É descritivo, pois tem como objetivo primordial a descrição de variáveis, além de estabelecer relação entre elas; e, é exploratório, na medida em que investigará um tópico praticamente inexplorado, que é educação para o turismo no Brasil. Além disso, pretende proporcionar (Gil, 1995) uma visão geral, do tipo aproximativo, sobre o tema permitindo que, a partir dele, hipóteses sejam mais claramente definidas. O método de pesquisa foi a mala direta, através de questionário composto de perguntas abertas e fechadas, elaborado a partir das variáveis operacionais definidas pela experiência do pesquisador e pela discussão com professores da área. Os questionários foram encaminhados através do correio para todos os chefes/coordenadores de cursos de turismo/ hotelaria do Brasil de acordo com lista baseada em informações do MEC/SESU (dados de 1998) e EMBRATUR. Como a resposta inicialmente foi reduzida, foram encaminhadas cartas de "followup". Em função do baixo número de respostas e supondo-se que muitos desses questionários se extraviavam nas próprias IES, não chegando às mãos do respondente certo, decidiu-se enviar outra vez os questionários pelo correio. Procurou-se também contatar professores através de email, fax ou telefone para solicitar a adesão ao estudo ou, mesmo, solicitar o nome do chefe de departamento de universidades/faculdades do mesmo estado. Alguns professores preferiram responder e encaminhar suas respostas diretamente por via eletrônica. A primeira remessa de questionários foi enviada em junho de 2000 e a segunda, em setembro de 2000. Após todas as tentativas, até o mês de fevereiro 2001, foram conseguidos 40 questionários respondidos, que correspondeu a cerca de 23% do universo, que pode ser considerado excelente para pesquisas realizadas através do correio. Os respondentes desse estudo foram, na sua maioria, coordenadores dos cursos, diretores de faculdades/cursos. Apenas dois deles eram professores, e um era assessor. As IES participantes são oriundas principalmente da região Sudeste, com 40% dos respondentes conforme pode ser visualizado no gráfico 1 a seguir. Desse percentual, 30% são oriundos do estado de São Paulo. Cabe destacar que, no estado do Rio de Janeiro, apesar de insistentes solicitações, apenas uma instituição respondeu ao questionário, a Veiga de Almeida. Na região Norte, apenas o Departamento de Turismo da Universidade Federal do Pará se dispôs a responder. Ao contrário do estado do Rio de Janeiro, a Bahia teve expressiva representação com cerca de 50% dos respondentes da região Nordeste. Gráfico1. Distribuição percentual da localização geográfica das IES da amostra
Na análise dos dados, procurou-se adotar uma combinação de enfoques qualitativos e quantitativos. Procurou-se conhecer não apenas a freqüência dos fenômenos, mas, principalmente, como estes ocorrem e quais razões os explicam.
ANÁLISE DOS CURSOS NO BRASIL
Departamentos/unidades onde os
cursos são ofertados
Tabela 1- Distribuição percentual dos
departamentos/unidades onde os cursos de turismo/hotelaria são oferecidos
Títulos dos cursos, duração e ano de
início
Tabela 2- Distribuição percentual dos
cursos oferecidos pelas IES
Observou-se também nas repostas que 17,5% das IES brasileiras
que participaram deste estudo oferecem também cursos de pós graduação lato sensu
como gestão de empreendimentos turísticos, gestão de negócios turísticos e
hoteleiros, ecoturismo, ecologia e turismo, magistério superior em turismo,
gestão de
Quanto à duração dos cursos nas instituições analisadas,
pode-se observar no gráfico 2 que 64.3% deles têm duração de quatro anos apesar
ser possível existirem cursos de graduação de três anos, de três anos e meio e
de 5 anos. Os de um ano e dois anos são cursos de tecnólogo, seqüenciais ou
politécnicos. De acordo com as Diretrizes Curriculares, propostas pelo MEC, o
curso de Tecnólogo deve ter duração
Gráfico 2-Distribuição
percentual do período de duração dos cursos. Obs- A questão admitiu mais de uma
resposta Pode-se constatar que os cursos de turismo/hotelaria são muito recentes no Brasil pois como pode ser visto no gráfico 3, 72,2% dos cursos foram iniciados na década de 90. Cabe destacar que 35% dos cursos foram criados no ano de 1998. Conforme mencionado na introdução do artigo, os primeiros cursos de turismo/hotelaria no Brasil se iniciaram na década de 70 e parece que na década de 80 não houve grande interesse na criação de novos.
Gráfico 3- Distribuição percentual do ano de início
dos cursos de turismo/hotelaria
Razões para a criação dos cursos
"Quando iniciei as pesquisas para elaborar o projeto de curso, em 1996, só havia uma faculdade de turismo, privada e outra de administração hoteleira, no nível técnico, pública, para uma grande demanda. Em 1997 foram 1915 candidatos para 200 vagas anuais"
Outra forma de demanda é explicada a partir das
potencialidades turísticas de uma região, onde se percebe crescente necessidade
de mão-de-obra. Esse é o caso da criação de cursos em localidades com forte
vocação turística, a exemplo de Foz do Iguaçu, Salvador, entre outras. Nessas
regiões, existe grande facilidade de vender esses cursos pois os alunos
acreditam que existem empregos disponíveis. Algumas "A razão principal da criação do curso em Canela foi a de que a Região das Hortências como principal polo turístico do RS, seria um excelente campo de atuação durante o curso para os alunos." "Demanda crescente dado o descontrole da exploração ecológica e do turismo de pesca no pantanal sul- matogrossense." "Potencial de desenvolvimento do turismo no Estado; falta de curso superior na área. Falta de visão administrativa voltada para o turismo em grande número de empreendimentos turísticos. Carência de profissionais capazes de planejar, organizar, dirigir, divulgar, planejar e controlar idéias e ações." Existem outras formas de demanda mais específicas como é o caso de IES que criaram cursos para formar professores devido à carência de docentes qualificados na área. Outras razões foram apontadas para a criação dos cursos como: indicação da reitoria, pedido de empresários, crescimento da rede hoteleira e, finalmente, continuação do curso de tecnólogo, pois o mercado não reconhecia esse profissional e demandava outro com formação plena.
Currículo Os currículos das IES que participaram desse estudo foram definidos de diversas formas. Cerca de 30% se basearam nas necessidades de mercado através de pesquisas formais e informais, 32,5% basearam-se na experiência dos seus docentes, e cerca de 30% afirmam ter utilizado as duas formas. Outros mencionam que observaram os currículos de outras faculdades de maior prestígio, ou que contrataram consultoria externa, ou que seguiram as diretrizes curriculares do MEC ou definiram o seu currículo em função da estratégia/missão da instituição.
Sistema de créditos, de matrícula e
de admissão de alunos Apesar de 55% dos cursos de turismo/hotelaria que participaram desse estudo adotarem o sistema seriado (anual ou semestral), cerca de 43% adotam o sistema de créditos, e apenas uma diz adotar os dois sistemas, possivelmente cada um para um curso diferente. A relação candidato por vaga oferecida varia muito entre as instituições no Brasil. Existem aquelas em que a relação é de um candidato para uma vaga e aquela que pode chegar a 50 candidatos para uma vaga, ( em uma universidade estadual que participou desse estudo). Como esperado, a maior relação candidatos por vaga é encontrada nas universidades públicas; entretanto, existem universidades particulares, onde a relação pode chegar a até dez candidatos para uma vaga. De acordo com a grande maioria dos respondentes, a situação é ainda promissora em relação ao preenchimento das vagas oferecidas pelas IES nos cursos de turismo/hotelaria no Brasil, pois, como pode ser visto no gráfico 4, em 72,5% deles a relação aluno por vaga vem aumentando nos últimos dois anos, afirmando 25% que essa relação permaneceu estável, e apenas em uma delas essa relação vem diminuindo.
Gráfico 4- Distribuição percentual da relação
número de candidatos por vagas Técnicas/ métodos de ensino Além dos métodos tradicionais de ensino como aulas expositivas, pesquisa bibliográfica e seminários, foram citados pelos respondentes as viagens/ visitas técnicas, as dinâmica de grupo, o uso de vídeos, os filmes e palestras, os estudos de caso, a realização de pesquisas e de projetos e a monografia de conclusão de curso. Apenas duas IES mencionaram a utilização da informática como instrumental de ensino. Uma delas mencionou o uso de softwares específicos; e a outra, o acesso à Internet. Foi mencionada também a utilização de hotel-escola para as aulas práticas. Quando perguntados se consideravam as suas técnicas de ensino adequadas ao curso, 95% dos respondentes afirmaram que sim, porque existia, segundo eles, uma preocupação no uso de métodos que propiciassem uma visão prática da realidade. No entanto, alguns respondentes, mesmo afirmando que sim, também consideram que ainda necessitam intensificar a parte prática do curso e de oferecer maior número de estudos de caso e maior número de vivências externas. Foi comentado que o maior obstáculo a essa prática é a carência de recursos financeiros. Além disso, outras dificuldades foram mencionadas como, por exemplo, a falta de apoio de iniciativa pública em alguns municípios, a falta de parcerias técnicas e operacionais e o insuficiente comprometimento dos alunos pelo curso. Perguntados se consideravam seus métodos/técnicas de ensino inovadores, 80% dos que participaram deste estudo responderam que sim, 17,5% que não e 2,5% que não tinham como comparar, portanto não saberiam opinar. Dentre os métodos inovadores mencionados pelos respondentes, cabe destacar o envolvimento de alunos em pesquisas, a realização de trabalhos interdisciplinares, a participação em estágios internacionais, a participação de alunos em empresas juniores, a criação de agência de turismo no campus, palestras sobre o mercado de trabalho, trabalhos de extensão, relatórios de visitas técnicas e monografias com produção de material gráfico ou audiovisual.
Procurou-se conhecer também quantos computadores estavam
disponíveis para os alunos, além da existência de revistas e periódicos para
consulta na biblioteca. Alguns dos respondentes não apresentaram esses dados e
mencionaram a existência, na sua instituição, de laboratórios de informática sem
citar quantos
Planos de Expansão/ Modificação dos
Cursos
Gráfico 5- Distribuição percentual do número
de alunos nos últimos 3 anos Entre as razões citadas pelos respondentes para explicar esse aumento de alunos, pode-se destacar a melhoria da qualidade do curso e o seu reconhecimento pela comunidade, a percepção dos alunos de que o mercado de turismo vem crescendo no Brasil e a criação do turno diurno. Para explicar a diminuição de alunos, foi mencionada a questão financeira, que é percebida pela alta inadimplência, na faixa de 20 a 30%. Procurou-se identificar também se as instituições que participaram do estudo tinham a intenção de criar novos cursos na área. Como pode ser visto na tabela 3 a seguir, as IES pesquisadas estão interessadas em ampliar as suas ações com uma grande diversidade de tipos de cursos, com preferência para curso de extensão/ pósgraduação ou novos cursos de graduação.
Tabela 3- Distribuição percentual dos cursos que as
instituições pretendem criar Com relação à existência de planos para modificar os cursos existentes, observou-se que 55% dessas IES pretendem fazer modificações, enquanto as restantes 45% não têm a mesma intenção. Dentre as modificações citadas, pode-se destacar a atualização do projeto pedagógico e as atualizações curriculares baseadas nas Diretrizes Curriculares do MEC ou para atender às necessidades do mercado. Foram mencionadas também alterações na carga horária, implantação de nível básico comum e criação de opções de terminalidade e na duração do curso de três para quatro anos. |