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Qualquer que seja a região nacional onde se realize um trabalho
amplo de pesquisa, visualização de oportunidades de negócios na área turística
vislumbraremos um estonteante número de possibilidades inexploradas.Ora, temos
um mundo de possibilidades a explorar turisticamente no Brasil que se depara com
a constatação da precariedade de infraestrutura existente.
Num segundo momento deparamo-nos com a constatação de que os recursos
mobilizáveis para a criação da infraestrutura necessária e desejável
acabam sendo insuficientes para garantir o sucesso das
iniciativas.Existe uma grande diferença entre visualizar e identificar
oportunidades e avaliá-las concretamente.
Os pólos turísticos brasileiros mais conhecidos como o Rio de Janeiro
e a Bahia são menos visitados do que Cancun, que há 20 anos atrás
ninguém conhecia sua existência, não constando nem no mapa.O que
deveríamos fazer para alavancar o turismo nacional ?
O que parece um beco sem saída poderia ser melhorado através da
transformação da municipalização do turismo em plena realidade . As
"tropas locais" se dedicariam ao desenvolvimento do turismo, onde mais
gente seria envolvida no processo criando uma "cultura" turística
abrangente, com a visualização de que a indústria turística traz mais
recursos e empregos aos locais onde é desenvolvida.É claro que a
educação é o ponto chave nesse processo.
Os organismos estaduais e federais não podem ser vistos como únicos
fornecedores de recursos e responsáveis pelo planejamento, execução e
resultados finais do turismo no Brasil. Cada município e cada
empreendimento precisa garantir sua parte no desafio de ampliar a
curto prazo, o faturamento da indústria turística no Brasil.
Sabemos que o turismo interno nos Estados Unidos é maior que todo o
movimento turístico internacional. Devemos pensar que antes de
multiplicar o fluxo internacional para o Brasil precisamos garantir a
multiplicação deste turismo interno e certificarmos que os turistas
brasileiros estejam "encantados" com o turismo no Brasil.O turismo no
Brasil precisa ser melhor, mais barato, de melhor qualidade do que o
encontrado em outros países.Nosso turismo deve encarar os problemas de
frente: O que temos a oferecer e para quem?
No Brasil temos o privilégio de dimensões continentais que favorecem o
turismo considerando a inexistência de vulcões, terremotos ou invernos
rigorosos. Cada uma das regiões brasileiras - norte, sul, nordeste,
sudeste e centro-oeste - pode funcionar como um grande pólo receptor
de turismo,com um projeto especializado.Mas ao longo destes 500 anos,
nem o Brasil, nem os brasileiros desenvolveram uma cultura estratégica
de turismo, nem uma capacidade de visão a longo prazo.
Nenhum grande projeto ou oportunidade se realiza do dia para a
noite.Certamente nenhum projeto, grande ou pequeno, se realiza e
nenhuma oportunidade é ocupada seja em dez ou trinta anos sem uma
proposta estratégica clara e consciente. Acredito na capacidade de
ampliarmos a indústria do turismo no Brasil num trabalho de equipe; um
trabalho consciente onde cada brasileiro tem sua parcela de
colaboração.O problema da seca no nordeste por exemplo é mais antigo
do que o próprio Brasil, se nestes 500 anos, cada nordestino tivesse
cavado uma vala de um metro já estaria transpondo águas do Rio São
Francisco ou até do Rio Amazonas.
Não devemos ficar de braços cruzados esperando soluções, temos
potencial, temos capacidade de criar e gerenciar uma indústria
turística que pode suplementar à indústria européia. Mãos à obra!
Reportagem: Dagmar
Sodré Nunes
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