8231 km² de terras planas aluvionais,
circundadas por uma complexa rede hidrográfica constituídas por bacias, igarapés
e furos. Apresenta-se a 14 metros acima do nível do mar, situada em plena faixa
equatorial. A maior parte de sua área urbana consolidada (parte histórica), está
construída em uma ponta de terra comprimida a oeste, limitada pela Baía do
Guajará, no encontro entre o Rio Pará com o Rio Guamá, conforme pode ser
visualizado na foto abaixo:

Parte Histórica da Cidade de Belém
A cidade de Belém, paradoxalmente, não está localizada às margens do principal
rio da região, o Amazonas. Mas justamente por este fato o seu sistema
hidroviário é relativamente independente do rio-mar, o que lhe propicia uma
certa facilidade de acesso ao oceano e ao resto do continente.
Em decorrência deste fato, o Município de Belém possui inúmeras vantagens
competitivas para a aquisição, comercialização e transporte marítimos de
produtos da região.
É importante ressaltar um fator interessante com relação ao aspecto
físico-territorial da capital paraense que é constituído por dois-terços de seu
território formado por ilhas. A maioria, porém, permanece selvagem e desabitada;
outras concentram populações escassas que desenvolvem um ritmo de vida
assemelhado ao dos povos da floresta, ou seja, mantém as características do
caboclo paraense.
As mais destacadas, como as Ilhas do Mosqueiro e de Caratateua (Outeiro)
concentram durante o veraneio um grande número de visitantes, devido ao seu
clima saudável e à sua bela paisagem, marcada pela sinuosidade dos rios e
igarapés e pela exuberância de sua vegetação.
Além dessas duas ilhas mais visitadas, destacam-se ainda as ilhas do Combu,
Cotijuba, Arapiranga, dos Papagaios, Ilha das Onças e a de Tatuoca, que abriga a
única estação geodésica da América Latina, uma das sete existentes no mundo.
O Município de Belém é considerado como principal centro urbano da Amazônia,
devido abrigar quase 30% da população do Estado do Pará. Este fato produz
reflexos diretos na estruturação dos fatores, sócio-política-econômica da
cidade. Evidencia um perfil no qual tem-se um centro urbano adensado, ocupado
principalmente pelas populações de Classe social (faixa de renda) média e alta,
contrastando com uma periferia dispersa, onde se encontram as populações de
classe social pobre de baixa renda.
Assim, o centro da cidade que fica na Primeira Légua Patrimonial do município, é
a área mais dinâmica. É nesta área que se encontra os principais equipamentos de
educação, saúde, comércio, serviços, lazer e recreação; os lugares de trabalho
mais significativos; o agrupamento de edificações verticais utilizadas pela
população de maior poder aquisitivo, como pode ser visto na foto a seguir:

O centro da cidade de Belém
Observa-se na cidade de Belém que tanto na Primeira Légua Patrimonial, como na
área de transição o processo de verticalização vem tornando-se cada vez mais
intensificado, acarretando para o município como um todo problemas ambientais
gravíssimos.
Um dos principais problemas ocasionados por este processo de verticalização
descontrolado segundo Castro Filho [1991], é referente às conseqüências
climáticas, oriundas da estrutura de concreto dos prédios, que dificultam o
fluxo das correntes de ar, e assim, podendo levar a cidade belenense a uma
enorme ilha de calor.
É neste contexto que o patrimônio histórico e cultural do município representado
por igrejas, museus, teatros, mercados e os mais diversos monumentos espalhados
pela cidade, demonstram a vocação adormecida da cidade para o turismo
histórico-cultural. Evidencia-se, somado a este rico patrimônio histórico e
cultural, que se pode destacar outras características culturais marcantes da
cidade, como as manifestações folclóricas e artística local e regional, além de
hábitos peculiares como a alimentação, as feiras livres e mercados, os túneis de
mangueiras, e a própria disposição festiva e hospitalidade da comunidade
belenense.
Belém, aliando o conforto e a agitação das grandes cidades com sua herança
histórica e cultural, ainda viva, podem mudar seu perfil econômico através do
turismo. Mas para isso é preciso identificar quais os verdadeiros entraves para
o desenvolvimento da industria do turismo nesta pesquisa especificamente a
atividade histórica e cultural e buscar as soluções e principais tomadas de
ações.
Trajetória da Pesquisa
A pesquisa realizada no mês de fevereiro de 2001 aborda um tema, de grande
interesse para a gestão municipal e a população belenense, pois abrange o a
industria do turismo no Município de Belém especificamente no segmento do
turismo histórico e Cultural e peculiaridades da Capital.
A pesquisa tem como objetivo evidenciar o perfil do turista que visita os pontos
históricos da cidade e evidenciar mecanismos eficazes para a retomada do
crescimento econômico da parte urbana e histórica do município de Belém, já que
a industria do turismo nos últimos anos a nível mundial tem se apresentado como
uma vantagem competitiva de grande potencial, que deve ser enfatizada na gestão
estratégica do município de Belém, com a finalidade de aproveitar a vocação e a
potencialidade da localidade.
O estudo adotou como metodologia à aplicação de questionário com variadas
perguntas tanto para moradores como para visitantes, a fim de obter um perfil
dos turistas externo e interno (moradores da cidade) que se encontravam costumam
nos locais de realização da pesquisa.
O instrumento da pesquisa foi elaborado contendo perguntas abertas, fechadas e
semi-estruturadas, se utilizando para isso o método de escalas por atributos,
buscando tornar assim, os questionários simples, claros e objetivos.
A estrutura do instrumento da pesquisa se apresenta desdobrada em quatro
momentos que tem a finalidade de obter informações quanto ao turista externo e
interno da seguinte maneira:
1. Aspectos Gerais Æ busca evidenciar informações tais como sexo, escolaridade,
condição civil, familiar, ocupação profissional, etc.
2. Turista Externo Æ perguntas específicas para os visitantes referentes ao
motivo e característica da visita a Belém; tipos de passeios realizados;
percepção da cidade quanto ao tratamento recebido, imagem da cidade antes de
chegar e depois de conhecer, etc.
3. Turista Interno e Externo Æ perguntas relacionadas aos pontos turísticos e
peculiaridades da cidade tais como saneamento, serviços públicos,
infra-estrutura, serviços sociais, atendimento ao público, lazer referentes ao
patrimônio histórico e cultural foco da pesquisa.
4. Turista Interno Æ perguntas específicas ao munícipe quanto a sua relação com
o patrimônio histórico e cultural de Belém.
O desdobramento do instrumento da pesquisa se fez de extrema importância para a
compreensão do perfil do turista e da percepção deste com relação ao patrimônio
histórico e cultural da cidade de Belém. Além disso, a forma como o questionário
foi estruturado propicia verificar se as ações gerenciais relacionadas ao
patrimônio histórico e cultural são efetivas e se as expectativas dos visitantes
são atendidas.
Esta pesquisa de mercado foi aplicada a uma amostra aleatória, em locais de
grande movimento de pessoas. A área da cidade foco do estudo foi a primeira
légua de Belém no Distrito de Belém (DABEL), que na divisão
político-administrativa do município destaca-se por concentrar as principais
edificações e monumentos referentes ao patrimônio histórico.
Apesar do foco da pesquisa ser o patrimônio histórico existente no distrito
administrativo de Belém (DABEL); o processo de coleta de campo foi realizada em
diversos pontos da cidade que fazem parte de outros distritos administrativos
que compõe o município de Belém. Seis equipes formadas por alunos do curso de
administração que se dividiram entre os seguintes pontos: Aeroporto
Internacional de Val-de-Cans, Complexo Turístico Estação das Docas, Shopping
Center Iguatemi, Shopping Doca Boulevard, Shopping Castanheira, e alguns pontos
turísticos mais conhecidos na área de DABEL tais como: Forte do Castelo, Praça
da República, Parque da Residência, Basílica de Nossa Senhora de Nazaré,
Ver-o-Peso.
Belém e o turismo histórico e cultural
O resultados da pesquisa realizada em Belém demonstrou uma tendência que está
ocorrendo no restante do mundo: as pessoas estão cada vez mais fazendo turismo.
Foram entrevistadas 371 pessoas, sendo 167 moradores que representa 45% dos
entrevistados e 204 visitantes representando 55% do total dos participantes da
pesquisa.
O perfil sócio-econômico dos entrevistados foi traçado por pessoas de ambos os
sexos, e de diversos níveis de escolaridade. A maioria dos pesquisados apresenta
o seu grau de instrução apenas até o 2º grau representando 44%, 36% apenas detêm
o 3º grau, 18% o 1º grau e um fator relevante observado que reflete a realidade
da carência intelectual do país é a existência entre os pesquisados de apenas 2%
terem pós-graduação. A idade dos entrevistados também foi bastante elástica,
tendo representantes de 15 a 70 anos, figurando como maior parcela àqueles que
compreendem de 20 a 40 anos. Com relação à atividade profissional, ou seja,
ocupação, esta se diluiu entre os pesquisados da seguinte maneira como mostra o
quadro a seguir:
Ocupação dos Turistas
visitantes de Belém do Pará
|
OCUPAÇÃO DOS ENTREVITADOS |
PERCENTUAL |
|
AUTONOMO |
10% |
|
EMPRESA PÚBLICA |
31% |
|
EMPRESA PRIVADA |
20% |
|
ESTUDANTE |
26% |
|
ESTAGIÁRIO |
2% |
|
APOSENTADO |
5% |
|
DONA DE CASA |
6% |
A condição civil da maioria dos pesquisados se divide entre solteiros e casados,
com poucos elementos de outras opções. Dentre os casados, a parcela sem filhos e
a parcela com filhos ficou próxima, sendo que esta última mostrou equilíbrio na
faixa etária dos filhos (pequenos; adolescentes e adultos). Os entrevistados que
responderam quanto às suas condições de moradia, a maioria afirmou morar com
amigos (46%), seguido por aqueles que moram com familiares (36%) e por último os
solitários (18%).
O perfil turístico dos entrevistados, quanto à habitualidade e a motivação de
suas viagens, evidenciou que 85% dos participantes da pesquisa viajam
regularmente, pelo menos uma vez por ano, principalmente por motivo de férias ou
trabalho. Quanto às viagens de férias, 97% afirma preferir praia, o que pode ser
um indicativo negativo para o turismo histórico e cultural em Belém, pois tanto
o morador (turista interno) deseja sair para outros logradouros praianos, como o
cliente externo não vê a cidade como uma atração potencial de lazer.
De acordo com a pesquisa, a maioria afirma que viaja de férias com a família,
assim, é compreensível a escolha dos meses de férias escolares para essas
viagens. Os meios mais citados para atingir o destino são avião e ônibus. É
importante destacar que, dos 371 entrevistados, apenas 126 que viajam de avião e
somente 10 utilizam sistemas de milhagem, demonstrando que há uma demanda
reprimida para a atuação das companhias aéreas. Destes turistas que utilizam
como meio de transporte o avião em média é a Segunda vez que estes vêm a Belém.
O transporte rodoviário ainda prevalece sobre os demais; julho é o mês preferido
e a praia ainda é o local mais procurado nas viagens. A característica deste
turismo é a sua curta temporada e na sua maioria, no período de férias. Uma
constatação interessante é a tendência das viagens para as cidades do interior e
de forma desacompanhada (embora a maioria dos entrevistados a o estado civil
seja de solteiros).
Enquanto aos locais de hospedagem apresentam ampla gama de opções, como casas de
amigos ou familiares e, hotéis em geral, sendo que os hotéis 5 estrelas
representam pouco a mais, perto dos de 3 e 4, a hospedagem dos visitantes. Dos
entrevistados hospedados nos hotéis da cidade, 80% avaliaram como razoáveis as
instalações hoteleiras.
Ainda pelo aspecto econômico podem ser citados que 61% dos entrevistados que
afirmam viajar de férias, 61% pagam com cartão de crédito, onde destes 89%
quando utilizam cartões de crédito parcelam suas compras e 39% preferem realizar
o pagamento à vista.
Os principais pontos que influenciam o destino das viagens de férias são os
pontos turísticos, a fama da cidade, a segurança e a infra-estrutura,
destacando-se os pontos turísticos (40%).
Na opinião da maioria dos entrevistados 56% dos investimentos para desenvolver o
turismo devem ser compartilhados pelos governos estadual e municipal, assim como
pelas instituições privadas, que poderiam auferir ganhos com o crescimento desse
setor. Os hotéis e pousadas, as agências de viagem, empresas de transporte de
passageiros (aérea, rodoviária e fluvial), bares e restaurantes; casas de shows,
etc, iriam aumentar seu faturamento e conseqüentemente os próprios níveis de
governo iriam obter maior repasse de impostos, sem contar o ganho na geração de
empregos e renda. Além disso, detectou-se na pesquisa que os pontos turísticos e
a infra-estrutura da cidade são os fatores que mais influenciam na hora de
escolher para onde viajar a passeio.
Na parte do instrumento da pesquisa com questões específicas para os visitantes
(turistas externos) da cidade. Desse, 17 estavam apenas de passagem pela cidade
e não puderam opinar sobre a maioria dos questionamentos apresentados. Os demais
apresentaram intenção da visita, demonstrando que a viagem foi planejada. Assim,
dos entrevistados, 28% estavam em Belém a negócios, 30% para visitar parentes ou
amigos, 34% estavam de férias, por motivo de lazer ou por motivos ecológicos.
Neste último item se observa a pouquíssima existência de turistas que procuram
Belém pelo fascínio que a Amazônia exerce no mundo. Logo, a presença de turistas
nessa região por esse motivo deveria ser mais explorada juntamente com o turismo
histórico e cultural. Além destes fatores temos 8% que se encontravam em Belém
por diversos motivos entre eles os evidenciados foram os estudos, indicação de
amigos, religião, lua-de-mel e tratamento de saúde. Para melhor visualização dos
resultados observe a figura a seguir:
Motivos da Visita a Belém

Perguntados sobre as características da visita, 67% das respostas válidas
afirmaram que vieram por conta própria e apenas 33% por pacote turístico. Tal
informação contrasta com o índice dos que afirmaram escolher seus passeios em
Belém, principalmente, através de agências (38%), seguido da indicação de amigos
(25%) e jornais e revistas (15%).
Os entrevistados em média se planejam para que os seus os gastos durante a
viagem se concentrem por volta de R$ 500,00 à R$ 1.500,00, pois de acordo com os
turistas um ponto favorável para esta média de gastos é à economia local. Este
fato é ratificado pelo tempo médio de permanência dos visitantes em Belém ser de
2 semanas. Outro aspecto detectado é que os tipos de passeios dividem-se em
pontos turísticos e municípios próximos na preferência.
Genericamente, a imagem percebida pelo turista de Belém, tem uma significativa
valorização durante a sua permanência na cidade. Dentre todos os fatores
analisados, o que talvez mais esteja contribuindo para isso é o bom tratamento
da população em geral para com o turista.
Embora 90% dos visitantes (turista externo) tenham sido bem tratados pela
maioria das pessoas na cidade e apenas 10% tenha considerado o tratamento
recebido como inadequado, uma colocação feita pelos entrevistados, enfatiza uma
constatação de extrema relevância para o processo de gerenciamento do turismo em
Belém, que foi à má imagem percebida da cidade antes de conhecê-la e sua
continuação após a estadia em Belém. Para 40% dos visitantes fatores
determinantes para a permanência da imagem negativa da cidade foram os preços
altos de alimentação, diversão e compras dos mais variados produtos. Os demais
visitantes (60%), consideram os fatores relacionados aos preços de hotéis,
transporte, alimentação, diversão e compras, razoáveis e /ou justos.
Buscou-se através da pesquisa identificar os tipos de passeios programados e/ou
realizados pelos visitantes à Belém, com a finalidade de compreender o
desempenho da atividade de turismo de modo geral, para que se possa buscar uma
melhoria na qualidade do serviço oferecido ao turista, além de detectar a
motivação que leva esse mercado a ter determinados comportamentos.
De acordo com a analise dos dados da pesquisa realizada, apurou-se que 65% das
respostas válidas indicam que os passeios realizados pelos turistas em Belém são
planejados antecipadamente, indicando que quanto maior for a divulgação das
opções, maiores serão os públicos presentes nos locais, desde que haja boas
condições de infra-estrutura e acessibilidade.
No desdobramento da pesquisa se perguntou tanto ao turista interno quanto ao
externo quais pontos turísticos da cidade já havia visitado e o que achou do
nível de conservação. As respostas quanto aos pontos turísticos apontados no
questionário (Ver-o-Peso, Basílica de Nazaré, Museu Emílio Goeldi, Estação das
Docas, Teatro da Paz, Praça da República, Forte do Castelo e Museu de Arte Sacra
e outros mencionados pelos entrevistados), percebeu-se que em média, 65% de
todos os entrevistados já os visitou, ressaltando que o menos conhecido é o
Museu de Arte Sacra obteve 100% de aprovação do seu estado de conservação,
apesar de apenas 43% dos entrevistados o conheceram.
Com relação às perguntas feitas sobre Belém para todos os entrevistados
reconhece a restauração do seu patrimônio histórico e cultural e o esforço na
implantação de uma política de turismo na cidade. Os pontos turísticos tiveram
na sua maioria conceito Bom e Excelente, destacando-se com este último conceito
a Estação das Docas com 100% de aprovação dos entrevistados. A maioria achou que
o estado de conservação dos mesmos é excelente (38%) ou bom (35%), com uma
ressalva para o Ver-o-Peso, com 93% de reprovação, seguido de 67% do Forte do
Castelo, deixando assim claro a necessidade de reestruturação dos mesmos pelas
partes competentes.
Com relação ao grau de satisfação do visitante nesses locais, quanto à
segurança, preços, atendimento, limpeza e infra-estrutura em geral, ambiente e
público em geral existente no local, é considerado como regular por 42% da
amostra, com destaque negativo para a questão da segurança . Pelo aspecto
positivo o atendimento nestes locais é percebido como bom (43%) e regular (40%)
pelos clientes internos e externos do turismo do patrimônio histórico e cultural
belenense.
A comida regional sobressai junto com a sofisticada no tipo de alimentação feita
pelos entrevistados. Dentre as pessoas entrevistadas apurou-se um elevado índice
de aprovação da culinária local e frutas nativas, apresentando em média 47% de
excelente nível de satisfação; 30% de bom nível, 15% de satisfação regular e 8%
de desaprovação. Destacou-se o açaí como o preferido e apreciado, seguido do
tacacá e da maniçoba; além da fruta bacuri e cupuaçu. Notou-se ainda que o maior
índice de desaprovação ocorreu com a pupunha.
Apesar desse ponto a favor da cultura regional, a pesquisa evidenciou, também,
que apenas 29% dos visitantes realizam ou tenciona realizar uma alimentação
regional típica durante sua estadia, enquanto 71% dos visitantes planejam uma
alimentação caseira, ou rápida, ou sofisticada. Dessa forma, detecta-se a
necessidade de estimular o consumo da culinária local pelos visitantes, através
de pontos especializados em locais estratégicos, como pontos turísticos,
shopping centers e locais de grande afluxo de turistas, observando o padrão de
exigência desses visitantes, principalmente higiene, conforto e qualidade de
atendimento.
As manifestações culturais são outro aspecto bem valorizado pelos turistas
evidenciados nos ritmos típicos, com destaque para o carimbó, com 57% de
preferência. Assim, seria interessante contar com mais espaços públicos para
estas manifestações, de forma a manter viva e divulgar a tradição, porquanto foi
detectada que à exceção do carimbó e do brega, outros ritmos são quase
desconhecidos.
Dentre os visitantes entrevistados apurou-se que estes seriam clientes
potenciais para o turismo do patrimônio histórico e cultural em Belém porque 47%
desejam conhecer os pontos turísticos da cidade, como seus patrimônios
histórico-culturais, e 20% gostariam de conhecer as manifestações culturais. Dos
turistas que tencionam conhecer a cultura local, 93% têm a comida típica como o
fator mais representativo. De modo geral, todos os visitantes adquirem alguma
lembrança da cidade, sendo 71% algum tipo de artesanato e 29% de camisas com
logotipos e imagens da cidade ou de Nossa Sr.ª de Nazaré.
Em relação às informações turísticas, na sua maioria, foram dadas por indicação
de amigos e 95% dos entrevistados sejam este turista externo ou interno
ressaltaram que ao nível de órgão público a cidade de Belém é fraquíssima em
pontos de apoio ao visitante quanto aos atrativos referentes aos mais diversos
tipos de informações da cidade.
É importante ressaltar que apesar de não ser foco da pesquisa, o aeroporto da
cidade é aprovado pela sua maioria dos visitantes da cidade, mas por outro lado
a rodoviária é desaprovada por todos os entrevistados em virtude de sua
localização, falta de limpeza, segurança e excesso de vendedores ambulantes.
Por fim, a ultima parte da pesquisa que é referente à opinião específica dos
moradores de Belém fez-se um levantamento da percepção dos moradores da capital
paraense que demonstra o fato de que, apesar de tantos empecilhos, é possível
através da integração do poder municipal, estadual e privado, Belém tem grandes
chances de se destacar no turismo do patrimônio histórico e cultural nacional. A
reestruturação de alguns pontos da cidade fez aumentar a confiança no progresso
de Belém.
Com relação aos clientes internos, ou seja, os habitantes locais, quase a
totalidade que têm conhecidos fora atua como agente de divulgação da cidade,
convidando seus amigos e familiares para visitarem Belém. Estes moradores,
quando recebem seus conhecidos, priorizam passeios em pontos turísticos e
igrejas (49%), seguidas de shopping centers (38%) para apresentar-lhes a
"metrópole da Amazônia".
Em geral a impressão do morador em relação à cidade de Belém é regular (56%) e
boa (36%), bem como em relação às opções turísticas, com índice regular de 44% e
bom em 36%. Os fatores mais indicados para estas opções são por gostarem da
cidade para morar, e que a mesma tem sido alvo de diversas melhorias. Há, entre
as respostas tabuladas, uma unanimidade com relação à necessidade de melhoria da
segurança e da infra-estrutura em geral, para alavancagem do setor de turismo no
município.
Reflexos e sugestões para a melhoria da indústria do turismo do patrimônio
histórico e cultural de Belém
O turismo tem potencial para influenciar significativamente a economia de um
país, de uma região ou de uma cidade, e reduzir sua desigualdade social,
impulsionando seu crescimento através da geração de emprego e renda, melhoria da
qualidade de vida, e ativação de outros setores produtivos, como
infra-estrutura, saneamento básico, serviços públicos, serviços sociais,
construção, alimentos e produtos e serviços diversos (transportes, hospedagem,
alimentação, etc.).
A pesquisa realizada mostra como o turismo se apresenta na cidade de Belém, no
momento que evidencia pontos positivos como a hospitalidade do povo belenense, a
beleza do seu patrimônio histórico e cultural e ainda peculiaridades próprias da
culinária local que devem ser mais bem trabalhadas na estratégia de fomento ao
turismo na cidade. Ressalta ainda os pontos negativos como a falta de segurança,
sinalização, limpeza em certos pontos turísticos que de certa forma denigrem a
imagem da cidade. Problemas esses que deveriam ser solucionados por órgãos
competentes do setor público tanto ao nível de governo estadual e municipal,
contando com a parceria de instituições privadas com a finalidade de impulsionar
a economia local.
Apesar dos investimentos na restauração da arquitetura e dos monumentos locais
realizadas e em andamento, são, também, extremamente necessários aqueles de
infra-estrutura, direcionados para o saneamento da cidade e abertura de novas
avenidas para desafogar o trânsito e integrar a região metropolitana. Questões
como segurança, higiene, trânsito, estacionamento, serviços públicos e sociais,
ainda apresentam falhas crônicas, demonstrando a necessidade de maior integração
política e a visão de gestão integrada dos investimentos.
Apesar da grande riqueza do patrimônio histórico e cultural e da biodiversidade
existente no município de Belém, para que o município venha a tornar-se um
produto mercadologicamente competitivo, faz-se necessário uma rápida intervenção
em relação aos aspectos estruturais tais como limpeza do município relacionado à
pichação em geral na cidade como também dos pontos histórico e cultural;
monumentos históricos; do mobiliário urbano, rural e turístico. A sugestão seria
implementar ao nível de município uma campanha de educação ambiental, com a
finalidade de conscientizar a população, para zelarem pela cidade, de modo que
ajudaria bastante a melhorar o aspecto da mesma.
Além destes aspectos, ressalta-se a necessidade de informações organizadas
quanto à sinalização turística e sistema efetivo de atendimento aos turistas
através de postos de informações sobre eventos artísticos, culturais, pontos
históricos, restaurantes, bares, casas noturnas, e principalmente a fatores
organizacionais tais como: segurança, infra-estrutura, saneamento e prestação de
serviços.
Apesar dos fatores limitadores ao fomento do turismo no Município, Belém,
apresenta muitas potencialidades que à torna um produto diferenciado em função
de suas peculiaridades em relação a várias outras capitais tais como: a
natureza; as praias; folclore; a cultura; culinária; museus; teatros; monumentos
históricos; artesanato; arquitetura religiosa; parques ambientais; bosque e
belíssimas praças.
Faz-se premente uma maior articulação com o meio empresarial, com o intuito de
realizar atividades em cooperação relacionada à infra-estrutura turística. Outro
fator relevante dentro deste processo cooperativismo e implementação de
programas direcionados ao ecoturismo desenvolvido com as comunidades residentes
nos parques ambientais e nas ilhas, com a finalidade de manter a capacidade de
suporte sustentável do ecossistema.
Com a grandiosidade histórico-cultural do município e a política de valorização
e revitalização adotada, deve-se buscar incrementar o turismo
histórico-cultural, através do desenvolvimento de atividades cultural e de
lazer.
Transformar a cidade de Belém em um objeto de consumo para o turista seja este
externo ou interno exige dotar de condições de acessibilidade e confiabilidade
este produto. Para isso, se faz necessário uma maior divulgação e estímulo com
mais perspicácia quanto às belezas e opções de entretenimento que a cidade
oferece. As agências de turismo, hotéis e os próprios moradores não são
conscientes do valor oriundo da história da cidade e das riquezas turísticas da
capital.
Um fato importante que se deve ressaltar é que o belenense desconhece sua cidade
por diversos fatores dentre eles a ausência de divulgação mais direta nos meios
de comunicação quanto a assuntos relacionados a datas marcantes para o
município, com exceção no aniversário da cidade. A massificação de outras
culturas que acabam atiçando a curiosidade dos entrevistados como é o caso da
dança e de ritmos oriundos de outras regiões relegando ao segundo plano a
história e a cultura do município de Belém.
Desta forma, se compreende como estratégico fundamental colocar a população
local em condições de visitar o acervo histórico e cultural, para dotá-la de
conhecimentos sobre a importância de conhecer o que foi, o que é e o que será a
sua cidade no futuro, internalizando em cada morador da cidade de Belém o seu
significado, assim, motivando-o a gostar de sua cidade. Pois num primeiro
momento é mais fácil atingir o turista ou o cliente interno deste segmento. O
morador da cidade é um elemento mais receptivo e sensível ao processo de
sensibilização através da proximidade com o produto. Ele pode transformar-se de
um elemento passivo em um elemento ativo, divulgando para seus conhecidos e
parentes, inserindo uma nova visão nas organizações que trabalha, inclusive nas
empresas que fazem parte da indústria do turismo.
Bibliografia
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Pará. Belém. v. 2, n 2, maio, 1993
CASTRO FILHO, João et alii. Outeiro: uma questão de vida. Belém: Cejup, 1989.
____________. O Liberal. Belém, 18 mar. 1991.
TEIXEIRA, Ivandi Silva. Um Modelo de Evidências sobre Riscos Ambientais para a
Gestão Pública em Belém do Pará Fundamentado na Auditoria Interna e Ambiental.
Florianópolis, 1998. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Pós-Graduação
em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina.
TEIXEIRA, Regina Cleide Figueiredo da Silva. Modelagem do Comportamento
Estratégico da Gestão Pública Municipal Aplicado em Belém do Pará Florianópolis,
1999. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Pós-Graduação em Engenharia
de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina.
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