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Turismo no Centro de São
Paulo - Lazer - Out/03 |
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Ao se iniciar um estudo sobre determinado tema, seu principal
objetivo se manifesta sob a forma de busca de um saber, uma produção de
conhecimentos acerca do objeto a ser estudado. O que esta dissertação propõe é a
busca de uma melhor conceituação a respeito do fenômeno turístico enquanto
atividade social e dinâmica, bem como uma definição abrangente em relação ao
conhecimento atual sobre o turismo e as práticas diversas de lazer. Desse modo,
procura-se desmistificar alguns saberes cognitivos em relação à classificação ou
tipologia do turismo como turismo de negócios, turismo religioso, turismo de
saúde entre outros. Além disso, torna-se necessário esclarecer alguns conceitos
a respeito do lazer, uma vez que o conhecimento do turismo se confunde com esse
tema.
Para que haja um fundamento sobre o que será exposto e
analisado, é preciso haver uma delimitação do campo a ser estudado como forma de
conceber uma compreensão sobre o que se está procurando esclarecer. Nesse caso,
o destaque é a região central da cidade de São Paulo como sendo um centro de
lazer e turismo.
A cidade de São Paulo é considerada uma metrópole por causa
do seu elevado número de habitantes (mais de 10 milhões sem contar a região
metropolitana) e suas imensuráveis dinâmicas resultantes do seu processo de
urbanização. Por conta disso, considera-se São Paulo como sendo uma capital
mundial a exemplo de Nova York, Londres, Paris, Tóquio, entre outras. Do ponto
de vista turístico é uma cidade que atrai inúmeros visitantes, por conta do que
se define como sendo a campeã nacional do chamado turismo de negócios.
O centro de São Paulo se traduz numa região com diversos
contrastes marcados pelo processo de ocupação e uso do espaço ao longo de sua
história. "No início do século XX fora um espaço das elites, passou por um
crescimento com a criação de áreas mais valorizadas, ao passo que as anteriores
foram sendo gradativamente abandonadas e entregues à deterioração de seus
equipamentos. A partir de então, o centro tradicional passou a ser uma grande
porcentagem de imigrantes nordestinos.
Com a crescente presença das classes populares no centro,
alguns estudos mais recentes passaram a analisar tal processo, com ênfase na
organização de uma diversidade de grupos populares visíveis de várias formas
nesse espaço.
Numa metrópole cujo processo de expansão dotou os espaços de
grande complexidade, a fragmentação dessa centralidade acentuou-se ainda mais a
partir do surgimento de shopping centers, espalhados em diversas regiões, que
passaram a se caracterizar como importantes espaços de consumo, lazer e
sociabilidade de crescentes segmentos da população, inicialmente ligados às
classes média e alta, e posteriormente também a vários segmentos das classes
populares." (FRÚGOLI Jr.)
Embora tenha sofrido um processo de degradação e
desvalorização, o centro de São Paulo tem recebido nos últimos anos
investimentos tanto do setor público quanto do setor privado em forma de
parcerias afim de revitalizar o que antes fora cenário de lazer entre os
paulistanos. Algumas associações como a Viva o Centro e a Pró Centro, dos
setores privado e público respectivamente, foram criadas com esse intuito. Ambas
possuem projetos que visam resolver diversos e graves problemas da região como
excesso de camelôs, poluição sonora e visual, lixo, pichações e outros,
incentivando paralelamente atividades que venham a trazer uma nova vitalidade ao
centro, principalmente atividades ligadas à cultura, ao lazer e ao turismo. Mas,
em que sentido concerne incentivar tais práticas sem que haja um estudo sobre a
demanda dessas atividades? Como afirmar que o que seja criado para incentivo ao
turismo sirva para a população em geral, fora os turistas? Tais projetos abordam
essas questões? Qual o foco principal: o lazer, o turismo ou ambos? Se forem
ambos, quem e como está sendo feito esse tipo de trabalho? Essas são questões
que precisam ser respondidas para se compreender de fato qual a medida de
importância que se está dando à região central de São Paulo, envolvendo o grau
de profissionalismo de quem elabora projetos e trabalha com o lazer e o turismo.
Se considerarmos todo o patrimônio histórico, artístico e
cultural somente do centro de São Paulo, poderemos classificá-lo como um centro
turístico e de lazer. Isso porque todos os equipamentos destinados ao lazer dos
paulistanos também podem servir ao turismo dos visitantes de fora - os turistas
- , interessados em conhecer e viver um pouco da dinâmica da cidade. Assim é que
se difere a prática do lazer e do turismo. Mas, que tipo de turismo? Qual é o
turista que visita São Paulo e manifesta seu comportamento na região central da
cidade? Porque ele vem à São Paulo e, especificamente, ao centro? Geralmente as
respostas a essas perguntas se afirmam no fato de São Paulo ser considerada uma
metrópole e, portanto, um importante centro financeiro do país. Assim,
considera-se uma cidade de negócios, uma cidade que não pára de crescer e de
trabalhar. Tanto trabalho é capaz de definir o tipo de lazer e de turismo que se
realiza na cidade, ou seja, lazer de executivos e turismo de negócios. A partir
dessas duas definições, o que se deve questionar é o que seria o lazer de
executivos, já que o turismo de negócios parece estar mais bem posicionado em
seu senso cognitivo. Na verdade o que quero expor aqui é a dúvida e a
inquietação que surge no momento que deparamos com qualquer definição que se
costuma colocar em certos tipos de atividades como forma de segmentá-las, como
se o segmento desse conta de criar um novo parâmetro de ações dirigidas a essas
atividades. Segmenta-se, pois, cria-se algo novo. Se existe o segmento de
turismo de negócios, por que não o lazer de executivos?
Todos os pontos abordados até aqui estão relacionados com a
questão do lazer e do turismo na região do centro de São Paulo, não sendo
consideradas as questões quanto aos motivos de degradação dessa região, bem como
abordagens técnicas referentes ao enunciado, ao lazer e ao turismo. Procura-se
assim enfatizar uma questão que envolve uma problemática delimitada afim de
compreender melhor esses fenômenos que nos rodeiam - nós, paulistanos. Porém a
análise do contexto e da conjuntura desses fenômenos é de vital importância para
a conclusão deste estudo.
As questões até aqui abordadas se referem ao principal
objetivo deste estudo que é o de desmistificar alguns conceitos relacionados ao
turismo e ao lazer no que diz respeito à tipologia de práticas turísticas e o
seu relacionamento com o lazer. Tal relação se confunde na medida que parece não
estar muito claro qual o real conhecimento que se tem, por parte dos
profissionais do setor, do que seja trabalhar com turistas ou com empresários
que viajam afim de resolverem seus negócios relativos às suas organizações.
Desse modo, procura-se uma orientação no sentido de esclarecer as motivações que
fornecem sentido às viagens e satisfazer as necessidades e desejos distintos
entre turistas à lazer e viajantes à negócios.
Bibliografia
FRÚGOLI Jr., Heitor. Centralidade em São Paulo : trajetórias, conflitos e
negociações na metrópole. São Paulo : Ed. Cortez, 2000.
COOPER, Chris, SHEPHERD, Rebecca e WESTLAKE, John. Educando os educadores em
turismo. Manual de educação em turismo e hospitalidade. São Paulo: Ed. Roca,
2001.
KRINPPENDORF, Jost. Sociologia do turismo : para uma nova compreensão do lazer e
das viagens. São Paulo : Aleph, 2000.
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