|
Artigos |
Turismo da
juventude na promoção do
turismo interno e inclusão social - Ago/05 |
Voltar |
Na importante
obra Turismo da Juventude de autoria de Maria José Giaretta define turismo da
juventude como:
Turismo praticado por um grupo homogêneo de jovens, com as características
marcadas por período etário, estilo de vida e estado de espírito, que
desencadeia uma série de sub-segmentos divididos em vários tipos de turismo,
entre eles, educativo (estudantil, intercâmbios, cursos no exterior);
associativo fomentado por associações como albergues da Juventude, Clube dos
Escoteiros, Associação de Cristã de Moços e de Moças; turismo social, promovido
por organizações que facilitam o acesso de jovens que ficariam excluídos da
prática do turismo convencional; e turismo de natureza (ecoturismo, aventura,
esportes radicais, turismo alternativo). (GIARETTA. 2003, p. 08).
A partir da definição acima serão relatados os passos da viagem e analisados os
obstáculos encontrados para o fomento deste turismo, mas também serão
apresentados algumas ações e benefícios que podem tornar o turismo da juventude,
mais um instrumento para o desenvolvimento do turismo de massa organizado e
sustentável no Brasil.
DESTINO E PLANEJAMENTO
Nós não possuíamos uma renda compatível para a nossa empreitada, logo teríamos
que buscar meios alternativos e baratos para efetivá-la e torná-la algo
agradável e produtiva. Neste aspecto o termo mochileiro se encaixou para o grupo
(não tanto pelas condições financeiras, pois vários viajantes são mochileiros,
mas sim por gostar de viajar da forma que a seguinte definição mostra). Segundo
a mesma autora já citada o mochileiro é: “Aquela pessoa que viaja fora dos
esquemas convencionais; ‘pé na estrada’; prefere viajar sozinha ou em pequenos
grupos”. (GIARETTA. 2003 p.07) Decidimos que o destino seria o litoral paulista,
tanto pelas belezas naturais, quanto pelo potencial sítio para nossa pesquisa.
Ao invés de escolher alguns locais específicos, chegamos ao consenso de visitar
o litoral paulista inteiro apenas com nossas mochilas, barracas e os próprios
pés como meio de condução, é claro que de uma cidade à outra íamos por
transporte coletivo, ou carona, pois seria inviável percorrer o trajeto, que foi
de Cananéia, primeiro município ao Sul do litoral do estado de São Paulo na
divisa com o Paraná, até Ubatuba, a pé em 14 dias, pois a pouca duração das
férias de julho não nos permitiria um tempo maior e também por falta de
condições financeiras.
Pensamos em algum eventual patrocínio, mas sem sucesso, quem acreditaria que
cinco universitários “passeando” pelo litoral gerariam algo produtivo; não que
tenham nos subestimado; muitos inclusive nos deram incentivos, mas apenas
morais; o que acabou por determinar a vontade maior do grupo e fazer algo para o
Turismo.
Reunimos informações dos locais a serem visitados, para adequarmos o que e em
quanto tempo os fariam, em guias de praias especializados, consultando
principalmente as distâncias, estradas, transportes atrações, órgãos públicos, e
eventuais preços. E também conhecimentos pessoais do litoral, já que cada um do
grupo costuma ir para diferentes lugares do litoral paulista.
• A distância estipulada para o trajeto todo, por meio de escalas geográficas
constadas nos mapas dos guias, era de 600 km, dividido pelas duas semanas
resultaria em 42 km diários, logo, determinamos utilizar um, no máximo dois dias
para cada município, mas a efetivação do estudo realizado seria feita durante a
viagem, pois dependeríamos de diferentes situações de clima, dinheiro,
hospedagem e outros.
• Elaboramos um planejamento de gastos para 14 dias que abrangeu o valor de
passagens para o percurso todo, alimentação, hospedagem, passeios e outros
chegando em um valor aproximado de 350 reais. Este valor pode ainda não ser
muito acessível, mas vale lembrar que foi para uma viagem extensa, um turista
que queira pode viajar em um final de semana, por exemplo, que o valor será
inferior.
• Baseado na experiência de alguns de nós em viagens e acampamentos anteriores,
formulou-se também uma lista de itens, que seriam levados e utilizados no
percurso, para revisão pré-viagem e esses itens foram divididos em: equipamentos
de camping, vestuário, produtos médicos e de higiene pessoal, alimentos e
outros.
A VIAGEM
Iniciamos o percurso, no dia 5 de julho de 2004, partindo de São Paulo direto
para o nosso primeiro ponto:
Cananéia, e de lá nos posicionamos rumo ao norte na seguinte seqüência: Ilha
Comprida, Iguape, Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, São Vicente, Santos, Guarujá,
Bertioga, São Sebastião, Ilha Bela, Caraguatatuba e Ubatuba.
Não irei citar cidade por cidade literalmente e sim, tratar os fatos de maneira
mais global e apontando ás dificuldades e possíveis soluções encontradas.
Primeiro ponto será o da hospedagem.
ALBERGUES
O turismo da juventude é fomentado por diversas associações entre elas os
Albergues da Juventude, que é um meio de hospedagem associativo que forma a
maior rede econômica do mundo, associado à marca Hostelling International.
Difundida por 70 paises, oferece um padrão mínimo de conforto, ambiente
descontraído, propício a encontrar pessoas para formar amizades por todo o mundo
e conhecer o máximo com o mínimo de gasto. (GIARETTA, 2003 p. 78).
Como se pode notar o albergue pode ser um meio ideal para o turista alternativo,
mas no litoral paulista são poucas as cidades que possuem um Albergue, apenas
Peruíbe, São Sebastião e Ubatuba. Nos municípios, empreendedores responsáveis e
organizados em prol de melhorias no turismo poderiam implantar albergues que
tenham este padrão de qualidade que os da rede antes mencionada possuem, pois
seria um meio de atrair viajantes que já os freqüentam ou não tem oportunidades
de conhecê-los justamente por não tê-los.
CAMPINGS
Acampamento turístico (camping) é definido como:
Estabelecimento comercial de locação de espaço, instalações e serviços,
destinado à cessão individual de lotes para instalação de barracas e/ou
estacionamento de trailers ou motorhomes. Dispõe de infra-estrutura básica em
toda a área e edificações de serviços centralizados de alimentação e higiene. (BENI.
2003. p.335).
Uma outra medida no que se refere à hospedagem seria os campings. Vimos que
estes sem as mínimas condições presentes na definição anterior em quintais de
moradores; a falta de oportunidades para a inserção da comunidade nos serviços e
empresas prestadoras, por isso talvez o fato de moradores abrirem seus próprios
estabelecimentos e sem treinamento adequado afetando de modo negativo o turismo
na sua localidade. Para isto seria útil também criar cooperativas de moradores
ou campings comunitários para gerar uma melhor organização.Este tipo de
hospedagem que possibilita um contato maior com a natureza, interação entre
pessoa, economia, pois economizando com estes meios de hospedagens mais baratos
sobrará ao turista uma quantidade maior para uso de outros serviços como
passeios, artesanato, etc.
DESCONTOS
Uma política para esse tipo de turismo que, conseqüentemente, poderia trazer
outros benefícios seria a dos descontos em serviços prestados, onde os jovens,
estudantes obtivessem serviços com preços reduzidos, tendo isso até como auxílio
de programa educacional e cultural. Com o programa com um título mais específico
ao turismo como: Viajar e aprender, aprendendo a viajar, ou Viagem e Educação,
educando a viajar, enfim, que além de proporcionar oportunidades de viagem,
essas tais completariam o aprendizado das matérias em aula e também dentro das
escolas que promoveriam pequenas excursões (devido aos maiores custos para uma
mais longa) e ensinariam o aluno a viajar, como: práticas para uma viagem mais
humana, de respeito ao meio ambiente, de relações interculturais e de
aprendizagem. E também talvez com uma divulgação eficiente incentivaria o jovem
que não estuda a freqüentar a escola para, então, adquirir os direitos aos
descontos e viajar, o que acabaria também por manter o aprendiz nas aulas,
contribuindo para a educação e cultura nacional.
Um exemplo pertinente de facilidade é o dos transportes, como na Europa,
estudantes e jovens possuem descontos nas passagens como afirma Giaretta (2003
p.73) “O Eurail tem uma série de tipos de passes de trem e em quase todos os
menores de 26 anos pagam menos”. Isso ajuda a promover viagens, tornando-as mais
acessíveis para fora do país e internamente. Diferente do Brasil que
historicamente não tem voltado as suas políticas para benefício do
desenvolvimento interno do turismo, dando prioridade ao turismo receptivo (ao
turista estrangeiro), isso também é importante, mas como afirma Santos Filho
(2005) que: “Vender a imagem do Brasil deve ser função do Estado, porém, deve
estar pautado na realidade concreta, no conjunto das práticas de lazer e turismo
do povo interno”. Ou seja, fomentar, melhorar a imagem e o atrativo turístico
brasileiro para o exterior é claramente oportuno, tanto pelo Estado, quanto
entidades comprometidas com a melhora do turismo, entretanto, deve
proporcionalmente, ou até antes procurar concretizar práticas de lazer e turismo
para o povo interno. Logo, essa questão dos descontos seria apenas uma das
medidas cabíveis ao desenvolvimento justo do turismo interno. O Brasil, além de
praticamente não possuir transporte ferroviário para o turismo, nem as empresas
rodoviárias garantem descontos, elas permitem estes descontos apenas pra
itinerários fixos em que o aluno vai da sua casa para o local onde estuda. Mas
essa política poderia ser empregada por todos os meios de transporte turísticos.
CONCLUSÃO
A viagem acabou sendo em nove dias e não as duas semanas que poderiam ser
utilizadas por motivos do clima e locais relevantes à pesquisa que se
encontravam fechados por causa da época (julho/ baixa temporada). O período em
cada cidade, que foi curto não foi muito propício a análises mais concretas, mas
apontou para alguns dos problemas relevantes para este segmento (turismo da
juventude) que necessita, como o turismo em geral, de medidas concretas
planificadas e objetivas para sua guinada positiva.
Não quero, aqui com este trabalho, finalizar a questão, mais sim trazer
resultados concretos, pois quando fizemos a viagem e decidimos o que
analisaríamos estávamos no início do curso de graduação (dois integrantes haviam
sido aprovados para o 3º semestre e os outros três para o 2°) o que não nos
permitiria fazer análises concretas devido à nossa, ainda, acanhada base
teórica. A vontade foi de fazer uma viagem que unisse o entretenimento com a
pesquisa, e, – já com aquele anseio de estudantes que estão no início de um
curso e querem fomentar e exercer a futura profissão –, nos permitisse analisar,
adquirir conhecimento na prática como turista-pesquisador e trazer benefícios e
idéias aos estudos turísticos. Enfim, trazer recursos e dados, transformar o
artigo numa ferramenta em prol do turismo nacional.
Nossa intenção foi provocar a atenção de administradores públicos para que se
mobilizem e busquem o planejamento adequado do turismo interno. De fato as
cidades possuem grandiosas atrações, belezas, serviços, isso nem se questiona,
mas muito há de se melhorar, procurar estabelecer políticas como as já
apresentadas e estimular no meio acadêmico tantas outras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 8ª ed. São Paulo, Senac,
2003.
GIARETTA, Maria José. Turismo da juventude. São Paulo: Manole, 2003.
SANTOS FILHO, João dos. Por que a ação da Embratur se torna preocupante para a
formulação de Políticas Públicas internas em Turismo? Revista Espaço Acadêmico,
nº 48, mai. 2005. www.espacoacademico.com.br, acessado em: 13 mai, 2005.
Autor:
Antonio Rafael Mesquita
Docente do curso de Turismo com Ênfase em Meio Ambiente da Universidade Estadual
Paulista
|

|
Mande o seu
artigo também, clicando na cartinha
ao lado, e promova seu trabalho expondo-o aqui! |
|
 |
|