Passeio à Selva Amazônica - Rondônia - Abr/05

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De carona nos vagões da minissérie Mad Maria da Rede Globo, Rondônia desperta a curiosidade de muitos viajantes que pouco sabem desse Estado que fica na Região Norte do Brasil, na Amazônia "Ocidental", fazendo fronteira com a Bolívia.

E Rondônia, apesar de ter pouca tradição em turismo, acaba mostrando que tem um inegável potencial para receber turistas dos quatro cantos do mundo.

Geograficamente privilegiado, o Estado de Rondônia faz fronteira com a Bolívia, o que facilita o acesso a cidades sul-americanas consideradas grandes pólos turísticos como La Paz, Cuzco e Machu Pichu.

A Amazônia possui duas estações definidas: Inverno (novembro a abril) e Verão ( maio a outubro), cada qual com sua beleza peculiar. No verão, destacam-se as praias de areias brancas e o clima é especial para esportes náuticos. No inverno, a beleza se reflete nos igapós, igarapés e baías e na nitidez do contraste no encontro dos rios Pacaas Novos e Mamoré.

A capital do Estado de Rondônia, Porto Velho, está distante 330 km de Guajará-Mirim.
O cenário se completa com a presença sempre constante dos mais variados espécies, tipos, formas e cores de plantas, árvores, aves, animais e peixes, que habitam a região.

Geração de empregos, envolvimento de comunidades ribeirinhas, seringueiras e indígenas através de visitações e artesanato, além de preservação de patrimônio natural e histórico, como a Estrada de Ferro Madeira Mamoré: tudo isso sendo desenvolvido pela indústria que mais cresce no mundo inteiro e que menos polui em todo planeta: a indústria do Turismo.

Rondônia é a grande novidade para os observadores de pássaros, contando com um número crescente de espécies endêmicas a cada ano.

Amazônia: o "Pulmão do Mundo". A maior Floresta Tropical do Mundo. A maior bacia hidrográfica do planeta de onde sai 20% da água doce que chega aos oceanos. São cerca de 4 milhões de Km2. Um patrimônio ecológico mundial predominantemente brasileiro.

A maior parte da área da Amazônia (90%), é coberta por matas de terra firme, com grandes árvores (samaúma, castanheira, etc.) e com uma enorme diversidade de produtos como gomas, resinas, látex e madeira. As florestas inundadas, várzeas e igapós ocupam 5 a 10% da região e, em menor expressão, aparecem cerrados e campos abertos, proporcionando um riquíssimo conjunto de seres vivos.

Com ecossistemas tão diferentes, a floresta amazônica abriga, em conseqüência, um número incalculável de espécies vegetais e animais. A cada dia, novas espécies de fauna e flora são detectados por pesquisadores e, por isso, não é possível determinar, com exatidão, o número catalogado. Podemos dizer que na Amazônia se encontram aproximadamente entre 5 e 30 milhões de plantas diferentes. Somente 300 mil têm gênero e espécie identificados e estas, somam 10% de todas as plantas do mundo.

São cerca de 324 mamíferos até hoje identificados. Entre 2.500 e 3.000 espécides diferentes de peixes (em toda Europa, por exemplo, as espécies de água doce não ultrapassam 200).

O Rio Amazonas, o principal rio da Bacia Amazônica, nasce nos Andes percorre milhares de quilômetros até chegar no Oceano Atlântico. No caminho, recebe a força de 1.100 afluentes e sua profundidade e largura variam tanto que mais parece um oceano de águas doces.

Para contrapor essa variedade de riquezas, a região apresenta sintomas do impacto que é causado pelo descontrole na ocupação e exploração (no bom e no mau sentido)que coloca em risco o bom desenvolvimento da floresta.

A Educação é a arma mais potente contra todo esse impacto. E isto deve ocorrer em todos os níveis da sociedade, desde o político, passando pelo empresário e chegando aos povos ribeirinhos e da floresta. Com Educação, chega-se ao desenvolvimento sustentado que só o bem trará a diversas comunidades, ao país de uma maneira geral e, principalmente, a preservação e conservação de riquezas que, num futuro próximo, podem fazer a diferença na convivência entre os povos.

Rondônia tem algo a oferecer muito além dos trilhos da Mad Maria. Embarque nessa.

 

LENDAS

O BOTO

De muita "estória" tem sido vítima o nosso irrequieto cetáceo, brincalhão e inofensivo. Alguns lhe dão propriedades de mistérios, que vira gente, transformando-se em um rapaz vistoso, galanteador e sedutor. No baixo Amazonas, pelo menos no Paraná de Arary, onde morei muitos anos, havia uma certeza de que , quando as moçoilas apareciam grávidas, havia sido flechada pelo "boto", como o chama o ribeirinho. E tal a afirmativa, que o nosso despretencioso boto, fica caluniado antes os fatos de ser pai de muita criança. E é bem difícil, conforme já conversei com uma velha tapuia, que afirmava, haver, quando moça, mantido relações com um mancebo muito bonito, em uma noite à beira do lago onde morava. Achei estranha a história da velha e deixei sua barraca, certo que ela já estava demente. No entanto, todos gostavam de conversar com a velha, que conhecia bem o passado do lugarejo e não esquecia um só dos mais antigos. A sua conversa não denotava o que dela eu julgava, mas a história do boto jamais me convenceu.

Quando saí do Colégio, para gozar umas férias na Fazenda de meu pai, no Paraná do Arary, Município de Maués, gostava de frequentar as festinhas dos beiradeiros, sempre muito animadas, tocadas a violino (rabeca, violão, cavaquinho e um bumbo).

Em uma dessas festas, conheci uma tapuya de nome Luiza, bem bonita e vistosa. Dançava muito bem e eu sempre a procurei para ser meu par e também, namorá-la. Era também muito volúvel: gostava de exibir-se, quando estavam perto os seus admiradores.

Nas festas de São João, comemoradas com fogueiras e muita comida, notei a falta de Luiza e, como as festas nessa época eram quase em seguida, em casas diferentes, em nenhuma encontrei com a bela tapuya.

Aquilo me chamou a atenção e, ao encontrar sua mãe, uma tapuya já de idade, indaguei pela moça. Foi quando vila a saber, que ela havia sido "flechada pelo boto"e estava de filha nova. Fiz ver a velha que tal não podia acontecer e que o boto era um cetáceo e nunca poderia ter relações com um ser humano. A velha ficou meio brava comigo e disse que os rapazes da cidade não entendiam nada da vida dos rios. Que éramos ignorantes das coisas das águas. Tive que ouvir resignado o que a velha descreveu sobre o boto e suas qualidades de galã.... Achei que irão deveria contradizê-la, pois estaria perdendo o meu tempo.

Disse-me, que nas festas sempre aparece um bonito rapaz, tendo um chapéu à cabeça e dança com ele sem tirar, para esconder um buraco que o mesmo tem na cabeça. Cito esses fatos, não dando crédito, ms sim, desafiando as pessoas que confiam em semelhantes estórias.

O mais certo e verdadeiro, é que o boto tem servido para esconder muita safadeza de cabra que se aproveita da ignorância de muitos...

Do livro Fatos, Histórias e Lendas do Guaporé, de Paulo Saldanha Sobrinho

Reportagem: Marcelo Russo