EMBRATUR DA EUFORIA AO ESQUECIMENTO: O RETORNO AS SUAS RAIZES QUANDO SERVIU A DITADURA MILITAR Não estamos em
uma ditadura militar, mas servimos a quem? Oficiais das forças armadas nacionalistas são punidos e colocados na reserva e todas as garantias constitucionais são suspensas, e os inquéritos policial-militares (IPMS) devoravam as esperanças da volta do estado de direito de mais de 2.000 pessoas. Os expurgos se deram em todas as áreas da sociedade, na educação, na saúde, na economia, na cultura, na política e principalmente no interior do movimento estudantil, segundo a ditadura onde há a presença de subversivos, que são objetos de perseguição e caça pelo comando militar. A pressão da sociedade civil contra o golpe militar era constante e tenaz, casos como Zuzu Angel e seu filho trouxeram fissuras aos donos do poder. Apesar da existência dos atos institucionais e do aparato de apoio logístico dos órgãos de repressão, corações e mentes se levantaram pela luta volta democrática. No exílio os brasileiros atuaram junto aos movimentos ligados aos direitos humanos e com a colaboração dos partidos de esquerda armam varias centrais de comunicação e difusão, com o objetivo de veicular os horrores da ditadura por meio de notícias do Brasil, referentes a fontes oficiais e até clandestinas. A abrangência e o impacto dessa difusão em larga escala provocou no interior do aparelho de estado grandes ondas de repressão junto aos estudantes, intelectuais, políticos de esquerda e população em geral. Como um
trabalho de denúncia os exilados brasileiros conseguiram movimentar uma parte
significativa da opinião pública mundial contra as atrocidades provocadas pelo
governo militar, criando em diversos países tablóides, revistas e jornais. Surge a
Embratur que tinha a função de ordenar uma política nacional de turismo,
conforme relato do seu primeiro presidente, Joaquim Xavier da Silveira que foi
um dos diretores da Associação Comercial do Rio de Janeiro, o que demonstra o
poder do Rio como força do turismo nacional e que a tônica do padrão dado à
divulgação do Brasil foi, mar, sol, mulheres douradas da praia de Ipanema com
seu biquíni padrão de exportação: O objetivo era tornar a Embratur instrumento capaz de veicular a propaganda política oficial de apoio à ditadura militar para o mundo, divulgando a imagem da nova democracia brasileira em oposição a denúncias contra as ações do governo militar. Entretanto, quando lemos e refletimos a historia nacional, percebemos que essa razão principal e verdadeira se torna um dos motivos que levaram o governo a criar a Embratur como órgão de primeiro escalão. Nada melhor do que montar uma propaganda política oficial que seria veiculada por meio de um órgão de turismo, em que as belezas do Brasil serviriam para ocultar o que de fato estava ocorrendo no país. Com um apelo voltado para a plástica da mulher brasileira, o carnaval e a hospitalidade do povo no bem receber o turista estrangeiro, criou-se instrumentos que exploravam o lúdico das pessoas passando uma mensagem de otimismo e de ufanismo nacionalista. Segundo os
militares era comum e extremamente maléfica a propaganda e a campanha
antipatriótica que se alastrava dentro e fora do território brasileiro, conforme
a fala dos generais em vários de seus discursos, expressam de forma virulenta o
combate contra os chamado “maus brasileiros” com os seguintes comentários: Como órgão possuidor de um “glamour” próprio que foi criado e cultivado pelos políticos que ocuparam sua presidência e como canal interativo que o mesmo acabou funcionando junto à mídia nacional e internacional sobre como enxergar o Brasil. Tudo isso tornou a Embratur uma das entidades públicas mais disputadas no interior do cenário nacional, políticos e partidos recebem o setor de turismo como resultado de barganha política e não com a proposta de desenvolver uma política nacional para de turismo. A Embratur sempre foi objeto de partilha política pelo estado, nele foram triturados vários nomes, uns optaram por viajar ao bel prazer ou utilizaram esse cargo público como ponte para alçar vôos maiores, outros para badalar a vida na coluna social ou ainda editando erros grosseiros na política nacional de turismo como exemplo do PNMT. Hoje infelizmente o turismo serviu para acomodar o apoio político ao governo Lula, excelente para nós petistas, mas um desastre para o turismo brasileiro. Senhor presidente, como sempre me dirijo a vossa senhoria, apesar de nunca ter recebido uma resposta às minhas indagações, mas continuo persistente, pois entendemos que esse governo é do povo, essas são as raízes desse partido e de vossa senhoria. O desastre que fizeram com a Embratur transformando-a em um gigantesco Convention Bureau e estimulando de forma irresponsável todo o território nacional na lógica de que o turismo prioritário é o receptivo. Essa irresponsabilidade fez com que comunidades de expressão turísticas, mas com, uma tímida infra-estrutura para o turismo receptivo, desenvolvam imensas bravatas em torno da luta para a criação dos Convention. Divulgar o
Brasil no exterior é ótimo, mas querer transformar “a mercadoria Brasil” em algo
que se pechincha, em que a marca ainda é a sedução de nossas mulheres, o sol de
nossas praias, o carnaval de nossa plástica. Somos tão inconseqüentes que não
nos vergonhamos de sermos vistos como rota do turismo sexual. Será que um dia
teremos uma verdadeira política nacional de turismo? Será que a Embratur
continuará a ser usada pela ditadura e democracia para interesses próprios?
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