É considerado procedimento normal, entre nós brasileiros, falar mal da estrutura turística de nosso próprio país, pelo menos esporadicamente. Muitas
situações que aceitamos com resignação ao viajar para o exterior, quando andamos
por aqui se tornam motivos de verdadeiras batalhas travadas entre os clientes e
os prestadores de serviços. Porém, é bom lembrar, os demais sítios turísticos, no mundo todo, por mais atraentes e desenvolvidos que sejam, têm seus defeitos e fraquezas. São, na verdade, muito pouco divulgados esses itens, temos certeza, notadamente nos países com forte tradição turística. O que verificamos comumente, ao viajar para fora do Brasil, é que, pelo menos no geral, a educação das pessoas parece ser mais dirigida no sentido de não reforçar os pontos negativos, fazendo-se o possível para mostrar só a face boa do país aos turistas, justamente para proteção do potencial de receber visitantes que cada um tem. Trata-se, na verdade, de uma boa estratégia de marketing. Felizmente, ao consultarmos os dados relativos ao turismo receptivo, constantes do Estudo da Demanda Turística Internacional, feito pela Embratur, ano base de 2002, há até um certo orgulho, e muito alívio, pois verificamos que os estrangeiros que nos visitam, em sua grande maioria, não saem daqui falando mal do Brasil. Os turistas com residência fixa no exterior foram entrevistados quando deixavam os aeroportos ou passavam as fronteiras terrestres. O gráfico I é revelador: quando questionados se desejavam retornar ao Brasil, a maioria esmagadora, de 96%, respondeu que sim, contra apenas 4% , que disseram não.
Também, esta análise positiva fica reforçada quando estudamos, na mesma fonte de informações, o tópico relativo à avaliação dos serviços turísticos divididos por categorias. Veja-se o Gráfico II:
Ou seja, o somatório dos
conceitos Bom e Excelente ficou acima de 50%, sendo bastante favorável a marca,
pois isso é em relação aos principais itens de infra-estrutura urbana e
turística das cidades onde eles se hospedaram. Nesses itens básicos, todos
sabemos, não está ainda o Brasil adequadamente preparado para enfrentar os
países com desenvolvimento mais adiantado. Mesmo assim, fomos avaliados acima da
média.
Importante notar: se as informações de amigos são os maiores indicadores de influência na escolha do Brasil como país a ser visitado, é óbvio que essas pessoas estão falando bem do nosso país mundo afora, o que vem corroborar os dados constantes dos Gráficos I e II. Foi útil, também,
sabermos que a maioria dos turistas questionados na pesquisa sob análise, se
manifestou satisfeita com a qualidade dos serviços hoteleiros que utilizou. Três
itens foram avaliados, atendimento, higiene e preço, sendo que 85% dos
entrevistados deram conceitos entre Excelente e Bom. O mesmo ocorreu com a avaliação do item Restaurantes, no qual os dois melhores conceitos ficaram sempre acima de 80%. Além disso, verifica-se que a permanência média dos turistas no país, que girou em torno de 14 dias, pode ser considerada uma excelente marca, notadamente em relação ao turismo interno, que se situa em torno desta mesma faixa, até um pouco menos em alguns casos, quando a forma de hospedagem é restrita aos hotéis. A intenção de voltar, inclusive analisada e dividida pelos principais países emissores, foi outra grande contribuição deste estudo, pois mostra dados auspiciosos sobre as próximas visitas dos estrangeiros ao Brasil. Há uma uniformidade nos números relativos à vontade de retornar, para todos os países da amostra, cujo índice ficou acima de 90%! Vejamos o Gráfico a seguir:
Em resumo, e para concluir, o próximo Gráfico é revelador e dispensa maiores comentários, pois mostra claramente que 86% dos turistas estrangeiros que estiveram no Brasil tiveram suas expectativas plenamente atendidas ou superadas.
Esta avaliação positiva
do turismo no Brasil, vista do ângulo de visão do turista estrangeiro, é
animadora para os setores envolvidos no setor , pois revela que a imagem do
nosso país é melhor do que a maioria de nós poderia esperar. E, é até melhor do
que nós mesmos, os brasileiros, somos capazes de declarar. |