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A tipologia do turismo -
Jun/04 |
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Quando fazemos
compras no supermercado e escolhemos quais os itens que são necessários à nossa
despensa, nos deparamos com uma incrível variedade de produtos: leite (com mais
cálcio, integral, desnatado, semidesnatado, com ômega 3, à base de soja, de
arroz, etc.), trinta tipos de maionese e mais de 100 qualidades de iogurte. Quer
um aparelho de DVD? Há setenta tipos. Vai comprar um celular? Duzentas
possibilidades. Em busca de um computador pessoal? São 400. E os carros? Há 300
modelos de dezesseis fabricantes, em cinqüenta cores e quatro qualidades de
combustível, só para citar alguns exemplos. E no turismo? Quando vamos à uma
agência, quais e quantos são os tipos de pacotes que são oferecidos? Vejamos:
cruzeiros marítimos, turismo religioso, ecoturismo, turismo rural, de aventura,
cultural, eventos, gastronômico, GLS, turismo de saúde, de compras, single,
urbano, etc. Ah, e tem também aqueles de classificação duvidosa como o turismo
carcerário (no qual os parentes de presidiários que residem em outras cidades
passam o dia na penitenciária). Talvez os soldados americanos que viajaram em
missão para o Iraque também pudessem ser classificados como turistas, fazendo
parte do “turismo militar”. Então, eu pergunto: o que não é turismo? Todas as
viagens são turísticas? Se não, quais?
Para alguns produtos industrializados (melhor dizer manufaturados, já que se
considera que o turismo é também uma indústria – fazer o quê?) é concebível a
idéia de se criar uma tipologia de modo a atender um determinado grupo
consumidor. Mas, será que no turismo isso também é necessário? Porque se perde
tanto tempo e esforço mental para se criar tamanha tipologia? Quando um viajante
qualquer está em trânsito ou no local de destino, o que o difere do turista? Ou
será que todos os viajantes são turistas? Então, o que é um turista? Após
comprar a sua passagem, esse mesmo viajante irá para um destino qualquer e lá
desfrutará de seus atrativos, não importando o local onde ele está, mas sim, a
sua atitude enquanto visitante que é a de se deslumbrar e ter o prazer de estar
ali. Ou seja, não importa se ele está no meio da selva praticando rafting ou no
centro de uma grande metrópole contemplando a arquitetura local, se sua viagem
se deu por um impulso de obter prazer, ele é um turista. Caso contrário, ele é
apenas um viajante. Ou estou errado?
Autor:
Prof. Marcelo Monteiro
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