Como evitar os desconfortos das viagens aéreas

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O que você acharia de atravessar horas, quase imobilizado, num lugar com pressão atmosférica igual à do topo de uma montanha de 1500 metros, respirando um ar seco feito o de um deserto e, para completar, passando frio? Pois são essas as condições normais a bordo de um avião. Não é de espantar, portanto, que nos vôos com mais de quatro horas os passageiros sofram com o ressecamento da pele, a irritação nos olhos e outros desconfortos. A situação piora para quem vai na classe econômica (85% das pessoas que voam). As poltronas apertadas, que mal dão para esticar as pernas, rendem dores nas costas e inchaços nos pés. Veja quais são as partes do corpo que mais sofrem durante um vôo e o que você pode fazer para suavizar essa tortura.

Verlangeri

* Pele Não há quem agüente por muito tempo uma umidade relativa inferior a 10%, cinco vezes menor do que o recomendável. Para diminuir os efeitos do ressecamento, beba um copo d'água a cada duas horas. Se sua pele já é seca, leve um creme hidratante e passe-o periodicamente no rosto e nas mãos.

* Lábios O ar seco pode provocar rachaduras que levam dias para cicatrizar. Carregue um bastão de manteiga de cacau (ou outro produto similar) e aplique-o de hora em hora.

* Olhos Para evitar irritações, a primeira providência é não usar lentes de contato a bordo. Se você tem olhos sensíveis, mantenha ao alcance da mão um frasco de soro fisiológico.

* Narinas O ar-condicionado costuma provocar ardência nas narinas. Neste caso, o melhor a fazer é pingar algumas gotas de soro fisiológico (tipo Rinosoro). Se não funcionar, adote a solução, pouco ortodoxa, daquele sujeito esquisito na fileira da frente: enfie a cabeça sob o cobertor e respire fundo.

* Ouvidos A diferença de pressão entre a cabine e o exterior podem causar dores de ouvido na decolagem e na aterrissagem. O remédio é velho como o 14-Bis: tampe o nariz e a boca e assopre. Dores muito fortes podem ser
sintomas de otite (inflamação do ouvido). E evite viajar, se estiver muito resfriado.

* Costas Ficar sentado por longos períodos detona a coluna. Levante-se e caminhe um pouco a cada duas horas. Provavelmente, as aeromoças farão cara feia mas, explicando o problema com toda a simpatia, elas vão entender.

* Pés A imobilidade dificulta a circulação do sangue. Essa é a razão do inchaço das pernas e dos pés. Em casos extremos, podem surgir coágulos, responsáveis por uma eventual trombose (veja o quadro ao lado). Para evitar essa situação, afrouxe o cinto e os cadarços dos sapatos, mexa as articulações dos pés com freqüência e caminhe pelos corredores periodicamente.

* Estômago Em vôos noturnos, ou quando a diferença de fuso horário é grande, são comuns as dores estomacais. A antecipação das refeições atrapalha a produção da bílis, uma enzima digestiva. O problema piora devido à imobilidade nas poltronas. Para quem tem estômago fraco, a dica é evitar viajar à noite. Se for inevitável, dispense pratos pesados.


Sacuda o esqueleto!
"Vôos longos podem causar trombose." Avisos com esse teor estão impressos em passagens emitidas por companhias como British Airways e Qantas. A razão foi a constatação, por parte dos médicos ingleses, de que há uma relação entre o aumento no número de mortes por trombose e o de pessoas fazendo longas viagens aéreas. A trombose acontece quando um coágulo, geralmente formado devido à dificuldade de circulação nos pés, viaja pela corrente sangüínea e entope uma veia ou artéria. O pior é que isso pode acontecer horas, ou até semanas, depois do vôo e não há como diagnosticar antes que os sintomas apareçam. A melhor maneira de evitar uma trombose é não permitir que partes de seu corpo caiam naquele estado de dormência durante o vôo.

Dúvidas mais Frequantes sobre sua passagem aérea

1 - Como pagar menos pela passagem.

As passagens aéreas seguem a lei da oferta e da procura, como em qualquer negócio. Assim, fazer a reserva com antecedência, quando ninguém está interessado, aumentam as chances de ter uma redução no preço. Outro bom negócio é viajar quando os aviões estão mais vazios, ou seja, na baixa temporada (quando é possível obter até 40% de desconto), ou em vôo durante a semana (economizam-se até 100 reais em vôos internacionais). Algumas 
companhias, de quebra, reduzem as tarifas nas rotas em que os aviões pousam em aeroportos distantes do Centro. E outras dão tarifas especiais para grupos. Vale ficar atento às promoções de última hora. Assento desocupado significa dinheiro perdido.

2 - Entendendo o bilhete de passagem aérea...

Essa tarefa é tão difícil quanto conseguir lugar em vôo para Salvador às vésperas do arnaval. Mas alguns itens merecem ser analisados com cuidado.. Valid only on XX ou non end: o bilhete só pode ser utilizado em vôo da empresa XX (cada companhia tem um ódigo de duas letras).. Non refrex: sua passagem não é reembolsável.. Y: tarifa sem desconto, álida por um ano. As demais tarifas são identificadas por letras diferentes em cada empresa aérea.. Base tarifária: combinação para chegar ao preço da sua passagem. Pode incluir nformações sobre a estação (alta ou baixa), dia da semana do vôo e validade da passagem.. Loc. da reserva: é o código que identifica o passageiro e seu lugar no vôo.. Res.: se houver um OK, significa que a reserva foi feita. As letras RQ revelam que ela ainda depende de confirmação. Franquia: onde é estipulado o número de volumes ou quilos permitidos.

3 - Por que um bilhete da executiva é mais caro que o da econômica?

Uma passagem da classe econômica, sem desconto, custa mais da metade de outra da classe executiva. Se você tomar o preço promocional, o valor pode ser seis vezes menor - ou sete, se a comparação for com a primeira classe. Os motivos da diferença? O espaço, por exemplo: duas poltronas da econômica valem uma da executiva; e duas e meia, uma da primeira. Além disso, na econômica, o comissário atende 35 passageiros; na executiva e na primeira, 15. Outros detalhes para quem paga mais: poltronas que viram camas, telefone, DVD, tomada para laptop e por aí vai.

4 - Se eu ficar doente, alguém da minha família pode viajar em meu lugar?

Não, a menos que ela tenha exatamente o mesmo nome e sobrenome que você. Toda e qualquer passagem aérea é pessoal e intransferível, seja um bilhete promocional ou um de primeira classe. Isso, aliás, está escrito na contracapa da passagem. Única ressalva: em alguns casos, é possível utilizar o bilhete de uma pessoa como parte do pagamento da passagem de outra. Mas o novo bilhete pode ter preço e condições diferentes, mesmo 
sendo para viagem na mesma data.

5 - Se não quiser mais embarcar posso ter meu dinheiro de volta?

Mesmo as tarifas promocionais dão direito a reembolso. Mas é preciso pagar uma multa de 100 dólares, no caso dos vôos internacionais, e de 30 reais, nos domésticos. Se a passagem foi comprada em uma agência de viagem, o acerto será feito por intermédio dela. A companhia aérea devolve o dinheiro à agência, que o repassa ao cliente, geralmente descontando o valor da comissão sobre a venda. No caso do passageiro usar apenas um trecho (ida ou volta), não recebe a metade da tarifa paga, porque o cálculo é feito tomando-se como base a tarifa cheia, sempre mais cara.

6 - Dá para especificar o assento na hora da reserva?

Na maioria das vezes, sim. No ato da reserva, você já fica sabendo onde vai sentar - se no corredor ou na janelinha. Mas a chance de ter o lugar marcado vai depender, também, da antecedência da reserva, do tipo da passagem e da disponibilidade do vôo. Na TAM, 60% dos assentos de uma classe econômica promocional podem ser marcados antes. O restante fica para o check-in, para atender passageiros com bebês e crianças, por exemplo.

7 - Se eu perder o vôo em uma empresa posso usar o bilhete em outra?

Pode, desde que seja endossado pela companhia para utilização em outra. Mesmo assim, dependerá do tipo de passagem que você comprou. Os bilhetes promocionais não dão direito a endosso; os de um ano dão, mas apenas se tiverem sido pagos à vista. Uma possibilidade seria, na hora H, pagar a diferença do preço com desconto para o normal (que garante o endosso). Mas não vale a pena. Sai mais barato comprar outro bilhete.

8 - Há restrições para usar os bilhetes ganhos nos programas de milhagem?

As companhias aéreas reservam apenas alguns assentos em cada vôo para os passageiros premiados nos programas de milhagem. Assim, quanto antes você fizer a reserva, mais chances terá de garantir o lugar. Prepare-se para enfrentar períodos de embargo nos meses de alta temporada, proibição de mudança na data da passagem (ou multa), restrições para ter as passagens em nome de terceiros, exigência do dobro de milhas em alguns lugares e épocas e validade reduzida do bilhete-prêmio.

9 - Como pagar a econômica e voar de executiva?

A maneira mais comum de conseguir um upgrade - viajar em uma classe superior à paga - é usar as milhas acumuladas. Só que, quanto mais barato o bilhete, mais milhas serão necessárias. Algumas empresas, como a United Airlines, não permitem que isso seja feito com tarifas promocionais. Já a Varig exige o dobro de milhas para liberar uma poltrona da executiva para um passageiro que comprou o bilhete com desconto. E, se for alta temporada, mais milhas serão usadas. O upgrade para a primeira classe pode ser dado ao 
passageiro fiel da executiva, como forma de prestigiá-lo. Outras companhias oferecem para quem já foi vítima de overbooking.

10 - E se roubarem minha passagem?

Faça um boletim de ocorrência e procure a companhia aérea. Se você a comprou diretamente da empresa, seus dados serão rapidamente encontrados no computador. Se a compra foi feita em uma agência de viagem, contate-a para que enviem a cópia da sua passagem para a companhia aérea. Será melhor ainda se você tiver uma cópia guardada. De qualquer maneira, você preencherá um formulário, assinará um termo de responsabilidade e uma nova passagem será emitida, com numeração diferente. O antigo bilhete entrará em 
uma "lista negra", para que seja bloqueado e impeça um espertinho de embarcar em seu lugar - se isso acontecer, você arcará com o prejuízo. Detalhe: algumas companhias cobram uma taxa pela reemissão, que varia de 50 dólares a 100 dólares nos vôos internacionais.

11 - Quais são os inconvenientes dos bilhetes para vôos fretados?

Eles não permitem mudança do dia de embarque, não dão direito a reembolso e os assentos não podem ser marcados com antecedência. Além disso, os vôos estão sujeitos a atraso, já que o avião pode fazer escala em duas ou três cidades antes de chegar ao destino final - isso quando não são adiados de um dia para o outro. E tem mais: o embarque é feito em horários alternativos, o serviço de bordo costuma resumir-se a um lanche frio e, se houver algum problema técnico, dificilmente os passageiros seguem por outra companhia. Paciência. É o preço a pagar por uma passagem que pode custar 40% menos que as outras. O analista Renato Crochik, por exemplo, só soube que seu vôo do Recife para São Paulo, pela empresa BRA, havia sido antecipado em cinco horas quando chegou ao aeroporto. "Esperei até de madrugada para embarcar em outro vôo."

12 - Não embarquei e tinha reserva e bilhete na mão. Por quê?

Porque as companhias aéreas aceitam reservas de mais passageiros do que o avião omporta. Fazem isso para evitar prejuízo com as pessoas que não cancelam a reserva e não aparecem para o embarque. Como nem sempre o número de reservas a mais e o de passageiros que não apareceram é o mesmo, muita gente fica de fora. Mas as companhias são obrigadas a conseguir lugar para todos, em outros vôos, em um prazo máximo de quatro horas, além de prover um crédito de 126 reais para trechos até 1100 km e de 210 reais acima dessa distância. Se o novo embarque for feito em um período superior a quatro horas, os créditos sobem para 252 reais e 420 reais, e a empresa ainda arca com despesas de refeições, acomodação, telefonemas e transporte. Para não cair nesse overbooking, a dica é confirmar a reserva, marcar o número do assento e chegar ao aeroporto com boa antecedência - no mínimo uma hora para os vôos nacionais e duas para os internacionais. Nos meses de férias, dê uma margem um pouco maior. E, se tiver algum problema, recorra ao Departamento de Aviação Civil (www.dac.gov.br) ou à Associação de Vítimas de Atraso Aéreo (www.av.aa.nom.br).

13 - Vale a pena financiar uma passagem?

Quem tem dinheiro vivo sempre consegue um desconto no preço, mesmo que esteja anunciado que o pagamento à vista é igual ao parcelado. Mas o financiamento torna-se uma alternativa para quem não pode pagar de uma só vez. Dá para fazê-lo pela administradora do cartão de crédito, por uma agência de turismo que cubra o empréstimo com recursos próprios, por um banco ou por uma financeira propriamente dita. As condições variam 
bastante, mas em geral começam com quatro parcelas, sem acréscimo, e vão até 24 prestações, com juros de 4% a 5% ao mês. Dependendo do caso, não é necessário pagar a primeira parcela para embarcar. Claro que, quanto mais se estica o prazo para o pagamento, mais cara sai a viagem. E lembre-se de que, se fizer o financiamento pelo cartão de crédito, seu limite estará comprometido até a quitação da dívida.

14 - Fiz reserva para viajar em um dia, posso voar em outro?

Se você tiver comprado numa tarifa normal, sem desconto, a troca pode ser feita, sem pagamento de multa. Mas, nos bilhetes promocionais, algumas companhias cobram uma taxa pela mudança de data, de aproximadamente 30 reais, nos vôos domésticos, e 100 dólares, nos internacionais. Mas se não houver lugar em outro vôo com o mesmo tipo de tarifa da sua passagem original, será preciso pagar a diferença.

15 - Cartões de crédito de companhias aéreas garantem descontos?

Depende do tipo do cartão e do acordo feito com a companhia aérea. Em geral, você ganha milhas na aquisição e com o uso do cartão, mas, como é cobrada uma taxa de inscrição e uma anuidade, calcule se a despesa com mais um cartão vale a pena. Além disso, em alguns casos, você tem direito a usar salas vips, cobertura de seguro de automóvel, transporte gratuito entre o hotel e o aeroporto, seguro-bagagem, compra de ingresso para espetáculos e 
seguro-médico - nada muito diferente, porém, do que o cartão ofereceria a seus clientes especiais.

16 - Ouvi dizer que dá para fazer o check-in em hotéis. É verdade?

Certas companhias aéreas têm, a distância, computadores conectados aos aeroportos, que permitem fazer o check-in com antecedência. Em alguns casos, o passageiro despacha as malas e recebe o cartão de embarque. Em outros, faz o check-in, mas se apresenta ao balcão no aeroporto, com bagagem. A Varig oferece o serviço em São Paulo (nas lojas da Avenida 
Paulista e da Rua da Consolação, nos shopping centers Norte e Ibirapuera, e nos hotéis Meliá e Deville) e no Rio de Janeiro (nas lojas de Ipanema e Copacabana e nos hotéis Glória e Othon). Entre as companhias estrangeiras, a British Airways tem um posto na estação de metrô Victoria, para quem usa o aeroporto de Gatwick, em Londres.

17 - Onde é melhor comprar? Pela Internet? Na loja do aeroporto? Na agência de viagem?

Para não concorrer com as agências de turismo (responsáveis pela venda de mais de 80% das passagens), as companhias aéreas oferecem os bilhetes pelo mesmo preço em todas as lojas e nos sites próprios da Internet. O que acontece é que, as agências de turismo, interessadas em conquistar clientes, utilizam alguns artifícios para vender mais barato. Como trabalham com grande quantidade de passagens, conseguem descontos, repassados ao consumidor. Algumas, especializadas em pacotes para determinados destinos, compram lugares com tarifa de grupo e os revendem individualmente. Em outras, os agentes abrem mão da comissão para beneficiar os clientes. Vale a pena ficar de olho também nas promoções relâmpagos dos sites que funcionam como agências de turismo virtuais. Eles 
podem oferecer descontos generosos e ainda entregar o bilhete em casa, sem custo adicional. Só que, como nem tudo é perfeito, essas passagens têm certas restrições.

18 - As salas vips têm a ver com a categoria da passagem que comprei?

Sim. As empresas reservam essas salas para passageiros da executiva ou da primeira classe. Quem viaja na econômica também pode curtir mordomias, como bebidas, lanches, jornais do dia e infra-estrutura de escritório. Basta ter sido promovido no programa de milhagem. No Advantage da American Airlines, com 50 000 milhas, o passageiro ganha o cartão Platinum e usa as salas vips da empresa no mundo todo. A de Dallas, por exemplo, oferece banheiros com ducha, camas e serviço de lavanderia em tempo recorde.

19 - Como são os bilhetes virtuais que algumas empresas utilizam?

São passagens aéreas eletrônicas, que dispensam o bilhete de papel. O processo, conhecido como e-ticket (electronic ticket) ou ticket less, é feito via Internet ou telefone. O passageiro deve se dirigir ao check-in antes do vôo, apresentar um documento de identidade e retirar o cartão de embarque. Entre as companhias que já adotam o sistema no Brasil estão: Gol, TAM, United e Lufthansa.

20 - Cartões de fidelidade são vantajosos?

Sim, principalmente para quem viaja com freqüência e para quem não tenta participar de vários programas de milhagem ao mesmo tempo. O ideal é escolher uma companhia e fazer as viagens com ela ou com as parceiras, transferindo as milhas ou bônus conquistados para o mesmo programa. Fique atento aos convênios com locadoras de automóveis, redes de hotéis, restaurantes, operadoras telefônicas e até postos de gasolina: cada centavo gasto nos serviços das empresas associadas vale milhas. Só tome cuidado para não sair consumindo alucinadamente - desse jeito, a passagem de graça não terá nada. Além disso, não deixe de pesquisar os preços em outras companhias aéreas. Pode ser mais interessante comprar um bilhete pela metade do preço do que desembolsar o dobro para garantir as milhas.