Ao pensar no tema “construindo um futuro seguro, buscando soluções práticas” do concurso de redações do Banco Mundial em 2005, direcionado a jovens, é fácil lembrar de um problema que incomoda. Bastou pensar neste grupo e um problema que os preocupa bastante: o desemprego. E já são milhões nesta situação em todo mundo. Na ansiedade de conhecer os motivos e a situações que castigam jovens ao desemprego, muito pesquisei , tendo encontrado grande quantidade de estudos e relatórios que abordam a questão do desemprego juvenil especialmente em países em desenvolvimento. Fiquei impressionado e entristecido ao constatar que o problema já existe há décadas e que pouquíssimas soluções viáveis e duradouras foram implementadas ou sugeridas. Há uma piada
bastante comum no meio universitário brasileiro que diz: “Agora que somos
estudantes universitários somos o futuro
Quase um terço da população mundial tem menos de 25 anos. A Organização Internacional do Trabalho ( OIT) divulgou recentemente, que o fenômeno acontece nos quatro cantos do globo. Hoje, existem 88 milhões de pessoas jovens sem trabalho: 46% dos desempregados no mundo. Mais de metade dos que estão em idade de trabalhar estão desempregados. Segundo a OIT, os que mais sofrem com essa realidade são habitantes dos países em desenvolvimento, que abrigam 9 em cada 10 jovens do planeta. A situação dos jovens brasileiros segue este padrão. Há cada vez mais desempregados no país. O Brasil, quinto maior país do mundo, 15° economia do planeta, com 180 milhões de habitantes, atingirá em 2005 a cifra de 35,8 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos. A taxa de desemprego nessa faixa etária ( 39,8%) representa mais que o dobro da média do país ( 19%), atingindo 70% nas áreas mais pobres. Nem mesmo um diploma de curso superior é garantia de emprego. O número de
ocupados com ensino superior, entre 1992 e 2001, segundo dados oficiais do
Governo ( IBGE/PNAD), cresceu 62%. Contudo, houve um crescimento de 121% no
número de desempregados e de 77% no de inativos com essa escolaridade. A oferta
de vagas não acompanhou o crescimento da demanda. As universidades públicas continuam com a mesma quantidade de vagas, não têm dinheiro, capacidade e às vezes interesse para suportar mais estudantes. Assim cursos superiores, em instituições com pouco comprometimento social e acadêmico, visando principalmente o lucro proliferam notavelmente por todo o país, formando pessoas reconhecidamente incapazes, que lutarão com outros milhões por concorridíssimos empregos no setor público e, as já há muito tempo escassas, vagas no setor privado. Há poucas matérias de empreendedorismo nas faculdades. A grande quantidade de impostos pagos no Brasil, uma das maiores do mundo, e as elevadas taxas de juros, desencorajam os investimentos e somente alguns se arriscam a tomar empréstimos para investir em um novo negócio. Homens de negócios para fugir dos riscos preferem aplicar seu dinheiro nos
bancos, que alçam lucros recordes todos os anos. Não existe um bom ambiente para
um jovem empreendedor ver seu sonho de construir seu próprio negócio se tornar
realidade: começar algo pequeno e vê-lo crescer. Apesar da recente modernização do Estado brasileiro, um emprego público leva muitas vezes à estagnação e frustração, mas devido aos bons salários, poucas horas trabalhadas e garantia de ser demitido apenas com o cometimento de faltas graves, milhares são atraídos em todos os processos seletivos. Ser empregado do governo é sinônimo de ter pouca cobrança e um salário garantido no final do mês. O sentimento patriótico de ajudar a solucionar os vários problemas do país é raro, já que muitos acreditam que a situação sempre foi desta forma e não cabe a eles mudarem. Vale mais pensar em aumentos salariais ou na manutenção das altas aposentadorias que acabam por consumir 5,5% do PIB(Produto interno Bruno), enquanto gastos com ensino público fundamental e médio equivalem a 4,3% desta medida. Acabamos por investir mais no passado, que no futuro. Paises com grandes populações e poucas oportunidades de emprego levam os jovens a canalizar suas energias, ambições e frustrações em atividades como crime, tráfico de drogas ou terrorismo. A baixa auto estima, leva a propagação de doenças como depressão ou levam ao descaso quanto ao real perigo de doenças que ainda se propagam com bastante força com a AIDS. Verbas para segurança pública, sistemas de vigilância e segurança têm crescimento astronômicos, acompanhando o aumento nos índices de roubos, seqüestros e assassinatos. Uma sociedade doente gasta mais em hospitais e clínicas para tratar as vítimas da violência, o que acaba por assustar os prováveis turistas. O salário mínimo brasileiro gira em torno de R$ 260 (US$96). Por outro lado, programas de tratamento e encarceramento para jovens infratores, com resultados questionáveis na maioria das vezes, gera gastos médios para o governo de R$ 1.700,00 (US$ 607) por interno, isto é quase 7 vezes o valor do salário mínimo. Deixar para curar a doença, custa muito mais caro do que prevení-la, e muitos já estão pagando com a própria vida. Gerar oportunidades de trabalho é urgentemente necessário, mas como podemos solucionar o problema do desemprego no Brasil e dos países em desenvolvimento? Primeiramente devemos admitir, que os motivos geradores de nosso subdesenvolvimento e péssima qualidade de vida de grande parte da população é nosso. A culpa é nossa. Não devemos buscar desculpas externas, culpando o neoliberalismo, os capitais voláteis, as instituições internacionais, políticas macroeconômicas ineficientes, nossos colonizadores ou a globalização. A culpa é nossa. Nós devemos buscar solução para nossos problemas, e não ficar esperando que alguém venha nos ajudar ou que Deus nos ajude. O problema é nosso e cabe a nós resolvê-lo.
Devemos manter nossa casa arrumada, não somente nossa real moradia, mas também nosso bairro, nossa cidade, nosso estado e nosso país. Quebrar um telefone público, ou pichar uma parede prejudica toda a comunidade. Temos visitantes ávidos por nos conhecer, conhecer nossa cultura, pessoas, cores e belezas, os turistas, que vão aqui deixar um pouco de conhecimento e bastante dinheiro, fazendo nossa economia crescer, gerar grande quantidade de empregos e desenvolver o país como um todo.
A educação ambiental é também de grande importância. Os recursos do Planeta Terra,como a água, petróleo e outro recursos naturais , são finitos e por tanto devem ser tratados de forma responsável, para que as futuras gerações também possam deles usufruir. Sabe-se que uma grande parte dos jovens, seguirão outros caminhos não diretamente ligadas ao turismo, mas eles já terão em mente importantes conceitos. Para aqueles diretamente envolvidos na indústria turística, o investimento na qualificação dos profissionais é extremamente necessário e deve ser feita de forma profissional, sempre focando o atendimento das necessidades do turista.
O Brasil ocupa o 26º lugar no ranking da Organização Mundial de Turismo, apesar de ter uma variedade impressionante de atrativos: belezas naturais, cachoeiras, praias, florestas, cidades históricas, cidades modernas, centros industriais, um rico calendário de festas e eventos, culinária diversificada, festivais de música e arte, eventos esportivos, ritmos musicais diversos, que poderia em pouco tempo nos alavancar para as primeiras posições do ranking. A população bastante miscigenada, com várias cores, sotaques e origens étnicas, chama bastante atenção dos visitantes, pois apesar de toda as diferenças, convive alegremente e pacificamente com diversas vertentes religiosas,étnicas e culturais, e unida por uma só língua falada em todo seu território,o português. No sentido mais amplo, parcerias devem ser estabelecidas entre o governo e
empresas privadas, desta forma os investimentos se
Projeto recente e muito bem sucedido implementado no Brasil é o Projeto Turismo e Responsabilidade Social ( PTRS) representando uma resposta prática aos principais anseios dos jovens brasileiros: o emprego e a educação. O PTRS visa preparar jovens de baixa renda para ingressar, permanecer e
aperfeiçoar sua formação profissional no mercado de turismo, em Salvador. Com
suas praias, culinária típica, musica envolvente e construções histórica, a
cidade recebe turistas durante todo o ano e vem dividindo com o Rio de Janeiro
as atenções das gigantescas festas populares que ocorrem tradicionalmente em
fevereiro e atrai pessoas de
A metodologia do programa inclui oficinas e projetos de aprendizagem focados no desenvolvimento de competências básicas requeridas pelo setor de turismo e o estímulo ao empreendedorismo. O projeto leva em conta as necessidades dos empresários do turismo, e os instrutores são profissionais do setor, com conhecimentos práticos sobre o dia-a-dia das várias ocupações. O conceito é amplo e também busca preparar os jovens para a vida enquanto cidadãos e membros da comunidade. Além de cumprir com sua responsabilidade social, as empresas participantes também são beneficiadas com tecnologia para a qualificação de profissionais no ambiente de trabalho.. Graças ao projeto, muitos dos participantes já estão atuando nesse mercado. Da primeira turma, que concluiu o programa em julho, 67% estão inseridos no mercado de trabalho, trabalhando em restaurantes, hotéis e agências de viagens. Iniciativa do Instituto de Hospitalidade, entidade sem fins lucrativos com sede em Salvador que atua nas áreas de educação, trabalho, cultura, meio ambiente e turismo, conta com o apoio de instituições internacionais como a Counterpart International, com recursos da USAID – United States Agency for International Development, da IYF – International Youth Foundation, e do Fumin – Fundo Multilateral de Investimentos, administrado pelo BID – Banco Inter-Americano de Desenvolvimento. O programa é um exemplo concreto dos ideais que inspiraram o Fórum Mundial de Turismo para Paz e Desenvolvimento Sustentável. Até março de 2006, o PTRS vai oferecer 480 vagas - 120 por semestre – com idade entre 16 e 21 anos. Apesar de ser ainda um programa restrito, esta metodologia pode ser rapidamente multiplicada e gerar significativos e duradouros resultados. Já que os diversos atrativos turísticos estão espalhados em todo território brasileiro, com pequenas adaptações ele pode ser implementado em larga escala, tanto em grande como em pequenas cidades, de norte a sul, de leste a oeste, e num segundo momento ter sua tecnologia espalhada para outros países.
A solução para o desenvolvimento do país está lançada, devemos desenvolver profundamente o turismo aqui, de forma organizada e profissional. Com critérios, metodologias,metas e objetivos bem definidos. O esforço não deve ser individual ou de determinada região, mas sim um esforço nacional, em todos os níveis, partindo da alta cúpula do governo. Os cidadãos brasileiros se esforçarão para manter tudo organizado, seguindo os objetivos traçados e implementando constantes melhorias. Com melhores salários e com mais cultura, estaremos mais capazes para escolher políticos mais qualificados para melhor gerir nosso país e auxiliar no desenvolvimento de toda economia interna, o que gerará desenvolvimento nos países vizinhos, em toda América Latina e finalmente em todos os países em desenvolvimento. De eterno país do futuro, passaremos a ser um país do presente, uma realidade, um exemplo de sucesso a ser seguido. Nas palavras do famoso escritos Francês Victor: “Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, sangue e carne amanhã.”
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