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Nas Ondas do Microcrédito -
Abr/04 |
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“ Mil léguas
começa debaixo de vossos pés “ (Provérbio chinês)
Navegar, passear, viajar, é a vez do consumidor de baixa renda; mais uma vez a
indústria do tempo livre recebe uma grande injeção de ânimo, trazida pelo atual
governo. Ações como essa, demonstram visão de realidade e convergência de
propósitos com uma enorme gama de consumidores ávidos por uma chance de terem
seus sonhos tão simples realizados.
É de tijolo em tijolo, que se constrói uma casa, um edifício. Tal e qual, de
centavo em centavo, são compostos os reais necessários ao pagamento das parcelas
de uma viagem, de uma hospedagem ou de qualquer outra coisa que compõe o
conjunto de produtos e serviços disponibilizados a um turista.
Agentes de viagens e outros atores no trade, na maioria, sempre negligenciaram o
atendimento a essa camada de consumidores. Isso, face à visão distorcida e
errada, do ganho mais fácil e rápido, em detrimento do mais lento, mas
consistente ganho em escala. Não faz sentido vender uma passagem de ônibus se,
pode vender uma passagem de avião, reservar hospedagem num hotel de duas
estrelas se, pode fazer para um de cinco estrelas. É mais fácil fechar um
negócio no exterior, qualquer que seja o lugar, do que em nosso próprio
território e por aí vai. A bengala de apoio a essas posturas, sempre foram a
falta de: tecnologia, qualificação de mão-de-obra, instabilidade da economia,
suporte dos governos, etc, etc.
Lojas de departamento, cartões de crédito e outros há muito tempo já descobriram
esse filão e vão muito bem, pois sabem que esse consumidor prima por zelar pelo
seu crédito, honra seus compromissos e se necessário for, até deixa de comer
para isso. Portanto, não pode ser deixado de fora, negligenciado no contexto de
nossa economia. E porque o turismo não pode aproveitar e também embarcar nessa,
descobrindo uma nova realidade para o seu desenvolvimento?
O estímulo lançado, será absorvido pelos mais criativos e inovadores, sendo
fonte motivadora para transformação em todas as camadas de nossa sociedade,
sacudindo todas as comunidades e inserindo-as num mercado até aqui tão distante
e inacessível. Grande chance não só para os profissionais do trade, mas os
estudantes em todos os níveis e em especial os educadores, as academias, as
instituições de ensino em geral, reverem conceitos, competências e habilidades,
para a aderência e contextualização a esse gigante mercado que os espera.
A pujança do turismo brasileiro vai extrapolar fronteiras, alcançar extramuros e
a grandeza do país será absorvida por todo o mundo a partir da sinergia
proporcionada por seus municípios e estados, partindo única e exclusivamente da
movimentação daqueles que têm o orgulho e o privilégio de viverem nessa terra
verde e amarela. Basta ser dada a eles uma oportunidade.
O microcrédito abre portas para o mercado de trabalho formal, a uma gama
considerável de trabalhadores, atualmente na informalidade. As comunidades
chamadas “carentes”, assim são chamadas pelo distanciamento de tudo e de todos,
e por isso carecem; elas precisam sim, de maior proximidade, de maior apoio,
para poderem almejar submergir do atoleiro moral, psicológico, financeiro,
cultural e social, ao qual foram “lançadas”. E porque não o turismo, como
“ponte” para a grande saída?
Não importa o volume de recursos financeiros que serão destinados, mas sim, a
pré-disposição de cada um de nós no engajamento para conseguir entender e fazer
uso desse mecanismo, em prol de algo factível em nosso campo de atuação, com o
envolvimento, a participação e o comprometimento de todos que estiverem no
entorno.
Viagens, hospedagens, transportes, eventos, gastronomia e muito mais, são
gigantes ainda adormecidos, se comparada a situação atual e todo o potencial
existente e inexplorado.
Chegou a hora de deixar o “salto alto”, colocar os pés no chão e vibrar com a
descoberta de que assim, existe muito menos probabilidade de torcê-los e ficar
claudicando por um longo período de tempo.
Queiramos ou não, os caminhos para o macroturismo no Brasil, passam pelas vias
aéreas e terrestres do microcrédito ao microturismo interno. Precisamos apenas
de coerência entre o discurso e a ação.
Autor:
Floriano Camargo
Professor/Consultor
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