E nós estudantes o que estamos fazendo? (parte II) - Dez/04

Voltar

Este texto é continuação de: Postura Didadã = Turismo Consciente

Dando seqüência ao tema supracitado, vemos novamente a necessidade de reiterar, a discussão do papel do estudante de turismo, na contribuição para a regulamentação da profissão, mesmo que o tema esteja um pouco saturado, pois a retórica não mudou muito desde suas primeiras aparições, o que torna o assunto as vezes cansativo.

Cabe salientar, no entanto, que de milhares de estudantes e profissionais de Turismo no ES, temos um déficit de pesquisas e trabalhos científicos, elaborados e divulgados para a comunidade cientifica e sociedade civil pelos estudantes e profissionais do estado.

Este déficit é preocupante, no que diz respeito à necessidade de se levar o estudo do turismo mais a sério, e buscar para o fenômeno socioeconômico, um método de analise, se não único, mas ao menos próximo a todos os estudantes e pesquisadores. O esforço pela transdiciplinaridade, se torna fundamental para angariarmos para o turismo o status de ciência. Mas o que isso pode ter em comum com a regulamentação do Turismólogo?

Pois bem, reclamamos por ter nossa profissão exercida por geógrafos, administradores, estatísticos e ate por curiosos do Turismo, o fato do Turismo ser ate hoje um campo de estudo, para diversas disciplinas, que usam seus métodos para assim estudá-lo, faz com que em muitas das vezes, eles ocupem postos sejam em cargos ou como pesquisadores, que poderiam ser nossos.

É de nosso conhecimento, que a interdisciplinaridade patente em nosso meio acadêmico, auxilia a compreensão de nosso objeto de estudo, e sem ela não poderíamos evoluir para a transdiciplinaridade que de forma sucinta é a formação de uma nova disciplina, para o estudo de um objeto que outrora era empregado o uso de varias disciplinas não sendo possuidor de um método único em sua analise.

Devemos despertar em nossos alunos e pesquisadores, a importância de se ultrapassar esse estágio, donde a importância ira repercutir, em futuros projetos, em que o novo método será utilizado para o trabalho no qual o profissional estiver engajado, alem de nortear alunos para trabalhos e artigos que sejam pertinentes ao Turismo.

Temos que ter em mente, que a regulamentação da profissão é importante, porem mais importante do que a aprovação da Lei que regulamenta o exercício de nossa profissão, é estarmos alerta para a formação de um contingente de alunos e profissionais altamente capacitados, e aptos a fazerem diferença seja no mercado, no meio acadêmico ou no campo de pesquisas, já que não figuramos como prioridade na pauta de votação dos parlamentares, e ainda temos o fato de estarmos presos as amarras da burocracia, reinante em nossos processos de regulamentação seja qual for o tema a ser regulamentado, o que nos coloca em uma situação delicada.

Para finalizar o presente texto, é importante ressaltar que na falta de uma representação política para a regulamentação, vamos mostrar serviço e nos destacar no que fazemos e no que acreditamos, vamos levar nossa profissão e o Turismo ao patamar da excelência, assim iremos ter méritos não pela regulamentação burocrática garantida por Lei, mas sim pelo trabalho desempenhado, mas para que isso venha a acontecer temos que começar a melhorar nossa base, ou seja, o ensino acadêmico do turismo onde há uma necessidade imensa de uma revitalização dos professores e dos alunos, pois a produção cientifico-acadêmica é incipiente, e o interesse dos alunos pela escrita e pela leitura deve ser urgentemente despertado (que parece estar em estagio de sonolência profunda), para que possamos formar seres humanos e profissionais mais críticos e conscientes de seu papel e importância no turismo e na sociedade em geral, caso contrario iremos continuar formando uma enorme quantidade de turismólogos despreparados e impossibilitados de brigar de igual com os curiosos e com os coronéis do turismo, que teimam em empatar o crescimento do turismo no ES e Brasil.

Autor: Daniel da Rocha Ramos