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Geração de empregos,
envolvimento de comunidades ribeirinhas, seringueiras e indígenas
através de visitações e artesanato, além de preservação de
patrimônio natural e histórico, como a Estrada de Ferro Madeira
Mamoré: tudo isso sendo desenvolvido pela indústria que mais
cresce no mundo inteiro e que menos polui em todo planeta: a
indústria do Turismo.
Rondônia é a grande novidade
para os observadores de pássaros, contando com um número crescente
de espécies endêmicas a cada ano.
Amazônia: o "Pulmão do
Mundo". A maior Floresta Tropical do Mundo. A maior bacia
hidrográfica do planeta de onde sai 20% da água doce que chega aos
oceanos. São cerca de 4 milhões de Km2. Um patrimônio ecológico
mundial predominantemente brasileiro.
A maior parte da área da
Amazônia (90%), é coberta por matas de terra firme, com grandes
árvores (samaúma, castanheira, etc.) e com uma enorme diversidade
de produtos como gomas, resinas, látex e madeira. As florestas
inundadas, várzeas e igapós ocupam 5 a 10% da região e, em menor
expressão, aparecem cerrados e campos abertos, proporcionando um
riquíssimo conjunto de seres vivos.

Com ecossistemas tão
diferentes, a floresta amazônica abriga, em conseqüência, um
número incalculável de espécies vegetais e animais. A cada dia,
novas espécies de fauna e flora são detectados por pesquisadores
e, por isso, não é possível determinar, com exatidão, o número
catalogado. Podemos dizer que na Amazônia se encontram
aproximadamente entre 5 e 30 milhões de plantas diferentes.
Somente 300 mil têm gênero e espécie identificados e estas, somam
10% de todas as plantas do mundo.
São cerca de 324 mamíferos
até hoje identificados. Entre 2.500 e 3.000 espécides diferentes
de peixes (em toda Europa, por exemplo, as espécies de água doce
não ultrapassam 200).
O Rio Amazonas, o principal rio da Bacia Amazônica, nasce nos
Andes percorre milhares de quilômetros até chegar no Oceano
Atlântico. No caminho, recebe a força de 1.100 afluentes e sua
profundidade e largura variam tanto que mais parece um oceano de
águas doces.
Para contrapor essa
variedade de riquezas, a região apresenta sintomas do impacto que
é causado pelo descontrole na ocupação e exploração (no bom e no
mau sentido)que coloca em risco o bom desenvolvimento da floresta.

A Educação é a arma mais
potente contra todo esse impacto. E isto deve ocorrer em todos os
níveis da sociedade, desde o político, passando pelo empresário e
chegando aos povos ribeirinhos e da floresta. Com Educação,
chega-se ao desenvolvimento sustentado que só o bem trará a
diversas comunidades, ao país de uma maneira geral e,
principalmente, a preservação e conservação de riquezas que, num
futuro próximo, podem fazer a diferença na convivência entre os
povos.
Rondônia tem algo a oferecer muito além dos trilhos da Mad Maria.
Embarque nessa.
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LENDAS
O BOTO
De muita "estória" tem sido vítima o nosso irrequieto cetáceo,
brincalhão e inofensivo. Alguns lhe dão propriedades de
mistérios, que vira gente, transformando-se em um rapaz
vistoso, galanteador e sedutor. No baixo Amazonas, pelo menos
no Paraná de Arary, onde morei muitos anos, havia uma certeza
de que , quando as moçoilas apareciam grávidas, havia sido
flechada pelo "boto", como o chama o ribeirinho. E tal a
afirmativa, que o nosso despretencioso boto, fica caluniado
antes os fatos de ser pai de muita criança. E é bem difícil,
conforme já conversei com uma velha tapuia, que afirmava,
haver, quando moça, mantido relações com um mancebo muito
bonito, em uma noite à beira do lago onde morava. Achei
estranha a história da velha e deixei sua barraca, certo que
ela já estava demente. No entanto, todos gostavam de conversar
com a velha, que conhecia bem o passado do lugarejo e não
esquecia um só dos mais antigos. A sua conversa não denotava o
que dela eu julgava, mas a história do boto jamais me
convenceu.
Quando saí do Colégio, para gozar umas férias na Fazenda de
meu pai, no Paraná do Arary, Município de Maués, gostava de
frequentar as festinhas dos beiradeiros, sempre muito
animadas, tocadas a violino (rabeca, violão, cavaquinho e um
bumbo).
Em uma dessas festas, conheci uma tapuya de nome Luiza, bem
bonita e vistosa. Dançava muito bem e eu sempre a procurei
para ser meu par e também, namorá-la. Era também muito
volúvel: gostava de exibir-se, quando estavam perto os seus
admiradores.
Nas festas de São João, comemoradas com fogueiras e muita
comida, notei a falta de Luiza e, como as festas nessa época
eram quase em seguida, em casas diferentes, em nenhuma
encontrei com a bela tapuya.
Aquilo me chamou a atenção e, ao encontrar sua mãe, uma tapuya
já de idade, indaguei pela moça. Foi quando vila a saber, que
ela havia sido "flechada pelo boto"e estava de filha nova. Fiz
ver a velha que tal não podia acontecer e que o boto era um
cetáceo e nunca poderia ter relações com um ser humano. A
velha ficou meio brava comigo e disse que os rapazes da cidade
não entendiam nada da vida dos rios. Que éramos ignorantes das
coisas das águas. Tive que ouvir resignado o que a velha
descreveu sobre o boto e suas qualidades de galã.... Achei que
irão deveria contradizê-la, pois estaria perdendo o meu tempo.
Disse-me, que nas festas sempre aparece um bonito rapaz, tendo
um chapéu à cabeça e dança com ele sem tirar, para esconder um
buraco que o mesmo tem na cabeça. Cito esses fatos, não dando
crédito, ms sim, desafiando as pessoas que confiam em
semelhantes estórias.
O mais certo e verdadeiro, é que o boto tem servido para
esconder muita safadeza de cabra que se aproveita da
ignorância de muitos...
Do livro Fatos, Histórias e Lendas do Guaporé, de Paulo
Saldanha Sobrinho |