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O Patrimônio Histórico e Cultural:
um passeio pela “Cidade das Mangueiras” - Jun/06 |
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O trabalho tem
por objetivo analisar a relação existente entre o patrimônio histórico-cultural
de Belém, através de seus bens arquitetônicos com o turismo a partir da
importância histórica e dos valores culturais que neles estão inseridos.
Sendo então possível fazer uma discussão sobre os conceitos de turismo em
relação ao patrimônio arquitetônico de Belém, e como estão sendo utilizados
estes patrimônios para o desenvolvimento do turismo local.
Ao longo dos anos, a atividade turística vem ganhando forças culturais e
históricas configurando-se como uma importante atividade econômica em todo o
mundo, no entanto, não se pode resumir o turismo como puramente econômico, mas
também como um resgate histórico em defesa da valorização dos elementos da
cultura local como atrativo turístico, contribuindo, assim, para o
desenvolvimento da comunidade.
Com turismo
atribui-se uma certa significância social ao patrimônio cultural e histórico, o
qual se promove um sentimento de posse e de continuidade histórica, assumindo a
função de atrativo turístico, ou seja, o patrimônio arquitetônico é inserido na
dinâmica de uma atividade, que implica diretamente na vida social e cultural da
cidade de Belém, no qual centro este trabalho.
Acredita-se que a utilização do patrimônio histórico e cultural pela atividade
turística na “Cidade das Mangueiras” dá a possibilidade de referendar as obras
arquitetônicas presentes na cidade como, por exemplo: Igreja de Santo Alexandre,
que abriga o Museu de Arte Sacra; Forte do Castelo que trata o lazer e a
história no centro de Belém, Casa das Onze Janelas situado na Cidade Velha que
integra o Complexo Feliz Lusitânia, São José Liberto que abriga o Pólo
Joalheiro, o Museu de Gemas e a Casa do Artesão, Mercado do Ver-o-Peso, que é
considerado a maior feira livre da América Latina, Teatro da Paz com quase 140
anos de história, e uma das belezas do centro de Belém, entre outros.
Nesse sentido,
a cidade de Belém apresenta em seu espaço físico territorial, um patrimônio
histórico e cultural muito rico, capaz de evidenciar a grandeza da cidade ao
longo de sua trajetória evolutiva, fundamental para o processo de solidificação
dos valores regional e local.
O patrimônio histórico e cultural de Belém representa um papel importante para a
sociedade, no momento em que busca resgatar a sua contribuição social, política
e econômica oriunda de seu potencial evidenciado pela indústria do turismo.
Turismo e o patrimônio histórico-cultural
É importante evidenciar que o conceito de turismo segundo Rodrigues (1996) é um
dos mais expressivos fenômenos deste fim de século, uma vez que sua abrangência
não se restringe ao fator econômico, mas se estende para o social, onde este se
configura materialmente, criando e recriando formas especiais diversificadas.
Ainda conforme
Rodrigues (1996), o turismo tem papel de destaque na economia mundial, estando
em terceiro lugar entre os produtos geradores de riqueza, perdendo apenas para a
indústria de armamentos e petróleo.
Dessa forma, Morel (1996) considera o turismo como uma das grandes e mais
significativas atividades econômicas de nosso tempo, envolvido através do
conhecimento das realizações da humanidade, presentes na realidade sob várias
formas, à vista disso, pode-se dizer que a história da humanidade é expressa
pelo patrimônio cultural que nos foi legado e que refletem a personalidade
histórico-artística de cada sociedade, constituindo sua própria identidade
cultural.
Nesse sentido,
o turismo não é uma ciência, como esclarece Boullón (1990), porque até alcançar
a categoria de ciência, necessitar-se-ia acumular conhecimentos e cumprir certos
requisitos ainda não alcançados pelo turismo. Isto pode ainda ser explicado pelo
fato de o turismo ter nascido de uma realidade, não de uma teoria.
Assim sendo,
podemos definir o turismo como oferta turística que é o conjunto dos fatores
naturais, equipamentos, bens e serviços que produzem a deslocação de visitantes,
satisfazendo a suas necessidades de deslocação, e de permanência. A oferta
turística compreende todos os bens e serviços que satisfazem necessidades
turísticas podendo dividir-se em quatro grupos: bens livremente disponíveis que,
não sendo bens econômicos, por definição, constituem as bases fundamentais da
produção turística: o clima, as paisagens, o relevo, as praias, lagos; bens
imateriais que, resultante da maneira de viver do homem, exercem sobre os outros
homens um fenômeno de atração: tradições, cultura, exotismo; bens turísticos
básicos criados que, pelas suas características ou dimensões, provocam o desejo
de viagem: monumentos, museus, parques temáticos, centros desportivos; bens e
serviços turísticos complementares que, resultando, em exclusivo, da ação do
homem, permite as deslocações e garantem as necessidades de permanência: meios
de transporte, vias de comunicação, meios de alojamento e alimentação.
Nesse sentido,
a cultura vem ser o universo da escolha, da opção, da realização, da circulação
de valores, que decorrem da ação social através dos mecanismos de identificação,
dando o direito à diferença entre as pessoas. A cultura é o que torna singulares
os sujeitos, assim sendo, o patrimônio enquanto expressão cultural vai construir
os costumes, a política, os interesses econômicos e sociais de um povo e as
características do lugar, como explica Leff (2000):
A cultura, entendida como as formas de
organização simbólica do gênero humano remete a um conjunto de valores,
formações ideológicas e sistemas de significação, que orientam o desenvolvimento
técnico e as práticas produtivas, e que definem os diversos estilos de vida das
populações humanas no processo de assimilação e transformação da natureza.
A cultura como
componente de identidade de um povo e de um local, como afirma Leff (2000) é o
desenvolvimento local, de acordo com os processos expostos, respeitando a
qualidade do outro, a partir das diferenças existentes na sociedade.
Há várias
formas de manifestações populares que fazem parte da cultura brasileira, desde
as festas religiosas, arte, gastronomia, até os bens arquitetônicos, por fim,
uma pluralidade que torna cada local único e que precisa ser valorizado, assim
Arantes (1990) define cultura quando afirma que:
Em se tratando de vida social, a cultura (significação) está em toda parte.
Todas as nossas ações seja na esfera do trabalho, das relações conjugais, da
produção econômica ou artística, do sexo, da religião, das formas de dominação e
de solidariedade, tudo nas sociedades humanas é constituído segundo os códigos e
as convenções simbólicas a que denominamos “cultura”.
Segundo
Arantes, o sentido de cultura vem ser o extenso conjunto de reprentaçoes, que
possui elementos da identidade de um povo, assim, o patrimônio arquitetônico de
um local demonstra os traços culturais de um grupo, onde se encontra inserido.
A cultura compreende-se as mudanças que ocorrem no patrimônio arquitetônico no
decorrer dos séculos, sejam as reformas públicas, as preservações, a pluralidade
arquitetônica, ou mesmo a conservação das obras arquitetônicas.
Assim, Pellegrini (1997) coloca que “atualmente, o significado de patrimônio
cultural é muito amplo, incluindo outros produtos do sentir, do pensar e do agir
humano – o que no conjunto se poderia definir como o meio ambiente artificial”.
De acordo com Gonçalves (1996) in Rodrigues, a expressão ‘patrimônio cultural’ é
usada para designar objetos no sentido mais geral desse termo: prédios, obras de
arte, monumentos, lugares históricos (grifo nosso), relíquias, documentos, e
diferentes modalidades de praticas sociais objetificadas enquanto bens
culturais, artesanato, rituais, festas populares, religiões, esportes, etc.
Por se tratar
do patrimônio que busca caracterizar a memória da identidade de uma sociedade, o
patrimônio cultural se configura como histórico que de acordo com Rodrigues
(1996), assim se expressa:
A relação do patrimônio histórico com o
momento presente, ou seja, do momento construído com o meio social, permite e
fortalece um intercambio de crenças, valores e modos de pensar e agir de
diversos povos. Seguindo essa linha de pensamento a análise do patrimônio
cultural pode ser pensada como um conjunto de sistemas espaciais que apresentam
alem do caráter cognitivo, aspectos artísticos e de interação entre os
residentes e os visitantes, [...].
Assim sendo, o professor francês Hugues de Varine-Boham, de acordo com Carlos
Lemos, divide o patrimônio histórico-cultural em três grupos: elementos
naturais, como os rios, as matas, as praias; elementos do saber, as técnicas e
artes, que o homem utiliza para sobreviver, como saber cozinhar, desenhar,
transformar, dançar, esculpir; e, bens culturais que surgem a partir dos outros
dois grupos que são objetos, artefatos e construções. Os bens culturais se
dividem em móveis, que são setoriais e possíveis de serem colecionados como
fotografias, selos, lendas, músicas, festas populares; e imóveis, que são as
edificações como igrejas, residências, fortes, prédios, ruas, cidades.
Todavia,
utilizo nesse texto a denominação patrimônio histórico-cultural de uma
comunidade aos bens culturais imóveis, que dizem respeito a construções e obras
arquitetônicas.
Segundo Pessoa, (2000) o patrimônio histórico e cultural como instrumento na
construção da sociedade brasileira moderna,
é o documento de identidade da nação
brasileira. A subsistência dele é que comprova, melhor que qualquer outra coisa,
nosso direito de propriedade sobre o território que habitamos. Ele é testemunho
dos processos de ocupação do Brasil, das técnicas construtivas do passado, dos
modos de vida e dos episódios fundamentais da nossa história, mas principalmente
tem qualidades plásticas que interessam ao olhar contemporâneo.
Assim, ao analisar o patrimônio histórico-cultural de um determinado local, este
deve, no primeiro momento, estar ligado à identidade do grupo que representa.
Desse modo não devem ser esquecidas as origens étnicas, além de muitas outras,
que, com o tempo e com os deslocamentos, misturaram culturas e formaram novos
princípios, próprios de cada localidade.
Belém: patrimônio
histórico-arquitetônico
Ao conceituar
patrimônio histórico-cultural, observa-se que é um amplo conjunto de elementos,
por isso delimitou-se o estudo dos bens culturais imóveis da cidade de Belém,
onde as edificações constituem o patrimônio arquitetônico da cidade.
Belém é a capital do Estado do Pará que possui 390 anos. É composta de uma
grande área geográfica, possuindo cerca de 1.065 km². Localizada na região norte
do estado, é a maior cidade da linha do Equador, carinhosamente apelidada de
“Cidade das Mangueiras”. É com essa referência que a capital do estado do Pará é
exportada para o mundo inteiro pelo segmento turístico.
Nascida das expedições da Coroa Portuguesa em busca de novos territórios na foz
do rio Amazonas, Belém foi fundada a 12 de janeiro de 1616. Sua fundação teve
como objetivos visíveis apenas os fatores relacionados à natureza
político-militar, além disso, seu fundador o português Capitão-mor Francisco
Caldeira Castelo Branco foi quem aportou às margens da baía de Guajará para
assegurar o domínio da nova terra e resguardá-la do ataque de corsários vindos
da Inglaterra e da Holanda.
Belém também é denominada de “Cidade Morena”, característica herdada da
miscigenação do povo português com os índios Tupinambás, nativos habitantes da
região à época da sua fundação, onde atualmente apresenta uma população estimada
de 1.405.871 habitante, segundo dados do IBGE.
Estruturada, a
cidade de Santa Maria do Grão Pará tornou-se a capital do Estado do Maranhão e
do Grão Pará, em 1751, englobando todo o extremo norte do Brasil e, depois,
passou chamar-se Santa Maria de Belém do Grão-Pará.
O potencial hidrográfico de Belém é enorme pela posição privilegiada
entrecortada por baías, rios, igarapés e furos que se espalham na porção
continental e na região insular. É banhada ao norte pela baía do Marajó, ao
leste é delimitado pelos municípios de Ananindeua, Santo Antônio do Tauá, Santa
Bárbara do Pará e Marituba; limita-se ao sul com o município de Acará e o rio
Guamá e com a baía do Guajará limita a cidade à oeste.
O povoamento da
capital paraense se originou a partir da margem direita da foz do rio Guamá, no
ponto em que deságua na baía do Guajará. Ali foi construído estrategicamente o
Forte do Presépio para proteger a cidade. Mais tarde, com a construção do
colégio e da igreja dos jesuítas, formou-se o primeiro núcleo de habitantes.
A capital do estado do Pará tem todas as características de uma cidade moderna,
mas ainda conserva as marcas de um passado glamouroso e rico, vislumbrados em
seus prédios e complexos arquitetônicos, tais como: Complexo Feliz Lusitânia,
que engloba o Museu de Arte Sacra, Forte do Presépio, Catedral de Belém e Casa
das Onze Janelas; Basílica de Nazaré; Igreja das Mercês, Igreja do Carmo;
Palácio Antônio Lemos; Museu do Estado (Palácio Lauro Sodré); Museu de Arte de
Belém, Teatro da Paz, Mercado do Ver-o-Peso, Complexo de São Braz, Bar do
Parque, Parque da Residência e a Ladeira do Castelo - 1ª rua de Belém (onde se
iniciou a cidade de Belém) que serão analisados em sua importância histórica e
cultural para a sociedade belenense.
O Complexo Feliz Lusitânia, espaço que recorda o princípio da capital paraense,
compreendendo o Forte do Castelo (antigo Forte do Presépio), o Museu de Arte
Sacra (antigo Colégio Jesuíta de Santo Alexandre e Palácio Episcopal), o
Palacete das Onze Janelas (antigo Hospital Militar) e a Igreja da Sé, obras
arquitetônicas de Antônio José Landi, projetadas no final do século XVIII, com
exceção do Forte.
O Forte do
Castelo fundado no século XVII, às margens da Baía do Guajará, marca a origem da
cidade de Belém e da colonização portuguesa na Amazônia. Inicialmente no local
foi edificando um Forte de madeira com cobertura de palha a que chamou Forte do
Presépio, em alusão à data da partida da frota portuguesa de São Luís do
Maranhão, a 25 de Dezembro de 1615. Nos primeiros anos, a cidade de Belém
restringia-se ao Forte e ao casario construído nos arredores deste, sendo este
pequeno núcleo chamando de Feliz Lusitânia. A construção do Forte contou com a
ajuda dos índios Tupinambá, e nele foram construídos uma capela e alguns
casebres para abrigar os soldados. Hoje o prédio é um espaço cultural e um dos
principais pontos turísticos de Belém, que permite ao visitante o acompanhamento
dos processos culturais, sociais e militares que contam a história do Forte e
seu importante papel para o progresso da cidade.
A Casa das Onze
Janelas foi construído no século XVIII, para ser usado como residência de
Domingos da Costa Bacelar, um rico senhor de engenho. Posteriormente, a casa
passou a funcionar como hospital, por intervenção do governador do Pará da
época, Francisco de Athayde Teive, sob ordem do Governo Português. A casa deixou
de funcionar como hospital em 1870, embora ainda tenha continuado a funcionar
para funções militares, sendo o Corpo da Guarda e a Subsistência do Governo até
o final do século XX. Hoje o local integra a paisagem com a História, lazer e
cultura, funcionar como espaço referencial de Arte Moderna e Contemporânea
brasileira.
O Museu de Arte
Sacra funciona no conjunto formado pela Igreja de Santo Alexandre e pelo Antigo
Palácio Episcopal (originalmente Colégio de Santo Alexandre). A Igreja era uma
simples capela de taipa em homenagem a São Francisco Xavier, construída em 1653,
juntamente com o Colégio de Santo Alexandre.
A Igreja da Sé Catedral Metropolitana em 1716, no interior do Forte do Castelo,
foi construída uma capela dedicada a Nossa Senhora das Graças que, anos depois,
ficaria em ruínas. Somente em 1748 foi iniciada a construção do atual templo,
hoje com telas, afrescos e painéis de grande valor.
Basílica de Nazaré, intitulado como Basílica em 19 de junho de 1923 e sua
inauguração ocorreu em 30 de outubro de 1941. Ali se encontra a imagem da Virgem
de Nazaré, achada pelo caboclo Plácido, no altar-mor. Passagens da vida de Nossa
Senhora de Nazaré podem ser vistas em uma coleção de 23 mosaicos redondos, que
dão a volta em toda a igreja. Outros dez vitrais no transceptor contam a
história do Círio. Em 1992, o IPHAN tombou a Basílica, considerada atualmente
monumento histórico e religioso.
A Igreja das
Mercês teve sua construção iniciada em 1640, sendo concluída em 1748. A
edificação atual, construída sob projeto do arquiteto italiano Antonio Landi, na
segunda metade do Século XVIII, é a única, em Belém, com fronteira em perfil
convexo.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, fundada em 1626 num terreno doado pelo
capitão-mor Bento Maciel Parente. Sessenta anos depois, o convento e a igreja
estavam em ruínas. Em 1696, foi derrubado o primitivo edifício e levantado outro
no mesmo lugar. Em 1708, foi construída nova igreja, nela havia duas naves: a
principal e a do cruzeiro, sendo o altar-mor o mesmo da igreja desmoronada e
reconstruída em 1766, trabalhado em prata e lavrado em Portugal, de onde vieram,
também, as pedras de lioz. No convento esteve abrigado o Conselho Geral da
Província e a Assembléia Legislativa provincial teve sua primeira sede. No Carmo
funcionou, por longos anos, o Colégio Paraense, um dos internatos tradicionais
da cidade. Ali também esteve o Asilo das Órfãs Desvalidas. Serviu, igualmente,
de Hospital Militar e Seminário Menor.
Dentre estes bens arquitetônicos presentes na cidade de Belém, existem também os
que representam o seu Cartão Postal, como o Ver-o-Peso e o Teatro da Paz, sendo
estes a abertura internacional e nacional do turismo na cidade, como assim
expressa Camargo (2002):
Havia uma intenção mercadológica
deliberada de promover Belém e os atrativos patrimoniais para o turista nacional
e internacional, inserido-a numa pauta de atrações já preexistentes.
O Ver-o-Peso foi erguido nas margens do Rio Piri, não se sabe ao certo a data,
em 1688, pela necessidade de criar um posto de fiscalização devido à
intensificação do fluxo de mercadorias que chegavam à capitania. Assistiu aos
principais eventos e acompanhou as mudanças urbanísticas que a cidade sofria, em
seu crescimento para a outra margem do igarapé do Piri. O Mercado de Ferro veio
depois, em 1899 a estrutura foi toda trazida da Europa, no auge da riqueza da
época da borracha seguindo um padrão arquitetônico europeu, de estilo eclético.
Símbolo cultural e turístico é considerado o principal cartão postal de Belém,
onde também podem ser encontradas frutas de sabores característicos da região,
plantas ornamentais, artesanato marajoara e as famosas ervas medicinais usadas
na composição de banhos e defumações. Complexo do Ver-o-Peso abrange o Mercado
de Ferro, o Mercado Municipal (o chamado Mercado de Carne) a feira-livre, além
da Praça do Pescador, de onde é possível apreciar a Baía do Guajará; e o Solar
da Beira, localizado bem no centro da feira.
O Teatro da Paz
foi inaugurado em 15 de fevereiro de 1878 em pleno ciclo áureo da Borracha na
Amazônia em estilo neoclássico, já recebeu famosas companhias européias de
ópera, tais como Ana Pavlova e Carlos Gomes e nos últimos anos se destaca como
palco do Festival Internacional de Música e Festival de Ópera, realizações do
Governo do Estado, por meio da Secretaria Executiva de Cultura (Secult).
Além desses
patrimônios histórico-culturais que enaltecem a cidade como atrativos
turísticos, Belém guarda na memória fatos que marcam a sua trajetória religiosa,
social, econômica e política, que podem ser lembrados nas visitas feitas ao
acervo arquitetônico da cidade por meios dos palacetes, dos museus, das igrejas,
sem deixar de ressaltar o Bairro Cidade Velha onde tudo originou-se, dos seus
casarões, dos prédios cobertos de azulejos vindos de Portugal, França e
Alemanha.
A cidade de Belém ao longo de sua trajetória foi e vem sendo um cenário de
eventos marcantes que envolvem toda a sociedade belenense. As suas avenidas
guardam a lembrança destes fatos ocorridos e evidenciados no desenho urbano
descobertos por uma arquitetura proveniente do seu surgimento e da época do
ciclo da borracha envolvido pelo processo da verticalização das edificações tão
presentes na cidade. Nesse sentido, Belém consegue mostrar as belezas da
arquitetura e dos monumentos do período colonial às exigências da modernidade.
Nesse contexto,
o patrimônio histórico e cultural da “Cidade das Mangueiras”, representado por
igrejas, museus, teatros, mercados e os mais diversos monumentos espalhados pela
cidade demonstram a vocação adormecida da cidade para o turismo
histórico-cultural. Belém, aliando o conforto e a agitação das grandes cidades
com sua herança histórica e cultural, ainda viva, pode mudar seu perfil
econômico através do turismo.
Atualmente,
Belém é uma cidade que busca, através do turismo e de várias outras atividades
econômicas se desenvolver. Conta com o seu patrimônio histórico-cultural;
valorizando não só os bens culturais imóveis, bem como o patrimônio imaterial
resgatando, preservando e reconfigurando as festas, as tradições religiosas, as
danças folclóricas, a gastronomia e as demais expressões artístico-culturais da
cidade.
Considerações finais
A cidade de
Belém tem um enorme potencial turístico. Dentre os atrativos destaca-se o
patrimônio histórico-cultural como principal sentido de turismo atualmente
desenvolvido na “Cidade das Mangueiras”, onde a riqueza presente na forma de
elementos históricos deve ser conservada.
O turismo com
base na valorização e preservação do patrimônio histórico e cultural esta
presente nas discussões a cerca do desenvolvimento da atratividade que seguem as
tendências mundiais, nesse sentido, o aproveitamento da riqueza cultural local
com o devido investimento, tem retorno certo e garantido.
Para tal o
envolvimento de toda a população é necessário, desde os empresários do turismo
aos moradores locais.
A valorização do patrimônio histórico e cultural deve ser abraçada pela
comunidade como um todo, pois, o passado contido nos inúmeros bens
arquitetônicos existentes na Cidade de Belém será mantido com a sua devida
importância.
Bibliografia
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2002. – (Coleção ABC do Turismo).
GONÇALVES, José Reginaldo Santos. A retórica da perda. Os discurso do patrimônio
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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>.
Acesso em 16 abr. de 2006.
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Acesso em: 14 abr. 2006.
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Acesso em:14 abr. 2006.
Portal da Amazônia, cidade se destaca pelo seu rico patrimônio cultural. Amazon
View, Belém plena de história e belezas, ed. 74, ano 8, nov. - dez. 2005.
RODRIGUES, A.B. Turismo e geografia: Reflexões teóricas e enfoques regionais.
São Paulo: Hucitec, 1996.
RODRIGUES, A.B. Turismo e espaço: Rumo a um conhecimento interdisciplinar. São
Paulo: Hucitec, 1996.
RODRIGUES, Linda Maria. Patrimônio Cultural: cidade, cultura e turismo. In:
Patrimônio Cultural o contexto da cidade e as "novas" condições de existência.
Mestranda em Comunicação e Cultura. Programa de Pós-graduação da Escola de
Comunicação - UFRJ, 2005.
Autora:
Maria Elcimara de Albuquerque
Marialva
Aluna do Curso de Turismo da Universidade Federal do Pará, estudante de língua
Francesa no Curso de Letras da referida instituição. Cursando também o quarto
semestre do Curso de Agronomia na Universidade Rural da Amazônia.
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