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A Importância da Paisagem
na Atividade Turística -
Jun/04 |
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O estudo da
paisagem como um fator primordial para atividade turística ainda é pouco
expressivo. Talvez por não se considerar o quanto ela é importante e fundamental
dentro do contexto da atividade. Muitas vezes descartamos o seu potencial em
virtude de não compreendermos a sua real função. Para o turismo a interpretação
da paisagem é algo que deveria se tornar quase que obrigatório. No decorrer
desse artigo serão abordado alguns pontos para reflexão sobre essa questão.
Breve Histórico
A relação do homem com a natureza existe desde os primórdios, mas no início a
natureza era algo assustador, onde o homem era exposto as suas intempéries. O
homem buscava apenas sobreviver, e isso se tornava difícil pois sofria com a
ação dos animais selvagens, tempestades, mudanças climáticas bruscas, e outros.
O medo era constante. A floresta no imaginário das pessoas além de um lugar
perigoso era onde se escondiam as bruxas, duendes e monstros. Todo esse cenário
contribuía para amedrontar e afugentar.
Só a partir do renascimento o homem conseguiu quebrar essa barreira e passa a
admirar a natureza, criando assim o conceito de paisagem. Vale registrar que
essa percepção da natureza surgiu nas classes abastadas, que possuíam tempo
livre para atividades artísticas e culturais. Segundo Yazigi (2002)“ filósofos
do século XVIII, como Jean Jacques Rousseau e Schelle, consideravam o passeio
pela natureza um verdadeiro alimento do corpo e do espírito.”
A paisagem urbana começa a ser retratada pela arte depois da revolução
industrial, que foi a grande responsável pela consolidação e expansão das
cidades. Grandes obras urbanísticas, largas avenidas, bairros, teatros foram
fonte de inspiração para pintores e escritores da época. Mais tarde surgem os
automóveis que também intervêm na dinâmica da paisagem urbana. A descobertas da
fotografia, do cinema e posteriormente da televisão e vídeo tiveram um papel
importantíssimo na evolução do conceito de paisagem devido ao seu poder de
reproduzi-la e associá-la a uma história.
È certo que a televisão muitas vezes banaliza a paisagem retratando-a de forma
distorcida e em escalas diferentes para milhares de pessoas.
Cria imagens e estereótipos homogêneos que influenciam na decisão coletiva do
que é bonito, feio, bom e ruim. Por um lado isso aguça a curiosidade para
conhecer o que foi mostrado pela televisão, mas por outro o indivíduo não
precisa mais sair de casa para ver a paisagem.
Sobre o Conceito de Paisagem
A paisagem não passou a existir após o nascimento do homem, ela já estava lá.
Mas só quando o homem presta atenção na paisagem é que surge o seu conceito. A
paisagem é o que se vê. O real, o vivido, o sentido diferentemente para cada ser
humano. Estes elaboram seleções pessoais, julgamentos de valor de acordo com a
análise individual da percepção. Essa análise sofre influências sociais,
culturais, ambientais, emocionais conforme o tipo de uso da paisagem para cada
pessoa.
Para Gomes (2001): “ A paisagem como representação resulta da apreensão do olhar
do indivíduo que por sua vez é condicionado por filtros fisiológicos,
psicológicos, socioculturais e econômicos e da esfera da rememoração e da
lembrança recorrente.”
Cada pessoa tem um julgamento de valor diferente ao se deparar com uma
determinada paisagem. Se um turista decide passar um final de semana em um hotel
fazenda vai passear no campo em dia ensolarado, nas montanhas , provavelmente o
que o chamará mais a atenção serão as diferentes colorações dos campos, as
flores, o verde, a natureza e os animais. Já trabalhador rural, que cultiva a
horta do hotel sua preocupação é com a limitação do espaço cultivado, a proteção
contra as pragas e animais e se o clima estiver muito quente poderá comprometer
seu trabalho. Para a família desse trabalhador, atravessar as montanhas a pé ou
a cavalo para ir a escola, ou comprar algo na venda da cidade mais próxima é um
incomodo. Já no ponto de vista de um motorista de caminhão que passa de fazenda
em fazenda para apanhar a produção de leite e levá-la para a cooperativa na
cidade, a paisagem pouco importa. Mas se o perguntarmos sobre o melhor trajeto e
as condições da estrada certamente ele saberá informar com precisão.
Ou seja para cada observador a paisagem tem um sentido, seja de contemplação,
utilitarista , estética e até mesmo indiferente.
Elementos e Componentes para Análise da Paisagem
Para uma analise cientifica da paisagem deve se observar os elementos visuais
como forma, textura, cor, linha, escala, espaço e diversidade. Além disso
compreender e conhecer seus aspectos físicos como a terra, água , vegetação,
estruturas e *elementos artificiais (são estruturas espaciais criadas por
diferentes tipos de solo, ou construções diversas de caráter pontual, linear ou
superficial).
Segundo Pires(
1993) “ ...a combinação dos elementos visuais cria composições pelas quais é
possível definir qualidades estéticas similares às que geralmente são usadas no
mundo artístico tais como unidade, intensidade e variedade. Tais qualidades
poderão contribuir para a diferenciação das unidades da paisagem
visualizadas.... Um ou vários componentes da paisagem podem adquirir um grande
peso específico no conjunto da cena, sob condições especiais de singularidade
associada à escassez, raridade, valor estético, interesse histórico etc.., ou
quando dominam totalmente a cena...”
Um exemplo de como elementos visuais como as cores podem dominar a cena e sempre
atrair mais o olhar em sua direção corre se observarmos um relevo montanhoso,
com vegetação uniforme, verde clara ou escura e em uma parte encontrarmos sinais
de erosão. Geralmente, dependendo obviamente do tipo de solo, as erosões remetem
ao olhar do observador a cor avermelhada ou laranja. Essas cores fortes desviam
a atenção puxando sempre para sua direção os olhos de quem a observa.
Segundo estudiosos, existem um número infinito de paisagens pois elas estão em
constante mutação. Seja por pressões antrópicas, clima, variação de luzes,
configurações geográficas e dinâmicas da própria natureza.
Para Bertrand (1971) “ a paisagem não é a simples adição de elementos
geográficos disparatados. É, numa determinada porção do espaço, o resultado da
combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e
antrópicos que, reagindo dialéticamente, uns sobre os outros, fazem da paisagem
um conjunto único e indissociável, em perpétua evolução.”
As condições de visibilibilidade do observador em relação a paisagem no momento
da observação também são relevantes. A distância, a posição do observador, as
condições atmosféricas e a iluminação entre outros fatores como o tempo de
duração, o movimento do observador determinará a profundidade e o detalhamento
da observação paisagística. A leitura dos signos estabelece uma relação com o
espaço de vivência.
Paisagem e Turismo
A paisagem, sem dúvida nenhuma, é um elemento imprescindível e responsável pelo
desenvolvimento e impulso da atividade turística. Não quero aqui afirmar que a
paisagem é o fator único que define sobre as decisões de uma pessoa que quer
viajar. Existem outros fatores como os negócios, visita a amigos e familiares,
tratamento de saúde que fazem as pessoas se deslocarem independentemente do que
será visto. Mas iremos tratar aqui especificamente da condição da paisagem como
fator decisório para uma viagem.
Nos dias de hoje é fácil notar a crescente procura por lugares que ofereçam às
pessoas sensações de bem-estar físico e espiritual. A curiosidade e a vontade de
vivênciar novas emoções leva milhares de turistas a movimentarem essa atividade
que hoje é considerada uma das maiores do mundo. Ao ver uma imagem de uma
paisagem o turista já se predispõe a imaginar como será suas férias, final de
semana, feriado antes mesmo de viajar. A imagem tem esse poder de fazer com que
as pessoas sonhem.
Essa inquietude do ser humano em se deslocar e conhecer novos lugares se deve a
diversos fatores, talvez a rotina seja o principal. O cotidiano cansa, pois
repetir por anos e anos o ritual de acordar, tomar café, estudar ou trabalhar,
almoçar, ter horas vagas e dias certos para o lazer, dormir leva as pessoas a
buscarem novas experiências. A rotina não acontece apenas nos hábitos mas também
nas relações e principalmente nas repetição das paisagens do dia a dia , que com
o passar do tempo atropelamos e nem mesmo conseguimos observá-las. Não quero
dizer que o ser humano não necessite da rotina, de certa forma ela arremete uma
certa sensação de segurança e estabilidade na vida das pessoas. Mas quebrar a
rotina é fundamental e para isso, nada melhor do que viajar.
Como vimos anteriormente as paisagens nunca são as mesmas, são muito variadas. E
cada uma atrai um tipo de turista. Se uma pessoa mora em uma região onde o clima
é frio e neva durante sete dos doze meses do ano, uma paisagem que ilustra o
sol, mar, calor, será muito mais atrativa do que uma que oferece as mesmas
condições climáticas de sua residência fixa. As culturas e o modo como elas
podem moldar as paisagens também são fatores de atração. As pirâmides do Egito,
a muralha da China, a arquitetura magnífica de Veneza e entre tantos outros são
paisagens que despertam curiosidade, além de serem únicas, pois foram concebidas
por povos diferentes, com costumes e crenças distintas, o que contribui
imensamente para o turismo.
Para Yazigi (1998) : “ A paisagem, indesvinculável da idéia de espaço, é
constantemente refeita de acordo com os padrões locais de produção, da
sociedade, da cultura, com os fatores geográficos e tem importante papel no
direcionamento turístico. Não se trata de dizer que ela seja a única forma de
atração, mas que pesa muito no contexto de outros fatores ( meio de hospedagem,
bons preços etc.). O turismo depende da visão.”
O turista na verdade é um colecionador de paisagens. Segundo Meneses ( 2002) “ a
paisagem , portanto, deve ser considerada como objeto de apropriação estética,
sensorial.” . O primeiro contato do turista com o local visitado acontece
através da visão da paisagem. Durante um tour o viajante se depara com uma
diversidade enorme de paisagens, sejam naturais, culturais ou construídas, essas
imagens é que permanecem no seu inconsciente e ao voltar para casa o turista se
recorda dos lugares, das pessoas e das paisagens visitadas. Isso gera uma
sensação de nostalgia além de acrescentar conhecimentos, e também leva as
pessoas a cada vez mais buscarem o novo. Segundo Boullón ( 2002) “ ...por mais
diferente que seja, o resultado de uma viagem é o acúmulo de experiências e
lembranças dos lugares por que passou.”
O poder de atração de determinadas paisagens levam a sua reprodução construída
artificialmente. Um bom exemplo disso são os grandes parques temáticos. Essas
verdadeiras “ilhas da fantasia” simulam e reproduzem réplicas idênticas as
originais e levam os visitantes a sentirem a sensação de que realmente
presenciaram o original. Reproduzem não só as imagens, mas os costumes, a
culinária, a raça , o cheiro. Esse mundo mágico, perfeito e divertido é um
atrativo turístico bastante procurado.
Mas essa pouca atenção que se dá na interpretação da paisagem muitas vezes leva
o turista a lembranças confusas dos lugares que visitou. Mesmo que isso tenha
acontecido a poucos dias ou meses. Muitos se confundem ao revelarem suas
próprias fotos da viagem sem saber de onde são determinadas paisagens. Isso
ocorre devido a ritmo acelerado da viagem, a pouca informação sobre os lugares
visitados e até mesmo o despreparo dos guias locais.
Para Boullón (2002) “ Não viu tudo o que poderia ser visto, porque o processo de
comunicação falhou, e a falha deve ser atribuída ao agente transmissor e não ao
sujeito receptor, porque em turismo quem deve adaptar-se é o primeiro fator,
dado que não podemos treinar o receptor, porque ele muda constantemente e é
muito heterogêneo quanto a idade e nível cultural.”
Cruz (2002) aborda uma para uma reflexão interessante. Afinal, o que é uma
paisagem turística ? “ As paisagens turísticas, só existem em relação à
sociedade. Elas não existem a priori, como um dado da natureza[...] é a ação
social que dá sentido às paisagens, não o contrário” Luchiari (1998). Seguindo
esse raciocínio podemos concluir que toda paisagem pode ser turística, depende
apenas do seu observador e de como ele interpreta o sentido de cada paisagem.
Paisagem X Imagem X Turismo
O apelo visual é sem dúvida nenhuma o recurso mais usado para comercialização de
um atrativo turístico. Um turista quando chega a uma agência de turismo, compra
a imagem do lugar onde irá visitar. Essa imagem faz com que ele viaje antes
mesmo de sair do lugar.
A distância entre a paisagem e a imagem é enorme, pois a imagem pode ser
trabalhada. Hoje em dia existem inúmeros recursos tecnológicos que transformam a
imagem em verdadeiros paraísos para o futuro viajante. Os veículos de
comunicação usam essa ferramenta com freqüência.
A promoção turística da imagem deve ser utilizada para públicos específicos. A
paisagem se modifica de acordo com o clima, o horário, a luz e outros fatores
como vimos anteriormente. Essas variações também atraem pessoas diferentes. Uma
paisagem montanhosa, se oferecida para casais em lua de mel, a melhor imagem é
sem dúvida a que passa a impressão de frio, neblina, o que a torna mais
aconchegante, romântica. Mas o mesmo local se ofertado para os amantes de
esportes radicais e cachoeiras, a imagem deve estar luminosa, transmitir calor,
com apelo para aventura.
Essa é uma preocupação que o profissional de turismo deve ter constantemente.
Não se pode oferecer ao turista uma imagem distorcida ou maquiada. Quando o
turista chega ao local certamente irá se frustar, sentindo-se enganado porque
não encontrou o que lhe foi oferecido na agência. O uso correto da imagem no
turismo é uma questão que deve ser mais discutida entre os profissionais do
setor. Não existem critérios nem normas para estabelecer até que ponto uma
imagem poderá ser maquiada sem comprometer o produto real.
Cartão Postal e Paisagem
O cartão postal surge com o avanço da tecnologia de reprodução da paisagem. Ele
se tornou uma ferramenta muito importante de comunicação na atividade turística.
Um cartão postal é um sonho que o remetente realizou e deseja compartilhar com o
destinatário
Desde sua criação até os dias de hoje, os cartões sofreram diversas modificações
em sua estrutura, qualidade e até mesmo na função principal. Antigamente os
cartões postais eram usados para informar a chegada das pessoas no destino. Com
toda tecnologia que se tem hoje em dia, telefone, celulares e, sobretudo a
internet, essa função tornou-se obsoleta. Porém, é interessante ressaltar que
mesmo com toda a tecnologia da comunicação, especialmente a internet, com seus
cartões cibernéticos, o mercado do cartão postal convencional não sofreu nenhuma
queda. Isso se justifica pelo simples fato de que como é atualmente mais
trabalhoso escrever, selar e colocar no correio o cartão postal, ao receber um,
a pessoa se sente especial. E certamente quem enviou também quis demonstrar esse
sentimento. Muitas vezes quem remeteu chega de viagem antes da chegada do cartão
ao destinatário.
Existem vários formatos e diferentes motivos de cartões postais. O formato mais
comum é o 10x15 cm, podendo variar um pouco essas dimensões. Os motivos são
variados dependendo das ocasiões, desde de imagens de locais até cartões
pré-escritos com diferentes mensagens de acordo com as datas especiais. Os
cartões pré-escritos são mais impessoais, servem para mostrar que o destinatário
foi lembrado por alguém. Já os cartões com imagens de locais visitados podem ser
bem mais pessoais de acordo com a mensagem que vem anexada. Esse ultimo tipo de
cartão é, do ponto de vista do marketing, um dos mais eficazes veículos como já
foi dito anteriormente. Não somente um local turístico é capaz de vender cartões
postais, mas o contrario também pode ocorrer, um bom cartão postal é capaz de
despertar o interesse das pessoas em visitar um determinado local.
Considerações Finais
A paisagem faz parte do dia a dia de todas as pessoas. Mesmo que sem perceber, é
a paisagem a fonte de inspiração para as atividades diárias. Um dia chuvoso e
escuro não transmite a mesma sensação de animo e alegria de um dia iluminado e
quente. Depende da paisagem para ficarmos dispostos e muitas vezes desanimados.
Na atividade turística quando você leva o turista a interpretar a paisagem, você
faz com que ele consiga perceber o significado das coisas. Interpretar leva
tempo, e quanto mais tempo o turista permanecer no local visitado mais recursos
ele irá deixar. São esses recursos que fazem com que o turismo aconteça como
atividade econômica.
O objetivo é fazer com que o turista crie uma relação afetiva com determinadas
paisagens, o levando a interpretar cada signo, identificando os períodos
históricos, o tipo de vegetação a influência das cores, do clima e tantos
outros. Certamente isso proporcionará um acréscimo em seus conhecimentos gerais
e consequentemente, se gostar do que viu, se tornará um propagandista do lugar.
Ao retornar, com a família ou amigos, repetirá a experiência interpretativa com
eles. Explicando o que aprendeu e sentiu na visita anterior.
Infelizmente alguns empresários do ramo não conseguem perceber o valor da
paisagem. Por exemplo, se analisarmos hoje os folhetos de pousadas rurais e
hotéis fazenda a maioria deles traz estampado belíssimas instalações físicas,
quartos bem decorados, piscina, sauna, quadras esportivas e uma ou nenhuma foto
da paisagem local. A pousada não deveria ter a mesma função de um resort, onde o
turista encontra tudo o que deseja no interior do hotel. A função da pousada é
de proporcionar o turista uma boa estadia para que ele possa usufruir dos
atrativos externos. Com isso, os proprietários desses estabelecimentos não se
importam nem com a cidade onde estão localizados e muito mesmo em melhorar os
atrativos existentes ou criar novos. Não existe relação afetiva com a paisagem
local. Para o turismo de sol e mar isso é um pouco diferente, pois o apelo das
praias é maior. O turista vai para praia e não para a pousada ou hotel. O hotel
como bem denomina sua função deve ser um “meio de hospedagem” e não o fim.
Outro ponto que não posso deixar de registrar é a pouca relação afetiva que a
maioria das populações locais tem com a paisagem. Muitos moradores nem conseguem
mais percebe-la. E como sensibilizar a população local para atividade turística
se eles desconhecem o potencial paisagístico de sua cidade? Para os moradores, a
cidade é um local de trabalho, moradia e não um atrativo turístico. Certamente
eles se identificam mais com as atividades econômicas que mantém o município.
Seja a exploração mineral, a agricultura, a pesca. O turismo não é prioridade.
Isso leva algumas conseqüências como descaracterização do patrimônio histórico,
desmatamento desnecessário, a valorização de tudo que representa o novo, o
moderno. Tudo isso compromete o potencial turístico do lugar.
O vandalismo é algo que merece também uma profunda reflexão. Porque nos dias de
hoje a depredação do patrimônio natural e principalmente o público e urbano tem
sido tão freqüente? Um exemplo são as obras de revitalização da Lagoa da
Pampulha em Belo Horizonte, cartão postal da cidade. Em menos e um mês após sua
inauguração, as estátuas já se encontram quebradas, o patrimônio pichado e
depredado. A falta de respeito e amor pelo local onde se mora é gritante. Para o
turista que visita a cidade a impressão é péssima, de desleixo, de falta de
cuidado. A maioria dos pichadores são jovens que deveriam estar trabalhando ou
estudando e não nas ruas. Será que isso é um sinal de protesto, ou pura
diversão? Não se sabe ao certo, mas deveriam haver punições mais severas para
essas pessoas. O interesse individual não pode superar o coletivo.
Enfim, as paisagens devem ser valorizadas e preservadas para que gerações
futuras possam usufruir. O turismo não tem como se desenvolver em sua plenitude
se não levar em consideração o valor das paisagens.
Bibliografia
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Contexto, 2003
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KRIPPENDORF, Jost : Sociologia do Turismo – Para uma nova compreensão do lazer e
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Paisagem – São Paulo : Contexto, 2002
CRUZ, Rita de Cássia Ariza da : As paisagens artificiais criadas pelo turismo –
in : Turismo e Paisagem – São Paulo : Contexto, 2002
Autora:
Jaisa H. Gontijo Bolson
Bacharel em Turismo com especialização em Educação de
Formadores em Turismo pela EFESO/ Bolonha- Itália. Consultora da Fundação Israel
Pinheiro. Ex-Superintendente da Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais.
Diretora de Projetos Especiais da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte
- Belotur
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