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A “poluição social”
representa um perigo para o Ecoturismo - Mar/04 |
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O turismo, é o setor econômico, que cada dia mais depende da natureza para
sobreviver. A preocupação com o meio ambiente despertou o interesse de muitas
pessoas conscientes, que reconhecem os recursos naturais como um bem finito e
passivo de cuidados. A industrialização e a urbanização, trouxeram para a
sociedade a poluição ambiental, que desencadeou uma série de discussões, para
impedir que isto propiciasse a destruição do patrimônio natural. O grande perigo
atual, é ver no turismo o remédio para todos os males que afligem os municípios
e, desenvolve-lo sem um planejamento. A responsabilidade sobre a manutenção da
qualidade ambiental dos destinos turísticos é de todos, inclusive do próprio
turista.
O turismo responsável, é aquele capaz de respeitar as características dos
destinos trabalhados, sem transformar as comunidades visitadas em satélites
desgarrados da cultura urbana, é necessário impedir a destruição da beleza da
paisagem, onde elas estão instaladas, ou a interferência no funcionamento dos
ecossistemas ali existentes, do qual dependem fauna, flora, água e ar saudáveis.
Os impactos ambientais mínimos precisam ser valorizados, mantendo-se distantes
os complexos hoteleiros e pacotes de viagem não preservacionistas e, acima de
tudo, é preciso investir na capacitação dos recursos humanos, ensinando a todos
os envolvidos, a usufruir, sem destruir.
Em 1972, com a Conferência das Nações Unidas (ONU) para o Meio Ambiente,
realizada em Estocolmo, na Suécia,que teve como objetivo principal mostrar ao
mundo a gravidade da situação nesse setor, as questões ambientais ficaram ainda
mais evidentes. Mais de 133 nações participaram da Conferência, onde a maioria
eram países em desenvolvimento, incluindo o Brasil Nesta ocasião foi abordada a
questão do subdesenvolvimento como uma das causas mais freqüentes de poluição
sendo, portanto, importante a criação de programas que ajudassem a diminuir a
pobreza no mundo.
O meio ambiente serve como cenário para toda viagem que se pretenda fazer. O
local deverá oferecer belas paisagens, incluindo a natureza em todas as suas
ações, devendo ter como efeito do turismo a melhoria não só do nível de vida da
população residente, como também uma harmoniosa convivência com os visitantes.
O mercado está exigindo cada vez mais das agências de viagem uma atitude ética,
não só de dar conforto ao cliente, mas também de proporcionar ao turista uma
proximidade com a população anfitriã. Embora seja o turismo um gerador de
empregos e dinheiro novo, deve haver um comprometimento do turista com o local e
um respeito mútuo entre as pessoas.
Diversos problemas, como a prostituição infantil, o desrespeito ao patrimônio
cultural e natural nascem desta falta de relação afetiva maior com o núcleo
receptor, já que após o tempo de permanência numa localidade, restam apenas
fotos, lembranças e alguns souvenirs. Pensando nestes aspectos, a
OMT-Organização Mundial do Turismo lançou um código mundial de ética do turismo,
que foi apresentado no Brasil durante o terceiro Fórum Internacional para
Parlamentares e Administrações Locais, realizado no Rio de Janeiro. A preparação
deste código teve início na assembléia geral da OMT, em Istambul em 1997 e foi
aprovado por unanimidade, em Santiago do Chile em 1999.Trata-se de um projeto
participativo, já que recebeu durante a sua feitura contribuições, de mais de 70
países,entidades de turismo e organizações não governamentais. O código tem dez
artigos e contempla a contribuição do turismo para compreensão da preservação
dos valores morais da sociedade, sendo o turismo considerado um instrumento de
desenvolvimento individual e coletivo. Este foi um primeiro passo normatizador
para a preparação dos turistas e do habitante local que irá recebê-lo.
O nativo precisa se conscientizar e atuar como um verdadeiro defensor do
patrimônio de sua cidade , reconhecendo os benefícios econômicos, sociais e
culturais, mas , compreendendo, também, os seus riscos. O turismo, como prevê o
código, é muito mais do que “aumentar a ocupação dos hotéis e pousadas” ou
“simplesmente lotar cidades de turistas”. È um instrumento institucional de
auto-educação, de tolerância mútua e de aprendizagem das diferenças entre povos
e culturas.
Considerando que os turistas e visitantes, de acordo com o artigo 13 da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, devem ter acesso aos locais
turísticos e culturais, sem exageradas formalidades, como é o caso do visto de
entrada, que às vezes é outorgado, através de um verdadeiro ritual vexatório em
função da imigração, ressalta-se que defender o cidadão é dever constitucional
.Aflige-nos também a falta de projetos e continuidade das políticas de turismo
no setor público.
Por meros desejos políticos, são admitidas pessoas, sem conhecimento técnico,
permitindo que o turismo se transforme numa verdadeira “poluição social”,e não
uma solução para a crise econômica. Governo e empresários tem investindo em
projetos comunitários, mas é preciso que reflitamos sempre sobre o papel do
turismo, como forma de amadurecimento do indivíduo, que deverá ser capaz de
respeitar a outra comunidade, com seus valores culturais. È a construção do
turismo, pela cidadania, é a ética no turismo. O ecoturismo precisa escrever uma
história coerente, na qual a cultura local deve ser muito valorizada. Resta-nos
saber se haverá tempo de disseminar os conceitos de turismo responsável,
sustentável, ecológico ou como se queira chamar, antes de se acabarem os
destinos com potencial para um trabalho sério. Antes de se matarem “as
galinhas”, ignorando que seus ovos são de ouro.
Autora:
Vininha F.Carvalho
Escritora, ecologista, economista e admistradora de empresas
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