Esse fato resulta principalmente da abertura de novas instituições de ensino privadas e da percepção desses empresários de que o turismo é um fenômeno novo e de forte apelo entre os jovens. Praticamente todas essas novas instituições de ensino abriram cursos de turismo e, em menor número, de hotelaria. Como decorrência desse processo, percebe-se claramente que muitos cursos ainda não têm estrutura para funcionamento adequado, nem corpo docente com formação ou experiência na área. É visível a ausência de titulação entre os docentes, sendo raros os que possuem mestrado ou doutorado em turismo/hotelaria. Embora os respondentes desse estudo afirmem, em função do aumento do número de alunos e da oferta de vagas, que a tendência para os cursos de turismo/hotelaria é de crescimento, seria precipitado afirmar como isto ocorrerá. Uma das razões dessa incerteza reside na constatação de que muitas instituições de ensino privadas já começam a enfrentar problemas para preenchimento de suas vagas em muitos cursos, processo que poderá também ocorrer nos cursos de turismo/ hotelaria. A elaboração das Diretrizes Curriculares para os cursos pelo MEC é a sinalização de que os conteúdos de formação básica e específicas estão sendo definidos através da discussão ampla dos especialistas no setor. A questão da qualidade dos cursos será muito mais enfatizada quando se iniciar a avaliação formal dos cursos pelo MEC, através do Exame Nacional de Cursos, o Provão, e da Avaliação das Condições de Oferta. As instituições privadas terão sua avaliação exposta ao público e serão solicitadas a investir na qualificação de seus quadros docentes, bibliotecas, computadores e outros equipamentos de apoio instrucional. São muitos os desafios que os cursos de graduação em turismo/hotelaria deverão enfrentar para se consolidarem como área de conhecimento. Entre esses desafios, pode-se destacar a necessidade de docentes qualificados e a diminuição do "gap" entre as necessidades da indústria e o conteúdo dos cursos. As instituições de ensino superior devem dedicar maiores esforços na ampliação das suas relações com as empresas públicas e privadas e estar em sintonia com as mudanças no mercado. O estágio obrigatório terá de ser tratado como prioridade pelas IES tanto públicas como privadas e maiores recursos e esforços terão de ser investidos no planejamento e supervisão. Este artigo pretendeu discutir de forma ampla os principais aspectos envolvidos na educação para o turismo enfocando os cursos de graduação em turismo/hotelaria no Brasil. Como estudo de caráter exploratório, pretendeu proporcionar visão geral sobre o tema, oferecendo a pesquisadores idéias para futuras pesquisas. Entre essas pesquisas pode-se mencionar a necessidade da oferta de novos cursos, o relacionamento com a indústria, a adoção de métodos inovadores para o ensino, o currículo e sua adequação regional, o estágio e a questão da qualidade. Cada um desses temas, por si só, dadas a sua profundidade e complexidade, merece ser objeto de estudos específicos. Cada um deles deve ser discutido de forma aberta pela comunidade acadêmica, procurando formas viáveis de operacionalização, buscando um modelo que se adapte à realidade de um país subdesenvolvido que tem na educação um dos seus maiores desafios.
Bibliografia
|