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Até que ponto a atividade
turística permite a vivência de novas experiências - Jun/03 |
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A virada do século está sendo marcada por grandes transformações em todos os
aspectos da vida dos homens, repercutindo na definição de novos valores, no
aparecimento de novas necessidades e na alteração dos hábitos de consumo. Surgem
novos paradigmas e novos valores são incorporados à sociedade pós-moderna.
As pessoas estão cada vez mais atribuídas de atividades desgastantes seja no
trabalho ou nos estudos. A correria do dia-a-dia quase impossibilita a
convivência entre os familiares.
São transformações como estas que ressaltam a importância do turismo na
sociedade pós-moderna. Criam-se necessidades de fuga ao cotidiano, à procura de
lugares mais saudáveis e de um contato mais estreito com a natureza. O lazer, em
especial, as viagens são incorporadas à vida dos homens, como necessidades
fisiológicas para a produção de energia física e mental, além de estimular a
integração familiar. As pessoas se deslocam à procura de liberdade, de lugares
onde possam usufruir de um espaço natural com paisagens menos modificadas ao
contrário do ambiente habitual que é totalmente transformado e repleto de
grandes transformações e um grande número de veículos geradores de poluição
sonora e do ar.
Hoje percebemos que o ser humano necessita de fazer a quebra entre o seu
trabalho e a sua diversão. Por isso podemos distinguir entre o homo faber (o ser
humano em trabalho) e o homo ludens (o ser humano que se diverte). Este último
abomina a rotina e a disciplina. Está sempre em busca do novo, do espontâneo. Ao
contrário do homo faber, preocupado com a produtividade, sempre tenso e
disciplinado. E é isso que "representamos" todos os dias em nossa sociedade. O
turismo pode vir a ser como um desacelerador desse dia-a-dia de estresse,
tirando o homem da rotina massacrante.
Com todas as modificações sociais, o turismo aparece sendo uma resposta de
desejo de mudança de ritmo. As viagens quase sempre unem motivações de aventura
(busca de novos cenários), de fantasia (sonhos de épocas distantes, de vivências
usuais), eventualmente de competição (o desafio de ir a lugares que poucos se
atrevem a visitar) e, mesmo de vertigem, ante algumas paisagens que extasiam.
Todos esses aspectos, no fim, buscam a realização do ser humano baseada nas
novas experiências.
Embora muitos pais temam viajar com filhos pequenos, por fatores como excesso de
bagagem e medo de que eles não se adaptem ao destino, as férias em família fora
de casa possibilitam importante integração "pais-e-filhos", difícil de acontecer
no cotidiano.
Viajar em família é extremamente divertido e até recomendável, é uma
oportunidade interativa. E vem se tornando uma atividade muito requisitada pelas
famílias que passam uma grande parte do tempo uns longe dos outros por motivos
estressantes como trabalho e escola.
Tanto os pais quanto os filhos sentem falta uns dos outros na correria do
dia-a-dia, e por isso que se cria no turismo uma necessidade que gere a
integração. Nas viagens os pais podem passar todo o tempo com os filhos e com
isso vão acabar se conhecendo mais, o que não acontece na rotineira vida social.
Nas viagens os pais acabam se questionando sobre reações e atitudes dos filhos
que desconhecem ser deles, e a mesma coisa acontece com os filhos em relação aos
pais. E este é um ponto positivo porque ambos começam a realmente conhecer uns
aos outros e acabam se aproximando cada vez mais com estas descobertas.
A atividade turística é também geradora de novas experiências pessoais. O
turismo ainda é exclusivo daqueles que gostam de viajar e não se contentam em
ficar numa praia todo o tempo mas que desejam conhecer o mais possível de um
país, são motivados por um desejo incontrolável de conhecer. Querem desfrutar de
todos os atrativos noturnos, querem conhecer melhor a cultura local, querem
experimentar de todos os tipos de esporte radical, querem chegar ao limite ou
melhor eles buscam conhecer seus limites.
E é este desejo incontrolável que existe em cada um de nós que nos possibilita
novos conhecimentos, novas experiências adquirida através do turismo, a
indústria do prazer, lazer e divertimento.
Bibliografia:
CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. Educação para o Lazer. 1º ed.
Ed. Moderna. São Paulo, 1998. p 160.
CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. O que é Lazer. 3º ed. Ed. Brasiliense. São Paulo,
1999. p 100.
Santini, Rita de Cássia Giraldi. Dimensões do Lazer e da Recreação. Questões
espaciais, sociais e psicológicas. 1º ed. Ed. Angelotti. São Paulo, 1993. p 100.
Reportagem da Folha de São Paulo: Viajar estimula integração familiar.
Disponível em http://www1.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u1973.shtml
Acesso em 01 Nov 2002.
Reportagem da Folha de São Paulo: Mudança de ambiente traz descobertas para as
crianças.
Disponível em http://www1.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u1974.shtml
Acesso em 01 Nov 2002.
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