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Habilidades Necessárias
ao Bom Profissional de Turismo - Mar/04 |
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1. INTRODUÇÃO
O turismo é uma atividade extremamente complexa que demanda uma forte dedicação
por parte dos novos profissionais que pretendem ingressar nesta área. Tanto
alunos de graduação como profissionais de outras áreas que estão buscando se
inserir no mercado de trabalho em turismo deverão traçar metas para atingir a
excelência profissional.
Aqui serão apresentadas algumas das habilidades básicas que o bom profissional,
em especial o de turismo, deverá ter para alcançar o sucesso. A cada leitor fica
a tarefa de estipular as suas metas e começar a trabalhar no intuito de chegar
ao sucesso.
2. HABILIDADES BÁSICAS PARA O SUCESSO PESSOAL
Via de regra, para obter sucesso na vida, as pessoas precisam ter bons
relacionamentos. Para tal, é imprescindível uma boa comunicação. Da mesma forma
que um pai e um filho não se entenderão de outro modo que não seja a conversa,
em qualquer outro tipo de relacionamento (professor X aluno, patrão X empregado,
vendedor X cliente, etc.) a comunicação é fator determinante de sucesso.
Primeiramente, tente se colocar no lugar do seu interlocutor, pois a empatia é
peça fundamental do quebra-cabeça chamado comunicação. Entenda as suas
necessidades, e os seus desejos, para que a sua fala as preencha.
Procure estar informado sobre os principais assuntos da atualidade. Ninguém
precisa ser especialista em todas as áreas (até porque seria impossível), mas
todos devem saber conversar sobre tópicos importantes e atuais de interesse
geral.
Mantenha uma postura corporal e tom de voz adequados à situação. Lembre-se que o
corpo pode falar mais do que mil palavras – até mesmo as roupas utilizadas podem
causar interferências no processo comunicativo. Procure falar de forma clara e
objetiva mantendo um tom de voz constante, podendo alterar o mesmo em momentos
no qual a atenção esteja dispersa.
Evite generalizações, lembre-se que mesmo quando dados estatísticos comprovam a
veracidade de uma hipótese a sua representatividade da realidade não chega a
100%. Frases com palavras taxativas como “nunca”, “sempre”, “é a verdade”, etc.
devem ser amenizadas, como “nem sempre”, “geralmente”, “na maioria das vezes
é/não é verdade”, etc.
3. HABILIDADES BÁSICAS PARA O SUCESSO PROFISSIONAL
No âmbito profissional, algumas habilidades tornam-se exigências do mercado de
trabalho. Por exemplo, no período em que vivemos, a informática é ferramenta
básica à execução de tarefas em diversos setores. Quem não tiver conhecimentos
mínimos de informática hoje estará em grande desvantagem no mercado de trabalho,
mercado este que está cada vez mais competitivo. Uma vantagem competitiva seria
o amor pela área escolhida. Fazer algo pelo qual se tem um sentimento negativo é
extremamente difícil.
Às habilidades comunicativas mencionadas anteriormente, soma-se a capacidade de
falar bem em público. Não só saber se expressar bem, mas também de forma
convincente – com segurança e firmeza – é essencial para o sucesso profissional.
Independente do cargo e das funções que serão desempenhadas, o bom profissional
“vende” bens, idéias, serviços, etc. Uma “venda” não se concretiza sem o poder
de convencimento do “vendedor”.
O marketing é hoje um dos tópicos mais abordados por consultores, empresários e
acadêmicos, especialmente da área de administração. Temos que lembrar que não só
o marketing dos produtos é importante, mas o marketing pessoal é também fator
decisivo para o sucesso profissional. Segundo um conto popular entre
profissionais de marketing, a galinha só “vende” os seus ovos melhor do que a
pata por conta das suas habilidades de marketing. Ao por um ovo – maior e mais
saboroso do que o da galinha – a pata fica quieta e silenciosa, enquanto a
galinha “grita” para todos os seus potenciais clientes que o seu produto está
pronto para ser comercializado.
Ter a capacidade de interpretar as informações que chegam aos ouvidos
(capacidade analítica) é outra característica básica para o bom profissional.
Nem tudo que é dito pelos jornais, livros ou pessoas importantes é a verdade. O
bom profissional “digere” as informações e tira as suas próprias conclusões
sobre o que foi exposto.
Outro ponto que vem sendo bastante trabalhado pelas instituições de ensino
superior nos últimos anos é a questão do empreendedorismo. Barreto (1998),
define empreendedorismo como a “habilidade de criar e constituir algo a partir
de muito pouco ou do quase nada” (p. 75). Principalmente em momentos de crise,
como hoje, é deste tipo de profissional que as empresas estão precisando.
3.1 Habilidades necessárias ao bom profissional de turismo
Em primeiro lugar é importante ressaltar que o profissional de turismo aqui está
sendo encarado como alguém que decide ingressar em uma carreira nesta área, ou
seja, de estudantes de turismo no primeiro ano de estudo a profissionais com
anos de experiência. Todos devem se preocupar com estas habilidades.
Além de tudo que é necessário para o sucesso do indivíduo como ser humano e como
profissional de qualquer área que seja, o turismo exige algumas outras
habilidades, tais como o domínio de idiomas (especialmente o inglês e o
espanhol), compreensão básica de números estatísticos, conhecimentos de
geografia e história, entre outras.
Um dos pontos iniciais de discussão é a interdisciplinaridade do turismo, ou
seja, é importante entender que o turismo é um campo de estudos que interage com
diversas ciências. Panosso Netto (2003) analisa as teorias de dois dos mais
conceituados pesquisadores do turismo mundial, Jafar Jafari e John Tribe, e
apresenta da seguinte forma o que na sua opinião é a teoria mais avançada, a de
John Tribe:
“Através da soma do estudo dos negócios turísticos (TF1) com o estudo dos
não-negócios turísticos (TF2) Tribe criou o campo do turismo (TF) que é
representado pela seguinte expressão: (TF) = TF1 + TF2.
Por esta análise, Tribe propõe um novo modelo na compreensão do turismo
demonstrado na figura 2. No círculo de fora estão as disciplinas e as
subdivisões disciplinares que estudam o turismo com suas ferramentas
particulares. No centro do círculo estão os dois campos do turismo. Entre o
círculo de fora e o círculo do meio há uma área na qual a teoria e os conceitos
do turismo são refinados e leva o nome de banda k. É nesta área que o
conhecimento do turismo é criado.
Ela representa a interface das disciplinas com os campos do turismo. Segundo o
autor, quando a economia entra em contato com o turismo nasce o estudo do efeito
multiplicador do turismo, por exemplo. Portanto, a banda k representaria o local
da atividade multidisciplinar e interdisciplinar (Tribe 1997: 650-651)” (PANOSSO
NETTO, 2003: 66-67).
A compreensão das diversas disciplinas que interagem com o turismo é ponto
primordial para o sucesso nesta área. Um planejador, por exemplo, não pode
deixar de levar em consideração questões ambientais, sociais, culturais, legais,
econômicas, etc. ao propor a criação de um pólo turístico em uma região. Tal
discussão justifica a presença de disciplinas de direito, meio ambiente,
antropologia, sociologia, etc. nas grades curriculares dos cursos de turismo no
nível superior.
Somado a tudo isso está a questão da experiência, vivência da prática. É
importante adquirir experiência ao longo da vida profissional. Sabe-se que hoje
o profissional que tiver menos que um ano de experiência terá dificuldades de se
inserir no mercado de trabalho. Os estágios, remunerados ou não, são uma
ferramenta para minimizar este problema.
Por fim, segundo Pearce et al. (1998), para o sucesso na vida, especialmente a
profissional e mais notadamente a do profissional em turismo, é fundamental ter
sempre a mente aberta a novas situações e opiniões (quem acreditaria, séculos
antes de Cristo, que a terra era redonda?), estar atento a diferenças culturais
(homens italianos se cumprimentam com beijos no rosto, já os brasileiros em
geral só aceitam esta situação entre pais e filhos) e abraçar a tecnologia
(dominá-la para não ser dominado).
4. RECAPITULANDO...
O bom profissional de turismo precisa:
• Saber se comunicar bem;
• Manter-se atualizado;
• Ter domínio da informática básica;
• Ter domínio de idiomas estrangeiros (especialmente inglês e espanhol);
• Conhecer ferramentas de marketing (incluindo o pessoal);
• Ser crítico, ter capacidade analítica;
• Ser empreendedor;
• Compreender números estatísticos;
• Ter conhecimentos básicos de geografia e história;
• Compreender a relação do turismo com as diversas disciplinas;
• Possuir experiência profissional;
• Estar aberto a novas situações e opiniões;
• Perceber as diferenças culturais; e
• Abraçar a tecnologia.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARRETO, L. P. Educação para o Empreendedorismo. Salvador: Escola de
Administração de Empresa da Universidade Católica de Salvador, 1998.
PANOSSO NETTO, Alexandre. O problema epistemológico no turismo: uma discussão
teórica. In: PANOSSO NETTO, Alexandre, TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. Reflexões
sobre um novo turismo: política, ciência e sociedade. São Paulo: ALEPH, 2003, p.
57-86.
PEARCE, Philip, MORRISON, Alastair, RUTLEDGE, Joy. Tourism: Bridges across
continents. Sydney: McGraw-Hill, 1998.
Autor:
Sérgio Rodrigues Leal
Coordenador do Curso de Bacharelado em Turismo
FAINTVISA - Faculdades Integradas da
Vitória de Santo Antão
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