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O flat é um edifício diferenciado que tem um
administrador hoteleiro, cuja finalidade está em oferecer serviços de
hotelaria. É explorado comercialmente através do pool de locação ou da
locação direta e tendo também o proprietário a opção de morar caso não
queira o flat para rendimento. Geralmente o flat é freqüentado por
diversos tipos de hóspedes que precisam de um lugar prático, seguro e
confortável durante um congresso ou uma viagem, ou para moradia. Um
flat proporciona sempre comodidade para o usuário e dispõe de vários
tamanhos conforme a necessidade do usuário.
Nos anos 70 até os 80, a demanda dos flats era praticamente interna,
os hotéis de 3 a 4 estrelas estavam nas mãos de poucos empresários e
os grandes hotéis estavam nas mãos das construtoras, não havia
investimentos estrangeiros e investimentos no setor. Nos anos 80 houve
o incremento dos flats por pequenos e médios investidores para cobrir
a falta de investimento neste setor.
As construtoras e investidores se interessaram e começaram a investir
aumentando a oferta de flats no mercado. Junto com este investimento
veio o plano real fazendo o país crescer abrindo a economia a
investimentos estrangeiros e atrair multinacionais. Aumentou-se o
número de empresas entrando no Brasil, mas como não havia hotéis o
suficiente, esta demanda foi desviada para os flats.
As incorporadoras, devido a isto, investiram na construção de novos
hotéis saltando de 15000 apartamentos para 45000 e pode chegar a
60000. Ao invés de investirem com calma durante a década, investiram
esperando uma alta demanda futura. Foram financiados por pequenos
investidores desinformados que agiram por emoção e não pela razão.
Isto só ocorreu no Brasil, pois os empreendimentos imobiliários não
possuíam os controles dos investimentos pelos grupos hoteleiros. Houve
um forte desajuste entre a demanda e a oferta.
As instituições acabaram financiando pessoas físicas e não empresas
com projetos e bancos para honrarem seus compromissos. Depois de 2 ou
3 anos de bons lucros, passava-se a idéia errada de que o futuro
estaria garantido. Hoje os hotéis têm um custo bem mais baixo que
antes. Um hotel de 3 estrelas sai em torno de R$ 46.000, sendo que no
exterior o mesmo hotel sairia por US$ 55.000. Apesar disto, criou-se
mais empregos, as empresas melhoraram a administração, adquiriram
experiência e estão mais preparados.
Com o tempo a oferta e a demanda vão chegar a um ponto de equilíbrio.
Alguns hotéis estão fechando e saindo do mercado seja devido a uma má
operação profissional ou desatualização com a falta de investimentos.
Alguns estão vendendo seus flats como imóveis residências. Outros
flats estão tentando se transformar em hotéis de 4 estrelas na faixa
econômica, mas como foram projetados como flats, as reformas acabam
saindo muito onerosas e a receita não tende a cobrir este passivo pois
as diárias serão mais baixas.
São Paulo, com diversas opções de lazer como gastronomia de vários
restaurantes, 38 museus, tem uma capacidade de abrigar grandes eventos
com grande qualidade poderia criar mecanismos para modificar sua
imagem voltada exclusivamente para negócios. As pessoas viajam devido
a:
- Viagens de negócios individuais.
- Participação de reuniões ou outros eventos.
- Motivo de lazer.
- Tripulações dos aviões.
Cada setor pode ser estimulado com reformas das instalações antigas,
planejamento e incentivos fiscais.
Os empreendimentos do nordeste devem ficar alertas, pois pode
acontecer o mesmo que São Paulo por lá devido ao surgimento dos
resorts sem ter um crescimento na demanda interna ou externa.
Audiência Pública sobre Meios de Hospedagem
No dia 4 de dezembro de 2002 foi realizada uma audiência pública que a
Comissão de Economia, Indústria, Comércio e Turismo sobre a
normatização do setor de hospedagem em razão da concorrência entre
hotéis, flats e apart-hotéis no plenário 5 da Câmara dos Deputados em
Brasília
A audiência se justificou pela ausência de regulamentação clara do
setor hoteleiro, que fica à mercê dos oportunismos de mercado, onde os
limites, tanto de atuação, tributação, normatização e segurança não
ficam claras, gerando desigualdades de tratamento que deságuam no
resultado dos empreendimentos hoteleiros que se pautam pela
regulamentação específica da hotelaria.
Expuseram os problemas que os hoteleiros têm com os
donos de flats, resultado de brechas na legislação. A legislação
precisa ser atualizada, englobando todos os meios de hospedagem,
criando definições claras de como as empresas devem operar, ser
tributadas e que tipo de cliente elas estão buscando. Do tripé
Incorporador, Investidor e Operador, surgiu um modelo estranho à
categoria hoteleira, que opera desonerada de diversas taxas,
prometendo resultados inatingíveis aos investidores, depredando o
mercado e criando situações de oferta artificiais.
Reportagem:
Wagner Vieira
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