A história da humanidade não volta atrás e quando isso ocorre é de forma artificial e puramente idealista, portanto, segundo Karl Marx ressurge como comédia ou tragédia. Para aqueles que perderam seu poder secular de dominação material e simbólico sobre a sociedade, o entendimento do mundo, é visto como uma enorme desgraça para sua existência. Para os que surgiram ou ascenderam política e socialmente em decorrência desse processo histórico, a sociedade deveria permanecer congelada e imutável na perspectiva de preservar seu status quo. Tanto um como o
outro são produtos da luta de classes que movimenta a história em busca do reino
da liberdade por meio do entendimento de que a categoria explicativa do homem –
o trabalho e o lazer vão se aprimorando tecnologicamente na resolução de seus
problemas, porque a mesma não surge separada do lazer. Por isso, “um outro
turismo é possível” e se transforma em um instrumento de “integração pela paz”. Assim, acontecimentos como o IV e VI Congresso Internacional de Turismo da rede Mercocidades realizados respectivamente em 2002 e 2004 na cidade de Porto Alegre permitiram que o campo do turismo no Brasil sedimentasse bases para os estudiosos desse objeto. Portanto, alunos e professores hoje sabem distinguir entre os inúmeros congressos e vários tipos de encontros na área. O Mercocidades de Porto Alegre trouxe a idéia e desenvolveu na prática a verdadeira práxis pedagógica para pensar o saber turístico. Devemos entendê-lo como uma ciência e na riqueza de sua interdisciplinaridade mediantes aos componentes que resguardam estes princípios. Os guardiões desta persistência tiveram de lutar contra os dragões do mal, enfrentar o preconceito de uma “academia” acostumada com o senso comum e a leitura linear economicista e empírica do fenômeno turístico. Estes nos combateram pela frente e por trás, sem perdão, perdemos muitos espaços, mas cristalizamos outras unidades totalizantes do pensar, conquistamos amigos fiéis, mudamos a leitura do fenômeno turístico dentro das universidades, unimo-nos aos diversos quadrantes do mundo e temos tentáculos em vários cantos do planeta pensando o turismo. Fomos preteridos de pensar uma política nacional para o turismo, subvertemos os grandes interesses, somos críticos, pois somos seres que pensam no coletivo, na justiça, na democracia com o fervor latino. Esses são brasileiros que acreditam na felicidade no amor e numa forma de fazer política voltada para a realidade latino-americana que lute contra o turismo apartheid, a miséria a fome e o medo de ser feliz. Pessoas com proposta crítica semelhante, têm hoje onde pedir abrigo para seus pensamentos. Conseguimos agregar identidades de princípios no vasto campo do saber turístico junto a uma estrutura física exemplar o chamado Porto Alegre Turismo – Escritório Municipal. É obvio que a questão não se resume a nenhuma estrutura pública para resolver o problema do turismo nacional, mas sim, na linha política pedagógica dada por quem a ocupa. Neste caso estamos nos referindo à professora, educadora, amiga e intelectual Marutschka Martini Moesch e sua equipe. Vejamos alguns nomes que hoje conseguimos agregar entorno do estudo do fenômeno turístico no Brasil Jafar Jafari, John Swarbrooke, Sergio Molina, Jost Krippendorf, Michel Maffesoli e Hugo Romero. Com muitos aprendemos e assimilamos seus ensinamentos, mas uma coisa hoje se tem certeza, nada ficamos a dever a eles, nos associamos e complementamos saberes, por esse motivo somos referencia mundial na produção literária do turismo. Aos estudiosos
do turismo brasileiro devemos uma homenagem nos referimos a todos que de forma
persistente se debruçaram no estudo epistemológico do turismo. Assim, a
verdadeira base para que pudéssemos demonstrar uma intelectualidade crítica
autóctone e desvinculada das diferentes historiografias dominantes, foi dada por
esses pesquisadores com diferentes formações cientificas. |