“Drica” O turismo do Brasil - Mar/04

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Tudo bem; Aprendi na minha cadeira de empreendedorismo que o empreendedor faz do fracasso uma oportunidade. Com o aprendizado, quando aprende, repete a mesma atitude fracassada para reverter o prejuízo. É quase uma taxionomia de classificações bem mais simplórias; burros e inteligentes.

Traçando uma analogia com o setor turístico do Brasil, notei que, quando ele se enquadra, persiste na primeira taxionomia. É o que eu chamo de turismo Drica. O turismo de um país que vive em função da alta estação.

Quando chega o verão, todo mundo coloca o sungão e biquini fazendo daquela bandalheira besuntada de areia e alegria o sustento anual. Desenvolvimento sustentável? Conceitos Ambientais? Segurança? Esqueça isso! Em poucos meses, o Sr. Turismo tem de ser devastador pois sabe que Drica não volta. Capacidade para atender a demanda populacional? Nada! Depois que a Drica dá uma volta no Tomba Galera; Ops.. Tora Galéia, esquece a falta de água e do esgoto que trasborda nas calçadas rumando para o mar. A boa menina esquece que a beleza marinha que lá reside, foi devastada pelos que de lá retiraram algo. Drica não se preocupa! Ela vai embora e quando voltar, acreditará que a natureza se recompôs.

Depois do carnaval, o Sr. Turismo fica de ressaca até o final do Inverno. Sem a Drica a coisa é difícil. Ele nota que sobreviver de galinhagem e mendigagem não faz bem para ninguém. É o tempo, literalmente ócio, que ele aproveita num perigoso ciclo vicioso, para tentar se recuperar e preparar a casa para o próximo ano.

Drica é uma boa menina, não tem culpa se o Sr. Turismo ainda não aprendeu a lhe mostrar que ela não é apenas uma simples aventura. Expor que consegue fazê-la feliz todas das muitas vezes que se encontrarem ao longo do ano. Os dois formam um casal bonito e sabem disso só que ainda não tiveram a oportunidade de trocar as juras de amor que, certamente, irão fazer com que as coisas tomem seu ordenado e devido lugar.

A moça criará consciência ecológica e consciência do desenvolvimento ordenado da região em que vive o Sr. Turismo. Vai se apaixonar e lutar para que eles caminhem sempre lado a lado. Vai descobrir que se os dois continuassem agindo como antes, iriam se perder. Não iria mais visitá-lo pelo simples fato de ter perdido o encanto, pois o Sr. Turismo, não possuiria mais atrativos depois de perder a cada ano um pouco de sua beleza.

Em Abrolhos e Noronha os dois estão muito bem casados. Quando alguém faz besteira, o colega Ibama trata logo de não deixar o casal se separar. Então, o Turismo tem de aprender a falar para Drica suas vontades.

Espero que agora ela entenda.

Reportagem: Luís Fellipe S. Moço. T&A