Turismo Jovem Negócio Garantido - Fev/04

Voltar

É como um comercial de cigarro de cerveja. A classe jovem serve de agente difusor, mercado consumidor e mercador futuro do produto anunciado. Numa “espetacular” jogada de marketing, os publicitários ganham mercado e fazem de seu produto um hábito de consumo que fomenta investimentos e lucros em sua linha de produção. Definitivamente, é complicado traçarmos uma analogia entre este tipo de estratégia e o turismo jovem, porém, um dos fatores determinantes para alavancar a cultura de um país passa pelo ponto da criação de um hábito: O cultural.

Todos os encravados hábitos da classe jovem farão parte da futura geração cultural de um país. Então, como esses veículos difusores estão disponíveis, uma grande alternativa para alavancar setores da economia deficitários pode partir do investimento cultural dos mesmos através do turismo. Criação de hábitos; Assim como na indústria do tabagismo ou do álcool.

Mochileiros, difundem cultura.

Os Mochileiros são grupos de viajantes alternativos de todas as idades, porém, habitualmente de predominância jovem e estudantil de diversas nacionalidades e classes sociais. Os mochileiros percorrem cidades, estados ou países conhecendo locais e pessoas de culturas diferentes agregando esses valores a sua vida, vivendo e aprendendo tudo isso de uma maneira que nunca aprenderiam em suas rotinas diárias. De uma forma totalmente aventureira e enriquecedora, fazem a difusão cultural acontecer tornando-se verdadeiros veículos de movimentação econômica.

Esses viajantes, reservam parte de suas férias ou mesmo grandes períodos para viajar, conhecer, trabalhar ou estudar em determinados lugares gastando pouco dinheiro. Mesmo abrindo mão de certos confortos e comodidades os mochileiros movimentam bilhões de dólares em todas as partes do mundo e trazem benefícios imensuráveis para uma sociedade aquém os econômicos.

O governo Lula declarou o interesse nos mochileiros.

As diretrizes gerais do atual governo para o turismo nos próximos quatro anos foram apresentadas na comissão de economia em audiência pública pelo ministro Walfrido Mares Guia no início de abril deste ano. O turismo jovem pode ser uma grande ferramenta para alavancar o desenvolvimento cultural e solucionar alguns problemas enfrentados por distintos setores da economia.
O ministro, ressaltou a importância dos mochileiros quando em sua declaração informou que a Austrália, apesar de mais distante da Europa, recebe 600 mil mochileiros por ano que gastam no país cerca de um bilhão de Euros contra apenas 18 mil mochileiros por ano no Brasil.

Porque não temos muitos mochileiros brasileiros?

As principais razões são financeiras. Apesar do baixo custo de uma viagem como mochileiro, algumas dificuldades ainda assombram a classe. 1) Não existe uma política de financiamento turístico voltada para o público jovem. As linhas de crédito para o turismo existentes hoje, aplicam juros altos e incompatíveis com a capacidade financeira do público alvo. 2) O câmbio não é muito favorável quando estamos tratando de viagens para Europa; Até mesmo para alguns países sul-americanos não conseguimos obter vantagens ou até mesmo uma paridade dentro da ótica do alto custo de vida. 3) O alto custo das passagens aéreas e a falta de malha ferroviária também desfavorece o crescimento desta classe dentro do país. 4) Como não é uma atividade bem difundida ainda não existe interesse hoteleiro no país em ofertar para a baixa demanda.

Através das dificuldades podemos encontrar grandes soluções

Através das soluções criadas para atender o turismo jovem, podemos solucionar diversos outros problemas enfrentados por setores deficitários e problemáticos das sócio-conjunturas brasileiras.
Quanto ao transporte; Os próprios brasileiros ainda viajam pouco e inacreditavelmente não conhecem cidades a menos de 700km de suas residências. Isso se deve em grande parte pelo alto custo das passagens aéreas, já que não existem malhas ferroviárias para longos percursos. O Brasil é um país continental e a má distribuição das malhas de transporte não permite que entremos a fundo no interior do país sem um veículo automotor durante toda viagem, onerando custo. A criação de malhas ferroviárias aproximaria o interior dos grandes centros gerando uma melhor distribuição de renda e populacional criando ainda um melhor escoamento da produção rural.
Um programa de incentivo criado pelas cias. aéreas, poderiam auxiliá-las enfrentar crises históricas. A venda de passagens de última hora em lugares sobressalentes a preços reduzidos ou mesmo ao custo, impediriam que em algumas épocas do ano alguns destinos tivessem trabalhando com déficit.
Como todo processo econômico natural a oferta existe apenas com a demanda. O Brasil possui má distribuição de albergues que se situam fundamentalmente em grandes cidades e a classe hoteleira não atende ou beneficia estudantes mochileiros ou mesmo transeuntes. Isto ocorre naturalmente por não haver demanda suficiente para que exista algum retorno financeiro. Demanda que certamente se elevaria como uma política comum a todas as classes vitais para o desenvolvimento do turismo no país.

Por fim, pense no quanto você conhece da cultura de nosso país. Agora pare e pense o quanto aquele jovem mochileiro lá do outro lado do país também conhece. ... Em países desenvolvidos os dois sabem a mesma coisa. Aqui; Basta somar.

Reportagem :Luís Fellipe S. Moço. T&A