O presente artigo é fruto de uma discussão de grupo para dar conta de um requisito final da disciplina “Metodologia da Pesquisa Científica”, do curso de Pós-Graduação em Geografia, Meio Ambiente e Turismo, da Universidade Estadual de Goiás – UEG. O grupo deveria preparar um seminário intitulado “O que é projeto de pesquisa”. Ao invés de simplesmente funcionar como mero cumprimento de uma formalidade acadêmica, o grupo sentiu-se instigado a propor algumas questões que se mostraram fator de inquietação para cada um, em algum aspecto. Após a etapa levantamento bibliográfico, constatou-se uma certa carência de subsídios e uma tendência para a abordagem reducionista de apresentar apenas roteiros e dicas para elaboração do projeto. Neste contexto, o que se enseja com este trabalho, mesmo em suas singelas possibilidades é contribuir no debate sobre a relevância do projeto no processo da investigação científica apresentando seu real valor como norteador dos procedimentos. Outra contribuição possível é estabelecer algumas diferenças e semelhanças presentes na terminologia no processo da pesquisa, buscando, em certa medida apresentar os conceitos que embasam estes procedimentos metodológicos, nisso, consiste o próprio fazer científico. Desta forma, o artigo inicia-se com a contextualização o projeto dentro da pesquisa. Posteriormente, apresenta algumas bases conceituais e indica, de forma simples e clara, as orientações necessárias para a elaboração do projeto de pesquisa. Como questões de aprofundamento, discute as finalidades socais da pesquisa e a posição de quem investiga. Assim, a opção
pela elaboração de um artigo assenta-se justamente no desafio de contribuir no
debate acadêmico, ao mesmo tempo em que anuncia uma certa ousadia dos alunos do
curso mencionado, que tomam como ponto de partida que “a pesquisa nasce de
alguma indignação”, como é muito propalado nas disciplinas de Metodologia de
Pesquisa. Esta é a idéia motriz. O escopo deste processo centra-se, principalmente, na sistematização dos procedimentos, revestida de um tratamento metodológico comumente denominado de científico. O ato de pesquisa presume um cuidadoso processo de planejamento. Neste contexto, para efetivar este planejamento é necessário que se estabeleça como etapa inicial, a elaboração do “Projeto de Pesquisa”. Assim, cabe dizer que planejar é antecipar o futuro. Neste sentido, o projeto funciona como um instrumento de planejamento, numa ferramenta que delineia procedimentos e ações que se desenrolarão no decorrer da pesquisa. Desta forma, “o planejamento da pesquisa concretiza-se mediante a elaboração de um projeto, que é o documento explicitador das ações a serem desenvolvidas ao longo do processo de pesquisa” (Gil, 2002, p.19). O projeto funcionará como roteiro de trabalho, para todos os envolvidos: pesquisador, equipe, orientador e analistas. Apesar de parecerem simples e claros, os termos: plano, planejamento, pesquisa e projeto acabam por provocar uma confusão de significados. É recorrente tomar a parte pelo todo, ou seja, o projeto pela pesquisa. Algumas vezes, confunde-se projeto com plano de trabalho. Este último é mais um roteiro provisório inicial, indicando as idéias principais que deverão ser tratadas. Em outros casos, impõe um grau de desafio ao pesquisador, transformar os resultados da pesquisa retratados em forma de relatório escrito sem, contudo, que este traga consigo uma linguagem de projeto, herança da fase inicial da pesquisa. Dito de outra forma, uma dissertação ou tese não deve se parecer com um projeto. Sua composição e redação têm outro formato e estrutura lógica específica. Em verdade, o plano inicia o trabalho que requer planejamento e projeto para ao final ser concluído com a dissertação ou tese. Neste contexto,
a presente reflexão propõe discutir sobre a importância do projeto, não apenas
como uma etapa obrigatória ou um mero ritual da pesquisa. A questão abordará
principalmente sua função social com as diferenças e convergências dentro do
contexto da pesquisa. Aliás, este sentimento parece correr mundo, apresentando um cenário mais comum do que se desejaria acreditar. Fato semelhante pode-se depreender nas reflexões de Eco (2000) sobre a obrigatoriedade de se elaborar uma tese para se formar na universidade italiana. Esta obrigatoriedade não seria problema, em princípio. Entretanto quando contraposta a uma realidade perversa do que ele mesmo chama de “universidade de massas”, composta por estudantes que não detém as condições desejáveis para a tarefa. Dos milhares de estudantes que ingressam poucos serão bem tutorados e orientados para estes ritos acadêmicos, não se esquecendo é claro da origem heterogênea de sua formação e classe social. O autor em sua importante obra “Como se faz uma tese” ocupa-se em definir bem o perfil de leitor para qual se direciona e quase faz uma demonstração de coragem quando afirma que um dos objetivos da obra é mostrar que “pode-se preparar uma tese ‘digna’ mesmo que se esteja em situação difícil” (Eco, 2000, p. XIV). Mais além continua, dizendo que apesar de ser uma formalidade imposta para a conclusão dos estudos de terceiro grau, pode ser que este processo resgate o sentido do próprio curso, desenvolvendo um exercício crítico de identificar problemas e saber expô-los por meio de técnicas específicas de comunicação. Neste sentido, pode-se estender estes questionamentos a etapa de elaboração do projeto de pesquisa. O que se propõe é identificar com clareza o papel do projeto em todo o contexto para, então, poder dar-lhe o seu devido valor. Remontando as funções de um projeto dentro de uma pesquisa fica mais fácil extrair sua relevância. O projeto é responsável por mapear um caminho a ser seguido durante a investigação e, desta forma, esclarecer para o próprio investigador os rumos do estudo. Ora, sabendo onde se quer chegar e como fará isto para lograr sucesso, certamente o pesquisador não se perderá no trajeto (Deslandes, 1994). Numa outra perspectiva, Deslandes (1994) lembra que ao se elaborar um projeto científico estará sendo trabalhado simultaneamente em três dimensões interligadas: técnica, ideológica e científica. A primeira trata das regras reconhecidas como científicas para construção de um projeto, ou seja, como definir um objetivo, como abordá-lo e como escolher os instrumentos mais adequados para a investigação. A segunda está diretamente relacionada com as escolhas pessoais do pesquisador. Por fim, a última procura articular as duas dimensões anteriores, permitindo que a realidade social seja reconstruída enquanto objeto do conhecimento, por meio de um processo de categorização que une o teórico e o empírico. A autora propõe
uma metáfora para identificar o papel que o projeto desempenha, dizendo que Na busca pela formulação de um roteiro a ser seguido, Lakatos (2001) propõe que o planejamento da pesquisa é constituído por quatro grandes momentos ou grupos de ação: preparação da pesquisa, fases da pesquisa, execução da pesquisa e relatório. Neste sentido, a confecção de um projeto de pesquisa é uma ação típica da etapa de preparação. Uma premissa é consenso entre os pesquisadores. Para a formulação de um projeto de pesquisa deve-se atender alguns requisitos necessários. Embora não haja regra rígida sobre o formato geral um projeto deve contemplar os seguintes itens: formulação do problema; construção de hipóteses; definição de metodologia com a identificação do tipo de pesquisa, tipo de amostragem, coleta e levantamento de dados, análise e interpretação de resultados, dentre outros procedimentos; previsão de recursos (financeiros, físicos, humanos e materiais) e cronograma de execução, prevendo todas as fases da pesquisa. Barros & Lehfeld (1997) defendem que é aconselhável iniciar a elaboração do projeto de pesquisa, após a definição do problema. Para tanto, um estudo exploratório deverá ser efetivado, observando-se os elementos que evidenciam seu surgimento. Assim, no período do estudo exploratório, a preocupação estará centrada na formulação e delimitação do problema. Contudo, será durante a elaboração do projeto de pesquisa que se poderá avaliar a viabilidade de investigação do problema formulado. Da mesma forma Gil (2002) corrobora esta idéia, principalmente, ao jovem pesquisador, que para elaboração correta de um projeto é imperioso que se defina de forma bem clara o problema. A partir daí, pode-se então prever os passos, etapas e procedimentos possíveis e desejáveis da pesquisa. É recorrente o alerta na fala de muitos autores afirmando que nem todos os problemas são “problemas científicos”. O devido esclarecimento deste conceito é parte fundamental e introdutória dos conteúdos referentes à metodologia de pesquisa, pois, fazer investigação passa pela capacidade de problematizar os diferentes fenômenos existentes. Neste contexto, cabe aqui rápida revisão sobre as informações e seus respectivos tópicos essenciais na composição de um projeto. A definição de um problema indica a área de interesse a ser investigada, bem como aponta os caminhos de aprofundamento do tema. Sua formulação deve ser em forma de pergunta, clara e precisa, devendo ser delimitado a uma dimensão variável. Num segundo passo vem a construção da hipótese que decorre de um exercício que pretende demonstrar o que ainda não ficou evidente no referencial teórico ou na metodologia adotada, tentando responder as questões tratadas pelo problema, a partir de base teórica que a sustente. Na busca de respostas às inquietações que motivaram realização da pesquisa, o pesquisador estabelece uma “trilha” para nortear o que se almeja atingir ao término da investigação. A este caminho dá-se o nome de Objetivos. Estes podem ter uma ação mais abrangente ou específica. Este último, denominado de “objetivos específicos” estabelecem os diversos patamares intermediários que deverão ser alcançados ao longo da realização da pesquisa, que somados darão o resultado geral esperado (objetivo geral), qual fossem os degraus de uma escada. Na Metodologia ficam estabelecidas quais as opções tomadas e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico, com a apresentação do detalhamento de todas as etapas e procedimentos que serão necessários para a realização da pesquisa. Neste momento, define-se a amostragem, coleta e levantamentos de dados, além de indicar-se como os dados encontrados serão organizados, analisados e interpretados. Segundo Barros & Lehfeld, (1997) dependendo da tipologia da pesquisa a ser desenvolvida e a metodologia adotada pelo pesquisador, o projeto poderá também apresentar diferenciações, enfocando um ou mais aspectos. Caso o estudo seja fundamentado numa linha mais qualitativa de estudo, haverá maior preocupação quanto à fidedignidade e representatividade da extensão de dados coletados em relação ao universo da pesquisa. Técnicas de mensuração serão indicadas. Por exemplo, nas pesquisas que se baseiam em linhas metodológicas mais participativas, o enfoque necessariamente será outro. A apresentação dos procedimentos metodológicos quanto à motivação da população-alvo e quanto à participação e inter-relação dos envolvidos, no processo de investigação (pesquisador-pesquisados), também indica diferenciações. O esclarecimento sobre os meios utilizados pelo pesquisador para se integrar à população-alvo também será abordado. O item Recursos geralmente só aparece em pesquisas que pleiteiam, para sua realização, financiamento junto a Agências de Fomento à Pesquisa ou congêneres. Assim, devem ser selecionados todos os recursos (físicos, materiais, financeiros e humanos) necessários para a realização da pesquisa. Pelo Cronograma pode-se organizar o tempo necessário para realização de cada uma das etapas propostas no projeto. Neste item devem ser discriminados todas as ações e procedimentos, prevendo-se a o período de execução, com sua duração e as respectivas datas de realização. Sugere-se utilizar como base nas informações previstas no tópico Metodologia e prever o tempo de execução e as datas. Cabe ressaltar,
que o projeto deverá possuir certa flexibilidade, demonstrando capacidade de
adaptação às possíveis mudanças existentes no desenrolar do trabalho,
principalmente, devido a situações frente às dificuldades muito freqüentes na
fase de coleta de dados, o que pode influenciar na continuidade da subvenção
financeira do projeto, quando este for o caso (Barros & Lehfeld, 1997). Severino (2000) faz instigantes reflexões sobre o fato de que a realização de uma pesquisa geralmente está contida no contexto de cursos de pós-graduação, atuando como uma parcela fundamental e necessária pela qual passa todo estudante de mestrado e doutorado, pois que, as dissertações e teses nascem fruto de uma pesquisa. Em suas críticas, denuncia uma certa fragmentação do ordenamento das pós-graduações, nas quais, é comum o momento de se freqüentar disciplinas ser apresentado de forma estanque e demasiadamente separado do momento da execução da pesquisa propriamente dita, que ele denomina de “abismo”, para o qual, não se percebem ainda pontes e ligações eficientes. Contudo, é explícita a preocupação de que a pesquisa seja uma conseqüência do amadurecimento do pesquisador, que deve dominar os pressupostos teóricos e as diversas técnicas, principalmente, ter capacidade de problematizar, a partir da observação dos fenômenos e fatos. Neste contexto, o autor traz outro aspecto essencial na própria elaboração da pesquisa, a etapa quando o pesquisador debruça-se na definição do tema, qual seja “a sua relevância”. Então alerta, que possua uma relevância não somente “acadêmica”, mas, principalmente, “social”. Assim, afirma ele que “na sociedade brasileira, marcada por tantas e tão graves contradições, a questão da relevância social dos temas de pesquisa assume então um caráter de extrema gravidade”.(Severino, 2000, p.159). Estas questões remetem-se, em certa medida, a uma discussão importante entre as diversas correntes teóricas a cerca do papel da ciência ou, em última análise, sobre quais os caminhos por elas buscados na construção do chamado “conhecimento científico”. Desta forma, presencia-se um antagonismo entre a ciência tradicional e outras formas de fazer ciência. Na primeira, os parâmetros são positivistas e baseados na persistente busca pela objetividade e racionalidade. Em verdade, as últimas procuram formular uma crítica da primeira, primordialmente, demonstrando seus limites. Neste sentido, vale destacar algumas posições da Escola de Frankfurt que trouxe relevante contribuição neste debate. Alves-Mazzoti (2002), baseada em estudos de Slater , analisa que para os afiliados desta escola, uma teoria tem que se relacionar com a práxis, para que se possa reconhecer o seu valor. Assim, lembra que para os chamados frankfurtianos, “para ser relevante, uma teoria social tem de estar relacionada às questões nas quais, num dado momento histórico, as forças mais progressistas estejam engajadas” (p. 116). Um outro recorte possível é analisar a pesquisa sob a perspectiva de suas finalidades. A partir de sua destinação pode-se, então, classificá-la em pesquisa pura e pesquisa aplicada. A primeira, também chamada de teórica ou básica, tem por objetivo o conhecimento pelo conhecimento, não implicando numa ação de intervenção imediata. A segunda, como o próprio nome sugere, é motivada pela necessidade do conhecimento para a aplicação imediata dos resultados, buscando solucionar problemas encontrados na realidade. Embora provoque uma natural comparação antagônica, estes dois tipos de pesquisa não são necessariamente opostos ou excludentes, nem um tem supremacia de importância em relação ao outro. Em verdade, o desenvolvimento da ciência não pode prescindir destas duas formas, pois, cada um há seu tempo e de acordo com as circunstância desempenham seu papel, dentro do contexto da realidade social apresentada (Barros & Lehfeld, 2002). Retornando à reflexão original deste tópico, é necessário que, para determinar a relevância de uma pesquisa, a investigação esteja sintonizada com seus reflexos na dimensão social, buscando, de alguma maneira, a transformação da sociedade e quiçá, sua emancipação, contrapondo-se ao que tradicionalmente a ciência poderia perseguir o mero desenvolvimento do conhecimento. O que se pretende com este breve debate, é enfatizar a importância da pesquisa e da própria idéia da prática científica, sem desmerecer, entretanto, os cuidados e a relevância dos métodos e do rigor do estudo, lembrando de que cada pesquisa deve exercer sua função de melhorar a sociedade. Contudo, mantendo permanente sintonia com a preocupação instrumental e metodologia que envolve o processo da investigação científica e passando por um viés mais operacional do cotidiano acadêmico, cabe encerrar este item com Severino (2000) que lembra algumas outras funções da pesquisa, aqui neste contexto, abrangendo também o próprio projeto de pesquisa. Desta maneira,
o autor destaca as seis funções de um projeto de pesquisa: a primeira função já
foi amplamente abordada anteriormente, definir e planejar os passos que serão
seguidos pelo pesquisador, auxiliando-o na tarefa de trabalho disciplinado e
sistemático; cumprir uma exigência formal da realização de uma pesquisa;
auxiliar no processo de orientação, fornecendo visão global do desenvolvimento
do trabalho; subsidiar os trabalhos de avaliação da banca examinadora, nos
exames de qualificação; subsidiar os pedidos de bolsa de estudos ou
financiamentos de agências de pesquisa; e fundamentar o processo de seleção em
programas de pós-graduação, principalmente, doutorado. Sua importância se consolida no decorrer das etapas do processo de investigação. A cada passo, desde a escolha do tema, a definição da forma de problematizá-lo, os instrumentos e métodos a serem utilizados, a seleção dos autores e dos documentos que servirão como arcabouço teórico, a linguagem a ser adotada na elaboração final do relatório, seja a dissertação ou a tese, enfim, todos elementos e todo o percurso da pesquisa dependem dele e dele comporão uma espécie de auto-retrato. Ao se falar da
função social de uma pesquisa, de certa maneira, isto está implícita a própria
visão de mundo e de ciência do pesquisador. A motivação íntima é um dos motores
da prática científica. Esta motivação, em muitos casos, dará conta dos caminhos
escolhidos como curso investigativo. Por exemplo, voltando à taxionomia
apresentada anteriormente, Barros & Lehfeld (2000) oferecem algumas pistas,
argumentando sobre as diferenças entre a pesquisa pura e aplicada. Dizem eles Mesmo que haja
inúmeras divergências sobre a questão das teorias e seus paradigmas, não parece
ser errado afirmar que o pesquisador e tudo que dele provém ocupa lugar
substantivo no processo investigativo. Como resultados preliminares pode-se afirmar sem equívocos que um projeto de pesquisa é necessário. Permitindo uma metáfora, seria o mesmo que prescindir de bússola e mapas numa viagem de aventura, velejando em mar aberto. Nem que o aventureiro fosse o mais neófito e otimista possível, mesmo que contasse com uma crença “quase transcendental” da sorte e do futuro, não seria imaginável esta atitude. Cabe então, compreender o porquê do projeto ser tratado, na prática, por parte dos pesquisadores, como uma peça de segunda importância, dentro da prática científica. Um fator que justificaria talvez seja oriundo daqueles efeitos perversos da dinâmica burocrática, que limita recursos de toda a natureza, principalmente de tempo, precipitando o processo de amadurecimento do investigador. Assim, parece que não restam alternativas ao investigador pensa que o que se pode fazer é “ir fazendo” e durante o processo, vão se corrigindo as falhas e suprindo as necessidades. Esta questão do não amadurecimento levanta a fragilidade teórica dos estudantes e candidatos a pesquisadores, não se esquecendo que este, já traz consigo uma herança educacional sem tradição na pesquisa, nem que forma embrionária, como, deveria ser o pretendido, nas nostálgicas “feiras de ciências”. Embora esta
seja uma discussão sem fim, não se poderia deixar de mencionar sintonizando com
as reflexões de Umberto Eco, a obrigatoriedade da elaboração de um projeto de
pesquisa, mesmo sem estas condições básicas mencionadas, também pode ser
considerado fator de esvaziamento e de desgaste de parte das etapas da pesquisa,
que parece recair na fase de planejamento, da qual o projeto é seu principal
estandarte.
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