|
Turismo para Solteiros -
Jan/03 |
|
Voltar |
De acordo com o IBGE, há 74 milhões de solteiros no país. Isso sem contar os
separados, divorciados e viúvos que somam mais 11 milhões de corações
solitários. Em busca dessa fatia de mercado, algumas agências estão faturando
com programas feitos na medida para quem viaja sozinho, sem encargos como o
preço do apartamento single (que chega a ser até 40% mais caro nos pacotes
tradicionais).
O número de turistas que procuram viagens para solteiros se multiplicou nos
últimos anos, assim como as agências que oferecem esse tipo de serviço. Mas há os que querem formar seu próprio roteiro e conhecer os
lugares e pessoas da região.
|
Em uma viagem apenas para pessoas sem companhia, tudo é organizado para que as
pessoas se integrem, dos passeios às piadinhas dos guias com atividades onde
incentive a amizade e que faça a pessoa se enturmar ao grupo. Claro que pode
até pintar um romance, mas tanto as operadoras quanto os turistas não admitem
que essa seja a intenção.
A Revista Turismo dá três dicas de viagens nacionais neste verão para os
viajantes solteiros, separados ou simplesmente desacompanhados.
Arraial D'ajuda

O sul da Bahia confirma a sua vocação de paraíso da temporada e embala 165 mil
pessoas em uma festa regada a cerveja e lamba-eróbica. A cena se repete,
diariamente, no aeroporto de Porto Seguro: pousa o avião, lotado de turistas,
enquanto, aqui embaixo, a turma que está indo embora tira as malas do chão e
saca o cartão de embarque, preparando-se para partir. Quase todos brancos se
despedem dos bronzeados que partem com um ar de alegria e um "tererê" enfeitando
os cabelos!

O que será que esta turma vê aqui em Porto Seguro para voltar ano após ano?
Nas barracas gigantes à beira mar, o pessoal agita com a "lambaeróbica" e na
"passarela do álcool" - uma fileira quilométrica de barzinhos, um ao do lado do
outro, onde se prepara o tradicional "capeta": abacaxi, uva, guaraná em pó,
canela, vodca, leite condensado, groselha, mel e gelo.
Você nem precisa saber dançar, que eles te ensinam, há mais mulheres do que
homens (segundo os homens) e mais homens do que mulheres (segundo as mulheres).
E, se não encher muito o saco, pode beber até cair que ninguém repara.
Arraial dÁjuda é hoje uma pequena cidade com hotéis belíssimos, varias opções
de pousadas e hospedagens, restaurantes, lojas, galerias de artesanato, arte,
programas artísticos-alternativos como aulas de arte, cerâmica e capoeira.
Apresentações de Danças Africanas, Maculelê e Capoeira, bons músicos e bandas de
forró e de rock são intercaladas nas noites do Arraial. Fora os luais na beira
do mar.

Recebe turistas provenientes de todo o Brasil e do mundo (especialmente
Argentina, Europa e Israel) durante o ano todo num ritmo muito tranqüilo e
sossegado. Já em Janeiro e Fevereiro, é a alta temporada: é um torrente de
turistas brasileiros e argentinos. O verão transforma o ritmo da cidade que fica
ativa dia e noite, na Praia, na estrada do Mucugê, na Brodway e por todo lugar. |
|
Dicas
Leve uma agenda com endereços de
amigos ou amigos de amigos que morem nas cidades por onde você passará. Eles
podem dar dicas preciosas, que só os locais conhecem.
Não espere seguir um roteiro à risca: uma das maiores graças de viajar
sozinho é que você acaba conhecendo outras pessoas e, muito provavelmente,
descobrirá novas rotas e possibilidades ao longo da viagem.
Use o tempo que você gastaria conversando bobagem, se estivesse acompanhado,
e anote as suas impressões da viagem num diário. É o melhor suvenir que você
pode trazer de uma viagem.
Alugar um carro não é boa idéia, já que você não terá ninguém para dividir o
aluguel e a gasolina. De ônibus ou de trem você gasta menos e aproveita mais
a viagem.
Viajar sozinho é uma forma de auto-conhecimento, porque ensina a gente a
lidar com os outros. Portanto, não leve livros nem walkman. Prefira estar
completamente aberto para conhecer pessoas e saber tudo sobre os lugares
para onde vai.
Abra um e-mail itinerante, desses que podem ser acessados de qualquer
computador, e freqüente os cyber Cafés por onde passar. Além de trocar
mensagens com seus amigos e economizar o dinheiro dos telefonemas, você vai
conhecer outros turistas e conseguir informações novas.
Economize na mala: ela deve ser a menor e mais leve possível para lhe dar
mobilidade. Afinal, você não irá dividi-la com ninguém.
Evite ficar em hotéis cujos quartos seguem o tamanho padrão para duas
pessoas. Eles cobrarão de você praticamente o mesmo que cobrariam de um
casal. Prefira os hotéis que têm quartos menores, com uma cama só, que saem
em média de 30% a 40% mais baratos do que os de casal.
Leve um pequeno despertador, para não perder a hora. Lembre-se: quem viaja
sozinho tem de ser auto-suficiente.
Acidentes, infelizmente, acontecem e, sem ninguém por perto, é bom se
garantir: faça um seguro-saúde. Os cartões de crédito internacionais
costumam vender bons planos e que funcionam em vários países. Sai mais
barato do que pagar médico e hospital no exterior.
Para não ficar sozinho:Nem sempre é um risco dividir um quarto com um
estranho. Algumas agências, especializadas em viagens mais ecológicas ou
exóticas, costumam apresentar os viajantes, para que eles se conheçam antes
da partida.
Mesmo que você não seja estudante, hospede-se num albergue da juventude.
Além de barato, é um ponto de encontro de viajantes solitários.
Assim que chegar a uma cidade, pergunte onde são os bares mais animados. É
arrumar companhia na certa.
Para quem viajar sozinho pela primeira vez, escolha destinos fáceis. São
aqueles onde qualquer um sente prazer apenas em andar na rua ou ver a
paisagem. Deixe para conhecer lugares complicados quando você encontrar uma
companhia disposta a encarar (e dividir) os percalços.
Prefira os restaurantes de preço fixo por pessoa, com menu do dia ou sistema
self-service: assim você não corre o risco de pedir um prato grande, que
daria pra dois e, por isso, custaria mais caro. No Brasil, vá aos
restaurantes por quilo, pela mesma razão.
Viajando sozinho, você terá de se relacionar mais diretamente com os
moradores. Aproveite: você acabará conhecendo melhor a culinária e os
costumes locais. |
Jericoacoara
Ou em clima romântico, ou em clima de muito
forró e diversão. Jericoacoara é assim. Depois das 6 horas da noite, como num
ritual noturno, os lampiões acendem. Jericoacoara não possui energia elétrica,
funcionando na maioria das vezes, com gerador próprio. Na rua do forró tem
sempre um povo animado, em busca de novos amigos e de uma noite com muita
diversão. A rua do forró, é um dos principais pontos turísticos, com o Bar do
Reggae e o Recanto do Momento, que é a única casa de forró e já virou tradição.
Em Jericoacoara, não deixe de agitar aquele forró, que só os nativos sabem
dançar e se deliciar com esse gingado cheio de sedução.
 |
Para aproveitar a vida noturna em Jericoacoara você tanto pode chegar
acompanhado como solteiro. Se você vem acompanhado, parabéns pela escolha, o
lugar é perfeito para curtir a dois: muito tranqüilo, aqui ninguém atrapalha o
relacionamento de ninguém. Existem muitos lugares desertos e a noite é super
romântica: devido a ausência de iluminação pública você consegue ver um céu
super estrelado. Mas se você chegou solteiro, fique sabendo que Jericoacoara é
um lugar que estimula as pessoas a se conhecerem. |
O agito começa ao entardecer com o pôr-do-sol. Existem vários lugares para
apreciá-lo: pode ser na duna, aonde há a maior concentração de turistas, nos
bares da beira da praia, como o do Alexandre, que sempre tem uma cerveja
geladinha, ou na Cantina Taverna, que tem café expresso com pão de queijo ou
açaí com banana e possui um mezanino com uma vista maravilhosa. Para quem quer
andar um pouquinho mais, apreciar o crepúsculo no serrote ao lado do farol é
super romântico.
O happy hour é no Restaurante do Clube dos Ventos. Muita gente bonita, vídeos de
windsurf e outros esportes radicais, saladas, sucos, petiscos, coquetéis e
bebidas.
Para jantar vários cardápios: no Espaço Aberto a especialidade é frutos do mar,
o peixe a molho verde é delicioso. Para quem gosta de pizza o lugar é a pizzaria
Dellacasa, com a pizza a moda temperada com rúcula. Para quem gosta de astral e
cardápio bem variado o lugar é o Naturalmente na beira da praia, com seus crepes
leves, bebidas e massas. Como dá para notar, a culinária em Jericoacoara, é um
dos pontos fortes do lugar. Ótimo lugar para esperar o início da boemia.
Por volta das 22:00hs começa a funcionar o forró, que apesar do ritmo sugerido,
toca tudo; reggae, MPB, e o próprio forró. Em tempo de alta estação só não tem
festa as segundas-feiras, na baixa somente acontecem as quartas e aos sábados. A
festa geralmente é de graça. As vezes fazem algum bingo ou promoções para
arrecadar dinheiro. Quando é paga o preço não ultrapassa os R$ 2,00.
Do lado de fora, há grande concentração de banquinhas de caipirinha. Tomar uma
dose de pinga com mel, bebida típica do local é uma boa pedida.
Para quem não gosta do forró ou queira prolongar a noite, existem vários bares
que só fecham de manhã, como o Mama Áfrika ou bar do Reggae.
Antes de dormir, para repor as energias, a pedida é ir na padaria do Sr.
Antônio, comer um pão quentinho, saído do forno à lenha...
|
Morro de São Paulo
Mergulhar, pescar, nadar, caminhar, cavalgar,
banhar-se nas piscinas de água salgada ou na fonte de água doce fazem parte de
programas irresistíveis. Descobri-los é quase uma obrigação do turista
incansável de novas aventuras. A primeira pode ser a de seguir uma trilha na
mata nativa, em direção ao farol, edificado em 1885. Um trecho de muralha da
fortificação ainda d encontra no local, juntamente com um velho canhão
semi-enterrado. Do mirante, avista-se o principal cartão-postal do Morro: a
seqüência de enseadas das praias, que formam piscinas naturais, de águas tão
cristalinas que deixam transparecer corais submersos.

|
Dicas para
as mulheres
Com algumas precauções
básicas (praticamente as mesmas de quem mora em cidade grande), mulheres
desacompanhadas podem ir a qualquer lugar.
Para diminuir a bagagem,
coloque roupas que dispensam ferro, só dois pares de sapatos e cosméticos do
tipo dois-em-um (como xampu com condicionador). Uma boa dica é escolher uma
cor base (preto ou azul, por exemplo) e só levar peças que combinem entre
si.
Fique atenta com quem
conversar: muitos chatos acabam colando em quem viaja sozinha, e fica
difícil livrar-se dele depois.
Fique ainda mais atenta com
sua mala: mulher sozinha atrai mais olhares e, conseqüentemente, mais
ladrões. Para dar impressão de estar acompanhada, coloque sua bolsa ou
casaco na poltrona ao lado.
Se não quiser ser abordada,
jamais abra seu guia ou mapa no meio da rua. Ninguém resiste a puxar papo
com uma turista perdida. |
Sem dúvida, a melhor pedida no Morro é
aproveitar o sol e o banho de mar. As praias não têm nome e são identificadas
numericamente. A primeira Praia é a mais povoada de pousadas e casas de
veraneio, sendo propícia para o surf. Quando a maré baixa, A Segunda Praia
transforma-se em aquário e, mesmo sem ajuda de equipamentos, pode-se apreciar a
riqueza da fauna marinha, As áreas de barracas são demarcadas com coqueiros e
plantas decorativas, que lhes emprestam um charme todo especial. È aqui também
que, à noite, acontece animados luaus.
Na direção da Terceira Praia está a Ilha da
Saudade que, na verdade, já deixou de ser ilha há muito tempo, por força ou
capricho da natureza. O lugar lembra um jardim tropical – bem no estilo Burle
Marx – no meio do mar. Da terceira Praia avista-se a ilha de Caitá, uma pequena
formação de areia decorada por um único coqueiro. As piscinas de corais também
são constantes nesta praia. O restante da costa é chamada de Quarta Praia, até a
Ilha de Boipeba, passando pelo povoado de Garapuá, numa extensão de 20
quilômetros de pura natureza.
Subir e descer o Morro é uma constante na vida
de moradores e turistas. Na vila não existem automóveis, para alegria dos
ecologistas, que condenam até mesmo o uso dos tratores na praia, que transportam
passageiros e mercadorias até às pousadas mais distantes. Para os que desejam se
lançar em mares nunca dantes navegados, é fácil alugar ou participar de passeios
de escunas, com preços que variam de acordo com to tipo da embarcação e do tempo
da excursão. Durante o verão, há passeios de escunas para os outros povoados da
Ilha de Tinharé, como Galeão, Gamboa do Morro, Garapuá e até às vizinhas Ilhas
de Boipeba e Cairu, esta, a sede do município. A Ponta do Curral, um sítio
histórico, já no continente, em Valença, onde desembarcam as primeiras cabeças
de gado do Brasil, é outro passeio imperdível. Porto natural com praia deserta,
extensa faixa de areia que avança para o mar, a Ponta do Curral é uma passeio
belíssimo para os que desejam ficar a sós.
Das ruínas destacam-se os 678 metros de muralha,
intercalados por guaritas e bombardeiros. Considerado um dos maiores conjuntos
defensivos da Bahia, a Fortaleza foi palco de grandes acontecimentos históricos,
desde a sua fundação no século 17, sendo o local onde o almirante Villegaignon
foi derrotado pela esquadra portuguesa. Mas é na hora do pôr-do-sol que todos os
caminhos levam ao Forte, onde nativos e turistas, em êxtase, assistem ao
espetáculo da natureza. As muralhas ficam apinhadas de gente. A última lancha
que faz a travessia para Valença apita, avisando que vai partir. Os barcos
pesqueiros retornam ao porto, acompanhados por gaivotas que teimam em pescar
dentro das embarcações. Os golfinhos seguem o rastro e fazem festa saudando a
luz avermelhada do fim do dia. É um momento de conciliação do homem com a
natureza, uma tela que a vista jamais esquecerá.
A noite cai sobre o Morro. A praça Aureliano
Lima, a principal do povoado, e o Caminho da Praia ganham um colorido de luzes e
gente, com hippies que armam barraquinhas simpáticas para a venda de artesanato.
O sonho não acabou para esta pequena comunidade pós-moderna que ainda vive no
Morro, fazendo artesanato de búzios e conchas. Depois das 22 horas, todos os
caminhos levam à praia. Entre a Primeira e a Segunda, os luaus acontecem na
areia, reunindo gente jovem e bonita ao redor de fogueiras. As barracas de praia
têm charme e vida noturna independente. Nelas se pode jantar, tomar um drinque e
dançar até o dia amanhecer, apreciando outro espetáculo deslumbrante da
natureza. No Beco das Pedras, um ponto de encontro transadíssimo na Segunda
Praia, há uma variedade de ofertas para alimentação: pizzarias com forno a
lenha, casa de massas, grill, ponto de café expresso, cachaçaria e sorveteria.
 |
Alimentação no Morro não é problema. Aí se
encontra comida típica baiana, vegetariana, massas italianas e até churrasco no
autêntico estilo gaúcho. As colônias de pescadores, que se espalham entre os
povoados do Morro, do Galeão, da Gamboa e até do distante Garapuá, garantem o
abastecimento de pescados frescos para o Morro, saboreados na forma de moquecas,
escaldados e grelhados. Difícil escolher entre os mariscos catados, lagostas ou
os famosos camarões de Valença, criados em cativeiro. |
No Morro
há quatro opções de locais onde se hospedar: na vila, na praia, na fonte ou na
mata. Para acertar na escolha é preciso saber que os lugares de maior auê ficam
entre a vila, a fonte, a Primeira e a Segunda Praia. As pousadas situadas na
mata, na Terceira e Quarta praias são mais sossegadas. Nos feriados prolongados
e durante o verão, o Morro entra em ebulição e quem não quiser dormir na praia
precisa fazer reserva com antecedência. No entanto, na baixa estação, os hotéis
e pousadas oferecem pacotes promocionais, com preços reduzidos, além de
descontos em restaurantes.
Reportagem:
Wagner Vieira
Voltar
|